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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sexta-feira, março 18, 2011

Charge do Dia

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Shakira: é uma benção ter uma presidenta no Brasil




“É uma bênção que o Brasil tenha uma mulher encarregada [pela Presidência da República]. Ninguém como uma mulher para entender a necessidade das crianças”, afirmou.

A cantora pop desenvolve projetos humanitários, como o Alas, que luta pelo combate à desnutrição infantil na América Latina e no Caribe. Ela também criou, nos Estados Unidos, a Barefoot Foundation, organização que visa promover o acesso de crianças e jovens à educação de qualidade. A criação da Fundação, que tem parceria com a entidade colombiana Pies Descalzos, lhe rendeu o prêmio de Artista do Ano 2011, entregue pela Fundação da Universidade de Harvard (EUA) em fevereiro deste ano.

Fonte: Blog do Planalto.

Deleite



*passeandopelocotidiano

A COMUNA DE PARIS - 18 DE MARÇO DE 1871, 140 ANOS DO “ASSALTO AO CÉU".



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Às primeiras horas do dia 18 de março de 1871, há exatamente 140 anos atrás, a cidade de Paris era tomada pelos trabalhadores que saíram às ruas para instaurar o primeiro governo liderado por trabalhadores.

esquerda e acima: decreto que aboliu, entre outras coisas, o serviço militar obrigatório; direita e acima: estátua de Napoleão I derrubada pelos comunardos apenas cinco dias antes dos primeiros ataques à Comuna por parte do antigo governo; abaixo: comunardos nas barricadas das rua parisienses
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A Comuna de Paris, como ficou conhecida, teve uma duração de 72 dias, sendo destruída por um massacre comandado pelo governo de Adolphe Thiers, em aliança com os prussianos.
A Comuna de Paris é considerada a primeira república democrática e popular. O governo revolucionário foi formado por uma federação de representantes de bairro (a guarda nacional, uma milícia formada por cidadãos comuns). Uma das suas primeiras proclamações foi a abolição do sistema da escravidão do salário de uma vez por todas.
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Mesmo derrotada logo após seu surgimento a Comuna de Paris ainda hoje é referência para a luta dos trabalhadores, principalmente pela grande efervescência da população parisiense 
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Prisioneiros sendo levados para Versales

que lutou bravamente contra a opressão do governo de Thiers e pela construção de uma sociedade livre de explorações.
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A luta pertence aos fortes.

CUBA: A FORÇA MORAL DE UM PEQUENO PAÍS !


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Cuba tratou e trata os doentes de Chernobil. Agora, oferece ajuda ao Japão
 
Os últimos acontecimentos catastróficos ocorridos no Japão, terramoto, tsunami e agora a contaminação radioactiva provocada pelas explosões na central nuclear, fizeram-me recordar o desastre de há 25 anos (26 de Abril de 1986) em Chernobil na Ucrânia e a importante assistência médica que Cuba já prestou a cerca de 26.000 crianças desse país que foram afectadas pelas radiações, apresentando inúmeras patologias.
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Explosão em Chernobil.Vista aérea.
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Vista do mar.Usina de Chernobil,na antiga URSS: explosão catastrófica!

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O povo japonês poderá tirar e aprender, importantes lições de solidariedade,fraternidade e amor com os socialista sem Cubanos. 

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Cuba: pacientes meninos, vítimas dos efeitos da radiação nuclear

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Cuba: somente o tratamento clínico não é suficiente.O amor ao próximo é a força fundamental.
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Através de um programa estabelecido em 1990, os menores de 8 a 15 anos começaram a viajar gratuitamente para Cuba numa ponte aérea semanal, sendo instalados no complexo de Tarará a cerca de 25 Km a este de Havana e aí tratadas de cancro da tiróide e da pele, leucemia, alopecia, bócio, psoriase e também reabilitados de problemas motores e psíquicos.
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O tempo de permanência tem variado de acordo com a gravidade das lesões e muitos deles acabam por ficar muitos meses até poderem regressar em definitivo ao seu país e às suas famílias. Estes são geralmente acompanhados pelas mães e com a vinda de professores ucranianos têm podido continuar os seus estudos enquanto se sujeitam aos tratamentos.

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Em 1992 jornalistas do mundo inteiro tiveram oportunidade de visitar estas instalações de Tarará, falar com alguns e verificar a felicidade estampada naqueles rostos (alguns desfigurados pelas queimaduras) mas demonstrando uma enorme vontade de viver, retribuindo com sorrisos o esforço e dedicação que todos os técnicos de saúde estavam a fazer para que pudessem ter um futuro e uma vida bem melhor e mais digna.

De 1990 até 1998, um dos períodos mais críticos da economia cubana, todos os gastos com este programa foram suportados por Cuba e só daí para cá é que a Ucrânia paga as despesas aéreas e os salários dos professores, porque toda a assistência e as despesas de instalação continuam a ser gratuitas. 

FUKUSHIMA: A NOVA TRAGÉDIA VAI GERAR NOVAS LIÇÕES PARA HUMANIDADE, EM TODOS OS NÍVEIS...
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O JAPÃO USA ENERGIA LIMPA: O MUNDO REZA PARA QUE OS EFEITOS SEJAM MÍNIMOS.
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*militânciaViva

Amoral Nato:/Tudo em Cima



Nada melhor para um ator que discursar no teatro! 
Só falta saber que papel (ou papelão) ele vai  interpretar.
Se bem que pela qualidade das ultimas atuações, 
ele merecia mesmo é um picadeiro, 
podia pedir umas dicas ao Tiririca!


Leandro Fortes: como jornalistas brasileiros servem à Casa Branca

Entre todas as bizarrices expostas pelo WikiLeaks, a mais interessante é a revelação, sem cerimônias, de que a Embaixada dos Estados Unidos mantinha (mantém?) uma verdadeira sucursal informal no Brasil, na qual se revezavam jornalistas (de uma só tendência, é verdade), a elaborar análises políticas – todas furadas, diga-se de passagem.

- por Leandro Fortes,

Na redação da embaixada brilharam, primeiro, os colunistas Diogo Mainardi, da Veja, e Merval Pereira, de O Globo. Segundo despacho de Arturo Valenzuela, secretário adjunto de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, em 2009, o “renomado colunista político” Mainardi, em almoço privado (?), disse que uma coluna propondo que a ex-candidata presidencial do Partido Verde (PV) e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva se tornasse candidata a vice do tucano José Serra havia nascido “de uma longa conversa” entre os dois, Serra e Mainardi, na qual o ex-governador de São Paulo afirmara que Marina seria sua “companheira de chapa dos sonhos”. De acordo com Valenzuela, Serra alinhou naquela conversa com Mainardi as mesmas vantagens que o colunista, mais tarde, iria listar em sua coluna: a história de vida e as “credenciais esquerdistas impecáveis” de Marina poderiam bater o apelo pessoal de Lula aos brasileiros pobres e colocar Dilma Rousseff em desvantagem com a esquerda. Ao mesmo tempo, a vice verde ajudaria Serra a “mitigar” sua associação com o governo de Fernando Henrique Cardoso. Mainardi ainda preconizou que, mesmo sem sair como vice, Marina poderia apoiar Serra num segundo turno contra Dilma. Também apostou que Aécio Neves iria se juntar à chapa de Serra. Um profeta, como se vê.

A mesma lengalenga Arturo Valenzuela ouviu do colunista Merval Pereira, que rememorou uma conversa tida entre ele, Merval, e Aécio Neves, um dia antes do jornalista se reportar à Embaixada dos EUA, em 21 de janeiro de 2010. Ou seja, informação quentíssima! A Merval, informou Valenzuela à Casa Branca, Aécio Neves teria dito estar “firmemente compromissado” em ajudar Serra de qualquer maneira, inclusive se juntando à chapa. Uma chapa Serra-Neves, opinou Merval Pereira ao interlocutor americano, venceria fácil. “(Merval) Pereira pessoalmente acredita que não só Neves concorreria com Serra, mas que Marina também apoiaria Serra em um segundo turno”. Outro profeta.

Agora, sabemos pelo WikiLeaks que Humberto Saccomandi, editor de notícias internacionais do jornal Valor Econômico, acompanhado do analista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, também foram convocados pela sucursal da Embaixada a analisar a candidatura de Dilma, mas estes acertaram: a subida de Dilma Rousseff nas pesquisas iria favorecê-la no congresso nacional do PT, no fim de fevereiro de 2010, onde se esperava que ela anunciasse sua candidatura oficialmente.

Classificados de “críticos mais duros de Rousseff”, os jornalistas William Waack, da TV Globo, e Hélio Gurovitz, da revista Época, também foram à Embaixada dos Estados Unidos dar pitaco, mas em clima de torcida organizada pró-Serra. Waack descreveu para o Consulado Geral, em São Paulo, sua ida a um fórum de negócios do qual José Serra, Dilma Rousseff, Aécio Neves e Ciro Gomes tinham participado. A análise, não fosse surreal, é pouco mais do que rasa. “De acordo com Waack, Gomes foi o mais forte no geral, Neves o mais carismático, Serra desligado, mas claramente competente (grifo meu), e Rousseff, a menos coerente”, escreveu, à Casa Branca, o embaixador Thomas Shannon, editor-chefe da sucursal. Crítica duríssima, essa de Waack.

Helio Gurovitz, diretor da Época, foi mais adiante ao se reportar à Embaixada do EUA. Descreveu o Brasil como similar ao Chile (onde a esquerdista Michelle Bachelet perdeu a eleição para o direitista Sebastián Piñera). Argumentou que a “base social do país” se desenvolveu de maneira que esta “base” – seja lá o que for isso, o povo é que não era – preferiria alternar partidos no poder para manter continuidade (sic), em vez de manter um partido no poder no longo prazo, “com isso provocando uma guinada na direção daquele partido no espectro político”. O embaixador, creio, não entendeu nada. Mas registrou, por via das dúvidas.

Com analistas assim, não é a toa que o governo Obama se encontra na situação que está.

Che Guevara en la ONU. Discurso Marxista Leninista/ Dilma anuncia fábrica de fertilizantes da Petrobras em Uberaba. Mão invisível do mercado não deu conta da autosuficiência.



Fragmentos do discurso de Che Guevara na ONU em 11 de dezembro de 1964, onde faz referência aos ataques que os capitalistas lançam sobre Cuba, a crise dos mísseis, a sua soberania, ao pacisfismo e ao caráter irrenunciavelmente socialista, marxista-leninista, da Revolução.

Dilma anuncia fábrica de fertilizantes da Petrobras em Uberaba. Mão invisível do mercado não deu conta da autosuficiência.







A presidenta Dilma Rousseff esteve em Uberaba (MG) para assinatura do Protocolo de Intenções entre a Petrobras, Cemig e o Governo de Minas Gerais para a implantação da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN V) e de um gasoduto (o gás é insumo desse tipo de fertilizante).

A obra começará em fevereiro de 2012 e será concluída em dezembro de 2014, e faz parte do PAC 2.

A presidenta, ao discursar, mencionou a situação encontrada em 2003, quando assumiu o governo junto com o então presidente Lula:

“Quando chegamos ao governo o Brasil não era autossuficiente em petróleo, gás... Essa situação implicava na falta de planejamento. A fábrica de fertilizantes faz parte da mesma estratégica da Petrobras. Mas não apenas ser autossuficiente em fertilizantes, mas tornar o Brasil um dos grandes exportadores do mundo. É um absurdo importamos 60%, pois aí vamos ficar nas mãos da oscilação grande do mercado.”

Até os anos 70/80 houve investimentos estatais para produzir fertilizantes. Na própria cidade de Uberaba, a então estatal Vale do Rio Doce, construiu uma fábrica de fertilizantes, para beneficiar as jazidas de fosfato da região. Nos anos 90 a onda de privataria rifou todas as fábricas de fertilizantes estatais. Essas fábricas privatizadas nunca perseguiram a auto-suficiência, talvez por ter em seu controle acionário interesses especulativos transnacionais que preferiam importar mantendo preços mais altos, em vez de interesses produtivos nacionais de produzir mais e baratear.

Em 2008, quando houve uma crise mundial de preços dos alimentos, os preços dos fertilizantes importados explodiram, impactando nos custos e na balança comercial do agronegócio brasileiro.

Durante o governo Lula houve orientação para a Petrobrás investir na fabricação de fertilizantes, e também houve conversas com a Vale neste sentido, já que ela também detém jazidas de matéria prima.

O senador Aécio Neves (PSDB/MG), que anda ranzinza na oposição, foi o grande ausente na cerimônia. Também não fez falta nenhuma.
*osamigosdopresidentelula

quinta-feira, março 17, 2011

Chargedodia

A nova cédula vigente na cidade de São Paulo. Ela visa facilitar a exploração do povo pelo transporte "público".
*alice

Fazer andar outra vez o fluxo da história"

Ahmet Davutoglu é ministro das Relações Exteriores da Turquia


Ministro Ahmet Davutoglu, presidente Lula e ministro Celso Amorim, 14-6-2010
Imagem em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Davutoglu_with_Lula_and_Amorim_1.JPG
A onda de revoluções no mundo árabe foi espontânea. Mas, ao mesmo tempo, tinha de acontecer. As revoluções eram necessárias para restaurar o fluxo natural da história. Em nossa região – Ásia ocidental e sul do Mediterrâneo – houve duas anormalidades no século passado: primeiro, o colonialismo nos anos 1930s, 40s e  50s que dividiu a região em entidades coloniais, e quebrou os vínculos naturais entre povos e comunidades. Por exemplo, a Síria foi colônia francesa, o Iraque, colônia britânica. Assim, romperam-se laços econômicos e históricos entre Damasco e Bagdá.

A segunda anormalidade foi a Guerra Fria, que somou mais uma divisão: países que viveram juntos durante séculos tornaram-se inimigos, como a Turquia e a Síria. Estávamos na OTAN; a Síria era pró-soviéticos. Nossa fronteira deixou de ser fronteira entre dois estados-nação e tornou-se fronteira entre dois blocos. O Iêmen também foi dividido.

Agora, é tempo de fazer andar outra vez o fluxo da história. Vejo essas revoluções como processo adiado que deveria ter acontecido nos anos 80s e 90s como na Europa Oriental. Não aconteceu porque houve quem dissesse que as sociedades árabes não mereceriam a democracia e careceriam de regimes autoritários para preservar o status quo e impedir o avanço do radicalismo islâmico. Países e governantes que se orgulhavam de sua democracia privada, insistiram em que qualquer democracia no Oriente Médio ameaçaria a segurança de nossa região.

Agora, todos dizemos juntos: não. Um turco comum, um árabe comum, um tunisiano comum pode mudar a história. Acreditamos que a democracia é boa e que nossos povos merecem democracia. Esse é um fluxo histórico natural. Cabe a todos respeitar esse desejo do povo.

Se fracassarmos e não compreendermos que é preciso reconectar as sociedades, comunidades, tribos e etnias em nossa região, perderemos a potência desse momento da história. Nosso futuro está em nosso senso de um destino comum. Todos, na região, temos um destino comum.

Mas, se essa transformação é um fluxo histórico natural, como devemos responder a ele? Em primeiro lugar, precisamos de um plano de emergência para salvar vidas, para evitar o desastre. Segundo, temos de normalizar a vida. Por fim, precisamos reconstruir e restaurar os sistemas políticos em nossa região, exatamente como temos de reconstruir as casas depois de um tsunami.

Para empreender essa restauração, precisamos de um plano, uma visão. E precisamos de autoconfiança. Autoconfiança para dizer: essa região é nossa; nós a reconstruiremos. Para que tudo isso aconteça, temos de compreender claramente os princípios básicos que temos de seguir.

“Respeitar as massas”

Primeiro, temos de confiar nas massas em nossa região. As massas clamam por respeito e dignidade. Hoje, esse é o conceito crítico: dignidade. Fomos insultados durante décadas. Fomos humilhados durante décadas. Agora, queremos dignidade. Isso, precisamente, o povo jovem exigiu, na praça Tahrir. Depois de ouvi-los, ganhei novo otimismo para pensar o futuro. Aquela geração é o futuro do Egito. Eles sabem o que querem. Há nova potência em nossa região, e essa potência deve ser respeitada.

O segundo princípio é que mudança e transformação são necessidade, não escolha. Se a história flui e se resiste a ela, sempre se perde. Nenhum líder, por carismático que seja, consegue deter o fluxo da história. Vivemos tempos de mudança. Que ninguém se deixe prender à lógica da Guerra Fria. Que ninguém diga que só regimes específicos, ou homens, ou alguém, pode garantir a estabilidade de um país. A única garantia de estabilidade que há é o povo.

Em terceiro lugar, a mudança tem de ser pacífica – segurança e liberdade não são excludentes entre si: precisamos das duas. Nessa região, estamos fartos de guerras civis e tensões. Todos temos de agir sabiamente, sem criar violência nem atritos entre irmãos e irmãs. Temos de tornar possível a mudança com o mesmo espírito de destino comum.

Em quarto, precisamos de transparência, de meios para cobrar do poder e prestar ao povo, contas dos atos do poder; precisamos respeitar os direitos humanos e o estado de direito; e precisamos preservar nossas instituições sociais e do estado. Revolução não significa destruição. Outra vez, o Egito é bom exemplo: o exército agiu prudentemente ao não confrontar o povo. Mas, se não há divisão clara entre o papel civil e o papel militar das instituições, surgem problemas. Impressionou-me a decisão do marechal-de-campo Tantawi, de passar o poder à autoridade civil o mais rapidamente possível.

Por fim, é preciso proteger a integridade territorial de nossos países e da região. O status legal e a integridade territorial dos estados, inclusive da Líbia e do Iêmen têm de ser protegidos. Já conhecemos excesso de divisões, separações demais, com o colonialismo e a Guerra Fria.

Esse processo tem de ser conduzido pelo povo de cada país, mas deve haver propriedade regional. Essa é nossa região. Intelectuais, formadores de opinião, políticos dessa região devem reunir-se com mais frequência, para tomar decisões sobre o que deve ser feito em nossa região, no futuro. Estamos ligados uns aos outros, por séculos e séculos que virão.

O que aconteça no Egito, na Líbia, no Iêmen, no Iraque ou no Líbano nos afeta todos. Portanto, temos de mostrar solidariedade aos povos em todos esses países. São indispensáveis mais fóruns regionais, em que se reúnam políticos, líderes em geral, intelectuais, a mídia.

Quase sempre, o “Oriente Médio” – expressão orientalista – é considerado sinônimo de tensões, conflitos e subdesenvolvimento. Mas nossa região foi centro de civilização ao longo de milênios, que nos deram fortes tradições de ordem política na qual florescem ambientes multiculturais. Além dessa herança civilizacional e política, temos recursos econômicos suficientes para fazer de nossa região um centro de gravidade global.

É hora de proceder a reavaliações históricas, para transformar nossa região em região de estabilidade, liberdade, prosperidade, renascimento cultural e co-existência. Nessa nova ordem regional, tem de haver menos violência e menos barreiras entre os países, sociedades, seitas. Mas tem de haver mais interdependência econômica, mais diálogo político e maior interação cultural.

Hoje, o mundo busca uma nova ordem global. Depois da crise financeira internacional, temos de desenvolver uma ordem econômica baseada na justiça; e uma ordem social baseada no respeito e na dignidade. Essa região – nossa região – pode contribuir para a formação dessa nova ordem emergente: nova ordem global, política, econômica e cultural.

Nossa responsabilidade é abrir caminho para essa nova geração e construir uma nova região ao longo da próxima década. O povo dirá que nova região deseja ter. 
*Beatrice