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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

terça-feira, junho 05, 2012

ARQUIVO VIVO É SOLTO PELA JUSTIÇA BRASILEIRA - Á QUEM INTERESSA QUE ESSE HOMEM ESTEJA SOLTO?

O ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, em sessão da CPI do Cachoeira (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)A justiça brasileira manda soltar Dadá, apontado como o araponga que mais sabe sobre a vida e tramoias do maior corruptor  e manipulador em toda a história da república, Carlinho Cachoeira. Quanto vale a vida desse homem que pode incriminar o Al Capone brasileiro do bicho, como nenhum outro?.

Confira a matéria abaixo do G1.

Ex-sargento da Aeronáutica foi preso no fim de fevereiro em ação da PF.
Tribunal condicionou soltura à não existência de outro mandado de prisão.


A terceira turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) decidiu nesta segunda-feira (4) pela soltura do ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, preso durante a Operação Monte Carlo da Polícia Federal e acusado de ser um espião que atuava com grampos ilegais a serviço do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

A terceira turma do TRF, no entanto, fez a ressalva de que Dadá está impedido de manter contato com outros denunciados e também não pode deixar a comarca de seu domicílio sem autorização judicial. O araponga reside com sua família em Brasília. O TRF também determinou que Dadá não poderá ser solto caso haja outro processo com pedido de prisão em vigor contra ele.

Na outra operação relacionada ao esquema de Cachoeira, a Saint-Mitchel – coordenada pela Polícia Civil do DF –, não há mandado de prisão para Dadá, segundo o Ministério Público do Distrito Federal.
Segundo o desembargador Cândido Ribeiro, a decisão será encaminhada ao presídio e deve ser cumprida de imediato. Dadá, segundo os magistrados, foi beneficiado com uma medida cautelar. Esse dispositivo o impede de manter contato com os outros denunciados envolvidos na Operação Monte Carlo. Se Ministério Público ou Polícia Federal comprovarem que Dadá voltou a fazer contato com outros integrantes da organização, ele pode voltar a ser preso.

Na semana passada, o relator do processo, desembargador Tourinho Neto, havia votado a favor da soltura, mas um pedido de vista do desembargador Cândido Ribeiro adiou a decisão. Nesta segunda, Cândido acompanhou o relator. Para ele, não há sentido no argumento do Ministério Público de que Dadá era  "cabeça pensante" da organização.

"Como um sujeito que é cabeça pensante de uma organização como a de Cachoeira, recebe somente R$ 5 mil?", disse Cândido Ribeiro.

Em depoimento na semana passada à CPI do Cachoeira, criada no Congresso para apurar a relação do bicheiro com agentes públicos e privados, Dadá ficou em silêncio e não respondeu perguntas dos parlamentares da comissão. Segundo a PF, além de atuar no esquema de arapongagem, Dadá também ajudava o contraventor a procurar servidores de órgãos federais para tentar se beneficiar.
  • TRF da 1ª região manda soltar Dadá, ‘araponga’ de Cachoeira
    O assustado ex-sargento da Aeronáutica é considerado o principal informante do bicheiro-empresário investigado em Comissão.
'Lamentável'

Integrante da CPI do Cachoeira, o senador Pedro Taques (PDT-MT) classificou como “lamentável” a decisão de soltar Dadá. "Eu vejo essa decisão como lamentável. Com que cara ficaremos agora?", afirmou Taques.
O senador destacou, contudo, que o tribunal cumpriu a legislação penal. Ele defendeu que o Congresso aprove projeto que torne mais rigorosa a pena prevista para crime de formação de quadrilha.

"Com todo respeito à Justiça, nós estamos diante de uma organização criminosa, e mais uma vez nós temos um juiz cumprindo o que diz a lei. Nós temos que mudar a lei. O Código Penal fala em quadrilha ou bando pensando na quadrilha de Lampião. Nosso Código é de 1940", afirmou.
*MilitânciaViva

EUA: Sistema de Injustiça Criminal para negros pobres

 


O  modelo de sociedade da direita brasileira capitaneada pelo PIG 

Só num estado, na Louisiana, a taxa de encarceramento, em relação à população, é 13 vezes maior que a da China e cinco vezes maior que a do Irã
Há tantas coisas erradas nos EUA, que nem se sabe por onde começar. Mas, de todas as calamidades que os norte-americanos enfrentam, a mais cruel é o sistema de justiça criminal. 

Os EUA são a capital mundial das prisões. Só num estado, na Louisiana, a taxa de encarceramento, em relação à população do estado, é 13 vezes maior que a da China e cinco vezes maior que a do Irã.

O encarceramento em massa não é acaso, mas reação coordenada e aperfeiçoada contra o sucesso do movimento pelos direitos civis. As leis de segregação racial foram tornadas ilegais. E imediatamente criaram-se novos meios legais para segregar e destruir a comunidade negra nos EUA.

A obsessão dos EUA com o castigo sempre foi cause célèbre que chamou a atenção de parte da mídia, quando é muito flagrantemente injusta, ou evidencia vícios processuais ou mostra muito evidente racismo. Mas esses detalhes perdem importância, se se considera o terror sem fim que é o sistema judicial nos EUA.

O calvário de Brian Banks é exemplo disso.

Banks tinha 16 anos e era aluno e jogador destacado da equipe de futebol americano de uma escola em Long Beach, Califórnia, quando foi falsamente denunciado por estupro, por uma colega de classe, em 2002. Banks foi formalmente acusado, não só por estupro, mas também por sequestro. Preferiria ter-se declarado inocente, mas estava ameaçado, se condenado, por uma sentença de 41 anos de prisão. Como Banks relembra, seu advogado lhe disse que era “negro alto e forte” e que os jurados o considerariam culpado, dissesse o que dissesse; e que a confissão reduziria a sentença. Seguindo conselho do advogado, Banks declarou-se culpado.

Foi condenado a cinco anos de prisão, depois dos quais passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica e identificado como “agressor sexual”. Quem seja identificado como  “agressor sexual” é condenado, de fato, a prisão perpétua; fica proibido de frequentar determinados espaços, ou recebe a tornozeleira eletrônica várias vezes ao longo da vida,  por diferentes períodos. 

As sentenças draconianas não reduziram o número de ataques sexuais, nem aumentaram a segurança de ninguém. São apenas mais um item acrescentado à longa lista de instrumentos criados para infligir cada vez mais sofrimento.

Acontece assim com milhares de norte-americanos que, por um motivo ou outro, acabam colhidos nas malhas do sistema, mesmo quando são praticaram nenhum tipo de crime. No caso de Banks, a suposta vítima arrependeu-se, confessou que mentira, e a história de Banks afinal chegou às manchetes. Mas ainda não se cogita de levar a julgamento todo o sistema de justiça criminal nos EUA.

Não é raro que os procuradores ampliem a lista de acusação contra os réus, o que força muitos a declarar-se culpados, na tentativa de escapar de décadas de encarceramento. É como se os procuradores do estado da Florida tivessem decidido que não seria necessário seguir todas as etapas do justo processo legal. Basta aumentar os crimes de que os réus sejam acusados, pedir sentenças gigantescas, cinco, dez, às vezes 20 vezes mais longas do que as sentenças previstas para o caso de o acusado declarar-se culpado, vale dizer, para o caso de o acusado ‘confessar’ –, e o trabalho de todo o sistema judicial fica muito facilitado. 

 Marissa Alexander foi acusada de ter dado um tiro no marido. Se se declarasse culpada, seria condenada,  no máximo, a três anos de prisão. Mas recusou-se. O caso portanto teve de ir a júri, e ela, apesar de não ter dado tiro algum em marido algum, cumpre hoje pena de 20 anos atrás das grades.

O que se vê nas cortes norte-americanas nada tem a ver com sistema de justiça que, por definição, sempre daria aos acusados o direito de ser julgado por juiz legal, assistido por advogado legal, sem medo de, por razão nenhuma, acabar condenado a prisão perpétua. O sistema de justiça nos EUA castiga, sempre mais,  os inocentes que se declarem inocentes. 

Em muitos estados dos EUA, quem se declare inocente expõe-se a penas mais curtas, mas, automaticamente, perde o direito às audiências preliminares de defesa. Assim, os inocentes que se declarem inocentes se autocondenam a permanecer presos por longos períodos, sem serem ouvidos por nenhum juiz... até que confessem ter feito o que não fizeram, quando, então, vão a julgamento, já condenados.

O sistema judicial criminal e de correição dos EUA não passa de ninho de corruptos e corruptores, e tem de ser desmontado até a raiz. 

Prisões e carceragens nos EUA são instituições que geram negócios e criam empregos para a fechada comunidade dos carcereiros, para empresas privadas que vivem do negócio de construir e administrar prisões, e que impedem os negros norte-americanos de efetivamente questionar todo o sistema, como faziam há 40 ou 50 anos. 

Procuradores e políticos beneficiam-se e lucram com o número sempre crescente de condenados a sentenças cada vez mais longas, além de ganharem tempo de exposição na mídia, nos casos mais espetacularizados, o que muito os interessa no caso de serem candidatos a ‘promoção’,  seja no sistema judicial-policial seja no sistema político.

Pouco têm a perder com as condenações a prisão perpétua que resultaram das leis de “três acusações [de crime menor] equivalem a uma [de crime maior], inventada para prender pequenos traficantes de drogas. A “tolerância zero” nunca passou de metáfora para manter negros pobres – e pobres em geral – sob controle. 

O discurso codificado e enunciado pela mídia e o lucro que advém da falácia segundo a qual “se há sangue, é notícia” alimentam o medo e ajudam também a obter o apoio de muitos negros e de muitos pobres, para essas medidas judiciais, que são apresentadas como justas e legais, quando são legais, mas são racistas.

Para meter negros e pobres nas cadeias, nenhum crime é pequeno crime. Até abandono dos filhos é crime que mete negros pobres nas prisões dos EUA, negros pobres que, metidos nas cadeias por décadas, se não abandonaram antes, fatalmente abandonarão os filhos depois de ‘justiçados’. Mas, evidentemente, não há no mundo quantidades de pais e mães espancadores de filhos, ou de predadores sexuais ou de assassinos psicopatas, para encher prisões cujos proprietários privados são remunerados ‘por cabeça’. 

Esses crimes-espetáculo, que são os únicos que são midiatizados, só são midiatizados para manter operante o sistema judicial de distribuir e perpetuar injustiças, aumentar o lucro das prisões-empresa, atrair votos para candidatos financiados pelas mesmas prisões-empresas e pela mídia, e para manter satisfeitos os norte-americanos racistas, “em uniforme” ou sem uniforme.

O caso de Brian Banks atraiu a atenção das televisões, jornais e jornalistas, porque uma mentirosa o mandou para a cadeia. E as televisões, os jornais e os jornalistas repisam sempre esse aspecto desse caso. Mas essa explicação pouco explica dos outros muitos casos em que o único mentiroso foi o sistema judicial norte-americano. 

Temos de considerar, isso sim, o que disse aquele advogado, para convencer Banks a confessar crime que não cometera: que “negro alto e forte”, nos EUA, é pressuposto culpado e é pré-condenado a longas sentenças e castigo eterno.

Sempre haverá casos cujas histórias atraem mais simpatias, ou cujos personagens atraem apoiadores mais bem organizados. Ainda que nós também sejamos atraídos para esses casos mais espetacularizados pelas televisões, jornais e jornalistas, temos de lembrar que há muitos outros negros e pobres que enchem as prisões nos EUA. O caso ‘do dia’ deve ser ocasião para desentocar a besta e cortar-lhe a cabeça de uma vez por todas. É a única notícia que realmente vale a nossa atenção.

Sobre a autora:

A coluna “Freedom Rider”, de Margaret Kimberley, é publicada semanalmente em Black Agenda Report, BAR (http://www.blackagendareport.com) e reproduzida em muitos jornais nos EUA. Mantém também um blog em http://freedomrider.blogspot.com. Recebe e-mails em 
*Cappacete

As bombas que Israel finge esconder

 

Via PCB
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Foi furado o “silêncio ensurdecedor” que o governo e a mídia nos Estados Unidos – assim como governos e mídias que olham baixo para Washington mundo afora – guardam a respeito das bombas atômicas de Israel. The New Yorker, um dos mais conceituados jornais estadunidenses, publicou um artigo de seu colunista John Cassidy que escancara o problema. Estima entre 100 e 300 o número de bombas estocadas e (mal) escondidas pelo Estado de Israel, que dispõe igualmente dos aviões e mísseis capazes de levá-las até alvos no Irã, possivelmente num bombardeio que ele diariamente ameaça cometer. Pouco antes, Pat Buchanan, renomado político conservador e conselheiro de vários presidentes, de Nixon a Reagan, fez denuncia semelhante. “São as 300 ogivas nucleares de Israel que ameaçam o mundo, não o Irã”, disse ele, entre outras advertências alarmantes. Mas sua denúncia veio num site alternativo da internet, visto por relativamente poucos. Já, no New Yorker, é outra coisa. Nada vai mudar por isso na política hipócrita de Washington, mas já fica difícil para alguém medianamente informado nos EE.UU. dizer que não sabia dessa faceta sinistra da política externa dos sucessivos governos de seu país, há 50 anos.
Clique aqui para ler a entrevista com Buchanan e aqui para ler o artigo no de John Cassidy no New Yorker. Abaixo, compartilhamos a tradução, oferecida em email por Sergio Caldieri.
E sobre as bombas atômicas de Israel?
5/3/2012, John Cassidy, The New Yorker, New York
Caso você tenha esquecido – e não seria difícil, dado que ninguém jamais fala delas em debates públicos – Israel tem cerca de cem bombas atômicas, talvez o dobro ou o triplo, e a capacidade técnica e os equipamentos necessários para dispará-las de silos subterrâneos, de submarinos e de jatos bombardeiros F-16.
Além do ministro da Defesa de Israel, pouca gente sabe precisamente quantos mísseis armados com ogivas nucleares o país tem. Segundo estimativa não secreta divulgada em 1999 pela Agência de Inteligência da Defesa dos EUA, citada num boletim da Federação dos Cientistas Norte-americanos de 2007, Israel tinha então entre 60 e 80 ogivas nucleares. Estimativas mais recentes dizem que o número é consideravelmente maior.
O Instituto de Estudos Estratégicos com sede em Londres diz que Israel tem “cerca de 200” ogivas nucleares carregadas em mísseis terra-ar Jericho 1 e Jericho 2 de curto e médio alcance. Jane, a empresa da Defesa-informação, estima que, no total, o número de ogivas nucleares esteja entre 100 e 300, o que põe o arsenal nuclear de Israel lado a lado com a capacidade nuclear de britânicos e franceses. E muitos acreditam que essas ogivas já estejam carregadas nos novos mísseis balísticos intercontinentais Jericho 3, que têm alcance de mais de 7.200km – o que significa que, em teoria, podem atingir alvos na Europa e na Ásia.
Desde os anos 1960s, quando Israel construiu sua primeira bomba atômica, governos sucessivos têm-se recusado a reconhecer a existência do programa israelense de armas atômicas – posição oficial designada por uma palavra em hebraico, amimut, que significa “opacidade”, “transparência-zero”. E não se trata só de Israel reconhecer ou não reconhecer. Israelense que revele detalhes sobre o programa nacional de bombas atômicas comete crime, pelo qual pode ser condenado a longas penas de prisão. Em 1986, Mordechai Vanunu, ex-técnico nuclear, entregou ao Sunday Times de Londres, fotografias que havia tirado do Centro de Pesquisa Nuclear do Negev, próximo à cidade de Dimona. Depois de publicada a história de Vanunu, agentes do Mossad sequestraram-no em Roma, onde passava férias, e o levaram de volta a Israel. Cumpriu pena de 18 anos de prisão, 11 dos quais em confinamento (solitária).
Avner Cohen, o historiados israelense-estadunidense que, em 1998, publicou livro-tese acadêmica sobre o programa nuclear israelense, Israel and the Bomb [Israel e a Bomba] teve melhor sorte. Mas, quando voltou a Israel em 2001, para uma conferência, foi preso e submetido a 50 horas de interrogatório por agentes de segurança do Ministério da Defesa, que queriam saber sobre suas fontes e motivações para escrever o livro. E em 2002, Yitzhak Yaakov, ex-chefe do programa de pesquisa de armas do exército de Israel recebeu pena de dois anos de suspensão depois de escrever suas memórias[1]. “Para mim, tudo isso é um pesadelo” – disse  Yaakov, durante seu julgamento. “Acordo pela manhã e lembro que fui interrogado, acusado de espionagem. Disseram-me que eu era pior que Vanunu e que minha esposa é Mata Hari.”
Agora que Israel ameaça bombardear o programa de pesquisas nucleares para finalidades pacíficas do Irã – porque nem os serviços de inteligência dos EUA acreditam que tenha evoluído até o estágio de poder tentar construir bombas atômicas, segundo o Times[2] – a encenação continua. Considerem a entrevista que Benjamin Netanyahu concedeu em 2010 a meu ex-colega Jeffrey Goldberg, publicada em The Atlantic:
Netanyahu não poria a questão em temos de paridade nuclear – a política israelense do amimut (opacidade, transparência zero) proíbe reconhecer a existência do arsenal nuclear israelense, de mais de 100 bombas atômicas, bombas termonucleares de dois estágios, que podem ser disparadas por mísseis, aviões bombardeiros ou submarinos (dois dos quais, segundo fontes da inteligência estão atualmente posicionados no Golfo Persa). Em vez disso, preferiu falar sobre o programa iraniano como uma ameaça não só a Israel, mas a toda a civilização ocidental.[3]
Evidentemente, o governo de Israel tem pleno direito de formular como lhe apraza suas políticas, considerados os interesses do país. E, também evidentemente, os EUA devem fazer o mesmo. Em seu discurso ao AIPAC, ontem, o presidente Obama disse o seguinte:
Um Irã nuclear é completamente contrário aos interesses da segurança de Israel. Mas também é contrário aos interesses da segurança nacional dos EUA. Na verdade, todo o mundo tem interesse em impedir que o Irã chegue a uma arma nuclear. Um Irã armado com arma nuclear poria abaixo todo o regime de não proliferação que tanto nos custou construir. Há riscos de que uma arma nuclear iraniana caia em mãos de alguma organização terrorista. É quase certo que outros, na região, sentir-se-ão obrigados a ter sua própria arma nuclear, o que dispararia uma corrida armamentista numa das regiões mais voláteis do mundo.[4]
E em todo aquele longo discurso, nem uma vez houve qualquer menção às bombas atômicas israelenses, nem à persistente recusa, por Israel, a assinar o Tratado de Não Proliferação Nuclear (do qual o Irã é signatário). Algum presidente dos EUA algum dia reconheceu publicamente a existência das bombas atômicas de Israel?
Em seu livro mais recente, The Worse Kept Secret: Israel’s Bargain with the Bomb [O segredo mais mal guardado: a barganha de Israel com a bomba],[5] Avner Cohen refere-se a um encontro, em setembro de 1969, entre o presidente Richard Nixon e Golda Meir sobre as bombas atômicas clandestinas de Israel.
Nenhum registro escrito ou testemunho oral sobre o que se disse naquele encontro sobreviveu, que se conheça; e o que os líderes disseram naquela reunião permanece cercado do mais denso mistério. Em retrospectiva, pode-se dizer que naquele encontro foi instituído o amimut como posição estratégica apoiada mútua e simultaneamente por Israel e EUA. O encontro Nixon-Meir marca o local e data do nascimento da barganha.
Num momento em que o lobby nos EUA, com a cooperação dos candidatos Republicanos, pressiona o governo estadunidense para que apoie a linha dura de Netanyahu contra o Irã, talvez seja hora de reavaliar aquela barganha. Nem é preciso mudar muito. O regime de Teerã é profundamente antipático, e muitos de nossos outros aliados, incluídos a Grã-Bretanha, França e Arábia Saudita, também estão decididos a impedir que se una ao clube atômico. Mas reconhecer publicamente o que todos sabem sobre Israel – que, sim, é uma das potências nucleares do planeta – teria a grande vantagem de salvar os EUA, tirando-o da posição vulnerável em que está, repetidamente acusado de servir-se de dois pesos e duas medidas, no relacionamento com o Irã.
[4] Ver “ ‘Bibi’ continua a sacudir o cachorro americano?”, Pepe Escobar, 5/3/2012, Asia Times Online, traduzido emhttp://redecastorphoto.blogspot.com/2012/03/pepe-escobar-bibi-continua-sacudir-o.html
*GilsonSampaio

Aldir Blanc: Em busca da Justiça

do QTMD?
Por Aldir Blanc*
Não sou historiador nem sociólogo. Não consultei nenhum livro para escrever o texto abaixo. Minha memória está se movendo como estilhaços do amado caleidoscópio que perdi, menino, em Vila Isabel.
Viva a Comissão da Verdade para que nunca mais coloquem uma grávida nua sobre um tijolo, atingida por jatos d’água, com ameaça: “Se cair vai ser pior”;
Para que senhoras que fazem seu honrado trabalho não sejam despedaçadas por cartas bombas;
Para que um covarde que bote a boca de um homem torturado no escapamento de uma viatura militar não passe por homem de bem onde mora;
Para que orangotangos que se tornaram políticos asquerosos não babem sua raiva na internet: “Nosso erro foi torturar demais e matar de menos”;
Para que presos em pânico não sofram ataques de jacarés açulados por antropóides;
Para que nunca mais teatros e livrarias sejam vandalizados e queimados;
Para que um estudante de psiquiatria não seja obrigado a passar por sentinelas de baioneta calada para ouvir um coronel médico dizer que “histeria é preguiça”;
Para que os brasileiros possam homenagear um autêntico herói nacional, João Cândido, com um monumento, sem que surjam energúmenos prometendo “voltar a explodir tudo se isso apontar para o Colégio Naval”;
Para que a nossa Força Aérea, que nos deu tanto orgulho na Itália, com seus valentes pilotos de caça, não atire pessoas, como se fossem sacos de lixo, no mar;
Para que um pai, ao se recusar a cumprir a ordem de manter o caixão lacrado, não se depare com o corpo destruído do filho, jogado lá dentro feito um animal;
Para que militares honrados não sintam “constrangimento” na busca de Justiça; para que cavalos ( aqueles de quatro patas, montados por outros) não pisoteiem um garoto com a camisa pegando fogo por estilhaço de bomba, na Lapa;
Para que torturadores não recebam como “prêmio” cargos em embaixada no exterior;
Para que uma estudante não desmaie num consultório médico ao falar sobre as queimaduras do pai, feitas com tocha de acetileno;
Para que esquartejadores não substituam Tiradentes por Silvério dos Reis;
Para que inúmeros Pilatos ainda trambicando naquela casa de tolerância do Planalto vejam que suas mãos continuam cheias de sangue e excremento;
Para que nunca mais na vida de uma jovem idealista -o queixo firme, olhos faiscantes de revolta, com a expressão da minha Suburbana no 3X4 que guardo na carteira – seja ceifada por encapuzados. Uma delas, quem sabe?, pode chegar a Presidência da Republica e enquadrar a récua de canalhas.
*Aldir Blanc é compositor.
*GilsonSampaio

A bomba israelense em Berlim

 

Via CartaMaior

Segundo o Der Spiegel, o governo israelense está equipando submarinos comprados à Alemanha com ogivas nucleares armadas em mísseis de longo alcance. Declaração do ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, equivale a um reconhecimento explícito de que Israel detém ogivas nucleares, coisa nunca reconhecida oficialmente.
Flávio Aguiar
Ainda não houve tempo para verificar a repercussão internacional, nesta segunda-feira, mas já se sabe que a notícia caiu como uma bomba em Berlim. Segundo o semanário alemão Der Spiegel, em matéria de capa, o governo israelense está equipando submarinos comprados à Alemanha com ogivas nucleares armadas em mísseis de longo alcance. O nome dessa cooperação é de “Operação Sansão”.
Causou maior perplexidade o comentário do ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, à revista, de que os alemães deviam se orgulhar por terem assegurado a existência do estado de Israel “durante tantos anos”.
Orgulhos à parte, uma declaração dessas, nesse contexto, equivale a um reconhecimento explícito de que Israel detém ogivas nucleares, coisa nunca dantes navegada ou reconhecida oficialmente. Resta saber se Barak vai confirmar a declaração/reconhecimento.
Como fontes alemãs a revista cita Lothar Rühl, conhecido jornalista, professor e político, que foi secretário de estado junto ao Ministério da Defesa de 1982 a 1989, servindo sob ministros de ambos os principais partidos alemães, a CDU e o SPD, e Hans Rühle, ex-chefe de pessoal do Ministério. Ambos reconheceram que o governo alemão sabia da presença desse equipamento nos submarinos que fabricava para Israel. Rühl admitiu que discutiu o assunto diretamente com militares israelenses em Tel Aviv.
Segundo a reportagem, o governo alemão começou a cooperação militar com Israel em 1957, ainda sob o governo do chanceler Konrad Adenauer. A partir de 1961 ele saberia da capacitação (ou da sua busca) nuclear israelense. E a última evidência dessa colaboração pro-ativa no setor estaria numa conversa em 1977 entre o então chanceler alemão Helmut Schmidt e o então ministro de Relações Exteriores israelense Moshe Dayan.
A Alemanha já forneceu três submarinos a Israel, construídos no estaleiro HDW em Kiel, no norte do país. Tem mais três sob encomenda, para entrega em 2017, e o governo israelense cogita encomendar outros três na seqüência. As condições são muito favoráveis, com o governo alemão pagando por um terço do preço de cada submarino, no valor de 135 milhões de euros, e aceitando que Israel só comece a pagar pelo fornecimento a partir de 2015.
Segundo a mesma reportagem, ao assinar o contrato para a construção do sexto submarino, a chanceler Angela Merkel teria imposto, como condições, a suspensão da construção de colônias irregulares em território palestino, e a liberação do término da construção de uma estação de tratamento de esgotos em Gaza, sem que o governo de Benyamyn Netanyahu tenha se pronunciado a respeito até agora.
Segundo a própria revista o governo alemão reagiu “com reserva” diante da notícia. Dois porta-vozes, um da chancelaria e outro do Ministério da Defesa, deram declarações comentando o direito de Israel assegurar sua defesa, mas sem entrar na matéria específica das ogivas nucleares.
A matéria, que é espinhosa na Alemanha inteira, como demonstra a recente polêmica em torno de poema do escritor alemão Günther Grass, é também particularmente espinhosa para a oposição formada pela coligação SPD/Partido Verde, que esteve no poder de 1998 a 2005, sendo impossível que ignorasse o assunto. O SPD ainda permaneceu no poder até 2009, em coligação com a CDU, quando esta, vitoriosa na eleição, formou uma nova coligação com a CSU bávara e o FDP. De todo modo, líderes do SPD e do PV afirmaram que vão questionar o governo alemão a respeito. A política de exportação de armamentos pela Alemanha está na berlinda desde que o governo de Berlim autorizou a venda de 200 carros de combate para o governo da Arábia Saudita em plena “Primavera Árabe”, enquanto o governo de Riad invadia o vizinho Barhein para sufocar a revolta popular.
Apesar da conhecida política de dois pesos e duas medidas por parte das potências do Ocidente, a revelação e o assunto são complicados para os Estados Unidos, que dão uma ajuda militar bilionária ao governo de Israel, sendo que sua legislação proíbe prestar tal ajuda a países que desenvolvam armamento nuclear em condições irregulares diante da legislação internacional – o que seria o caso, uma vez que Terl Aviv jamais reconheceu sequer a existência de armamento dessa espécie, não havendo, portanto, inspeções pela ONU.
Outra complicação está no curso das negociações entre as potências ocidentais (incluindo neste caso, a Alemanha), mais a Rússia e a China, com o Irã, a respeito do programa nuclear deste último. As negociações, reabertas recentemente em Bagdá, sob o impacto da notícia de que a Agência Internacional para Energia Nuclear da ONU chegara a um acordo comTeerã para inspecionar as usinas do país, eram vistas com cauteloso otimismo. Entretanto essa revelação certamente reforçará a linha mais dura entre o aiatolado iraniano, que vê com reservas qualquer concessão e está em atrito com o próprio presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Last, but not least, fica a preocupação de que alguém, algum dia, vai apertar um gatilho desses.
Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.
*GilsonSampaio

segunda-feira, junho 04, 2012

Irán advierte sobre ataque israelí en sus instalaciones nucleares

El guía supremo iraní, Alí Jamenei, reiteró este domingo que Israel
puede atacar las instalaciones nucleares de Irán. (Foto: Reuters)
El Gobierno iraní reiteró este domingo su advertencia sobre la posibilidad de que Israel atente contra sus instalaciones nucleares justificando la supuesta “amenaza” que éstas representan.
La denuncia fue presentada por el guía supremo iraní, Alí Jamenei, quien advirtió que cualquier agresión israelí contra las instalaciones de Irán "recaerá como un rayo en la cabeza" del Estado hebreo.
Recientemente, Israel y Estados Unidos volvieron a hablar de la posibilidad de una opción militar para bloquear el programa nuclear iraní.
Ante esta situación, el gobierno presidido por Mahmud Ahmadineyad continúa acusando a los occidentales de mentir sobre la amenaza nuclear iraní, puesto que ya se ha demostrado con varias investigaciones que los proyectos llevados a cabo por esa nación no son con fines de guerra.
Con estas posiciones, el ministro iraní de Relaciones Exteriores, Ali Akbar Salehi, reconoció el viernes que las negociaciones de Moscú con las grandes potencias serían "difíciles" pero afirmó tener "buena esperanza" para evitar una ruptura que aumente fuertemente el riesgo militar.
Las grandes potencias, empezando por los occidentales, dicen que desde su parecer, Irán “esconde” un objetivo militar tras su programa nuclear.
Pese a este contexto, Jamenei insistió en que su país no "se detendrá en la vía del progreso político, científico o tecnológico" a pesar de las amenazas y sanciones internacionales que "no tienen ningún efecto y no pueden detener al pueblo iraní".
Desvío de atención
Por otro lado, con respecto a la cobertura mediáticas y a los debates internacionales, Jamenei, también denunció este domingo a Estados Unidos y a sus aliados en la comunidad internacional por desviar la atención del mundo hacia el programa nuclear de Irán con el objetivo de esconder los problemas económicos que atraviesan.
"Lo que los estadounidenses y los occidentales están haciendo es una idiotez. Magnifican el tema nuclear para cubrir sus propios problemas", aseveró.
También reiteró la posición que siempre ha mantenido la república islámica, que defiende que el programa nuclear se trata de un proceso de carácter exclusivamente civil y pacífico y no con fines bélicos, como tratan de hacer ver las grandes cadenas informativas.
“La cuestión nuclear de Irán ha sido priorizada en la lista de problemas mundiales. Pero ellos usan el término 'armas nucleares' de forma engañosa para desviar la atención de los problemas que existen en América y Europa", insistió.
*comtextolivre

Parar os preparativos de guerra! Acabar com o embargo! Solidariedade com os povos iraniano e sírio!

Assine a petição contra a guerra, basta clicar AQUI
 

O blog Aposentado Invocado, sem medo de errar, vaticina: José Serra não será eleito para prefeito da cidade de São Paulo, em 2012. O PT vencerá as eleições tanto para prefeito da cidade quanto para governador de São Paulo. O fim da "oposição sem rumo" e a total desmoralização da imprensa corrupta brasileira se aproxima do seu capítulo final.

Enquanto isso, a Tv Globo repete a exaustão os 60 anos de poder da rainha da Inglaterra, ao mesmo tempo diz que o Japão foi rápido e já consertou tudo que o tsunami e o terremoto destruíram. O estádio onde o Brasil jogou ontem foi cantado em prosa e verso. Mas o nosso país é horroroso, nada funciona, as obras não terminarão a tempo, temos que aguentar todo o tipo de críticas destrutivas diuturnamente e todo tipo de manifestação entreguista minuto a minuto na imprensa corrupta. A Copa 2014 e as Olimpíadas 2016 serão um vexame, pelo menos é a torcida inflamada da nossa imprensa e da nossa "elite". Tem até o Romário secando todos os dias a Copa 2014. Países crescem, quando o povo é otimista e trabalhador, que é o nosso caso. Lula provou isso, nos tirando do eterno pedinte para um povo orgulhoso e com fé na vida. Por isso essa gente infeliz o detesta, porque ele mudou o destino do Brasil e tornou-se o “Nosso Guia”. O homem que mostrou que não éramos aquele povinho que Deus botou lá, como diz a piada racista e desabonadora da nossa capacidade como povo. Tenho muita fé nesse novo Brasil e certeza que já estamos trilhando o caminho certo, o caminho da esperança e das realizações.

 *Aposentadoinvocado

NO IRÃ, NEM TUDO É O QUE PARECE

 


Economia do país segue e ritmo forte mesmo após sanções; país é envolto por estereótipos que pouco refletem a realidade.
 
Agência Efe
 
01/06/2012 - 15h56 |Opera Mundi  Pedro Chadarevian | São Paulo
 


O Irã pensa grande. Apesar dos boicotes e pressões internacionais, o país segue o curso de uma ousada estratégia de desenvolvimento. A meta é estar entre as 15 maiores economias do planeta antes de 2020. A valorização do preço do petróleo explica apenas em parte este sucesso. A economia iraniana vem se diversificando e passou praticamente incólume pela crise global.
 
Por trás desta expansão impressionante está um modelo que combina elementos socialistas, herdados da Revolução de 1979, com as reformas de mercado promovidas pelo atual presidente logo em seu primeiro mandato. Um processo amplo de privatizações reduziu a presença do Estado na economia, abrindo espaço para investidores externos, mantendo, contudo, uma participação importante para o capital nacional, estatal e privado. O setor automobilístico do país, por exemplo, tem tecnologia predominantemente nacional, é o quinto mais pujante do planeta.
 
Como nenhum processo de desenvolvimento se dá sem o apoio fundamental na evolução da qualidade de vida da população, vale a pena uma rápida incursão sobre este tema. Não há dúvidas que a alta qualificação da mão-de-obra contribui diretamente para a situação econômica recente. O país, desde a ruptura com o regime dos xás, investiu pesadamente em educação. A ponto de liderar em 2011 o ranking dos países com maior crescimento na produção científica no mundo. O estado de bem-estar social é também um dos mais evoluídos da região, capaz de reduzir o nível de pobreza a míseros, com o perdão do trocadilho, 12% (no Brasil, o índice atualmente se situa em torno dos 20%).
A repercussão política destas condições materiais excepcionais é evidente. No Irã, que mantém, apesar das pressões externas, a estabilidade democrática, não parece haver hoje qualquer sinal de contaminação do ambiente revolucionário do norte da África.
O modelo atual de desenvolvimento se embasa em uma retórica antiimperialista, buscando ultimamente aliados inclusive na América Latina, como Hugo Chávez (Venezuela) e Rafael Correa (Equador). Mas se a política externa ajuda a legitimar o regime, a enorme influência que mantêm os aiatolás – com status de verdadeiro poder moderador no interior do Estado – produz uma massa crescente de descontentes, em especial entre segmentos da intelectualidade.
Para entender melhor a realidade complexa desta sociedade em frenética transformação, oOutra Economia escutou o filósofo cearense Daniel Marcolino, que acaba de defender uma tese de mestrado na Universidade de São Paulo sobre a estética do cinema iraniano. Para realizar a sua pesquisa, passou dois meses imerso no país persa, e conta agora com exclusividade para os leitores do Opera Mundi esta experiência, esclarecendo aspectos da vivência dos iranianos que vão muito além da imagem estereotipada difundida pela grande imprensa.

* * * * *
NO BRASIL, A INFORMAÇÃO QUE NOS CHEGA SOBRE O IRÃ PASSA, EM GERAL, PELO OBSCURO FILTRO DA MÍDIA OCIDENTAL, QUE QUER NOS FAZER ACREDITAR NOS RISCOS DE UM REGIME TIRANO, TOTALITÁRIO, ATRASADO E COM INTENÇÕES ESTRITAMENTE BÉLICAS E EXPANSIONISTAS. LENDO O SEU TRABALHO DE MESTRADO [“A DILUIÇÃO DO AUTOR NA TRILOGIA DE KOKER DE ABBAS KIAROSTAMI”], NOS DAMOS CONTA QUE A INTENSA VIDA CULTURAL NA CAPITAL DO PAÍS, TEERÃ, APRESENTA UMA REALIDADE QUE VAI MUITO ALÉM DESSE ESTEREÓTIPO, E MUITAS VEZES CONTRARIANDO TOTALMENTE ESSA VISÃO PRECONCEITUOSA.

Não só no Brasil, mas em todo o Ocidente (exceção feita a alguns países na América do Sul e Central) e mesmo no Oriente, em parte dele, a informação é fabricada, não só pela mídia, mas por todo um conjunto de canais que elaboram formas de reconstrução do ser-Outro Oriente. Disso já nos falava muito bem Edward Said.

O que é novo nessa construção a partir de 1979 é que o Irã é elevado à categoria de inimigo número 1 do mundo. O Irã passa a representar o atraso determinante para o mundo. Essa posição liderada pelo Irã ameaçaria a paz mundial, porque tem a ideia beligerante dos persas. Ora, os EUA e seus aliados provocaram as maiores guerras do final do século XX, invadiram o Iraque, apoiando-o antes quando era de seu interesse em uma guerra contra o Irã, o que fortaleceu o poder religioso local.

Antes disso, já havia reforçado esse mesmo poder quando do golpe promovido por eles junto aos ingleses em 1953, ocasião em que o primeiro ministro Mohamed Mossadegh estatizou a empresa de petróleo que estava nas mãos de britânicos, passando às aos iranianos. Isso se deu em 1951 e já em 1953 acontecia o golpe.

Foi uma interferência criminosa em assuntos nacionais por parte dos EUA e Reino Unido, países que hoje lideram sérias sanções econômicas que afixiam as forças produtivas do país. Como então agora se surpreender e atribuir ao próprio Irã a “invenção” de um governo teocrático? Não estamos dizendo que esse golpe tenha diretamente gerado o governo que aí está, mas certamente o inconformismo da população com a situação de sua extrema pobreza na era Pahlevi encontrou na religião suporte para reivindicar mudanças.


FALA-SE ABERTAMENTE EM POLÍTICA NAS RUAS DE TEERÃ HOJE? OS TEMAS DA ATUALIDADE REGIONAL, COMO AS REVOLUÇÕES DA PRIMAVERA ÁRABE, OS EXERCÍCIOS MILITARES DE ISRAEL NO GOLFO PÉRSICO, OS ATENTADOS CONTRA OS CIENTISTAS IRANIANOS, SÃO COMENTADOS NOS MEIOS INTELECTUAIS?

Fala-se sobre política, e muito. É um dos tópicos recorrentes nas conversas e os iranianos não têm receio de criticar o governo. Todos esses tópicos da atualidade regional são, sim, debatidos. Mas cabe lembrar que o acesso à informação é limitado.

Há muitos sites censurados e as mídias impressa e televisiva são controladas pelo Estado. Por outro lado, é muito fácil driblar a censura. Os programas anti-filtros são populares e basta olhar os telhados de Teerã para ver uma grande quantidade de antenas parabólicas, que captam sinais de emissoras do mundo todo. Nos meios intelectuais, em geral, o acesso à informação é maior, além de ser um grupo que viaja para países estrangeiros e mantém redes de contato.

Existe no Irã uma vontade das pessoas de mostrarem-se diferentes do modo como o governo se posiciona. Muitos deles dizem que, no Irã, há uma vida pública, cuja expectativa do governo é, em certa medida, satisfeita, e outra privada, muito diferente.

Ainda dizem: o governo é uma coisa, o povo, outra. Isso na intenção de demarcar diferenças entre as declarações do presidente e o que o povo pensa e como eles vivem, em referência à vida privada que levam no Irã.

 
PELO SEU DISCURSO, AHMADINEJAD POSICIONA-SE, IDEOLOGICAMENTE, PRÓXIMO ÀS CORRENTES DA ESQUERDA BOLIVARIANA DA AMÉRICA LATINA. EM RECENTE PASSAGEM PELO EQUADOR, FEZ DURAS CRÍTICAS AO IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO E AO NEOLIBERALISMO. EXISTE A PERCEPÇÃO DE UM GOVERNO AHMADINEJAD PROGRESSISTA  EM RELAÇÃO ÀS SUAS POLÍTICAS SOCIAIS E ECONÔMICAS?

Essa aproximação não é ideológica, mas estratégica. O discurso é ideológico, pois seriam nações anti-imperialistas, anti-Estados Unidos, principalmente. Mas o contexto e a história são muito distintos. O governo de Ahmadinejad é progressista em relação às políticas sociais. Aliás, desde a Revolução há uma melhora significativa nos indicadores sociais. A expectativa de vida ao nascer, por exemplo, era inferior a 60 anos em toda a década de 1970 e hoje é de 74 anos.

A situação econômica é prejudicada pelo bloqueio econômico, que é uma questão muito séria, mas mesmo assim a situação não é ruim se comparado aos nossos índices aqui no Brasil. Na esfera cultural, o problema no Irã são as restrições às liberdades individuais, as estratégias que a população tem de ter para conseguir, por exemplo, usar a Internet livremente. Mas, fora isso, há uma efervescência cultural impressionante e as praças estão sempre cheias de pessoas, famílias, jovens, crianças. Isso é espetacular como as ruas são tomadas pelas pessoas.
OUTRO ESTEREÓTIPO EM VOGA NA MÍDIA OCIDENTAL É EM RELAÇÃO À POSIÇÃO DA MULHER NA SOCIEDADE IRANIANA ATUAL. LENDO O SEU TRABALHO, PERCEBEMOS QUE A REALIDADE IRANIANA MAIS UMA VEZ CONTRARIA ESTA CONCEPÇÃO DE DOMINÂNCIA MASCULINA ABSOLUTA NO PAÍS. PODE-SE CONSIDERAR QUE AS MINORIAS SEXUAIS NO IRÃ CONSEGUIRAM TAMBÉM CONQUISTAS APÓS A REVOLUÇÃO?

Se você considerar as mulheres como minoria sexual, sim. Mas cabe lembrar que antes da Revolução elas já eram tratadas de maneira diferente no Irã, em comparação, por exemplo, com muitos países árabes. No ano passado, uma mulher foi presa na Arábia Saudita por dirigir. No Irã, elas não só dirigem, como podem abrir seu próprio negócio, trabalhar, pedir divórcio.


Cerca de 65% dos estudantes universitários são mulheres. Até mesmo na controversa questão do uso do véu em público o Irã se diferencia. A obrigação é cobrir a cabeça, mas não se obriga o uso do chador (manto preto que cobre todo o corpo) ou da burca.

Há casos em que a polícia se incomoda com mulheres que deixam muito cabelo à mostra, mas comparado com países árabes, o Irã é, sem dúvida, mais liberal. Agora, se em minorias sexuais você incluir os homossexuais, a situação é diferente, pois há mais medo de se expor.

Mesmo assim, são conhecidos os lugares de “pegação”, inclusive com informação constando em guia internacional, e as festas particulares.
 
 


 Fábrica de produção de aço em Isfahan: sanções não diminuíram produtividade em diversos setores da economia persa
 
 
 
Irán produziu 600 mil veiculos de passeio em apenas 4 meses de 2012
O desenvolvimento da industria eletroeletronica do Irã é o maior da região
 
 
Grupo de flamenco iraniano "Andaluzia" se apresenta em Teerã e derruba alguns mitos sobre a condição da mulher no país
Mulher iraniana e sua forma própria de se vestir
 


 

A VISITA DO REI CAÇADOR E A ALIANÇA DO PACÍFICO


Combalida política e economicamente, por uma crise que se aprofunda a cada dia, também do ponto de vista social - e pela erosão de sua credibilidade internacional - a Espanha e sua diplomacia parecem não ter aprendido nada com as dolorosas lições dos últimos anos.
 
De passagem por Brasília, aonde vem oferecer, segundo a imprensa ibérica, onze anos depois de sua última visita ao nosso país, uma “aliança política e econômica sem precedentes”, o Rei Juan Carlos tem como destino final na América do Sul, o observatório chileno de Cerro Paranal, a fim de agregar-se, como “observador”, no dia 6 de junho, à cúpula presidencial da Aliança do Pacífico.
Essa, para quem não conhece, é uma organização patrocinada pelo México e pela Espanha, que nasce com o claro objetivo de se contrapor à ampliação da presença brasileira na América do Sul, e que reúne, além do México, o Chile, o Peru e a Colômbia.

Com a Aliança do Pacífico, a Espanha, que não pode participar de reuniões do Mercosul, da UNASUL e da CELAC, nem mesmo como observadora, contaria – depois do rotundo fracasso de suas cúpulas “ibero-americanas”- com novo instrumento para imiscuir-se nos assuntos do nosso continente.
 
O outro aliado com que contam os espanhóis nesse processo de tentar promover a divisão sul-americana, é o Paraguai, país tradicionalmente pendular em suas relações externas, que joga para beneficiar-se da ajuda ora do Brasil, ora da Argentina, ora da Espanha, dependendo do momento e das circunstâncias.

Não foi por outro motivo que o Paraguai aceitou promover a fracassada cúpula “ibero-americana” de Assunção, em novembro do ano passado, que terminou com a ausência dos países mais importantes da região, mas contou com a presença justamente do México e do Chile, co-patrocinadores da “Aliança do Pacífico”.
Esse imbecil e covarde que se acha ''valente e 'corajoso' só porque consegue  abater animais indefesos, agora deseja  'influenciar'  a politica da América do Sul vermelha progressista.

É também importante registrar, nesse contexto, a posição do parlamento paraguaio que impede, há anos, a expansão do Mercosul, ao não ratificar a entrada da República da Venezuela no Tratado, já aprovada pelos outros membros do bloco.

A diplomacia brasileira, com a chegada do Rei Juan Carlos a Brasília nesta segunda-feira – data em que ocorrerá, em Madri, reunião “técnica” para discutir a questão da expulsão de brasileiros dos aeroportos espanhóis nos últimos anos - tem excelente oportunidade para deixar claro que não concorda com a interferência externa no espaço sul-americano.
(....)

Não há qualquer razão para que a Espanha de Juan Carlos, que vem sacrificando seu grande povo, em favor dos exploradores de sempre (hoje reunidos na globalização do neoliberalismo), venha a se meter no encontro de Cerro Paranal.

Isso só se explica pela desesperada busca de apoio internacional, no momento em que sua economia e suas instituições (sobretudo a monarquia) entram em acelerado declínio de credibilidade interna.
Com suas grandes empresas e bancos endividados (só a Telefónica, que atua no Brasil com a marca Vivo, deve mais de 100 bilhões de dólares), reduz-se o prestígio internacional do governo e da monarquia espanhola. O Rei – é o que se diz na imprensa espanhola – vem nos propor “relações políticas e econômicas sem precedentes”. Em lugar de relações novas e excepcionais, os brasileiros querem, no mínimo, ser tratados com respeito em território espanhol, quando viajarem à Europa.

A cortesia diplomática recomenda que recebamos bem o Rei – em nome do respeito ao povo espanhol – mas os nossos interesses no mundo recomendam que não nos comprometamos com um governo que está arrochando seu povo com medidas econômicas draconianas, enquanto os ricos continuam saqueando os trabalhadores e retirando seus capitais do país.
Este 'rei' decadente é 'persona non grata' no Brasil

A queda da popularidade de Piñera no Chile, a aproximação crescente do Brasil com a Colômbia, e a iminência de um governo de esquerda no México, retiram da monarquia espanhola espaço para suas manobras diplomáticas em nossa região.

Será melhor que o Brasil, como agiu quando da reunião anterior, no Paraguai, se ausente do próximo encontro de Chefes de Estado dos paises “ibero-americanos”, previsto para realizar-se na cidade de Cadiz, na Espanha, em novembro deste ano. Para discutir o futuro dos nossos países contamos com a UNASUL e o Conselho de Defesa Sul-americano, e, no contexto do espaço ampliado da América Latina, com a CELAC. Nós, e nossos vizinhos, não temos nada a fazer do outro lado do Atlântico, assim como a elite neocolonial de nossas antigas metrópoles não têm nada a fazer, institucionalmente, do lado de cá do oceano.
*Mauro Santayana

'Evangélicos' querem vetar proibição de aluguel de horários na TV


Representantes dos evangélicos no Congresso disseram ontem que o governo enfrentará a oposição das denominações religiosas se proibir o aluguel de canais e horários na programação de rádio e televisão.

A
Folha revelou neste domingo que a proibição é uma das novidades contidas na minuta mais recente de um decreto que está em estudo pelo governo. Esse decreto atualizaria o Código Brasileiro de Telecomunicações, que entrou em vigor em 1962. Leia aqui a minuta preparada pelo governo.

As igrejas evangélicas figuram entre os principais beneficiários da atual legislação de telecomunicações, que não proíbe de forma explícita o aluguel de horários nas grades de programação das emissoras de TV.




Evangélicos querem vetar proibição de aluguel de horários na TV



Representantes dos evangélicos no Congresso disseram ontem que o governo enfrentará a oposição das denominações religiosas se proibir o aluguel de canais e horários na programação de rádio e televisão.
Folha revelou neste domingo que a proibição é uma das novidades contidas na minuta mais recente de um decreto que está em estudo pelo governo. Esse decreto atualizaria o Código Brasileiro de Telecomunicações, que entrou em vigor em 1962. Leia aqui a minuta preparada pelo governo.
As igrejas evangélicas figuram entre os principais beneficiários da atual legislação de telecomunicações, que não proíbe de forma explícita o aluguel de horários nas grades de programação das emissoras de TV.

João Campos disse que a proposta é "absurda"
Deputado João Campos (PSDB-GO), presidente da bancada evangélica, afirmou que o governo não poderá mudar por decreto o Código Brasileiro de Telecomunicações, de modo a restringir o aluguel de horário na televisão aos programas religiosos. Para ele, trata-se de uma proposta “absurda”.
“Somos radicalmente contra”, disse ao jornal "Folha de S.Paulo". "O que motivaria o governo a tomar essa medida? Há alguma reclamação do público? Acho que não. Se há uma brecha na lei, tem que passar pelo Congresso.”
Campos lidera uma bancada de 66 deputados dos 513 da Câmara. No Senado, dos 81 integrantes há pelo menos 3 que seguem a orientação da bancada evangélica.
Para o deputado Lincoln Portela (PR-MG), evangélico e líder do seu partido, “essa mudança não passa nunca” porque “o governo vai ter uma briga com milhões de religiosos”.
Silas Câmara (PSB-AM), também deputado evangélico, afirmou que as emissoras de TV precisam alugar parte de seu horário para “se viabilizar". "O governo só faria isso se quisesse deixar muito claro que seria uma retaliação contra a liberdade religiosa no país. Duvido que vá fazer."
O deputado Assis Melo (PCdoB-RS) é o autor de um projeto que proíbe o repasse de horário das emissoras para denominações religiosas e empresas. "As concessões são públicas, mas hoje quem ganha com o aluguel são os setores da grande mídia que lucram com uma outorga pública."