Páginas

Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

terça-feira, agosto 26, 2014

Europa começa a mudar enfoques da crise ucraniana

ucrânia, europa, união europeia
Na foto: Piotr Poroshenko (foto de arquivo)

A crise ucraniana tem uma possibilidade de ser resolvida por via pacífica. Em 26 de agosto, será realizado um encontro multilateral entre os líderes da Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão, Ucrânia e altos representantes da União Europeia.

Seria, porém, ingênuo supor que o caminho à paz seja seguido imediatamente. No entanto, o fato de conversações vem ilustrar sérias alterações nos enfoques do problema, assumidos agora por Kiev e outras capitais europeias.
O presidente Poroshenko está pronto a manter negociações com Moscou. Há algum tempo, ele preferia contatar, única e exclusivamente, com seus parceiros do Ocidente – a UE e os EUA. Diante disso, a Rússia era alvo de múltiplos ultimatos e provocações incessantes em forma de disparos contra a zona fronteiriça russa.
Mas o tempo de fanfarronadas passou. Kiev não consegue esmagar a resistência no Sudeste, enquanto a guerra fratricida vai inviabilizando a fraca economia ucraniana.
Uma tentativa de ultrapassar a crise à custa da UE fracassou. Um acordo de associação foi assinado, tendo criado muitos problemas. Os incentivos e benefícios fiscais, tarifas e princípios de interacção de Kiev com os países da União Aduaneira – a Rússia, a Bielorrússia, o Cazaquistão – serão revistos e cancelados. E essa é uma grande desvantagem. As vantagens existem só no papel, podendo ser palpáveis em um futuro distante.
Entretanto, Bruxelas deseja atenuar a tensão. Na reunião em Minsk Poroshenko será acompanhado pela baronesa Cathrine Ashton, alta representante da União para as Relações Exteriores e a Política de Segurança, pelo vice-presidente da Comissão Europa, comissário de energia, Guenther Oettinger, e o comissário de comércio, Karel Gucht. O seu objectivo comum é tanto ajudar Kiev, como receber garantias de não se envolver num abismo ao qual pode arrastá-los a Ucrânia. O presidente do fundo Politika, Viacheslav Nikonov, comenta:
“Os representantes europeus tentarão, com certeza, fazer recair o maior peso da economia ucraniana sobre a União Aduaneira, inclusive sobre a Rússia. É mais do que evidente que a UE não será capaz de carregar sozinha um pesadíssimo fardo chamado de “economia ucraniana decadente”. Para dizer verdade, a União nunca tentou fazê-lo. Parece-me que eles tentarão jogar um papel de solicitantes que atuem a partir das posições de força à luz das sanções antirrussas. Por outro lado, a UE já sentiu consequências das contramedidas russas relacionadas com à proibição à importação de alguns tipos de alimentos”.
Assim sendo, para a Rússia e outros membros da União Aduaneira, uma componente econômica das negociações tem sido muito importante. A operação punitiva contra a região de Donbass deve ser cessada imediatamente.
A catástrofe humanitária na região foi reconhecida por muitos políticos e organizações do Ocidente. Mas enquanto prosseguirem ataques de artilharia pesada, será impossível, por mais dinheiro que seja investido para o efeito, reconstruir o sistema de águas e esgotos, o fornecimento de energia eléctrica, padarias e hospitais demolidos.
Todavia, até hoje, os apelos de Poroshenko no sentido de alcançar a paz não se concretizaram, bem como as demais promessas das autoridades de Kiev. Em 17 de abril, os participantes do encontro em Genebra acordaram a urgente escalada da tensão no sudeste. Em foco estava a possibilidade de reforma constitucional, diálogo interétnico e a delegação de alguns poderes centrais para as regiões.
Mas nenhum desses pontos terá sido implementado. Mais tarde, após a tomada de posse, Poroshenko teria falado sobre uma nova Constituição e descentralização da Ucrânia. Hoje em dia, tudo fica na mesma.
Hoje, os parceiros da UE lembram a Kiev sobre suas promessas.
O vice-premiê da Alemanha, Sigmar Gabriel, disse que um conceito de federalização poderia ajudar a encontrar uma saída da situação de impasse. Disso falou também há dias Angela Merkel no âmbito da sua visita a Kiev. Em sua opinião, tal opção teria contribuído para o restabelecimento de paz no país.
E aqui não importará muito o nome – a descentralização do poder ou a federalização. O mais importante é fazer com que se respeitem os direitos de todos os ucranianos independentemente de nacionalidade, língua e religião.
No encontro de Minsk será possível chegar a uma solução consensual para estas questões. Claro que as partes estão dispostas a negociá-las, se necessário, por muito tempo. Mas o fato de Kiev e Bruxelas estarem prontas para as conversações com Moscou, Minsk e Astana demonstra que os políticos europeus estão mudando suas posições e atitudes para com muitos problemas pendentes.
*VozdaRússia

Casal sofre racismo após publicar foto no Facebook

Jovem negra que namora um rapaz branco sofre enxurrada de ataques racistas no Facebook após a publicação de uma simples imagem

racismo casal facebook
Jovem negra sofre racismo após publicar foto ao lado de seu namorado branco (reprodução)
Um casal foi vítima de comentários racistas após a publicação de uma imagem no Facebook.
A jovem negra D.M, que namora L.F, um rapaz branco, postou uma foto que é considerada habitual pelos brasileiros que frequentam as redes sociais: a demonstração de afeto de um casal. No entanto, o que deveria ser normal se transformou em um manancial de ódio e de deboche criminoso.
Alguns comentários sugeriram que D.M seria uma escrava por namorar um rapaz branco. “Onde o rapaz teria comprado a escrava?”, questionou um perfil, que recebeu apoio: “O casal parece que está na senzala”. “Se mexer vira nescau”, publicou um outro internauta já identificado pela Polícia Civil.
D.M postou uma mensagem no Facebook lamentando as manifestações racistas que se sucederam após a publicação da imagem. “Haverá racismo enquanto as pessoas não entenderem que por dentro somos todos iguais”, afirmou.
Para quem ainda duvida da existência de racismo no Brasil, não há outra motivação para os ataques a não ser a pigmentação da pele. Preconceito racial puro e indiscriminado.
A página Pretinho do Poder repercutiu o caso nas redes sociais. Até o fechamento desta edição, mais de 146 mil curtidas e 18 mil compartilhamentos foram registrados.
A Polícia Civil informou que deverá iniciar a apuração dos fatos e instaurar inquérito assim que o casal formalizar a denúncia e registrar a ocorrência.
*PragmatismoPolitico

segunda-feira, agosto 25, 2014

"Devo, não pago, (so)nego enquanto puder" - disseram dois apresentadores, enquanto faziam cara de prisão de ventre.



 

Bonner também não mostrou seu próprio DARF: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/08/bonner-tambem-nao-mostrou-seu-proprio.html

Huck e a "privatização" das praias: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2011/07/funcionarios-de-luciano-huck-impedem.html... Ver mais



*memesmessianicos

O mundo está cheio de cegos guiando cegos (medite)

Cegos Guiando Cegos

 Se você não parar para tentar entender a vida e a razão por detrás das coisas, sua passagem pelo mundo perde muito do seu sentido. Não me refiro a refletir sobre isso depois de ler a respeito em algum lugar ou de ouvir qualquer pessoa falar sobre o assunto. Eu falo de você sozinho, com seus próprios pensamentos, refletir sobre si e sobre a existência. Se você não fizer isso, então irá aceitar as ideias de terceiros como sua própria visão das coisas, quando o externo é que deveria complementar o que você já sente e entende por si mesmo.

 Citando Lao-Tsé: “O homem correto age por uma lei interna, e não por mandamentos externos.” Se você por si mesmo não conseguir enxergar o que é certo para você, outros irão lhe dizer o que enxergar e o que é considerado adequado, moral ou bom, quando tais conceitos são relativos e ninguém detém a verdade sobre os fatos.
 O mundo está cheio de cegos guiando cegos. Faça do que vem de fora um ponto de referência para tentar explicar o que você está sentindo, mas não torne isso uma doutrina.
 Quando tornamos a "regra externa" o nosso modus operandi nos tornamos escravos de um sistema de comportamento que é inconsciente para nós, pois não temos consciência plena do porque estamos fazendo aquilo. A Alemanha Nazista foi um bom exemplo de como as "regras externas" podem ser usadas para dissimular e controlar. Outro exemplo foi a Europa na Idade Média, onde era explicitamente proibido falar sobre determinados assuntos, assuntos que iam contra a mentalidade padrão da época, tendo tortura e eventualmente morte como punição. 

 O Ocultismo* surgiu em razão disso, as pessoas ditas "pagãs" tinham medo de serem expostas, por razões óbvias, e também pela necessidade de preservar determinados conhecimentos que foram deturpados pelo senso comum da época.
 Pelo motivo das pessoas estarem presas em regras ditadas pelo mundo externo, e não seguindo seus próprios corações, atrocidades foram cometidas, conhecimentos milenares destruídos, o que sobrou foi ocultado, em razão disso, muito foi distorcido e nós acabamos ficando mais cegos.
*evoluçaodaConsciencia

domingo, agosto 24, 2014

Dilma: demite o general ou extingue a Comissão da Verdade




Via PCB

General proíbe colaboração do Exército para apurar crimes da ditadura

Dilma precisa decidir o que fazer com a CNV, após o comandante do Exército dificultar o acesso a documentos da repressão
Luiz Cláudio Cunha
A presidente Dilma Rousseff acordou estarrecida nesta sexta-feira, 22, como qualquer brasileiro que se respeita. E diante de um dilema inadiável, indelegável, inquestionável:
Ou Dilma demite o Comandante do Exército ou Dilma extingue a Comissão Nacional da Verdade (CNV).

O ofício cala-boca do Comandante do Exército…
Não há mais clima de convivência possível entre o general Enzo Peri, chefe do Exército, e os seis comissários da CNV, diante da espantosa manchete de hoje do jornal O Globo: “Anos de chumbo: comandante impõe silêncio ao Exército.”
O repórter Chico Otávio recebeu do procurador Sérgio Suiama, da Procuradoria da República do Rio de Janeiro, um inacreditável ofício enviado em 25 de fevereiro passado aos quartéis de todo o País pelo comandante do Exército, general Enzo Peri, proibindo qualquer colaboração para apurar crimes da ditadura que derrubou o presidente João Goulart. O general Peri chega ao requinte de mandar um modelo de ofício, em branco, instruindo cada quartel a rebater pedidos do Procurador-Geral da República para o seu gabinete em Brasília, no quarto andar do Bloco A do QG do Exército (veja cópia abaixo].
O cala-boca nacional do general Peri abrange qualquer pedido ou requisição de documentos feitos pelo “Poder Executivo (federal, estadual e municipal), Poder Legislativo (federal, estadual e municipal), Ministério Público, Defensoria Pública e missivistas que tenham relação ao período de 1964 a 1985”). Só quem pode responder a tudo isso, esclarece o ofício, é o Gabinete do Comandante do Exército, ou seja, o próprio general Peri, erigido agora com uma autoridade que transborda todas as esferas de poder.
É útil lembrar que os desmandos e abusos cometidos entre 1964 e 1985 constituem o foco principal da investigação da CNV, que apresentará ao País em dezembro próximo o seu relatório final.
A solução do impasse agora revelado cabe exclusivamente à Suprema-Comandante das Forças Armadas (FFAA), a quem o general se subordina nos termos da Constituição, e à Presidente da República, que criou a CNV em 2011 e a instalou no ano seguinte justamente para apurar graves violações dos direitos humanos no País. Dilma acumula as duas funções e a dupla responsabilidade.
Cabe a ela, e a mais ninguém, repor a autoridade de seu comando e o prestígio de seu cargo. Se nada fizer, Dilma perderá ambos — a autoridade e o prestígio. Tudo isso em meio a uma brava campanha eleitoral, que não permite hesitações ou fraquezas. À esquerda ou à direita.
É útil lembrar que o ofício do general Peri foi remetido a todas OM (organizações militares) e com difusão para todos os Comandantes de OM e Estado-Maior, ou seja, todos os 108 generais da tropa – os 14 generais de Exército, os 32 generais de Divisão e os 62 generais de Brigada que integram a maior e mais poderosa força militar terrestre da América Latina, com 220 mil homens e a maior concentração de blindados do continente, com 2.000 tanques, 500 deles pesados.

…e o modelo de resposta-padrão para não dizer nada e desviar tudo para o QG do Exército.
Existe aqui uma clara confrontação da estrela máxima da República, a da presidente Dilma, com o firmamento das 276 estrelas que comandam a tropa — 14 generais de exército (quatro estrelas), 32 de divisão (três estrelas) e 62 de brigada (duas estrelas). A estrela maior deve brilhar sobre todas as outras, nos termos da Constituição e da hierarquia militar, ou então se apaga irremediavelmente.
O grave tom de insubordinação do general Peri se constata pela data em que enviou o ofício cala-boca a seus subordinados de todo o País: 25 de fevereiro de 2014, exatamente uma semana após a entrega pela CNV de seu relatório ao ministro Celso Amorim pedindo informações às Forças Armadas. Quatro meses depois a CNV recebeu um insolente, imprestável conjunto de 455 páginas de relatórios das FFAA que não investigam, não relatam e não respondem às perguntas objetivas e documentadas da Comissão da Verdade.
O relatório minucioso da Comissão da Verdade relacionava, com nomes e datas, graves violações aos direitos humanos nos sete endereços mais notórios da repressão coordenada pelos militares, situados no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco. São cinco quartéis do Exército — incluindo os DO-CODI do Rio e São Paulo, os endereços mais letais da repressão, onde morreram pelo menos 81 pessoas, segundo levantamento da CNV —, uma base da Marinha e outra da Aeronáutica, com os nomes, sobrenomes, datas, depoimentos e horrores sobre nove casos de mortes sob tortura e de outros 17 presos políticos torturados. O relatório do Exército de Peri tinha 42 páginas e, como constatou o procurador Suiama, cobria uma encenação.
O Exército, descobriu o procurador, fingiu que trabalhou durante quatro meses para atender ao pedido da CNV, mas uma semana após a solicitação já cumpria uma determinação exatamente oposta de seu comandante em chefe, o general Enzo Peri.
O dúplice comportamento do comandante da corporação, de um lado chefiando uma investigação e de outro lado impondo o silêncio aos quartéis, lança um manto de dúvida sobre o objetivo real do Exército. Na prática, o ofício cala-boca de Peri submete a CNV à zombaria pública de militares insubmissos e de generais refratários ao interesse nacional, à hierarquia e à verdade, escancarando um deboche corporativo que tripudia sobre a inteligência dos cidadãos e a própria democracia.
O documento da Procuradoria da República revelado pelo O Globo lança uma suspeita terrível sobre o Exército: a CNV foi vítima inocente de uma fraude, de uma farsa? Como o Exército poderia produzir um relatório consistente e crível diante de uma ordem de silêncio imposta por seu comandante?
O Brasil não pode mais conviver com esta grave contradição.
Ou o Exército leva a sério a missão institucional da Comissão da Verdade, ou não.

Instalação da Comissão da Verdade, em maio de 2012: é mesmo Dilma a chefe suprema?
A presidente da República, num gesto altivo e corajoso, instituiu a CNV em 2012 com a missão expressa de apurar tudo. Agora, o comandante do Exército ordena o contrário: ninguém subordinado a ele pode ajudar nas apurações.
O general Peri não está zombando apenas da CNV.
Está achincalhando a autoridade da comandante-suprema, a presidente da República.
O Brasil deve agora se perguntar: o que fará a CNV?
O que fará o Ministro Celso Amorim?
O que fará a presidente Dilma Rousseff?
Se ninguém fizer nada, já, agora, de forma clara, decisiva, contundente, todos se desmoralizam perante o País e os brasileiros.
Os comissários da CNV precisam dar ao país uma resposta urgente, clara, digna, altiva.
O ministro Amorim precisa explicar ao país que confusão é esta. A quem ele presta contas: à presidente Dilma, que criou uma CNV para apurar, ou ao seu subordinado, o general Peri, que impôs o silêncio sobre a tropa?
A presidente Dilma precisa esclarecer ao país quem manda no Governo Federal.
É Dilma, chefe suprema do Executivo, ou é o comandante do Exército?
O Exército, que sonegou em seu relatório a constatação de que a guerrilheira Dilma é uma das torturadas no DOI-CODI da rua Tutoia onde o Exército jura não ter havido tortura, precisa explicar agora que confusão essa.
Quem manda, afinal: Dilma ou Peri? A presidente ou o general?
Os atuais comandantes, se não a compostura, perderam o prazo de validade.
Os três comandantes das FFAA — o general Peri, o brigadeiro Saito e o almirante Moura Neto — são gente do bem, fichas limpas em relação à repressão e aos abusos da ditadura. Nada têm a ver com elas, como o esmagador conjunto de seus 330 mil companheiros de farda no Exército, na Aeronáutica e na Marinha. Todos os três chegaram ao generalato, por nomeação do presidente Fernando Henrique Cardoso, apenas em 1995, quando a ditadura já era defunta há uma década.
São boa gente, mas atuam e agem como comandantes fracos e acomodados.
Estão em seus cargos desde 2007, como herança gelatinosa de Lula para a Dilma. Estão, portanto, há sete anos no cargo, mais do que o mandato de um presidente, quase o mandato de dois presidentes…
O DIÁRIO DO PODER contou que, na terça-feira, logo após ler o estarrecedor relato da jornalista Miriam Leitão sobre as torturas sofridas durante três num quartel do Exército em Vila Velha, ES, a partir de dezembro de 1972, o senador Cristovam Buarque mandou por fax um bilhete ao ministro Celso Amorim, fortalecendo o pedido de desculpas das FFAA à jornalista torturada. “Nenhum soldado de hoje pode ser acusado de responsabilidade por fatos do passado, mas serão responsabilizados por esconderem os fatos, o que também macula a História, ferida por escondida. O silêncio é uma conivência e cumplicidade”, ensinou Buarque.
Amorim ligou de volta, na manhã de quarta-feira, 20, dizendo-se também ‘impactado’ pelo depoimento de Míriam Leitão. E completou com uma frase enigmática: “Eu sei das coisas que precisam ser ditas, mas tenho algumas limitações…”.
As únicas duas limitações que Amorim tem para cima são o vice-presidente Michel Temer e a presidente Dilma Rousseff. Se um ou outro estão limitando o Ministro da Defesa são passíveis de crime de prevaricação.
As limitações que Amorim tem para baixo só podem ser os 108 oficiais que compõem sua tropa de generais. Se algum deles está limitando o Ministro da Defesa são passíveis do crime de insubordinação.
Amorim está obrigado a esclarecer quem limita suas ações na pasta da Defesa.
A presidente da República, chefe de Amorim e comandante do general Peri, está obrigada a procurar esta resposta.
Nenhuma eleição, nenhuma conveniência eleitoral justifica agora o silêncio, a omissão, a covardia, a inércia da Dilma.
Não se investiga o passado em cima do silêncio.
Não se constrói um país em cima do medo.
Não se consolida a democracia em cima da mentira.
A presidente Dilma precisa escolher entre o general Peri e a Comissão da Verdade.
Os dois não podem mais conviver no Estado Democrático de Direito.
http://www.diariodopoder.com.br/noticias/dilema-urgente-da-presidente-dilma-demite-o-general-ou-extingue-a-comissao-da-verdade/

Nada de novo na decisão do general Enzo Peri no exercício do Poder Moderador de Marcelo Cerqueira O comandante do Exército, general Enzo Peri, proibiu os quartéis de colaborar com as investigações sobre as violências praticadas em suas dependências durante o regime militar. A decisão abrange os pedidos feitos pelo “Poder Executivo (federal, estadual e municipal), Ministério Público, Defensoria Pública e missivistas que tenham relação ao período de 1964 e 1985”.
Embora a República brasileira deite raízes na Inconfidência Mineira (meados do século XVIII), ela iria ser proclamada por um monarquista chefe de um Exército monarquista. Deodoro imaginava “suceder” a Pedro II e indagava a Rui Barbosa porque não poderia ele dissolver o Congresso, medida que afinal iria concretizar obrigando-se, após o malogro do Golpe, à renúncia e abrindo vaga para a posse do vice Floriano Peixoto. Apertado resumo apenas para concluir que desde então o Exército se outorga o exercício do “Poder Moderador”, antes atribuido na Carta Imperial aos Imperadores. Daí resulta que o Exército não aceita os limites impostos pelas Constituições democráticas (1934/1964/1988). Entende que coexistem “dois poderes”: o Poder Civil que tudo pode desde que respeite o Poder Militar, o outro "Poder". Como são vastíssimos os poderes do Poder Civil (até o de nomear os chefes do Poder Militar) a dicotomia fica encoberta e só vai aparecer claramente quando as Forças Armadas, Exército à frente, afirmam não ter havido desvio de finalidade na repressão cruel que praticaram a partir do Golpe de 1964. Como esclareceu inteligente jornalista, se não houve “desvio” era porque era “norma”.
Nada de novo na decisão do general Enzo Peri no exercício do Poder Moderador.
*GilsonSampaio

adriano diogoAdriano Diogo era militante estudantil na resistência à Ditadura Militar. Fez movimento secundarista e universitário. Estudava Geologia na USP quando foi preso e torturado, em 1973, no DOI-Codi de São Paulo, comandado, na época, por Carlos Alberto Brilhante Ustra, hoje coronel reformado do Exército. Foi no dia de sua prisão que testemunhou o assassinato de Alexandre Vannuchi Leme, seu companheiro de militância e amigo de turma da universidade.
Desde então, sempre se dedicou às causas ligadas à justiça social e desenvolveu uma longa luta por moradia, saúde, direitos humanos e meio ambiente. Atualmente é deputado estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo e presidente da Comissão de Direitos Humanos e da Comissão Estadual da Verdade, que investiga as mortes e torturas durante a Ditadura.
Recentemente, Adriano combateu as prisões de militantes nas manifestações contra o aumento das tarifas na Capital paulista. É um importante lutador contra a violência policial na periferia e um grande apoiador da luta dos petroleiros em defesa da Petrobrás e do petróleo brasileiro.
A Verdade – A Comissão da Verdade de São Paulo termina seus trabalhos em dezembro deste ano. Já é possível fazer um balanço do trabalho realizado até aqui?
Adriano Diogo – Eu acho que a comissão cumpriu um papel importantíssimo, que foi, primeiro, de emular a Comissão Nacional e incentivar a criação de outras comissões estaduais, municipais, universitárias e outras.
Depois, a nossa comissão é uma comissão militante. E eu acho que nós fomos bem porque admitimos isso e depois porque nós não ficamos atrás do “sucesso”, “das luzes”, o que eu considero um verdadeiro câncer da política.
A nossa estrutura é mínima, nós não fomos aprovados nem na forma da lei, foi um projeto de resolução que não tem status nem de CPI, é quase uma comissão de estudos, e na Assembleia Legislativa de São Paulo, que é um lugar de direita, é difícil. Então eu acho que nós, e não sou eu, somos nós mesmo, fizemos uma coisa importante. Eu acho que é um balanço extremamente favorável.
Que questões você destacaria como sendo as mais importantes do trabalho da Comissão?
Nossa grande contribuição é que um capítulo que era banido – dos mortos e desaparecidos, que eram tidos como “terroristas” –, será bem tratado. E se nós não fizermos os casos de todos os mortos e desaparecidos brasileiros, a Comissão Nacional não fará. Outra coisa que temos a condição de contribuir mais é na relação dos americanos e dos franceses com a repressão, que era um outro assunto quase que proibido.
Eu me transformei nesse processo, e olha que eu sou um cara velho politicamente falando. Isso me deu dignidade e a possibilidade de conviver tanto com a geração que viveu, quanto com as novas gerações que encararam bem o trabalho.
Outra coisa é que o assunto tomou outra proporção. Eu concordo com uma coisa que o Paulo Vanucchi diz que é que, quando começou a Comissão da Verdade, não havia mais de três mil pessoas no Brasil falando sobre isso, agora somos mais de 30 milhões [pesquisa recente do Datafolha afirma que a maioria da população defende, hoje, a punição aos torturadores, diferente de 2010]. Eu acho que o que é importante é que as novas gerações se empolgaram, assimilaram e assumiram essa bandeira, talvez não da melhor forma, mas eu acho que valeu.
Eu acho que está caindo a ficha da Ditadura em tempo real, que não é só aquela do passado, é essa que dita a ideologia da direita hoje, está viva, os caras continuam mandando. O presidente da Petrobras de 1984, quando aconteceu o incêndio da Vila Socó, em Cubatão, que matou mais de 500 pessoas, e que os dados oficiais dão conta de apenas 93, continua na ativa, organizando o leilão do pré-sal. Igual quando o Paulo Malhães foi depor na Comissão Nacional, e os caras o mataram no outro dia, Ditadura em tempo real.
Eu acho que essa Comissão da Verdade do passado deve servir de espelho para uma comissão do presente, porque as estruturas da Ditadura estão aí. Agora está aparecendo a repressão política, mas a repressão social é livre e maior.
Você acha que a discussão que as comissões trouxeram ajudou o debate político da sociedade de forma geral?
Olha, eu sou um cara do ramo da política, mas eu também estava perdido, porque fica essa despolitização de PT versus PSDB, vira competição: “eu vou fazer 5 km de asfalto” e o outro “eu vou fazer 10”, e aí? Você não muda nada! Vai fazer com que conceito, qual visão? Eu não vou ficar criticando o PT como se eu não fizesse parte, mas essa cultura nós tínhamos perdido. Esse nexo do fim da Ditadura com a redemocratização se perdeu. O conceito de esquerda voltou e voltou bem. Não acho que é impossível que implementem um plano neoliberal superagressivo no próximo período, mas acho que nós estamos vivos.
A Comissão não é, claro, a única responsável por isso, mas acho que ajudou. Eu acho que a rua é muito importante. Um exemplo é o genocídio que está acontecendo contra os palestinos, em Gaza, ninguém podia falar disso, mas a rua entrou em cena, e a presidente foi e falou do massacre, se posicionou. Eu acho que a rua sempre ensina e ensina coisa boa, coisa progressista. Eu acho que o Brasil voltou a ter uma cara de esquerda, pode estar batendo um pouco de cabeça, mas tem um discurso de esquerda no Brasil, e eu acho que a Comissão da Verdade ajudou a colocar uma pimenta nisso.
Por mais polêmico que seja a questão da Copa, apareceu uma realidade impossível de esconder, apareceu o papel do José Maria Marin, da CBF, da Fifa.
Claro que também apareceu uma nova direita, ou melhor, uma direita que ninguém sabia que existia, que estava no armário, mas é um país mais bem definido, rompendo com a hipocrisia de que convivemos todos juntos, torturados e torturadores, eu acho que isso está se dirimindo e eu acho importante isso pro Brasil.
O que eu não me conformo é que isso não vira agenda política no país, repercute na sociedade, principalmente entre as pessoas que não aceitam o atual sistema político, no campo da cultura, da arte, gente que tem uma sensibilidade grande para esse tema, mas não entra na agenda política, no dia a dia dos grandes partidos políticos.
Esse ano eleitoral mexe com nosso trabalho, porque se eu não for eleito, por exemplo, nossa tese será derrotada, vai reforçar a ideia de que, quem trata de Comissão da Verdade, Ditadura, direitos humanos, tem que ir pro gueto, pro limbo, então imagina a responsabilidade.
Existe um grande debate sobre a revisão da Lei da Anistia e a punição dos agentes do Estado responsáveis pelas torturas e assassinatos. Como você analisa essa questão?
A punição está na agenda, a possibilidade existe e, com ela, aparece também a reação, os caras também estão se armando, vindo pra cima. Antes ninguém tocava no assunto, agora a gente diz que tem que ter, eles dizem que não tem.
Eu acho que vamos chegar numa hora no Brasil em que a punição será algo natural, o problema é que o lapso temporal é tão grande que a gente corre o risco de não ter ninguém pra punir. Mas a revisão do período histórico, nisso a gente avança, esse discurso de que a Ditadura foi uma revolução acabou, torturador virou facínora. Há uma politização gradativa, mas é lenta. Como houve 400 anos de tortura dos escravos no país, existe uma permissividade muito grande, mas estamos encarando isso.
Em dezembro, a Comissão Nacional da Verdade apresentará o relatório final de suas atividades. Quais os desafios que estão colocados para a luta por memória, verdade e justiça hoje no Brasil?
Eu acho que a primeira coisa é que temos que influenciar esse relatório, porque ele está em disputa.
Depois eu penso que nós temos que produzir o nosso próprio relatório, com um conteúdo político sólido.
Agora essa luta pela memória, verdade e justiça não é uma luta isolada, essa é uma luta da humanidade, a luta contra a repressão, contra a tortura, contra o extermínio. A tortura é encarada no país como um instrumento normal.
Eu vejo o golpe militar como uma exacerbação da luta de classes, do domínio, do lucro, do uso da força. A Comissão da Verdade tem que servir pra enfrentar a face bárbara do capital, que é o fascismo, o golpe, a repressão, o assassinato, que eles consideram uma coisa normal, como conquista de território e tal.
Esse processo “civilizatório” no Brasil é recente, aconteceu nos últimos 20 anos, mais ou menos, o que, comparado com os 400 anos de escravidão, é muito pouco.
Por que o Congresso Nacional não teve um papel mais destacado na investigação dos crimes da Ditadura Militar?
Por que quem trata desse tema é visto como radical ou problemático, e os que trataram foi de forma precária. Acho que o Congresso precisa de mais gente de esquerda, porque essa é uma pauta de esquerda, e no Brasil esse conceito de esquerda no âmbito parlamentar desapareceu. Hoje, dentro do PT, por exemplo, quem pratica isso tem uma enorme dificuldade de sobrevivência.
Mas eu estou animado. Não acho que todo mundo que está indo pra rua é marxista, ou tem noção de luta de classes, mas acho que está sendo reivindicado que tem que ter pensamentos de esquerda, visão de esquerda, arte, música de esquerda, nunca se discutiu tanto o papel de direita, golpista, dos meios de comunicação, por exemplo.
Eu tenho pensado em Cuba, porque um país que exporta médicos, exporta dignidade. Eles construíram uma sociedade evoluída, socialista. Você vê um país como o nosso, que tem universidades fantásticas, e que grande parte da população não tem acesso a médico nenhum.
O problema que eu acho que tem no Brasil é que ele se mirou num processo civilizatório sem consciência política, sem consciência de classe. As pessoas dizem que é bom que no Brasil, nos últimos anos, milhões de pessoas saíram da miserabilidade, mas eu pergunto: a consciência política, a mobilização, tem o mesmo nível dessa ascensão?
Todo mundo pode ser recrutado pra um outro projeto político sem consciência.
Com consciência a pessoa não precisa concordar com tudo, mas tem noção do monstro da estrutura de classes, porque o desenvolvimento econômico sozinho não garante nada, o que garante é a consciência política.
Vivian Mendes, São Paulo

*AVerdade

solidariedade palestinaA escalada terrorista do governo de Israel não tem limite. Nas últimas quatro semanas, centenas de ataques marítimos, terrestres e aéreos com bombas de fósforo e de fragmentação foram realizados na Faixa de Gaza, matando mais de 2.000 palestinos, em sua imensa maioria civis, até porque rigorosamente os palestinos não possuem um Exército. Já o Estado de Israel tem um dos 10 exércitos mais poderosos do mundo, com mais de 160 mil soldados, submarinos, tanques modernos, bombas de todos os tipos e cerca de 400 armas nucleares.
O resultado desses covardes bombardeios israelenses são centenas de crianças mortas e milhares com pernas e braços amputados. Um desses ataques foi à escola Abu Hussein da Organização das Nações Unidas (ONU), na madrugada do dia 30 de julho, quando 21 crianças que estavam dormindo morreram. A escola foi bombardeada mesmo a ONU tendo avisado 17 vezes a Israel que suas 83 escolas na Faixa de Gaza abrigam somente civis. Pierre Krähenbühl, comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), afirmou após as mortes: “”Ontem à noite, crianças foram mortas enquanto dormiam ao lado de seus pais no chão de uma sala de aula em um abrigo da ONU em Gaza. Crianças mortas enquanto dormiam; isso é uma afronta para todos nós, uma fonte de vergonha”. Nesse mesmo dia, novos mísseis israelenses atingiram outra escola da ONU e o mercado público de Shayaia.
Apenas algumas horas depois desse massacre, Os Estados Unidos confirmaram a entrega de artilharia pesada como lança-granadas e peças de morteiro de 120 milímetros para Israel.
Até o inicio de agosto, mais de 400 crianças palestinas foram assassinadas e 9.000 estão gravemente feridas. Mas, a cada dia, novos cadáveres são encontrados em meios aos escombros dos prédios e casas, escolas e hospitais destruídos por Israel.
Mas por que Israel promove esse banho de sangue na estreita Faixa de Gaza, onde vivem 1,6 milhão de palestinos?
Não há dúvida de que o Estado de Israel odeia os povos árabes, e, em particular, os palestinos. Sabe que tem um poder militar infinitamente superior ao dos palestinos e conta com o apoio dos países imperialistas, em particular, dos EUA, que lhe fornecem armas e bilhões de dólares para promover a matança de palestinos no Oriente Médio. De 2009 a 2018, os EUA doarão US$ 30 bilhões de dólares em ajuda militar a Israel.
Israel segue à risca a ideologia nazista de que uma mentira repetida mil vezes torna-se uma “verdade”. Para isso, conta com a cumplicidade dos grandes meios de comunicação da burguesia no mundo, que repetem à exaustão as mentiras israelenses como se fossem fatos.
Quem são os terroristas?
Quem não se lembra de que Israel dizia que enquanto Yasser Arafat fosse vivo não existiria paz entre israelenses e palestinos, pois Arafat era um terrorista? Pois bem, como provou a exumação do seu corpo em 2012, Arafat morreu envenenado. Em janeiro de 2013, Shimon Peres, na época presidente de Israel, confirmou que foram os agentes sionistas que assassinaram o líder palestino.
Hoje, Israel diz que enquanto o Hamas existir e continuar governando a Faixa de Gaza não haverá paz, porque o Hamas é terrorista. Mas quem bombardeia escolas, mercados, e mata crianças enquanto dormem em escolas da ONU é o quê?
Israel também ataca o povo palestino na Cisjordânia, onde o governo é chefiado pelo moderado Mahmoud Abbas, da Autoridade Nacional da Palestina e constrói ali cada vez mais colônias. Como mostram estatísticas do governo de Israel, a construção de colônias israelenses na Cisjordânia cresceu 120% em 2013.
Depois, Israel nunca cumpriu nenhum dos acordos de paz que assinou. Pelo contrário, todos foram rasgados e jogados na lata do lixo por sucessivos governos sionistas. Em 1993, assinou os acordos de Oslo, se comprometendo a retirar suas forças armadas da Faixa de Gaza e da Cisjordânia e respeitar o direito à soberania do povo palestino, mas em vez de se retirar dos territórios palestinos, construiu mais e mais colônias nas terras palestinas e continua a ignorar o Direito Internacional e os pedidos para uma paz permanente na região de dezenas de povos. Apresenta-se como vítima de foguetes do Hamas para, sem nenhuma piedade, promover o genocídio do povo palestino.
A hipocrisia de Israel é tão grande que propõe para pôr fim aos bombardeios, a desmilitarização da Faixa de Gaza, mas quer aumentar seu exército e continuar fabricando e importando armas. Ora, se com os palestinos possuindo apenas foguetes e pedras, Israel faz o que faz, imagine o que faria se a Faixa de Gaza fosse desmilitarizada!
Há décadas que Israel, além de realizar covardes bombardeios e ações militares constantes, impõe um desumano bloqueio aos palestinos, obrigando-os a viver com racionamento de água potável, de energia, de remédios e de alimentos. O objetivo é expulsar o povo palestino de Gaza e de suas terras, é mostrar para os palestinos que ou eles saem da Faixa de Gaza ou vão ser dizimados por suas bombas e tanques, como fica claro nas palavras do líder nazista de Israel Benjamin Netanyahu: “O Estado judeu deve estar preparado para uma longa campanha na faixa de Gaza até concluir a missão.”
E qual é a missão? Expulsar o povo palestino de Gaza ou torná-lo escravo dos sionistas. A substituição de Shimon Peres por Reuven Rivlin na presidência de Israel em 24 de julho é mais uma prova nesse sentido. O sr. Rivlin faz parte da ala mais radical do Likud, rejeita a criação de um Estado palestino e apoia a política de colônias nos territórios palestinos ocupados. Segundo o jornal israelense Haaretz, “Rivlin não será o presidente do Estado de Israel, e sim do ‘Grande Israel’. Aproveitará o cargo de presidente para fazer avançar a colonização na Cisjordânia”.
Israel tortura crianças
Em 2008 e 2009, Israel realizou a operação “Chumbo Fundido”, na qual assassinou mais de 1.300 palestinos e se apossou de novas terras na Cisjordânia e em Gaza. Durante esse massacre, os EUA enviaram 325 conteiners de seis metros cada, com armas para abastecer Israel; a carga saiu do porto grego de Astakos para o porto israelense Ashdod, que fica a 38 km da Faixa de Gaza.
Em maio de 2010, Israel atacou os navios da flotilha da liberdade, que tentavam levar ajuda humanitária ao povo palestino e matou nove pessoas que estavam nas embarcações. Ou seja, enquanto armas dos EUA para Israel navegam livremente nos oceanos, navios com alimentos e remédios para a Faixa de Gaza são atacados.
No ano passado, em junho, o Comitê da ONU sobre os Direitos da Criança acusou as forças israelenses de maltratarem e torturarem crianças palestinas, além de usá-las como escudo humano. Segundo o órgão da ONU, “Crianças palestinas detidas por militares e policiais são sistematicamente sujeitas a tratamento degradante e muitas vezes a atos de tortura”. O órgão afirmou ainda que em dez anos, cerca de 7.000 crianças palestinas com idade de nove a 17 anos, foram presas, interrogadas e muitas foram levadas para tribunais militares de Israel acorrentadas nos tornozelos e algemadas.
A maioria das crianças presas foi acusada de jogar pedra. De acordo com a legislação israelense, criança palestina que atirar pedra em soldado de Israel, pode ser punida com pena de até 20 anos de prisão.
Objetivo é roubar as terras e o gás dos palestinos
Mas somente o ódio ao povo palestino não justifica tanta crueldade. O Estado sionista de Israel é governado por políticos e partidos que além de defenderem abertamente o sionismo e pregarem o ódio ao povo palestino, representam a grande burguesia do país, isto é, grandes empresas de construção civil com interesse em construir colônias nas terras palestinas, e as indústrias bélicas israelenses e norte-americanas com relações íntimas com o capital financeiro internacional.
Como Israel tem poucos recursos naturais e 85% de suas terras são desérticas, roubar as terras palestinas é essencial para expandir a construção de colônias e aumentar os lucros da indústria da construção e das imobiliárias de Israel.
Também as empresas armamentistas de Israel – Aerospace Industries, Elbit Systems e Elta – que produzem veículos lançadores de satélites, aviões não tripulados, caças, radares avançados etc, e as dos Estados Unidos (Boeing, Lockeed, Northrop, General Dynamics, Raytheon), embora vendam suas armas para outros países (inclusive o Brasil), têm no exército israelense um dos seus maiores compradores. A guerra permanente contra o povo palestino permite lucros gigantescos para os proprietários da indústria armamentista.
Por outro lado, Israel se orgulha de ter uma indústria moderna e uma grande tecnologia, mas é dependente de importação de grãos, carnes e petróleo. Para superar isso, quer ocupar as terras palestinas.
Mas a Faixa de Gaza não só tem crianças palestinas. Tem também importantes reservas de gás natural. Em 2000, foram descobertas extensas reservas de gás nessa região.
Essas reservas foram estimadas pela multinacional Bristish Gás (BG Group) em 40 bilhões de metros cúbicos, mas tudo indica que são muito maiores. A BG tem negociado com o governo Israel a exploração desses recursos e o povo palestino, verdadeiro dono da riqueza, tem sido ignorado. Além da BG, outros monopólios já manifestaram intenção em explorar o gás palestino. Quem ocupar a Faixa de Gaza controlará o gás e poderá ganhar bilhões de dólares. Em 2007, o governo de Israel admitiu pagar pela exploração do gás aos palestinos, mas mudou de ideia e agora quer se apoderar de uma terra e de uma riqueza que não lhe pertencem; por isso, massacra o povo palestino. Conta para esse crime com as armas e o financiamento dos EUA, da União Europeia e o apoio incondicional das televisões e dos grandes jornais do mundo.
Em resumo, Israel não quer conviver pacificamente com o povo palestino; quer roubar suas terras e assassinar aqueles que não aceitam sua dominação; quer se apoderar do gás e superexplorar a mão de obra palestina.
Como uma muralha
Na verdade, para a burguesia que hoje governa Israel e as principais potências imperialistas, o que importa é aumentar suas riquezas; as guerras contra o povo palestino, contra o povo sírio (mais de 179 mil pessoas mortas), contra o Iraque (mais de um milhão de pessoas mortas), contra a Líbia e a Ucrânia, entre outras, são um dos principais meios da classe capitalista elevar seus lucros, principalmente num momento em que o sistema capitalista atravessa uma profunda crise econômica. Não importa, pois, para os senhores da guerra, que são exatamente os donos dos meios de produção e dos bancos, quantas crianças palestinas vão ter que assassinarem dormindo nem quantas guerras terão de realizar.
O governo sionista de Israel e seus cumplices, os países imperialistas, querem impedir a qualquer custo a existência do Estado Palestino para poderem roubar suas riquezas e escravizar os sobreviventes desse genocídio; estes são os verdadeiros motivos para Israel e os EUA promoverem esse banho de sangue e não os túneis ou foguetes do Hamas.
Mas o heróico povo palestino já mostrou que não aceita ser escravizado; prefere a morte a viver sem liberdade. Um povo que luta por sua liberdade pode perder algumas batalhas, mas vencerá a guerra. E, como diz os versos do poeta comunista palestino Tawfiq Az-Zayad, os palestinos não irão embora, lutarão:
“Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
como uma muralha
em vossas goelas …
Quando tivermos sede
espremeremos as pedras
e comeremos terra quando estivermos famintos
Mas não iremos embora
Aqui está nosso futuro”
(Tawfiq Az-Zayad)
Lula Falcão é membro do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário

*AVerdade