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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quarta-feira, março 11, 2015

Ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov

Lavrov: resposta de Moscou a aumento da atividade da OTAN será adequada

© Sputnik/ Vitaly Belousiv

Moscou dará uma resposta adequada ao aumento da atividade militar da OTAN junto às fronteiras russas, disse nesta terça-feira, o chanceler russo, Sergei Lavrov.
"Reiteramos nossa posição de que o aumento de forças militares perto da fronteira com a Rússia não é propício para restabelecer a confiança na zona euro-atlântica", disse o ministro durante uma conferência de imprensa em Moscou.
Lavrov acrescentou que "vamos ter de responder de forma adequada, mas estamos convencidos de que é necessário resolver os problemas relevantes por meio do diálogo e de respeito mútuo".


Leia mais: http://br.sputniknews.com//mundo/20150310/386459.html#ixzz3U2lnvtbp

Dia 13, todos nas ruas:
capitais confirmam evento

“Vamos às ruas para deixar claro que a pauta que venceu as eleições é a que tem de ser implementada”

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Mobilização em Curitiba  

Conversa Afiada reproduz informações da Central Única dos Trabalhadores (CUT):


Já são 24 as capitais já confirmaram o horário e o local onde realizarão o ato do dia 13 de Março, Dia Nacional de Luta em Defesa dos Direitos da Classe Trabalhadora, da Petrobrás, da Democracia e Reforma Política, Contra o Retrocesso. (Ver quadro de mobilização no final do texto).

Como deixa muito claro o manifesto (http://www.cut.org.br/noticias/manifesto-dos-movimentos-sociais-sobre-o-dia-13-de-marco-4d30/) assinado por representantes dos movimentos sindical e social, o ato de sexta-feira é em defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras, em defesa da sociedade brasileira.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, acrescenta que “não é um ato nem pro nem contra o governo”.

Segundo ele, fazer manifestações para conquistar ou manter direitos, por mais e melhores empregos, por aumentos reais de salários, por saúde e educação de qualidade  é uma tradição da CUT e de todo movimento sindical brasileiro.

“Foi assim que conquistamos a política de valorização do salário mínimo, a redemocratização do Brasil, aposentadoria para trabalhadores/as rurais, valorização da agricultura familiar e tantos outros benefícios para a classe trabalhadora”, pontua Vagner.

O dia 13 foi consolidado para o ato porque é a data em que outras entidades, como a FUP e professores de São Paulo, escolheram para fazer manifestações e debater a pauta da categoria.

O objetivo da mobilização é fazer frente aos ataques especulativos e políticos que recaem sobre a Petrobrás, reiterar a necessidade de derrubar as MPS 664 e 665, que restringem direitos trabalhistas como seguro-desemprego e auxílio-doença, já em vigor, e para defender a democracia.

“Vamos às ruas no dia 13 para deixar claro que a pauta que venceu as eleições é a que tem de ser implementada. Quem quiser implementar uma pauta conservadora, que espere 2018 e tente vencer as eleições,” argumenta o dirigente.

QUADRO DE MOBILIZAÇÃO – DIA NACIONAL DE LUTA – 13 MARÇO 2015
– POSIÇÃO EM 9/3/2015, 22h10
UF
DIA NACIONAL DE LUTA – 13/3
1 -AL
9h: Maceió, concentração na Praça Sinimbu e caminhada até a Assembleia Legislativa
2 -AM
15h: Manaus, concentração na Praça da Polícia, seguida de caminhada até a rua Eduardo Ribeiro esquina com 7 de setembro para panfletagem.
3 -AP
8h: Macapá, concentração na Praça da Bandeira
10h: caminhada até a Praça do Forte
4 -BA
7h: Salvador, concentração em frente ao prédio da Petrobrás
15h: Ato em Campo Grande
5 -CE
8h: Fortaleza, concentração na Praça da Imprensa, e caminhada até a Assembleia Legislativa,
6 -DF
17h: Brasília na Rodoviária
7 -ES
16h30: Vitória, concentração em frente à UFES
8 -GO
10h: Goiânia, no Coreto da Praça Cívica
9-MA
7h: São Luís, panfletagem na Praça Deodoro.
15h: Concentração na Praça João Lisboa e passeata na Rua Grande até o final da mesma rua – Canto da Viração – para o Ato Político
10-MG
16h: Belo Horizonte, concentração na Praça Afonso Arinos
11-MS
9h: Campo Grande, será na Praça do Rádio, às 09h,
12-MT
11h: Belém, Praça da República
13-PA
15h: Belém, Praça da República
14-PB
15h: João Pessoa, em frente ao Cassino da Lagoa
15-PE
7h: Recife, concentração no Parque 13 de Maio, depois segue para Av Guararapes,
16-PI
15h: Teresina, na Praça da Liberdade, 15h,
17-PR
17h: Curitiba, Praça Santos Andrade, marcha até a Boca Maldita
18-RJ
15h: Rio de Janeiro, concentração na Cinelândia com todos movimentos sociais e com as centrais sindicais.
19-RN
16h: Natal, em frente à Catedral
20-RS
12/3 – 7h: Canoas, na Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas.
9h: Porto Alegre, concentração em frente ao IPE-RS (Av. Borges de Medeiros, 1945), em defesa do IPE público. Após, concentração no Largo Glênio Peres, no centro da capital,
12h: caminhada rumo à Praça da Matriz.
21-SC
14h: em frente à Catedral
22-SE
9h: Praça Carmerino
23-SP
16h: concentração na Avenida Paulista, 901 (em frente à Petrobrás) e caminhada até a Praça da República
24-TO
15h30 – Concentração no Posto do Trevo 2, caminhada na Avenida Tocantins, em Taquaralto até a Praça da Igreja São Jose



Em tempo:



Conversa Afiada reproduz do Movimento Sem Terra (MST):



AÇÕES JÁ CHEGAM EM 18 ESTADOS E MOBILIZAM MAIS DE 20 MIL SEM TERRA





Ao longo desta semana, o Brasil amanheceu com diversas mobilizações das mulheres camponesas. Até o momento, mais de 20.000 mulheres participaram das ações em 18 estados brasileiros, com marchas, ocupações e trancamento de rodovias.


As mobilizações aconteceram em RS, MA, PR, SP, BA, Bsb, PB, GO, AL, SE, MT, TO, RN, CE, ES, PE, PI, PA. Alguns estados, como RJ, SC e MG realizam ações ao longo desta semana.


As ações fazem parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Camponesas, em que denunciam o modelo do agronegócio no campo brasileiro e propõem a agroecologia como alternativa ao capital estrangeiro na agricultura.




Leia mais na página do MST.
*ConversaAfiada

Suécia celebra 40 anos de descriminalização do aborto

Aborto livre: Suécia celebra 40 anos de lei que regulamentou procedimento e pôs fim à clandestinidade. Assim como no Brasil de hoje, até 1975 mulheres suecas eram obrigadas a recorrer a clínicas clandestinas e inseguras; desde então, país registra estabilidade tanto na taxa de abortos anuais quanto no crescimento da população

aborto suécia
Jovens em Malmo, cidade no sul da Suécia; há 40 anos, país era como o Brasil hoje, que criminaliza o aborto e condena mulheres à clandestinidade (Imagem: Sigfrid Lundberg / Flickr CC)
Fernanda Favaro, Blogueiras Feministas | Estocolmo
1975. Maria descobre que está grávida e, depois de muita angústia e desespero, vividos em total solidão, decide abortar. Conversa com algumas amigas que sabem “o caminho das pedras”: uma clínica de aborto clandestino fora da cidade. Marcado o dia do procedimento, ela pega o trem para o interior sentindo-se uma criminosa fugitiva. Chegando ao local, percebe a inferioridade e insegurança da infraestrutura, mas se entrega à cirurgia entre o arrependimento, a angústia e a culpa. No mesmo dia, volta para casa, tem uma grave hemorragia e é encaminhada à emergência do hospital “legal”. Cercada por olhares julgadores da equipe médica, e pelo preconceito e rejeição da própria família, Maria morre. Fim.
2015. Maria descobre que está grávida e, depois de muito pensar e conversar com seu companheiro, decide abortar. Vai até a clínica de mulheres do hospital da cidade e é recebida pela equipe médica treinada e designada para trabalhar com a temática. Mas Maria ainda está insegura sobre sua decisão, pois se sente culpada e, por isso, pede a ajuda de um psicólogo. A consulta é marcada e o profissional a ajuda a expressar seus sentimentos e conflitos em torno da gravidez e do aborto, sem direcionar sua decisão. Maria sai da clínica e, passados alguns dias, marca o dia do procedimento. No dia, toma o remédio indicado pela clínica e espera o efeito em casa – poderia ficar na clínica, mas achou melhor estar com alguém de seu círculo afetivo. Feito o aborto, novas consultas para controle são marcadas. A ela, é oferecido também acompanhamento psicológico pós-aborto. Fim.
As duas histórias acima são fictícias, mas baseadas em fatos reais. Elas mostram dois momentos distintos da história recente da Suécia: o antes e o depois da legalização do aborto no país. A lei, que devolveu às mulheres suecas o direito de decidir sobre seus próprios corpos, completou 40 anos em janeiro, e foi comemorada como uma das conquistas de direitos humanos e igualdade mais importantes de todos os tempos no país. Até mesmo um grande festival de música, organizado pela organização de direitos sexuais e reprodutivos RSFU (Riksförbundet för sexuell upplysning), foi realizado para comemorar a data. Entre o público havia famílias inteiras com crianças pequenas.
Mas voltemos ao “antes” sueco, assustadoramente semelhante ao “hoje” brasileiro. Também por aqui, salvo em casos excepcionais como estupro, incesto e risco para a vida da mãe, o aborto era crime há 40 anos e, portanto, passível de tribunal. Essa situação levava ao cenário tão conhecido quanto previsível. Até a década de 1970, milhares de mulheres suecas morriam todos os anos em decorrência de procedimentos mal feitos em clínicas ilegais localizadas em pontos escondidos de Estocolmo e no interior, ou em suas próprias casas. Às que sobreviviam, mas tinham sua verdade revelada, o destino era o julgamento, moral e legal.
Em entrevista para a edição de janeiro da revista Situation Stockholm, a “Ocas” sueca, Marc Bygdeman, professor emérito em obstetrícia e ginecologia do Instituto Karolinska e ativista pelo direito ao aborto livre há 50 anos, conta mais detalhes deste tempo. “Existia uma lei de aborto extremamente restritiva, que aprovava somente cerca de 3 mil abortos legais por ano. Enquanto isso, eram registrados cerca de 15 mil abortos ilegais acompanhados de complicações e mortes. Se uma mulher quisesse solicitar aborto em Estocolmo, ela era obrigada a ir até clínica de saúde mental, que cuidava dos pedidos. Qual era a mensagem? Que uma mulher que desejasse abortar era doente mental?”, conta.
A restrição era tamanha que as mulheres suecas passaram a pagar por abortos em países onde o procedimento era legalizado, com destaque para a Polônia comunista. O mercado de abortos no estrangeiro, um verdadeiro escândalo para uma Suécia que se considerava liberal, veio a público em 1965. Em uma operação batizada de “Negócio da Polônia” (livre tradução), a polícia invadiu a casa e prendeu o ativista Hans Nestius, que ajudava mulheres a viajar para o país vizinho. Era o estopim de um intenso debate nacional em torno da legalização do aborto e encabeçado, na época, pelos jornais Expressen e Aftonbladet. Neste mesmo ano, pressionado pela opinião pública, intelectuais e setores da classe médica, o governo arquivou o processo contra Nestius e assumiu os trabalhos em torno de uma eventual liberalização da lei.
Motivados pelos ventos favoráveis demonstrados pela abertura do governo ao debate, estudantes, liberais, socialdemocratas, e o novo movimento organizado de mulheres liderado pelo chamado Grupp 8 — coletivo feminista fundado em 1972 por oito suecas pioneiras — se uniram aos grupos que já vinham lutando pelo direito ao aborto desde a década de 1930: esquerda organizada, RFSU, médicos simpatizantes e intelectuais feministas da “antiga”. Como resultado, entre 1965 e 1974, fase mais intensa do movimento pró-aborto sueco, os diversos grupos realizaram centenas de debates, protestos reunindo milhares de pessoas, publicações em veículos simpatizantes da causa e incursões junto aos partidos com cadeiras no Parlamento. Os novos tempos mostravam que, definitivamente, não havia mais espaço para o questionamento do direito ao aborto. As mulheres exigiam mudanças, e não toleravam mais esperar.
Em primeiro de janeiro de 1975, a lei do “direito ao aborto livre” foi finalmente aprovada. De lá para cá, algumas mudanças foram incluídas na letra original, mas a base continua a mesma: durante o primeiro período da gravidez, ou seja, até a 18° semana, a mulher tem pleno direito de decidir sobre o aborto. Passado esse período, é o serviço social quem recomenda ou não a realização do aborto tardio a partir da análise de cada caso. Estes correspondem a apenas 1% do total de procedimentos – a maioria, 80%, acontece até a nona semana de gravidez (Socialstyrelsen, RFSU). Torun Carrfors, enfermeira, resume o espírito da lei: “Não é nenhum direito humano trabalhar no serviço de saúde da mulher, mas é um direito humano que ela possa decidir sobre seu próprio corpo” (Situation Stockholm, janeiro de 2015).
Para ter seu direito humano atendido nos dias de hoje, basta que a mulher procure o serviço de saúde e manifeste seu desejo – como vimos na historinha da Maria de 2015. Lá, ela terá atendimento médico e psicológico e, caso decida pelo aborto, recebe o medicamento abortivo: duas pílulas que devem ser ingeridas em um período de 36 horas. A primeira é tomada no hospital, e a segunda, em casa, caso seja este o desejo da mulher. Para os casos que passaram das 18 semanas e obtiveram permissão das autoridades, o aborto é realizado de forma cirúrgica. Em qualquer momento do processo, seja via medicinal ou cirúrgica, toda mulher tem o direito a apoio psicológico já que, também por aqui, apesar de legalizado, o aborto ainda é cercado de tabus, mitos e silêncios.
A recente história do aborto na Suécia mostra que a grande diferença entre as duas Marias do começo do texto é a aceitação e acolhimento, na forma da lei, de uma verdade inconveniente: mulheres sempre abortaram e sempre abortarão, não importa o que a família, a igreja e o Estado digam ou façam. Se é assim, o que ganha um país democrático como o Brasil fechando os olhos para isso, ou limitando o debate ao campo moral e religioso? Resposta: apenas o vergonhoso título de um dos lugares do mundo onde mais se mata mulheres em decorrência de abortos ilegais. São um milhão de abortos clandestinos por ano resultando em cerca de 250 mil internações para tratamento de complicações em território nacional. A cada dois dias, uma brasileira morre por aborto inseguro, sendo esta a quinta maior causa de morte materna no país.
Também derruba outro famoso mito propagado em fóruns conservadores e religiosos: a de que o aborto legalizado e protegido funcionaria como um incentivo ao procedimento e uma ameaça aos nascimentos e à “família”. No entanto, a experiência sueca vem mostrando que a legalização não tornou suas mulheres “máquinas de aborto”, muito menos teve influência em sua decisão futura de ter filhos. Desde que os procedimentos passaram a ser oficialmente contabilizados, o país a mantém mais ou menos a mesma proporção de 18 a 21 abortos por mil habitantes – levemente acima da taxa de outros países europeus (Socialstyrelsen, RFSU). Quanto à taxa de nascimentos, o país registra uma estável cifra de cerca de 10 nascimentos por mil habitantes há mais de uma década, além de sucessiva progressão em sua taxa de crescimento demográfico – fato explicado, na realidade, pelas políticas de incentivo à natalidade e à imigração, sem qualquer relação direta com o aborto legal (Index Mundi). Logo, a legalização nada mais fez do que tirar o aborto da clandestinidade assassina e apoiar, com recursos médicos, humanos e científicos, o que já acontecia desde quando as primeiras mulheres suecas descobriram os primeiros métodos abortivos.
Por fim, os 40 anos do aborto legal na Suécia chamam a atenção para a absoluta importância do feminismo. A jornada de país que vergonhosamente exportava mulheres para o exterior para que pudessem abortar sem serem perseguidas, para país que acolhe plenamente este direito, é a jornada de décadas de “Marias” engajadas na luta por respeito e igualdade. Elas são a prova de que o feminismo e as feministas seguem sendo indispensáveis para o processo de evolução da humanidade. Sem suas lutas e duras conquistas, nunca haverá esperança para países que sonham com o carimbo de “desenvolvidos”. E esse recado serve como nunca para o Brasil de 2015, onde ventos ultraconservadores vêm soprando assustadoramente forte desde as últimas eleições.

terça-feira, março 10, 2015


Leci Brandão: "Não aceitaremos nenhum ataque à democracia"

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Em pronunciamento na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a deputada Leci Brandão (PCdoB) criticou os ataques à presidenta Dilma Rousseff, avisou que a sociedade organizada não admitirá ataques à democracia e reafirmou o seu compromisso com a defesa de uma reforma política ampla e democrática, que tenha por centro o fim o financiamento empresarial e a paridade entre homens e mulheres.

Da Rádio Vermelho



Oua íntegra da Rádio Vermelho

Depois de eliminar nacionalismo árabe, Washington prepara o bote contra a América do Sul


Cristina Fernandez, Nicolas Maduro, Dilma Rousseff, Evo Morales
DEPOIS DE DESTRUIR NACIONALISMO ÁRABE, EUA PREPARAM O BOTE NA AMÉRICA DO SUL
A lista é impressionante: Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria. Em menos de 15 anos, os quatro países se transformaram em Estados zumbis. É algo muito grave, a indicar a direção para onde aponta a política expansionista dos Estados Unidos no século XXI.
Com o fim da Guera Fria, deixaram de ter qualquer anteparo para sua estratégia de fazer tombar todos os governos que signifiquem ameaça ao controle do petróleo no Oriente Médio (ou em outras partes do planeta).
Saddam Hussein (Iraque) não era um santo. Todos sabemos. Muamar Gadafi (Líbia), tampouco. Os dois, ao lado da família Assad na Síria, faziam parte de um movimento (o nacionalismo árabe) a significar um grito de independência desses países – que, no passado, haviam estado sob domínio turco ou europeu.
Outra característica unia os três (e era a marca também do regime forte no Egito, comandado por Mubarak, que caiu na tal “primavera árabe”): conduziam estados laicos, com um discurso pautado mais pelo “orgulho nacional” do que pela religião. Eram países comandados por regimes fortes, organizados, com projetos de nações independentes. Apesar de longe, muito longe, de qualquer princípio democrático.
Em nome da democracia, os Estados Unidos varreram do mapa esses governantes. A Líbia foi retalhada, já não existe, debate-se em crise permanente com o confronto entre pelo menos 4 facções armadas. A Síria é um semi-estado, em que Assad resiste em Damasco, mas vê o Estado Islâmico (EI), de um lado, e os “rebeldes” armados pelos EUA/Europa, de outro, avançando sobre grandes porções do território. O Iraque é agora um protetorado ocidental, sem qualquer margem para se organizar de forma independente.
Vejo alguns analistas “liberais”, na imprensa brasileira, dizendo que Washington “fracassou” porque derrubou governos autoritários e, em vez de democracias, colheu o caos no Oriente Médio. Coitados. Tão ingênuos esses norte-americanos.
Ora, ora. Pode haver algo mais fácil de controlar do que populações desorganizadas, que se matam em guerras sem fim, sem a proteção de nada parecido com um Estado organizado?
O projeto dos EUA era – e é – o caos, a criação de uma grande franja que (do norte da África ao Tigre e Eufrates, chegando às montanhas do Afeganistão) debate-se no caos. É o que tenho chamado de “Estados zumbis”.
Mais recentemente, a intervenção de Washington avançou para a Ucrânia. De novo, vejo quem lamente que a intervenção não tenha levado a uma democracia ucraniana em estilo ocidental. Como se o objetivo fosse esse…
Está claro que, também na Ucrânia, o objetivo era criar um estado de caos e inoperância – que, de toda forma, é melhor do que uma Ucrânia forte, unificada, pró-Russia (essa era a ameaça antes da famosa rebelião fascista da Praça Maidan, insuflada pelos EUA, em Kiev).
A diferença é que na Ucrânia os norte-americanos encontraram resposta russa, que puxou para si a Criméia  e as regiões do leste  ucraniano (onde a cultura dominante e a língua são russas). “Ok, vocês podem criar o caos na sua  Ucrânia; mas na nossa, não” – esse parece ter sido o recado de Putin a Obama.
Evidentemente, a derrubada dos governos em cada um desses países (do norte da África ao Afeganistão, da Ucrânia ao Tigre/Eufrates) seguiu motivações e roteiros próprios. Mas todas essas intervenções são parte de um mesmo movimento de afirmação da hegemonia dos Estados Unidos.
O poder imperial, em relativa crise econômica, se afirma pelas armas de forma impressionante, mundo afora – e isso em apenas 15 anos.
Vivemos o período das “operações especiais”, das guerras não-declaradas, das rebeliões movidas a whatsapp e vendidas como “gritos pela democracia”.
O mundo se ajoelha ao poder imperial. O nacionalismo árabe, que oferecia alguma resistência ao avanço dos EUA e seus parceiros da OTAN, foi destroçado.
Outro pólo de oposição é o que se desenha na Eurásia, com a parceria energética e logística entre russos e chineses. Por isso, Putin está sob cerco econômico, e ali – mais à frente – será jogada a partida decisiva no xadrez mundial.
Antes disso, no entanto, a política de intervenção de Washington se move para a América do Sul. Honduras e Paraguai foram ensaios, bem-sucedidos.
Venezuela, Argentina e Brasil: aqui, agora, vemos avançar o projeto de criar novos Estados zumbis. Depois do nacionalismo árabe, chegou a hora de destruir o nacionalismo latino-americano. Não é por outro motivo que “bolivarianismo” virou o anátema, o palavrão, o inimigo a ser derrotado – numa ofensiva que é política, econômica e sobretudo midiática.
Claro que todos esses país possuem problemas. Não quero dizer que todos os dilemas da América do Sul sejam responsabilidade do Império do Norte. Não. Simplesmente, Washington aproveita as contradições e fraquezas internas, em cada um desses países, para assoprar a faísca do caos.
Aqui, no Brasil, a intervenção não precisa ser diretamente militar. Basta atiçar setores sob hegemonia da cultura (e da grana) dos Estados Unidos.
Num encontro social (em São Paulo, claro), recentemente, ouvi a proposta pouco sutil: “bom mesmo é que o Obama invadisse isso aqui, e acabasse com essa bagunça”. Esse é o projeto dos paneleiros no Brasil. O fim da Nação, a anexação ao Império.
A próxima batalha – parece –  será travada na Venezuela.
Maduro fustigou os Estados Unidos, mandando embora parte do pessoal da embaixada dos EUA em Caracas. Agora Washington reage e declara a Venezuela uma ameaça à segurança dos Estados Unidos.
A escalada verbal favorece os setores mais duros do chavismo. Ameaça de intervenção do Império pode dar a justificativa para um governo chavista mais forte, em que o poder já não estaria com Maduro, mas com os militares chavistas. A burguesia que hoje bate panelas em Caracas talvez tenha que seguir o caminho da elite cubana, em direção a Miami. Mas haveria guerra civil. O caos. Uma Líbia, ou um Iraque, às portas do Brasil.
Com um governo muito mais moderado, o Brasil também vive em estado de pré-convulsão política. Reparem: é o Estado (e não o “petismo”) que pode se desmanchar. Petrobras, políticas sociais, a própria ideia de desenvolvimento. Tudo isso está em cheque. E não é à toa.
Na Argentina, já se fala abertamente no envolvimento de serviços de inteligência estrangeiros, na morte do procurador Nisman – com o objetivo de desestabilizar Cristina Kirchner – leia mais aqui, no texto de Paul Craig Roberts (sugestão do site O Empastelador).
No Brasil, vivemos uma venezuelização de mão única: apenas um dos lados aposta no confronto total. Os paneleiros querem sangue; o governo mantem a moderação verbal. Até quando?
O cenário é de um confronto que ameça não o governo Dilma, mas a própria ideia de um Estado nacional com projeto próprio. Não é à toa que os quadros mais ajuizados da burguesia – inclusive ex-tucanos, como Bresser Prereira  alinham-se contra o golpe, e em defesa do projeto nacional.

A manifestação do dia 15 é só um capítulo da guerra. A própria batalha do impeachment é parte de uma guerra muito mais ampla.
Essa guerra será dura, e pode durar muitos anos. O tempo da conciliação acabou.
PS do Rodrigo: Nos anos 80, quando se falava na participação direta dos Estados Unidos na derrubada de TODOS os governos do Cone Sul (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai), ocorrida uma ou duas décadas antes, certos liberais uspianos sorriam, e atribuíam a afirmação a “teorias conspiratórias”; com a abertura dos arquivos em Washington, conheceu-se a verdade. Parece “teoria conspiratória” que, depois de eliminar o nacionalismo árabe, os EUA preparem-se para um ataque contra a América do Sul bolivariana?
*Viomundo

Oposição assume frente de protestos que eles diziam ser "espontâneos"

Depois de muito negar a participação nas mobilizações contra o governo da presidenta Dilma Rousseff, dizendo se tratar de uma ação "espontânea" e "popular", o PSDB, DEM, PPS e Solidariedade assumiram abertamente a participação nas manifestações previstas para 15 de março.


  
A mudança de postura acontece após lideranças políticas denunciarem o patrocínio da oposição em ações pelo golpismo. O vice-presidente do PT, Alberto Cantalice, e o secretário nacional de Comunicação do partido, José Américo Dias, apontaram o patrocínio das oposições às mobilizações contra a atual gestão.

“O Solidariedade participará com bandeiras, camisetas e três carros de som”, garantiu o deputado Paulinho da Força (SD-SP).

“Nós do PPS vamos ao ato com bandeiras do Brasil. Queremos quebrar esse preconceito de que a manifestação não pode ser política”, assumiu Roberto Freire, presidente do PPS.

No PSDB, cujas lideranças se reuniram na segunda-feira (9) no Instituto FHC, não há mais o que tentar esconder. Eles apoiam movimentos como o ‘vemprarua’ e o ‘ondaazul’, diretamente ligado ao partido, que buscam repercutir o pensamento da legenda nas redes sociais e ampliar as mobilizações nas ruas.

Financiado pela golpismo

“Tem circulado clipes eletrônicos sofisticados nas redes, o que indica a presença e o financiamento de partidos de oposição”, afirmou José Américo, após o chamado “panelaço esmaltado", que aconteceu no domingo (8).

Vale ressaltar que, em dezembro do ano passado, pouco depois da derrota nas eleições presidenciais, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) convocou um protesto – ao qual não compareceu – contra o governo Dilma. Era um ato organizado pelo movimento 'vemprarua', liderado pelo executivo Fábio Tran, que espalha mensagens contra o PT e a presidenta Dilma. Pesquisa desmascarou que o domínio “vemprarua” estava registrado em nome da Fundação Estudar, do bilionário Jorge Paulo Lemann.

O presidente do DEM, Agripino Maia (RN), denunciado ao Supremo Tribunal Federal por receber propina de R$ 1,1 milhão no Rio Grande do Norte, despistou. “Minimizar a manifestação maciça de brasileiros durante um pronunciamento de uma presidenta em rádio e televisão é não entender o ineditismo do fato”, disse.



Fonte: Agência PT de Notícias, com informações do Brasil 247

Stédile em defesa da Petrobras: Estamos prontos para defender o Brasil

"Ganhamos as eleições nas urnas e vamos derrotá-los novamente nas ruas", disparou João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), ao falar sobre as investida da direita que destila sua sanha contra o Brasil e a Petrobras.

Veja mais na TV Vermelho:
Lula detona cobertura da mídia no caso Petrobras
FUP convoca sociedade: "Todos juntos nas ruas pela Petrobras"