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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

terça-feira, novembro 22, 2011

Policial usando gás pimenta contra estudantes nos EUA é satirizado na internet

De tão impressionante, a cena de um policial na Universidade da Califórnia jogando spray de pimenta diretamente contra um grupo de estudantes acabou virando paródia em sites e redes sociais nos Estados Unidos. Os estudantes da universidade se manifestavam na sexta-feira (18/11) em apoio ao movimento Occupy Wall Street de Nova York, que pede a mudança do atual sistema financeiro.

Imagem mostra policial usando spray contra dezenas de manifestantes
Montagens bem humoradas feitas por internautas mostram o policial caracterizado como a Estátua da Liberdade, em cenas e quadros históricos, como "Guernica", de Pablo Picasso, e até mesmo atravessando a famosa Abbey Road com os Beatles.
Nas sátiras, o policial aparece sempre da mesma forma, com o braço estendido, em direção aos rostos da imagem parodiada, apertando o spray de pimenta.
Policial caracterizado como Estátua da Liberdade

Em quadros históricos...

...como Guernica, de Picasso, por exemplo

Atravessando a rua com Beatles
As imagens do incidente provocaram indignação nos EUA por mostrar os manifestantes imóveis, sentados, tentando proteger o rosto enquanto recebem o jato de gás pimenta. Antes, o policial saca o tubo de gás e demonstra o que estava prestes a fazer.
Outras pessoas em volta da ação gritam para que o policial pare, mas a agressão dura alguns minutos, até que os estudantes começam a ser algemados e arrastados para viaturas. No total, dez pessoas foram presas.
Nas redes sociais, centenas de mensagens de protesto contra a ação policial foram postadas. Linda Katehi, reitora da Universidade da Califórnia, disse que se assustou com as imagens e afirmou que montará um grupo de força-tarefa para investigar o incidente. No entanto, membros da diretoria da própria universidade acusam a reitora de negligência ao permitir a entrada e a ação dos policiais.
Em uma entrevista à imprensa norte-americana domingo (20/11), Katehi afirmou que estará “engajada com os estudantes num diálogo para que o campus volte a ser seguro e calmo”.
Veja o vídeo da agressão abaixo:

Devido à violenta ação do policial, 11 estudantes precisaram ser atendidos no local por paramédicos, enquanto outros dois foram levados para hospitais da região. O policial que aparece como personagem principal do vídeo, John Pike, foi afastado por 30 dias por meio de uma ordem administrativa. Neste período, uma investigação irá apurar o que aconteceu na universidade.
*cappacete

A Chevron está na marca do pênalti


- As melhores práticas internacionais não foram observadas e houve falsidade de informação. Não houve informação on-line e precisa à agência, o que prejudicou o trabalho. A ANP não foi tratada de forma correta pela Chevron – afirmou Haroldo Lima, após reunião comandada pela presidente Dilma Rousseff com a presença dos ministros Edison Lobão (Minas e Energia), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Celso Amorim (Defesa), além de técnicos.
- A empresa atuou em completa violação ao contrato de concessão e à própria legislação brasileira – reforçou Magda Chambriard, diretora da ANP, em relação à omissão de informações ao órgão regulador.(…)
Magda Chambriard considerou “inaceitável” o fato de a empresa ter fornecido imagens editadas à agência.
-Tivemos de ir até o local para fazer as imagens e ter noção do problema real – afirmou.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, também criticou a Chevron pelas informações imprecisas.
- A empresa diz que tem 16 barcos e a gente vai a campo e vê que há três ou quatro – afirma. – Para o governo brasileiro é inaceitável qualquer empresa que forneça qualquer informação que não condiga com a verdade – acrescentou.
Precisa mais?
Multar a Chevron é correto, mas não basta. Até porque ela vai pagar a multa com o dinheiro do nosso próprio petróleo, que sai dali direto para a exportação.
Entre janeiro e julho deste ano, o a Chevron Brasil (?) Upstream Frade Ltda. exportou US$ 802 milhões, segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. E vinha exportando cada vez mais, porque só no mês de julho deste ano  foram US$ 204 milhões, contra zero do mês de julho de 2010.

segunda-feira, novembro 21, 2011

Antes tarde do que nunca

Sanguessugado do Tijolaço
Era assim o plano dos executivos da Chevron para recolher o petróleo?
O diretor geral da ANP, Haroldo Lima, aparece   hoje dizendo que a Chevron-Texaco, além de multada, pode ser impedida de continuar a operar no Brasil, pelo erro grosseiro (e de ganaciosa imprudência) e pela criminosa omissão de informações que prolongou a duração do que já era desastroso.
Muito bom que o responsável pelo órgão fiscalizador tenha, finalmente, adotado uma postura pública firme e severa sobre o assunto. E que a ANP, que está toda hora nos jornais criticando a Petrobras, tenha descoberto que a Chevron não tinha condições nem equipamento para autar em situações de emergência e dependeu de empréstimo de submarinos da estatal brasileira.
Depois de dez dias em que a ANP não deu informações públicas e só muito discreta e vagamente se pronunciou sobre o caso, é muito bom que tenha assumido outra postura.
Diz o sr. Haroldo Lima que “eles mitigaram (isto é, no popular, mentiram) informações importantes sobre o vazamento e esconderam fotos que mostravam a real proporção do acidente”.
Bom, o sr. Lima tem razão. Mas a ANP não as exigiu publicamente. Não requisitou – ou se requisitou não o anunciou e nem reclamou não ter recebido – o diário de perfuração e os relatórios de cimentação do poço.
Nem mesmo a profundidade em que o poço se encontrava veio a público pela ANP, e só ficou sendo conhecida quando Charles Buck, o presidente da Chevron, na noite do dia 18, reconheceu que houve uma elevação súbita de pressão no poço – um “kick” – e que o petróleo subiu pelo vão anular, entre a parede do tudo e a da rocha perfurada abrindo fendas na camada rochosa superficial, por onde o petróleo “brotou”.
A informação do “kick”, na véspera da aparição da mancha de óleo, que tem necessariamente de estar registrada no diário de perfuração e o fato de só haver vedação por cimentação na fase superior do poço são informações que, somadas, já indicariam a origem do vazamento e a necessidade de tamponar a sua parte inferior.
Que diferença de comportamento se comparado ao do delegado Fábio Scliar, da Polícia Federal, que botou a boca no trombone e fez toda a imprensa se mexer e publicar informações sobre o caso!
Aliás, só depois que ele falou a imprensa e até os ambientalistas resolveram atuar.
Porém, antes tarde do que nunca, não é?

O gigantesco e suspeito aparato publicitário contra Belo Monte




A Amazonia Legal envolve nove estados brasileiros que têm problemas econômicos e sociais idênticos.  Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão somam 5.217.423 km², ou 61% do território brasileiro. Conhecer a região em que será (?) construída a usina hidrelétrica de Belo Monte é vital para deslindar a gigantesca e multimilionária campanha internacional para que a obra não seja construída.
A população da Amazônia Legal corresponde a pouco mais de 10% dos cerca de 190 milhões de habitantes do Brasil, reunindo cerca de 20 milhões de pessoas, o que dá menos do que a população da grande São Paulo. Nos nove estados da Amazônia legal residem 55,9% da população indígena brasileira, ou seja, cerca de 250 mil pessoas, segundo o Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena (SIASI), da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA).
Entre os problemas sociais do Pará, sobressaem dois: o primeiro é a propriedade de terras, pois o estado é dominado pelo latifúndio, sendo que 1% das propriedades rurais ocupa mais da metade da extensão territorial do Estado, e o segundo é o alto registro de trabalho escravo.
Na saúde, a malária ainda preocupa por sua alta incidência e a taxa de mortalidade infantil é de 23 para cada mil nascidos vivos – bem acima da taxa nacional, de 19,4. Na Educação, analfabetismo, por exemplo, bate nos 11%, contra média nacional de 9%, sendo que, nos estados do Sul, a taxa cai para pouco mais de 4%.
Melhor nem falar de Saneamento Básico, Transporte, Segurança Pública etc.
A Amazônia Legal, portanto, é a região mais atrasada do Brasil, com índices de qualidade de vida entre os piores.  Nesse contexto, o Pará é a região mais sem lei da Amazônia Legal por ser a mais pisoteada pelo latifúndio e pelo trabalho escravo. Por certo todos se lembram da missionária Dorothy Stang, assassinada no Pará a mando de latifundiários que combatem a todo custo a chegada do progresso à região.
Não foi por outra razão que, em abril do ano passado, o ex-presidente Lula defendeu enfaticamente, em audiência pública, a construção de Belo Monte. Segundo disse naquela oportunidade, “Ficamos praticamente 20 anos proibidos totalmente de fazer estudos para a viabilidade da construção da hidrelétrica de Belo Monte. Não era fazer a hidrelétrica, não. Era a proibição de estudo”, disse.
Segundo Lula, o projeto foi alterado para que o governo pudesse dar todas as garantias ambientais: “Obviamente que o projeto que foi feito foi modificado. O lago [da hidrelétrica] é um terço daquilo que estava previsto anteriormente exatamente para que a gente possa dar todas as garantias ambientais e dizer a qualquer habitante do planeta Terra que ninguém tem mais preocupação de cuidar da Amazônia e de nossos índios do que nós”, declarou.
Lula, naquela oportunidade, também criticou a atuação de ONGs internacionais e seus protestos contra a construção da usina: “Vi nos jornais hoje que tem muitas ONGs vindo de vários cantos do mundo e alugando barco pra ir pra Belém pra poder tentar evitar que façamos a hidrelétrica“, afirmou.
Só para registro, Lula deu tais declarações durante discurso de abertura do 21º Congresso do Aço, em São Paulo. Abaixo, o vídeo com tais declarações.


As ONGs, ambientalistas e integrantes do Ministério Público e do Judiciário também já foram alvo de duras críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por imporem “obstáculos excessivos” à realização de obras necessárias ao país como a construção de Belo Monte. Palavras textuais do ex-presidente: “Que nos obriguem a cumprir à risca a legislação ambiental, mas não paralisem o país. O país tem fome de energia e fome de crescimento“.
Após os primeiros posts que publiquei sobre o assunto Belo Monte, decidi pesquisar mais. Entre outras coisas que me chamaram a atenção, dois ex-presidentes de distintas posições político-ideológicas e partidárias dizendo coisas tão semelhantes me fizeram ficar ainda mais desconfiado desse gigantesco e multimilionário aparato contra uma obra que certamente levaria civilização a uma parte do país que vive no século XIX, se tanto.
São peças publicitárias bem elaboradas, com deslocamentos de equipes de filmagens financiadas por milhares de ONGs estrangeiras, com o apoio de personalidades internacionais como Leonardo Di Caprio, Sigourney Weaver, James Cameron e Arnold Schwarzenegger, entre muitos outros, além, agora, de atores e atrizes da Globo que embarcaram na onda dos famosos internacionais e fizeram a versão tupiniquim do movimento “ambientalista”.
A campanha contra Belo Monte é cara e esmagadora. Vários comentaristas, aqui no blog e em redes sociais, disseram que meus posts recentes sobre o assunto tinham sido as primeiras posições diferentes que haviam visto até então. Contudo, estão enganados. Não faz muito tempo, o jornalista Paulo Henrique Amorim publicou em seu blog relatório que a Agencia Brasileira de Inteligência, a Abin, fez sobre esses movimentos  contra a construção da usina.
Quem quiser pode ler o relatório da Abin, publicado por PHA, clicando aqui. Contudo, se o leitor quiser poupar tempo, basta saber que além de elencar as ONGs estrangeiras que atuam na região o que o tal relatório revela – e que desperta desconfiança – é a informação de que governos estrangeiros estão financiando essas ONGs e as campanhas multimilionárias que vêm empreendendo contra uma obra que, a despeito dos danos ambientais, certamente levaria civilização a um Estado que mais lembra o Velho Oeste americano.
O relatório da Abin não levanta nenhuma ilegalidade, por enquanto, mas vídeo recente gravado em resposta ao do Movimento Gota D’Água, com os atores e atrizes da Globo, revela o tamanho dessa onda internacional contra Belo Monte ao citar o número espantoso de mais de 100 mil ONGs envolvidas na campanha, além das incessantes incursões de estrangeiros na região. Abaixo, o vídeo “Quem Manda no Brasil?”.
São mais do que conhecidas as ambições internacionais sobre a Amazônia e as personalidades e governos estrangeiros que relativizam a soberania brasileira sobre o território. Há até um site especializado que oferece informações sobre a cobiça estrangeira e que mostra que a preocupação ambiental de países que destruíram suas reservas naturais nem sempre é o objetivo de campanhas que, repito, podem manter 61% do território brasileiro no século XIX, se tanto. Não se pode negar, claro, que existe muita gente de boa fé militando contra a construção de Belo Monte. Tampouco se nega que a construção dessa obra tem que ser feita sob intensa fiscalização para impedir abusos e violações ambientais e sociais. Contudo, de uma coisa o leitor pode ter certeza: a única forma de garantir a soberania brasileira sobre a Amazônia é levar o desenvolvimento sustentável à região.
O Brasil tem que tomar posse da Amazônia antes que algum aventureiro o faça “em nome da humanidade” enquanto gasta fortunas em peças publicitárias e expedições salvacionistas. Fortunas, aliás, que poderiam resolver os problemas sociais que castigam os exíguos contingentes populacionais daquela região sofrida e esquecida. O desenvolvimento, se vier, acabará com a farra de escravagistas, latinfundiários e seus pistoleiros no Pará
    *Blogdacidadania

    Lobão vê ‘conluio de ignorância’ contra Belo Monte


    LUCIANA COLLET – 

     

    SÃO PAULO – O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse hoje que Belo Monte será orgulho nacional e exemplo para o mundo, “não só pelo colosso de moderna engenharia, mas também pelo completo respeito ao meio ambiente”.
    Segundo Lobão, que participou na manhã de hoje da abertura do Fórum Exame de Energia, em São Paulo, há um “conluio de ignorância e má-fé” contra a usina. Ele criticou organizações não-governamentais e estrangeiros que contestam a construção de Belo Monte, mas não quis comentar diretamente sobre o Movimento Gota D”Água, que lançou na semana passada uma campanha na internet com uma petição online contra a usina e que já conseguiu cerca de 1 milhão de assinaturas. Faz parte da campanha um vídeo-protesto em que aparecem diversos atores. “Somos um país em que as pessoas falam aquilo que pensam”, disse o ministro.
    Lobão também afirmou que o Consórcio Norte Energia, responsável pela obra, prepara um vídeo para esclarecimento da população com informações atualizadas sobre o projeto. Ele ressaltou que os índios “não serão molestados” pela usina, já que o grupo mais próximo está a 31 quilômetros de distância das usinas e que outros grupos estão a 200 quilômetros ou ainda mais distantes.
    Durante sua apresentação no evento, Lobão destacou que o Brasil possui 48 quilômetros de rios, com potencial de 260 mil MW, 50% dos quais estão na região amazônica, e o País aproveita atualmente apenas um terço disso. “Temos uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com 45% de fontes renováveis, ante 13%. Se considerarmos apenas a energia elétrica, esse porcentual sobe para 86% em 2010″.
    *Luis Favre

    Marta anuncia apoio a Haddad e diz que estilo de “ir na jugular” a fez desistir das prévias


    Marta Suplicy: senadora afirma que se engajará na campanha de Haddad e tentará resgatar marcas de sua gestão

    Por Raymundo Costa | VALOR
    De Brasília
    Após conversar durante uma hora e meia com o ministro Fernando Haddad (Educação), em Brasília, a senadora Marta Suplicy anunciou ontem que vai apoiar e se engajar na campanha do candidato escolhido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar a Prefeitura de São Paulo, nas eleições municipais do próximo ano.
    Marta desistiu porque Haddad é o nome preferido de Lula. Ela não assegura que venceria a prévia contra a dupla Haddad-Lula. “É uma interrogação”, diz. Mas de uma coisa ela se diz absolutamente convencida: a disputa “estralhaçaria” o PT.
    Ela defende o instituto das prévias, mas reconhece que a disputa, desta vez, seria diferente da que foi obrigada a disputar em 1998 para sair candidata ao governo do Estado, quando teve como adversário um companheiro, Renato Simões, minoritário no partido. Serviu para ela conhecer o Estado e a militância.
    “Eu não sou uma pessoa que faz o debate numa “nice”. Eu vou na jugular”, diz Marta, para explicar sua desistência. “Pra que que eu ia fazer um trabalho para os adversários”? Segundo a senadora, isso seria inevitável numa disputa entre ela, Haddad e os deputados federais Jilmar Tatto e Carlos Zarattini, os pré-candidatos às prévias canceladas do PT.
    “Se eu ganhasse, sobraria um partido rachado, com ódio mortal dos apoiadores do Haddad; e se o Haddad ganhasse sobraria uma pessoa também bastante avariada”. A senadora afirma: “Eu não podia fazer isso com o meu partido, porque tem o ‘day after’. O que é que iria acontecer, depois, com ele ou comigo? Aí a gente acabaria com a chance de o PT ir para a prefeitura”.
    Em entrevista ontem ao Valor, Marta deixou claro que a campanha de Haddad recorrerá muito ao fato de que o ministro terá mais condições de governar a cidade do que o PSD ou PSDB, por ser um aliado da presidente da República. “Outras cidades importantes, como o Rio de Janeiro, se beneficiaram enormemente com recursos federais, em várias áreas”, diz a senadora, depois de criticar o atual prefeito, Gilberto Kassab, que, segundo a senadora, não quis ou não soube como carrear dinheiro federal para São Paulo.
    Na conversa com o ministro, a senadora também combinou o “resgate” das marcas do governo do PT na cidade, ou seja, do governo de Marta (2001-2005), como a retomada do conceito original dos CEUs. “Eu acho que esse legado tem que ser resgatado. Porque a gente tem que mostrar que sabe fazer, tem que mostrar que o outro finge que faz e tem que mostrar o novo”, diz.
    Mostrar o que é o novo é o desafio de Haddad, segundo Marta. O dela é “como colocar essas marcas [de seu governo] em outra candidatura [de Haddad]. Mas é um desafio que eu vou me empenhar em fazer”.
    Para que isso aconteça, o PT vai precisar de tempo de rádio e de televisão para contar o “passado” e apresentar o “novo” – a administração de Fernando Haddad no Ministério da Educação. Marta está convencida de que PT e PMDB farão uma aliança para a eleição, só não está segura se isso ocorrerá no primeiro ou no segundo turno.
    Para a senadora, este é um assunto a ser resolvido pelo vice-presidente, Michel Temer, e o deputado federal Gabriel Chalita, que se filiou ao PMDB na expectativa de ser o candidato a prefeito da sigla, em São Paulo, em 2012. O Valor apurou com outras fontes do PT que Lula, antes de se recolher para tratamento de saúde, trabalhava no sentido de que Chalita fosse indicado candidato a vice na chapa de Haddad. Quando disputou a reeleição, em 2004, Marta dispensou o apoio do PMDB.
    A senadora se recusa a falar sobre a eventualidade de compor o ministério da presidente Dilma Rousseff, na reforma prevista para 2012, mas é certo que seu nome faz parte do leque de opções da presidente.
    Apesar da “frustração” que sentiu ao deixar a disputa paulistana, Marta é só elogios, quando fala de Dilma, ao modo como ela conseguiu imprimir uma marca própria ao governo e como tem lidado com as sucessivas crises no ministério. “Acho que ela conseguiu uma forma particular, muito dela, de deixar os próprios partidos perceberem quando retirar os seus ministros, e manter a sua base, sem a qual ela não aprova um projeto em quatro anos”.

    Entrevista: Marta anuncia apoio a Haddad e critica gestão de Kassab

    Por Raymundo Costa | Valor
    BRASÍLIA – A senadora Marta Suplicy (PT-SP) virou a página. Não nega um certo sentimento de “frustração” por ter renunciado à disputa pela Prefeitura de São Paulo em favor do ministro Fernando Haddad (Educação), um noviço na política apoiado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas a ex-prefeita acredita que a manutenção de seu nome nas prévias do PT, que estavam previstas para o dia 27, “estraçalhariam” o partido. “Eu faria uma prévia na jugular. Eu não podia fazer isso com o meu partido, porque tem o ‘day after’”. E o dia seguinte seria o ódio dos partidários de Haddad, se ela vencesse as prévias, ou exatamente o contrário, caso o ministro fosse o vencedor. Marta acertou os termos de seu apoio numa conversa com Haddad, em Brasília, na noite de quarta-feira. Nesta entrevista ao portal Valor, ela fala ainda da possibilidade de aliança com o PMDB e critica acidamente o ex-prefeito José Serra (PSDB) e seu sucessor, Gilberto Kassab (PSD).
    Valor – Como a sra. avalia o fato de o PT trocar uma candidata que lidera as pesquisas, em São Paulo, por um nome desconhecido?
    Marta – Para mim, ter saído da disputa é página virada. No momento em que se toma uma decisão como eu tomei, o engajamento na campanha do escolhido pelo partido é total. Eu sou uma pessoa absolutamente partidária, sempre me portei assim.
    Valor – A sra. vai se engajar na campanha de Fernando Haddad?
    Marta – Daqui para frente é um outro momento. O Haddad é o candidato. Ontem conversou comigo e ele é o candidato. Não sobrou ninguém para candidato. [A senadora ri numa referência à “desistência” de todos os candidatos para apoiar o nome indicado por Lula]. E no momento em que eu me comprometi apoiar quem fosse o candidato do partido, ele é o meu candidato e eu vou me engajar para que ele fique mais conhecido para que nós possamos chegar na Prefeitura de São Paulo. O que me interessa agora é ver o PT de volta à prefeitura e levar minha cidade para um outro momento, longe de um governo medíocre que foi o governo Kassab. Serra-Kassab. Foi um governo muito ruim para a cidade de São Paulo.
    Valor - Por quê?
    Marta – Enquanto o Brasil cresceu enormemente e cidades muito menos poderosas que São Paulo tiveram um benefício muito grande por parte do governo federal,  a cidade de São Paulo, por absoluto descaso e falta de interesse do prefeito, não realizou nenhum convênio importante com o governo federal. Outras cidades importantes, como o Rio de Janeiro, se beneficiaram enormemente com recursos federais, em várias áreas.  Além disso, a dificuldade do prefeito de gastar os recursos de São Paulo também é bastante incompreensível. Por que um governo que tem a carência que tem na área de saúde, a cidade esburacada, suja e o povo de rua em um número gigantesco, tem R$ 7 bilhões aplicados no mercado financeiro, como ele tem mantido durante sua gestão? É incompreensível.  Nenhum governo com tantas carências como tem São Paulo pode deixar superávit e dinheiro parado no banco.
    Valor – Por exemplo?
    Marta - São Paulo tinha um projeto antigo, da minha gestão, de renda mínima. Esse projeto depois foi transformado no Bolsa Família, com ajuda federal. Só que 150 mil pessoas poderiam estar cadastradas, e a cidade de São Paulo não moveu uma palha. Tem o mesmo número da época em que eu era prefeita (2001-2005). E não é porque a cidade de São Paulo se tornou mais rica. Há uma parte da população de São Paulo extremamente miserável. Poderia estar sendo beneficiada, mas o prefeito Kassab não fez nenhum gesto para incluir o programa Brasil Sem Miséria. O (governador Geraldo) Alckmin está começando a implementar essa parceria de maneira mais forte, que também está vagarosa. A cidade de São Paulo poderia ter feito vários convênios na área da Educação, Justiça. Não houve isso. Esses oitos anos de Serra e Kassab são anos em que o Brasil teve crescimento extraordinário, comparado com a época anterior, da qual eu fui prefeita.
    Valor – A sra. quer dizer que foram anos perdidos?
    Marta - O que aconteceu nesses oito anos? O Brasil teve enorme crescimento, as receitas começaram a se ampliar, tanto é que o Kassab hoje trabalha com o orçamento três vezes maior do que o que eu trabalhava, R$ 37 bilhões. Desde o começo, ele não tem uma marca na cidade. E nos trabalhamos primeiro com R$ 9 bilhões – depois com R$ 13 bilhões – e deixamos marcas na educação, no transporte público – criamos o bilhete único e acabamos com as máfias – começamos a fazer os corredores de ônibus que a cidade precisava, deixamos 300 quilômetros planejado, e ele fez um quilômetro. Não é que ele fez dois, fez zero. E a desculpa que ele coloca é que tem muito carro. É evidente que tem muito carro, porque tem “boom” econômico e o brasileiro vai comprar carro. Estaria difícil o transporte? Estaria. Mas não nesta dimensão. Nós, sem um tostão, conseguimos deixar marcas na cidade. É que as pessoas esquecem. Nós tiramos o PAS da cidade (programa de Paulo Maluf). A saúde era privada. Ele tirou o SUS, São Paulo não recebia o recurso federal. Fora não receber, era privado e absolutamente corrupto. Nós levamos dois anos para conseguir trazer o SUS de volta para a cidade
    Valor - Mas essas são marcas associadas à sua gestão.
    Marta – Esse é o grande desafio, como é que nós vamos agora colocar essas marcas em outra candidatura. Mas é um desafio que eu vou me empenhar em fazer.
    Valor – O Haddad se comprometeu com essas marcas ou foi apenas uma conversa breve?
    Marta – Não, foi uma conversa longa de uma hora e meia sobre a cidade de São Paulo, o que é a experiência de governar a cidade e o que eu considero que vão ser os grandes desafios que a cidade terá de enfrentar e que ele, como candidato e depois como prefeito, vai ter que dar continuidade ou inovar. Insisti muito para ele que, primeiro, é um resgate do bem feito que foi na cidade para a população; do fingir que fez, como o que o PSDB fez com os CEUs – faz propaganda de que nós fizemos 21 e eles fizeram 25, mas esquecem de dizer que os 25 que fizeram foi terreno que nós deixamos comprados e que 21 foram feitos em quatro anos. Eles fizeram 25 em oito. E o conceito, isso é o mais grave, foi mudado. Porque o CEU não é para ser um grande escolão. O CEU é para ser uma janela de oportunidade para quem não tem nenhuma janela de oportunidade na vida, que mora numa favela onde os pais, muitas vezes, nem alfabetizados são. O CEU é isso, tem o esporte e a cultura absolutamente agregados para fazer com aquela criança uma formação holística que ela não teria oportunidade de ter em outro lugar; de aprender a tocar um violino até aprender a tocar numa big-band, hidroginástica para mãe e avó; ioga e teatro do primeiro mundo. Isso era o CEU. Isso tem de ser desmistificado. Porque essa é a diferença nossa com o PSDB. Então, eu coloquei. Eu acho que esse legado tem que ser resgatado. Agora, ninguém ganha a eleição com o passado.
    Valor – Mas ajuda?
    Marta – Ajuda, porque a gente tem que mostrar que sabe fazer, tem que mostrar que o outro finge que faz e tem que mostrar o novo, e esse é o grande desafio para você. Agora, para o nosso partido é pensar o novo, porque a continuidade você pode facilmente assumir esse compromisso, com todo o nosso empenho.
    Valor – A sra. concorda que é preciso uma cara nova na eleição?
    Marta – Eu não concordo nem discordo. Para mim, são águas passadas. Acabou. Eu queria ter sido [candidata], achei que teria o reconhecimento da população, que está muito saudosa do governo. Eu ando na rua e vejo, eu pego o avião e vejo. Isso é uma realidade, não tem como negar. Agora, não foi assim? Não foi assim. Quero que o PT volte à prefeitura porque amo a minha cidade? Quero. Vou me esforçar para viabilizar a candidatura petista? Vou.
    Valor - A sra. vai efetivamente se engajar na campanha?
    Marta - Vou. Eu viro a página. O meu sentimento foi um sentimento de frustração. Agora, eu virei a página. Ele é o candidato, agora tem que trabalhar o candidato. Ele é o prefeito de volta na prefeitura para fazer o que tem que ser feito na minha cidade, porque os outros candidatos não vão fazer o que nós fizemos.
    Valor – Então vamos falar pra frente. A sra. foi criticada, em 2004, por não fazer uma aliança com o PMDB. Como vê agora a possibilidade de o deputado Gabriel Chalita ser o vice de Haddad?
    Marta – Aquela falta de aliança com o PMDB tem uma história muito complicada, que eu não vou entrar de novo porque é página virada. Acho o PMDB um parceiro muito importante para o PT em São Paulo, seja para o primeiro turno, se for possível. Se não for, no segundo. É muito importante. Principalmente, pela possibilidade de mostrar o que já fizemos, ao dar maior visibilidade ao nosso candidato, que ainda não tem esse conhecimento todo. Então, quanto mais tempo de televisão a gente tiver para poder mostrar o que foi a gestão do Haddad no ministério e as coisas positivas que ele conseguiu realizar, melhor. Porque você vai levar para a população um nome novo, mas um nome que tem uma bagagem. Se não tem esse tempo, como é que vai apresentar um candidato novo?
    Valor – E a possibilidade de ser o Chalita?
    Marta - O Temer e o Chalita é que vão avaliar. Eu acredito que a aliança vira, ou no primeiro ou no segundo turno. A palavra final é do PMDB.
    Valor – A possibilidade de aliança com o PSD é nula mesmo?
    Marta – Nunca! A base petista não aceitaria nunca. Não tem hipótese. Zero. Que campanha você vai fazer se põe o Kassab dentro do teu partido? Não tem sentido nenhum. Não tem possibilidade nenhuma.
    Valor – Por que a sra. está tão convencida de que o Serra vai ser candidato?
    Valor – Pelos motivos óbvios de quem lê nas entrelinhas políticas. Ele tem um script. Está repetindo o roteiro: o seu aparecimento cada vez maior, a defesa da parceria com o PSD, o pedido do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) de adiamento das prévias, tudo faz parte do mesmo quadro. Vai ser de novo PSDB versus PT.
    Valor - A “solução paulista” parece que será estendida ao país: o PT, que sempre fez prévias, agora tem outra postura. A sra. acha boa essa opção?
    Marta - As prévias são um instrumento bastante interessante. Eu mesma posso dizer, quando disputei as prévias para governador do Estado com o Renato Simões, que tinha poucas chances de ganhar porque eu tinha o apoio majoritário. A mim fizeram muito bem. Porque eu percorri o Estado inteiro conversando com a militância, discutindo e aprendendo. E assim como esses 35 encontros zonais que nós fizemos, e que não eram prévias, tinham outra característica, esse contato com a militância… Eu dou risada quando o PSDB diz ‘nós temos que empolgar a militância’; eles não têm militância, eles vão ter que catar gente para fazer essa prévia. Se fizerem algum dia. O PT, não. O PT tem uma militância aguerrida, que se eu fosse até o final das prévias e tivesse me empenhado realmente, teria… Era um ponto de interrogação o que iria acontecer. Esses contatos mostraram a todo mundo isso.
    Valor – Então o que lhe fez desistir?
    Marta - Fora o apelo da Dilma e do Lula, também foi que estraçalharia o partido. Eu não sou uma pessoa que faz o debate numa “nice”. Eu vou na jugular. Pra quê que eu ia fazer um trabalho para os adversários. A prévia de que eu participei foi uma coisa de aprendizado. Uma prévia com o Jilmar Tatto (deputado federal), com o Haddad e com o outro (deputado federal Carlos Zaratini) seria uma prévia na jugular. O que sobraria dessa prévia para quem ganhasse? Se eu ganhasse, sobraria um partido rachado, com ódio mortal dos apoiadores do Haddad. E se o Haddad ganhasse, sobraria uma pessoa também bastante avariada. Eu não sou pessoa que faria uma prévia parceira. Eu faria uma prévia na jugular. Eu não podia fazer isso com o meu partido, porque tem o “day after”. O que é que iria acontecer, depois, com ele ou comigo? Aí, a gente acabaria com a chance de o PT ir para a prefeitura. Não teria sentido. Teria sido um bom treino para ele. Mas não era o caso.
    Valor - E a imposição desse modelo para todos os Estados?
    Marta – Depende da situação. Em São Paulo, certamente não seria um bom caminho [as prévias].
    Valor – Que contribuições, a partir de agora, Marta Suplicy pode dar ao partido e ao país?
    Marta - A grande contribuição eu acabei de dar. Você quer maior?
    Valor – O governo Dilma lhe empolga?
    Marta – Acho que ela está indo bem. Era muito difícil suceder o Lula. Acho que ela tem duas vantagens: primeiro de ser mulher e ter as características específicas de personalidade dela, e depois de ter um governo bem arrumado, um governo do qual ela participou de seu plano estratégico de desenvolvimento. Então, ela ser mulher e ter uma personalidade absolutamente diferente do Lula, e ser percebido isto de forma clara desde o primeiro segundo, a diferenciou. Ninguém iria exigir dela as coisas que o Lula faz, que são dele. O carisma, o desempenho. Ela, não. Ela é mulher e tem outro jeito, sim. Então, isso ajudou muito, para ela. A outra questão foi ter participado de todo o planejamento estratégico do governo Lula. Ela sabia a direção que o Brasil tinha que caminhar.
    Valor – Essa queda seriada de ministros não prejudica o governo?
    Marta – Eu acho que ela está sendo de uma habilidade extraordinária e surpreendendo até os seus adversários. Porque não é fácil você governar do jeito que a eleição do Brasil é, e a constituição do Congresso. Precisa ser trapezista, ter uma habilidade extraordinária para conseguir a aprovação de projetos importantes para o Brasil e, ao mesmo tempo, não pactuar com o que aparece. Ela tem sido extraordinária nessa questão. Acho que ela conseguiu uma forma particular, muito dela, de deixar os próprios partidos perceberem quando retirar os seus ministros, e manter a sua base, sem a qual ela não aprova um projeto em quatro anos.
    (Raymundo Costa | Valor)

    Mauro Santayana: O BRASIL, OS BRICS, E A NOVA ARMA HIPERSÔNICA DOS ESTADOS UNIDOS.

    Sanguessugado do Mauro Santayana

    O fato de os Estados Unidos, mesmo em crise econômica e política - com milhares de pessoas ocupando as ruas para protestar contra o sistema - terem anunciado o sucesso, há três dias, do vôo de teste, entre o Havaí e as Ilhas Marshall, de uma nova bomba voadora, de velocidade supersônica, capaz de atingir qualquer ponto do globo em menos de uma hora, tem que servir de alerta para o Brasil e para os BRICS.
    Enquanto investimos bilhões na compra de equipamento e tecnologia militar obsoleta, como os submarinos Scorpéne e, eventualmente, o Rafale, desenvolvidos há mais de 30 anos, os Estados Unidos não cessam de pesquisar novas armas de destruição em massa, e sistemas de armamento naval como o canhão magnético de munição cinética, anunciado no ano passado, que não depende de combustível para atingir alvos a uma distância de 300 quilômetros.
    Isso, apesar de Washington ter um déficit de 7 trilhões de dólares, boa parte dele derivado dos 35 bilhões de dólares que gasta, por semana, para manter seus soldados no Iraque e no Afeganistão, países dos quais já prepara a retirada de suas tropas convencionais - com o rabo entre as pernas - a partir do ano que vem.
    A insistência de os Estados Unidos em continuarem se armando, mesmo em uma situação de crise econômica e institucional crescente, aponta para a cristalização de uma perigosa equação, que, do ponto de vista do resto do mundo – excetuando-se a Europa, cada vez mais submissa aos interesses norte-americanos - equivale a um mendigo louco com uma arma na mão na praça de alimentação de um Shopping, ou, à velha metáfora, mais usada antigamente, de um macaco solto em uma loja de louças.
    Como a história mostrou nos anos do equilíbrio do terror da Guerra Fria, quando os EUA não ousariam invadir países como o Iraque e o Afeganistão, sem a aquiescência tácita da URSS, de nada adianta construir uma nova ordem multipolar, se o poder no mundo continuar obedecendo a uma situação unipolar do ponto de vista militar.
    O BRICS tem se erguido, nos últimos anos, na economia e na diplomacia, justamente para fazer frente à Europa e aos Estados Unidos, porque o mundo não pode continuar refém, como tem acontecido, das decisões que são tomadas em uma Europa e em uma América do Norte cada vez mais frágeis, no âmbito político-institucional, e cada vez mais decadentes, do ponto de vista econômico.
    Nada disso funcionará, no entanto, se a projeção do crescente poder do BRICS não se fizer, também, na área militar. Não dá para se pensar em uma estratégia de defesa viável, no futuro, se não juntarmos nossos recursos financeiros e tecnológicos, nosso conhecimento e nossos pesquisadores militares aos da Rússia, da China, da Índia e da África do Sul para o desenvolvimento de uma nova geração de armamentos que vá, como está ocorrendo com os Estados Unidos, um pouco além do armamento convencional hoje existente.
    Não se pode confiar nem cooperar com os países ocidentais nessa área. Eles só nos vêem como “parceiros” da hora dos coquetéis de seus adidos militares, ou no quando tem interesse de nos vender material obsoleto para utilizar o lucro no desenvolvimento de novas gerações de armamentos. Quando chega o momento de a onça beber água, eles se aliam entre si, e nos vêem como sempre nos viram, como um bando de subdesenvolvidos. Que o diga a Argentina, que até hoje não esqueceu as lições que aprendeu quando precisou de armamento para reposição na Guerra das Malvinas.

    Niemeyer apresenta novos projetos


    Niemeyer cria teatro para o Aterro e mostra novos projetos
    Perto dos 104 anos, arquiteto apresenta novos planos na revista ‘Nosso caminho’
    Luiz Fernando Vianna Leonardo Aversa / Leonardo Aversa
    O arquiteto Oscar Niemeyer completa 104 anos Leonardo Aversa / Leonardo Aversa

    RIO - Oscar Niemeyer completará 104 anos em 15 de dezembro. Avesso a comemorações, prevê receber amigos em seu escritório, em Copacabana, para o lançamento do 11 número de "Nosso Caminho", revista trimestral e trilíngue (português, espanhol e inglês) que criou e a que se dedica com especial carinho. A edição trará novos projetos do arquiteto, que continua passando as tardes fazendo os traços originais daqueles que levam sua assinatura.
    p>Dentre as mais recentes criações está uma que provocará polêmica: o Teatro Musical Rio’s, um enorme espaço destinado a shows e musicais, situado no Parque do Flamengo, com uma cúpula que dialoga com as curvas do Pão de Açúcar. O projeto foi encomendado pelo Brasil Foodservice Group (BFG), que controla a rede de churrascarias Porcão, cuja unidade no parque continuará existindo ao lado do teatro no caso de ele ser mesmo construído. Idealizado pela urbanista Lota Macedo Soares, o parque feito sobre o Aterro do Flamengo é tombado pelo patrimônio público desde 1965. Isto significa que só pode passar por qualquer alteração se o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) autorizar.
    Os planos de modificação da Marina da Glória visando aos Jogos Panamericanos de 2007, por exemplo, foram vetados porque dificultavam a vista do Pão de Açúcar. Em maio passado, o empresário Eike Batista conseguiu, mesmo sob protesto dos ambientalistas, ter aprovada sua reforma para a Marina, argumentando que muitas instalações ficarão no subsolo da edificação, poupando a paisagem.
    O BFG ainda não quer falar sobre o teatro, pois está preparando a documentação necessária para apresentar seus planos ao Iphan e à Prefeitura do Rio, proprietária do terreno. Atendendo a pedido de seu cliente, o escritório de Niemeyer não comenta o projeto, que está na fase de estudos preliminares.
    A obra prevê uma plateia de 2 mil lugares e um balcão com mais 500, além de camarotes. No térreo, um auditório para eventos e um salão de exposições. Na revista "Nosso Caminho", há um comentário de Niemeyer:
    "Fiquei muito entusiasmado, desde o primeiro momento, em conceber um novo espaço destinado a espetáculos musicais. E logo me ocorreu uma solução capaz de provocar surpresa e atrair o público: uma cúpula magnífica a ser construída ao lado do restaurante, localizando-a em frente ao Pão de Açúcar."
    Se vingar, o teatro será uma das principais obras do arquiteto na cidade, ao lado do Sambódromo e dos Cieps. Por sua natureza, o parentesco maior será com o Museu de Arte Contemporânea de Niterói.
    Quando pertencia aos irmãos gaúchos Mocelim, a rede Porcão travou uma disputa com o Garcia & Rodrigues pelo restaurante do Parque do Flamengo. Hoje, ambos pertencem ao BFG. Em 2012, será inaugurado um Porcão onde era o Garcia, que irá para outro endereço no Leblon.
    Harmonia com a natureza
    Outra novidade é o projeto de uma casa em Londres, pensada para ser um exemplo de beleza e convivência harmônica com a natureza sob a ótica da arquitetura modernista. A encomenda foi feita por Julia Peyton-Jones, diretora da Serpetine Gallery — que já pedira a Niemeyer um pavilhão em 2003, montado no Hyde Park. A obra deve acontecer em 2012, e o projeto guarda afinidade com a Casa das Canoas, criada em 1952 para ele mesmo morar.
    — São duas residências que foram projetadas com extremo apuro, de modo a sublinhar a leveza de suas formas e o modo singular de integração com a natureza — diz Niemeyer, em resposta enviada por escrito.
    Em agosto, começaram as obras da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu. A primeira etapa vai até o fim de 2013. A instituição quer iniciar em seguida a fase final.
    — Será um espaço onde alunos e professores de distintas nacionalidades poderão realizar trocas sociais significativas — acredita Niemeyer.
    Na nova "Nosso Caminho", o arquiteto lembra o amigo Vinicius de Moraes no texto "Num teatro em Paris" — "como era bom e afetuoso este velho companheiro, a nos contar, animado, sua vida cheia de alegrias e flores!". Em depoimentos à jornalista Regina Zappa, o compositor Edu Lobo e o cineasta Miguel Faria Jr. também recordam o poeta. Ainda há um texto do escritor uruguaio Eduardo Galeano, "Haiti, país ocupado".
    Sobre a chegada dos 104 anos, Niemeyer procura não torná-la especial:
    — O futuro se revela problemático e incerto para todos nós. A vida é um sopro, não canso de repetir. O que ainda nos conforta é ter a nosso lado uma mulher, uma boa companheira (Vera). O resto, conforme já confessei a amigos de "O Pasquim", seja o que Deus quiser...
    *LuisNassif

    Um Desabafo sobre o Movimento Gota D'água


    *esquerdopata

    Deleite Bebel Gilberto

    Vídeo Arte: Ritmo, poesia e simetria.


    *tireotubo

    Os bastidores de um encobrimento

    O Viomundo, de Luis Carlos Azenha e Conceição Lemes, generoso como sempre, ouviu-nos sobre o trabalho deste blog na apuração dos fatos por trás do mais do que encoberto vazamento do poço perfurado pela Chevron-Texaco no poço de Frade.
    Repetimos: o deputado Brizola Neto, como parlamentar, e eu, jornalista, não fizemos mais do que a nossa obrigação, política e profissional.
    E, creio que falo em nome de ambos, com imensa tristeza.
    Não apenas por ser, em si, um episódio lastimável um acidente poluidor desta expressão mas, sobretudo, porque a  imprensa – que deveria representar um papel vital na revelação do caso – comportou-se de forma distante, preguiçosa e, muitas vezes, submissa  ou cúmplice  de uma grande empresa estrangeira em algo imperdoável: a destruição da natureza brasileira.
    Bom que os fatos – ainda que não todos – tenham começado a vir à tona. Os indícios são de uma grande irresponsabilidade, provocada pela ganância e por um certo desdém  com o Brasil e sua capacidade de responsabilizar – criminal, econômica e político-administrativamente – quem coloca em risco o patrimônio natural deste país.
    Se você quiser ler sobre como foi nossa teimosia atrás do caso, acesse aqui a matéria do Viomundo.
    *Tijolaço

    Pilantragem dos Amiguinhos do ssERRA

    Chevron é investigada pela PF por suposta tentativa de alcançar o pré-sal

    Chevron é investigada pela PF por suposta tentativa de alcançar o pré-sal Foto: diariodopresal

    Origem do vazamento de petróleo na Bacia de Campos pode ter sido causada por perfuração além do limite permitido para atingir camadas mais profundas

    21 de Novembro de 2011 às 07:30
    A possibilidade de a petroleira Chevron estar tentando indevidamente alcançar a camada pré-sal do campo de Frade começou a ser discutida internamente na Agência Nacional do Petróleo (ANP). Na tentativa, teria ocorrido a ruptura de alguma estrutura do poço perfurado, dando origem ao vazamento de petróleo na Bacia de Campos (RJ), que já dura 11 dias.
    A Polícia Federal confirmou que investiga a informação de que a empresa teria perfurado além dos limites permitidos. O delegado Fábio Scliar, titular da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico e responsável pelo inquérito, disse que “uma das hipóteses com as quais trabalhamos é a de que o acidente pode ter ocorrido pelo fato da empresa ter perfurado além dos limites permitidos”, disse o delegado. Os especialistas da ANP suspeitam de que o emprego pela Chevron de uma sonda com capacidade para perfurar a até 7.600 metros, quando o petróleo em Frade aparece a menos da metade dessa profundidade, é um indicativo de que a companhia poderia estar burlando seu plano de prospecção do campo.
    Além de investigar a hipótese de que haveria em curso, antes do acidente, uma ação exploratória em direção ao pré-sal, a ANP pretende apurar falhas na construção do poço, o emprego de material inadequado e a falta de realização de testes de segurança antes do início da perfuração.
    A Chevron tem quatro poços autorizados no campo de Frade. O site da ANP informa que um deles está concluído e os outros três (6CHEV4ARJS, 9FR47DRJS e 9FR49DPRJS), em fase de perfuração, em lâminas d’água que variam entre 1.184 metros e 1.276 metros de profundidade.
    Ex-presidente da Associação Brasileira dos Geólogos de Petróleo, Nilo Azambuja afirma que as conjecturas que surgem em relação às causas do vazamento na Bacia de Campos, até mesmo as que vêm sendo investigadas pela ANP, não podem ser consideradas definitivas.
    Segundo ele, a Chevron poderia estar tentando alcançar o pré-sal, sem que isso represente uma irregularidade. “A área é dela, se quiser pode ir ao Japão”, afirmou ele, acrescentando que a empresa deve, com até 20 dias de antecedência, avisar a ANP sobre seus planos de perfuração, com detalhes da profundidade final a ser atingida.
    Para Azambuja, a hipótese mais provável é que durante o trabalho de injeção de água em um poço tenha havido movimentação de terreno e o petróleo represado no que os especialistas chamam de trapa (armadilha) acabou escapando. “Esse é um fenômeno que pode acontecer. Em reservatórios, o óleo pode ficar preso numa trapa. Quando a trapa rompe, há vazamento”, concluiu.
    A Polícia Federal também investiga a suspeita de que a Chevron empregue estrangeiros em situação irregular no País. Segundo o delegado Fábio Scliar, há indícios de que até pessoas que não deram entrada oficialmente no Brasil estejam trabalhando em plataformas localizadas no litoral brasileiro.
    “Trata-se de um ilícito administrativo. Mas é algo sério. Se isso for comprovado e esses estrangeiros em situação irregular estiverem recebendo salários no exterior, por exemplo, já se configura crime de sonegação fiscal e de sonegação previdenciária”, explicou o delegado responsável.
    O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), aproveitou o vazamento de óleo que está ocorrendo em um campo na Bacia de Campos, no norte fluminense, para reforçar sua posição de que os estados produtores de petróleo têm que receber uma maior parte dos royalties pois são afetados pela operação.
    “Sem dúvida é um momento de tensão para o nosso Estado, para a nossa costa, para a fauna. Esse acidente é a demonstração clara do que significa um dano ambiental em um Estado produtor de petróleo. É uma prova de que os Estados produtores devem receber uma parte maior dos royalties”, disse o governador. (O Estado de S. Paulo)

    Documentário sobre o grande intelectual brasileiro Celso Furtado

    Este documentário – O Longo Amanhecer - nos aproxima da obra intelectual de Celso Furtado (1920-2004).
    O vídeo de 72 minutos (na íntegra) mostra a atualidade do economista, que sempre pensou o Brasil no contexto internacional do capitalismo contemporâneo, verificando o quanto o chamado “subdesenvolvimento” a que estivemos submetidos foi uma política intencional das nossas elites para fazer funcionar um País para apenas 10% de sua população. Hoje, felizmente superamos essa fase de submissão do Brasil aos centros dinâmicos do capital, mas ainda há muito caminho a percorrer. Estamos apenas no começo do processo de autonomização das nossas potencialidades. Muita política haverá de passar sob essa ponte.
    Uma releitura do que Celso Furtado escreveu sobre o subdesenvolvimento (anos 60) mostra claramente sua atualidade. Utilizando o raciocínio estruturalista e o método histórico, Furtado chega a conclusões do tipo: "o subdesenvolvimento é ... um processo histórico autônomo", não constituindo "uma etapa necessária ... de formação das economias capitalistas"; "a única tendência visível é para que os países subdesenvolvidos continuem a sê-lo"; "o desenvolvimento do século XX vem provocando uma concentração crescente da renda mundial", com "uma ampliação progressiva do fosso entre as regiões ricas e os países subdesenvolvidos"; "o subdesenvolvimento é a manifestação de complexas relações de dominação-dependência entre povos, [tendendo] a autoperpetuar-se sob formas cambiantes"; tudo isso requerendo "a tomada de consciência da dimensão política da situação de subdesenvolvimento", com a formação de "centros nacionais de decisão válidos".
     
    *comtextolivre

    O que prova que realmente o uso do cachimbo pode entortar a boca.

    O erro de Pondé

    As participações de Luiz Felipe Pondé me incomodam da mesma maneira que as participações do historiador Marco Villa. Não chega a ser um grande incômodo, mas confesso que o tom de censura e militância cria uma espécie de freio emocional.
    Hoje, Pondé me dá argumentos racionais ao sentimento. No seu artigo "O erro de Foucault", publicado na Folha (leia abaixo), começa sintomaticamente denunciando o apoio que Michel Foucault teria dado á revolução iraniana no final de sua vida e avança sobre a ocupação da reitoria da USP pelos estudantes. A ponte entre Foucault e os estudantes da USP não é ingênua. Foucault ficou conhecido por protagonizar seminários famosos durante as barricadas de Maio de 68, em Paris.
    Qualquer um tem direito de discordar das teorias libertárias ou da esquerda. Mas é preciso se conter ou se joga a água com o bebê juntos, ou seja, elimina-se a boa relação democrática entre contrários. Pondé caiu nesta vala no artigo de hoje. Termina o artigo assim:
    Proponho que da próxima vez que os indignados sem causa ocuparem a faculdade de filosofia da USP (ou fefeleche, nome horrível) que sejam trancados lá até que descubram que não são donos do mundo e que a USP (sou egresso da faculdade de filosofia da USP) não é o quintal de seus delírios.
    Não é possível que alguém que pretensamente esteja defendendo a democracia e a ordem brinque desta maneira num artigo publicado no maior jornal do país. O artigo não fica apenas nesta frase. É uma "rodada de baiana" no estilo "Cansei".
    O que prova que realmente o uso do cachimbo pode entortar a boca.

    Charge do Dia

    https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgukpXoDatGp172GO4SAgsdctUxfoXP6SdRakpuWs2J9OHPAgohntYEoRTqo9pt_Nc2kZrc9ChyphenhyphenE4fUoFqEJ1yysvb3vQRocj6CLUU3Fk3aeXSfz1EYlp1i_LZntN5qt42KbMF0PtSpKEaq/s1600/racismo+preconceito.jpg

    Para pensar em tempos de 'globetes' deslumbrados e desinformados

    Represa Billings (SP) alaga 582 km2 e gera 889 MW
    Belo Monte alagará 516 km2 e produzirá 11.000 MW
    *Blog do Mario

    Comissão da Verdade começou mal

    Via CartaMaior




    O discurso que não foi lido
    Na sexta-feira, durante o ato de assinatura em Brasília, pela presidenta da República Dilma Rousseff, da lei que cria a Comissão da Verdade, estava previsto, entre outros, o pronunciamento de Vera Paiva, filha do ex-deputado socialista Rubens Paiva, assassinado e desaparecido durante a ditadura militar. Ela acabou não falando. Sua participação teria sido cancelada por pressão dos militares. "Assim começa muito mal... Não fui desconvidada, simplesmente não falei!", relata Vera Paiva.
    Vera Paiva
    https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEggEgx0wG7A84QDih8KXH1aGS94uyG1bUKkreY6pEVsZ4Pb3OLgte_lifETSzSAIYV_zE2kOGKmvvGUgYTO7-ZUT2AQ-jpwbe4mue2lUT1t959PMJlUav3dGTx0mrIrk2_hdWnkP0g2tmw/s1600/Sarney.jpg
    Seguem as anotações da minha fala que foi cancelada, segundo os jornais, por pressão dos militares. Assim começa muito mal... Não fui desconvidada, simplesmente não falei! A minha volta diziam que a Presidenta Dilma tinha que viajar e encurtaram a cerimônia, que alguém tinha falado um tempo a mais. Sai para uma reunião na UNB, ainda emocionada com o carinho que dispensou aos familiares e ex-presos políticos, um a um. Agora entendo o pedido de desculpas da Ministra Maria do Rosário.
    Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011, 11:00. Palácio do Planalto, Brasília.
    Excelentíssima Sra. Presidenta Dilma, querida ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário. Demais ministros presentes. Senhores representantes do Congresso Nacional, das Forças Armadas. Caríssimos ex-presos políticos e familiares de desaparecidos aqui presentes, tanto tempo nessa luta.
    Agradecemos a honra, meu filho João Paiva Avelino e eu, filha e neto de Rubens Paiva, de estarmos aqui presenciando esse momento histórico e, dentre as centenas de famílias de mortos e desaparecidos, de milhares de adolescentes, mulheres e homens presos e torturados durante o regime militar, o privilégio de poder falar.
    Ao enfrentar a verdade sobre esse período, ao impedir que violações contra direitos humanos de qualquer espécie permaneçam sob sigilo, estamos mais perto de enfrentar a herança que ainda assombra a vida cotidiana dos brasileiros. Não falo apenas do cotidiano das famílias marcadas pelo período de exceção. Incontáveis famílias ainda hoje, em 2011, sofrem em todo o Brasil com prisões arbitrárias, seqüestros, humilhação e a tortura. Sem advogado de defesa, sem fiança. Não é isso que está em todos os jornais e na televisão quase todo dia, denunciando, por exemplo, como se deturpa a retomada da cidadania nos morros do Rio de Janeiro?
    Inúmeros dados indicam que especialmente brasileiros mais pobres e mais pretos, ou interpretados como homossexuais, ainda são cotidianamente agredidos sem defesa nas ruas, ou são presos arbitrariamente, sem direito ao respeito, sem garantia de seus direitos mais básicos à não discriminação e a integridade física e moral que a Declaração dos Direitos Humanos consagrou na ONU depois dos horrores do nazismo em 1948.
    Isso tudo continua acontecendo, Excelentíssima Presidenta. Continua acontecendo pela ação de pessoas que desrespeitam sua obrigação constitucional e perpetuam ações herdeiras do estado de exceção que vivemos de modo acirrado de 1964 a 1988.
    O respeito aos direitos humanos, o respeito democrático à diferença de opiniões assim como a construção da paz se constrói todo dia e a cada geração! Todos, civis e militares, devemos compromissos com sua sustentação.
    Nossa história familiar é uma entre tantas registradas em livros e exposições. Aqui em Brasília a exposição sobre o calvário de Frei Tito pode ser mais uma lição sobre o período que se deve investigar.
    Em março desse ano, na inauguração da exposição sobre meu pai no Congresso Nacional, ressaltei que há exatos 40 anos o tínhamos visto pela última vez. Rubens Paiva que foi um combativo líder estudantil na luta “Pelo Petróleo é Nosso”, depois engenheiro construtor de Brasília, depois deputado eleito pelo povo, cassado e exilado em 1964. Em 1971 era um bem sucedido engenheiro, democrata preocupado com o seu país e pai de 5 filhos. Foi preso em casa quando voltava da praia, feliz por ter jogado vôlei e poder almoçar com sua família em um feriado. Intimado, foi dirigindo seu carro, cujo recibo de entrega dias depois é a única prova de que foi preso. Minha mãe, dedicada mãe de família, foi presa no dia seguinte, com minha irmã de 15 anos. Ficaram dias no DOI-CODI, um dos cenário de horror naqueles tempos. Revi minha irmã com a alma partida e minha mãe esquálida. De quartel em quartel, gabinete em gabinete passou anos a fio tentando encontrá-lo, ou pelo menos ter noticias. Nenhuma notícia.
    Apenas na inauguração da exposição em São Paulo, 40 anos depois, fizemos pela primeira vez um Memorial onde juntamos família e amigos para honrar sua memória. Descobrimos que a data em que cada um de nós decidiu que Rubens Paiva tinha morrido variava muito, meses e anos diferentes...Aceitar que ele tinha sido assassinado, era matá-lo mais uma vez.
    Essa cicatriz fica menos dolorida hoje, diante de mais um passo para que nada disso se repita, para que o Brasil consolide sua democracia e um caminho para a paz.
    Excelentíssima Presidenta: temos muitas coisas em comum, além das marcas na alma do período de exceção e de sermos mulheres, mãe, funcionária pública. Compartilhamos os direitos humanos como referência ética e para as políticas públicas para o Brasil. Também com 19 anos me envolvi com movimentos de jovens que queriam mudar o pais. Enquanto esperava essa cerimônia começar, preparando o que ia falar, lembrava de como essa mobilização começou. Na diretoria do recém fundado DCE-Livre da USP, Alexandre Vanucci Leme, um dos jovens colegas da USP sacrificados pela ditadura, ajudei a organizar a 1ª mobilização nas ruas desde o AI-5, contra prisões arbitrárias de colegas presos e pela anistia aos presos políticos. Era maio de 1977 e até sermos parados pelas bombas do Coronel Erasmo Dias, andávamos pacificamente pelas ruas do centro distribuindo uma carta aberta a população cuja palavra de ordem era
    HOJE, CONSENTE QUEM CALA.
    Acho essa carta absolutamente adequada para expressar nosso desejo hoje, no ato que sanciona a Comissão da Verdade. Para esclarecer de fato o que aconteceu nos chamados anos de chumbo, quem calar consentirá, não é mesmo?
    Se a Comissão da Verdade não tiver autonomia e soberania para investigar, e uma grande equipe que a auxilie em seu trabalho, estaremos consentindo. Consentindo, quero ressaltar, seremos cúmplices do sofrimento de milhares de famílias ainda afetadas por essa herança de horror que agora não está apoiada em leis de exceção, mas segue inquestionada nos fatos.
    A nossa carta de 1977, publicada na primeira página do jornal o Estado de São Paulo no dia seguinte, expressava a indignação juvenil com a falta de democracia e justiça social, que seguem nos desafiando. O Brasil foi o último país a encerrar o período de escravidão, os recentes dados do IBGE confirmam que continuamos uma país rico, mas absurdamente desigual... Hoje somos o último país a, muito timidamente mas com esperança, começar a fazer o que outros países que viveram ditaduras no mesmo período fizeram. Somos cobrados pela ONU, pelos organismos internacionais e até pela Revista Economist, a avançar nesse processo.
    Todos concordam que re-estabelecer a verdade e preservar a memória não é revanchismo, que responsáveis pela barbárie sejam julgadas, com o direito a defesa que os presos políticos nunca tiveram, é fundamental para que os torturadores de hoje não se sintam impunes para impedir a paz e a justiça de todo dia. Chile e Argentina já o fizeram, a África do Sul deu um exemplo magnífico de como enfrentar a verdade e resgatar a memória. Para que anos de chumbo não se repitam, para que cada geração a valorize.
    Termino insistindo que a DEMOCRACIA SE CONSTRÓI E RECONSTRÓI A CADA DIA. Deve ser valorizada e reconstruída a CADA GERAÇÃO.
    E que hoje, quem cala, consente, mais uma vez.
    Obrigada.
    ***
    Depois de saber que fui impedida de falar ontem (sexta-feira), lembro de um texto de meu irmão Marcelo Paiva em sua coluna, dirigida aos militares:
    “Vocês pertencem a uma nova geração de generais, almirantes, tenentes-brigadeiros. Eram jovens durante a ditadura (…) Por que não limpar a fama da corporação? Não se comparem a eles. Não devem nada a eles, que sujaram o nome das Forças Armadas. Vocês devem seguir uma tradição que nos honra, garantiu a República, o fim da ditadura de Getúlio, depois de combater os nazistas, e que hoje lidera a campanha no Haiti."

    domingo, novembro 20, 2011

    Empresas de energia eólica violam o meio ambiente e privatizam praias no Nordeste

    Caso da Comunidade do Cumbe, Ceará
    26/09/2011
    A implantação do Parque Eólico, as violações ao meio ambiente, a sustentabilidade das famílias e o direito de ir e vir, com acesso garantido à praia e às lagoas do Cumbe, Ceará, foram discutidos em reunião promovida pela RENAP, a pedido da comunidade, com o Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas da Defensoria Pública. Representando a comunidade, João do Cumbe narrou às violações que ela vem sofrendo em seus direitos [por parte da empresa Bons Ventos]
    A incomunicabilidade, o silêncio dos agredidos sutilmente reforça o poderio das empresas agressoras que passo a passo dominam o território e avançam intimidando, impondo, ameaçando, suprimindo o exercício das atividades comunitárias, restringindo os acessos garantidos constitucionalmente, quer pelo exercício da cidadania brasileira, quer pelo status que é dado enquanto população e comunidade tradicional.
    Não bastasse a ferida aberta no seio da natureza que ali está exposta, a foz do rio Jaguaribe, seguindo até Canoa quebrada vai perpassando pelos arredores do Cumbe, Beirada e Canavieira onde foram aterradas lagoas interdunares, desmontadas dunas móveis e vegetadas, seccionados lençóis freáticos, impermeabilizado quilômetros de dunas com adição de argila vermelha que quando chove mais parece um sangramento tingindo as águas antes azuis, das poucas lagoas que ainda restam, alteração macabra de um cenário que sendo parte do complexo lagunar e área de aves internacionais em rota migratória, compreende esse cenário áreas de preservação permanente, dentro da unidade de conservação Apa de Canoa Quebrada, dentro da zona costeira, o maior parque arqueológico do Ceará, território de povos tradicionais e, portanto deveria ser altamente protegido.
    Caso Mataraca, Paraíba
    12/04/2011
    O Ministério Público Federal na Paraíba (MPF) requisitou ao órgão central da Secretária de Patrimônio da União (SPU), em Brasília (DF), que determine a instauração de procedimento administrativo para averiguar a situação da empresa [australiana] Pacific Hydro S/A, adotando-se providências efetivas para desobstruir o acesso da população do município de Mataraca (PB) à praia, na área do empreendimento Vale dos Ventos, instalado pela referida empresa.
    Conforme verificado pelo MPF, embora a obstrução do acesso à praia para a população, por cerca de nove quilômetros de extensão, tenha sido constatada há mais de um ano, a SPU/PB ainda não adotou qualquer providência efetiva para solução do caso. Foi estabelecido prazo de 30 dias para que o órgão central da SPU em Brasília informe o desfecho do procedimento instaurado, esclarecendo se já houve ou não a efetiva desobstrução dos acessos em questão.
    Prejuízos à população - De acordo com informações prestadas pela SPU/PB, a questão seria “complexa” porque envolveria riscos à integridade física das pessoas que frequentam as praias naquela área em razão da proximidade dos equipamentos geradores de energia eólica. Contudo, de acordo com a ONG S.O.S Caranguejo Uçá, tal alegação revela-se descabida pois foram instalados equipamentos semelhantes às margens da estrada que dá acesso à comunidade de Barra de Camaratuba, por onde transitam diariamente dezenas de pessoas, automóveis e ônibus.
    [Falta de] Licenciamento ambiental – No mesmo inquérito civil público, também está sendo averiguada a regularidade do licenciamento ambiental conferido à Pacific Hydro S/A, uma vez que, aparentemente, houve desmembramento do respectivo procedimento administrativo, em relação a parcelas do empreendimento, de modo a afastar a exigência de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) que seria cabível caso fosse considerado em seu conjunto. Nesse aspecto, o MPF reiterou requisição de informações à Sudema, destacando que já se aguarda há mais de um ano os esclarecimentos sobre o licenciamento.
    *comtextolivre

    Três perguntas cretinas para os poderes da nação

    Três casos que estavam aí pela mídia. Três perguntas que não me saem da cabeça.
    Executivo - Um acampamento indígena é atacado e um cacique alvejado a balas. Representantes do governo federal repudiam fortemente o ocorrido e demandam rápida investigacão sobre as causas do atentado.
    Pergunta cretina: Se, em última instância, for “descoberto” que a razão principal é a incompetência do próprio Estado brasileiro em devolver as terras ocupadas ilegalmente pela agropecuária, o governo topa indenizar os índios com o dobro do valor que foi emprestado pelos bancos públicos a essas fazendas?
    Legislativo - Quatro funcionários do Ministério do Trabalho e Emprego são emboscados e chacinados em Unaí (MG), em 2004, por fiscalizar fazendas da região. Até agora ninguém foi julgado. Mas a Assembléia Legislativa de Minas Gerais condecorou um dos acusados de ser o mandante do crime.
    Outra pergunta cretina: A Assembléia Legislativa do Pará não poderia condecorar também alguns fazendeiros da região de Marabá que conseguiram a proeza de não terem sido citados no inquérito policial do Massacre dos 19 trabalhadores rurais em Eldorado dos Carajás? Ou os responsáveis pela Segurança Pública no Estado que, provavelmente, nunca responderão por isso? Dando certo, rola pedir para a Assembléia Legislativa de São Paulo fazer o mesmo quanto ao Massacre dos 111 no Carandiru?
    Judiciário - O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o desembargador Teodomiro Cerilo Mendez Fernandez a pagar R$ 238 mil por espancar um homem dentro de uma Delegacia em 1993. Ele o havia “confundido” com um assaltante. Teodomiro chegou a ser condenado a quase cinco meses de prisão, mas o crime prescreveu. A mesma Justiça paulista mandou Maria Aparecida para a cadeia por ter furtado um xampu e um condicionador (ela perdeu um olho enquanto estava presa). Sueli também foi condenada pelo roubo de dois pacotes de bolacha e um queijo minas.
    Mais uma pergunta cretina, essa com opções: O erro de Aparecida e Sueli foi a) não terem espancado ninguém na saída do supermercado, b) viverem em uma sociedade em que o direito à propriedade é mais importante que o direito à dignidade e à vida ou c) terem nascido pobres em um país onde o acesso à Justiça depende de quanto você tem em caixa?
    *Sakamoto