Urubus, carcarás, meditam sobre Sampa. Há anos, deparei com um nos altos de um prédio na Paulista com Augusta e escrevi este:
Visita.
Fincado nos píncaros
majestoso enigma
espreita, de perfil
Memórias de cordilheiras
em meio à alheia neurose
Incorruptível
no secular vício da carniça
observa o ciclo da caça
Ruídos esganiçados não te assustam
Parabólicas captam todas as aparências
Excluído do olhar humano
Impassível urubu urbano
*VivaBabel
Páginas
Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
terça-feira, junho 05, 2012
Índio da Costa, 'bon vivant', perdulário e possivelmente criminoso
Por trás de um estilo de vida nababesco, com direito a shows
privês de Tony Bennett e Elton John, família de Luis Otávio Índio da
Costa, dona do banco Cruzeiro do Sul, coleciona 300 mil empréstimos
falsos para esconder um rombo estimado em mais de R$ 1,3 bilhão na
instituição; PF investiga
O empresário Luis Otávio Índio da Costa se define como um "bon vivant".
Costuma desfilar com lindas mulheres, como a modelo e apresentadora
Daniela Cicarelli. Em seu château na Granja Viana, como é chamada
sua casa pelos amigos com seus 6 mil metros quadrados de jardim, tem o
hábito de organizar festas memoráveis. Em 2009, para comemorar os 15
anos do banco da família, o Cruzeiro do Sul, trouxe especialmente dos
EUA o cantor Tony Bennett e sua filha para um show intimista para 500
pessoas. "Ele mora aqui mesmo", questionou um dos convidados enquanto
visitava a imensa propriedade, recheada de obras de arte contemporânea,
uma das paixões de Luis Otávio Índio da Costa. Todos os dias, um
helicóptero decola da Granja Viana para levar o empresário a São Paulo.
No mesmo ano, o banco patrocinou um concerto privê, na Sala São Paulo do cantor britânico Elton John.
Luis Otávio Índio da Costa também pensou em abrir as portas de sua
mansão para uma apresentação da companhia de dança norte-americana
Momix. Desistiu depois que o número de convidados saltou para mil
pessoas e decidiu mudar o show para o Auditório Ibirapuera.
Suas festas sempre foram bem frequentadas, com a presença da ex-ministra
do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie, o governador do Rio, Sérgio
Cabral, o publicitário Roberto Justus, a apresentadora Luciana Gimenez e
até a top model internacional Naomi Campbell.
Por trás desse estilo de vida ostentatório existe uma longa lista de
fraudes bilionárias. Auditores do BC detectaram na escrituração um rombo
de cerca de R$ 1,3 bilhão. O patrimônio líquido está negativo em cerca
de R$ 159 milhões. Segundo informações do Estadão, pelo menos 300 mil
empréstimos falsos foram inventados pela instituição para esconder
prejuízos acumulados.
O diretor executivo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), Antonio Carlos
Bueno, afirmou nesta segunda-feira (4), que uma eventual liquidação do
Banco Cruzeiro do Sul geraria uma obrigação ao fundo de arcar com até R$
2,2 bilhões. E entrevista para o Valor Ecômico, a estrategista de renda
variável do Banco Fator, Lika Takahashi, o problema com o Cruzeiro do
Sul deve fazer os investidores questionarem se os bancos menores terão
problemas futuros de acesso a financiamento.
Após a descoberta da fraude, 15 pessoas tiveram seus bens
temporariamente indisponíveis. A lista foi distribuída pelo sistema de
informações do BC, o Sisbacen, e inclui os nomes de Luis Felippe Índio
da Costa, Luis Octavio Azeredo Lopes Índio da Costa, Charles Alexander
Forbes, Fabio Caramuru Correa Meyer, Fabio Rocha do Amaral, Flávio Nunes
Ferreira Rietmann, Horácio Martinho Lima, José Carlos Lima de Abreu,
Luiz Fernando Pinheiro, Guimarães de Carvalho, Marcelo Xando Baptista,
Maria Luisa Garcia de Mendonça, Progreso Vaño Puerto, Renato Alves
Rabello, Roberto Vieira da Silva de Oliveira Costa e Sergio Marra
Pereira Capella.
*247
Folha atribui a MiniCom texto de terceiros
Bernardo diz que tema não fará parte de decreto que criará novas regras para emissoras
VENCESLAU BORLINA FILHO
DO RIO
DO RIO
O
ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, negou ontem que o decreto
que criará novas regras às concessões de rádio e TV irá proibir o
aluguel de horários na programação das emissoras.
A
intenção do governo federal de proibir esse tipo de aluguel foi
revelada anteontem pela Folha. Em nota, o Ministério das Comunicações
negou que o assunto fizesse parte de uma proposta de decreto, mas o
documento obtido pela reportagem é claro.
Um dos artigos do texto diz que "é vedada a cessão ou arrendamento, total ou parcial, da outorga de serviço de radiodifusão".
Ontem,
durante um evento no Rio de Janeiro, Paulo Bernardo afirmou que a
medida só poderia ser tomada por lei, mas não informou se o governo
tomará a iniciativa de preparar um projeto específico para o assunto.
Os
evangélicos, que são um dos maiores compradores de horários em rádios e
TVs, se revoltaram contra a proposta do governo. As únicas emissoras
que não entraram nesse negócio são a Globo e o SBT.
"Isso
[proibição da venda de parte da programação] não consta no decreto.
Não está na nossa pauta. Vamos colocar a minuta do decreto sob consulta
pública", disse.
"Tem um grande mal-entendido. Como não sei quem deu o decreto para a Folha, não posso atestar, não posso falar por eles", completou.
Questionado,
Paulo Bernardo também não respondeu claramente se as emissoras de
rádio e TV poderão continuar vendendo espaços na sua programação.
"Nesse decreto, nós não vamos fazer nenhuma modificação sobre esse ponto."
O
ministro afirmou ainda que, após a publicação da reportagem, solicitou
para sua equipe ministerial que apressasse a divulgação da minuta do
decreto. A intenção dele é torná-la pública para consulta do setor e de
integrantes da sociedade ainda nesta semana.
Segundo
o ministro, o decreto tem como objetivo atualizar os sete decretos já
publicados dentro da lei da radiodifusão. O mais importante deles, de
acordo com Bernardo, tem 50 anos.
"Na época, não tinha previsão de rádio e TV digital. Estamos colocando essas coisas no decreto", disse.
Bernardo esteve no Rio para conhecer o centro de tecnologia da empresa Oi.
No AdvivoLeia também: Dilma quer acabar com aluguel de horário na TV e Evangélicos querem vetar proibição de aluguel de horários na TV
Escândalo em Rio Preto pode atingir caciques do PSDB se chegar em Paulo Preto
A matéria que segue é do Diário da Região de São José do Rio Preto e
foi produzida pelos jornalistas Rodrigo Lima e Alexandre Gama.
É impressionante a riqueza de detalhes com que o lobista Alcides
Fernandes Barbosa narra como uma quadrilha que operava a licitação para
inspeção veicular no Rio Grande do Norte também atuava em São José do
Rio Preto e nas grandes obras do Estado de São Paulo como o Rodoanel e a
calha do Tietê. E como operava na Dersa (de Paulo Preto) e no Daee.
Leia com atenção e atente para um detalhe. Rio Preto é a cidade do
senador Aloysio Nunes Ferreira, que admitiu ser amigo de Paulo Preto
que, inclusive, em nome da boa amizade lhe emprestou, em 2007, 300 mil
para pagar uma parcela do apartamento que o senador comprou em
Higienópolis.
Segue a matéria:
Lobista: ‘Em Rio Preto era tudo uma fraude’
Rodrigo Lima e Alexandre Gama
![]() |
| Alcides Barbosa faz graves acusações contra Luiz Tavolaro e prefeito Valdomiro Lopes (Foto: Reprodução) |
Ao longo de mais de 8 horas de depoimento prestados ao Ministério
Público potiguar em que detalhou o suposto esquema de fraude no RN, aos
quais o Diário teve acesso na íntegra, Barbosa se disse surpreso com o
fato de o Ministério Público de Rio Preto ainda não ter iniciado
investigação sobre as licitações realizadas pela Prefeitura. “Não sei
porque o MP em Rio Preto não entrou ainda. Em São José do Rio Preto era
tudo uma fraude.”
A operação Sinal Fechado, desencadeada em novembro de 2011, acusou
Tavolaro de prestar assessoria jurídica para a quadrilha na elaboração
de edital e projeto de lei para serviço de inspeção veicular naquele
Estado que renderia até R$ 1 bilhão em 20 anos para o grupo. A denúncia
atingiu também a ex-secretária de Administração de Rio Preto, Eliane
Abreu, que teria também prestado serviços jurídicos a pedido do
ex-procurador. A denúncia contra ambos, porém, foi rejeitada pela
Justiça.
O lobista, apontado pelo MP como “sócio oculto” de Tavolaro, revelou em
delação premiada que “todas as empresas que iam prestar serviço em Rio
Preto eram colocadas numa sala no escritório de São Paulo e saia dali
pronto. Todos os editais de Rio Preto eram feitos em São Paulo. Todos”,
afirmou ele, que citou especificamente a licitação para compra de
uniformes. Pelas mãos de Tavolaro passaram, em quase três anos, cerca
de R$ 120 milhões em licitações, como para obras antienchente e núcleos
da esperança e os serviços de coleta do lixo e transporte coletivo.
“O Tavolaro tem um nome muito forte em São Paulo. É muito respeitado”,
afirma aos promotores, que o questionam de onde viria tanto prestígio.
“Em São Paulo, até hoje, os editais grandes passam pelo Tavolaro. Ele
fez o Rodoanel, a calha do Tietê. Todas as grandes obras é o Tavolaro”,
afirmou Barbosa, lembrando que antes de Rio Preto o advogado atuou
como procurador jurídico no Dersa e no Daee. Em relação à sua atuação
em Rio Preto, o lobista se referiu a Tavolaro como “o cérebro”, “o
cara” da administração. “O prefeito não faz nada sem ele.”
A acusação de que o ex-procurador teria recebido um carro de empresa
vencedora de licitação foi feita quando relatou a conversa que teve com
advogados que teriam sido contratados por Tavolaro, por R$ 400 mil,
para tirá-lo da cadeia. Uma das condições era manter o silêncio em
relação ao contrato de inspeção veicular em Natal. “Não pode falar
também do contrato das casas em Rio Preto e não pode falar do carro que
ele colocou no meu nome, que ele ganhou de uma empresa de Rio Preto em
uma licitação.” Sobre as passagens aéreas para uma viagem a Natal,
elas teriam sido pagas, segundo ele, pela Constroeste, que nega a
acusação.
Em determinado momento de seu depoimento, o empresário reclama que foi
prejudicado em Rio Preto num contrato envolvendo a construção do Parque
Nova Esperança. Segundo ele, sua empresa, a ATL Premium, que deveria
receber R$ 4,2 milhões, teve o valor reduzido para R$ 1,5 milhão. “Era o
contrato da minha vida.” Segundo ele, Tavolaro teria lhe relatado que
“o prefeito tá achando que você está ganhando muito.”
Ele afirmou ainda que tem “muita coisa para falar” sobre Rio Preto e
que está “à disposição” do Ministério Público local se houver
interesse. “Queria falar desde o primeiro dia. Nunca fugi. É que eu não
tinha acesso aos promotores (de Rio Preto.) Lá tenho muita coisa para
falar. Eu estava preso”, disse o lobista.
Segundo o empresário, após a operação Sinal Fechado, o ex-procurador
ficou com “medo de estar sendo monitorado pelo MP de Rio Preto”.
“Ninguém em Rio Preto sabia do escritório em SP. Thaís (sobrinha de
Tavolaro) foi atender telefonema de um jornalista que estava pegando no
pé do Tavolaro e ela deu o endereço. Tavolaro ficou louco e levei tudo
(documentos) para a minha casa”, afirmou Barbosa.
Segundo o lobista, ele e Tavolaro se conheceram por conta de um projeto
habitacional que seria construído na região da subprefeitura de São
Mateus, que tinha Clóvis Chaves como o responsável pelo projeto. O
lobista disse que Tavolaro e ele tinham uma relação de “irmão” e, além
disso, Tavolaro queria se aproximar do senador Aloysio Nunes (PSDB).

Assista os vídeos gravados pelo Ministério Público durante delação
premiada do lobista Alcides Fernandes Barbosa, que fez graves denúncias
contra o ex-procurador-geral do município Luiz Antonio Tavolaro e
contra o prefeito de Rio Preto, Valdomiro Lopes (PSB).
Parte 1:
Parte 3:
Fonte: site www.nominuto.com
*comtextolivre
Pepe Mujica é o presidente mais pobre do mundo
Como prometido antes da eleição, o presidente do Uruguai José Pepe Mujica ainda mora em sua pequena fazenda em Rincon del Cerro, nos arredores de Montevidéu. A moradia não poderia deixar de ser modesta, já que o dirigente acaba de ser apontado como o presidente mais pobre do mundo.
Mujica com seu fusca; presidente doa 90% de seu salário
Pepe recebe 12.500 dólares mensais por seu trabalho à
frente do país, mas doa 90% de seu salário, ou seja, 1.250 dólares ou
2.538 reais ou ainda 25.824 pesos uruguaios. O restante do dinheiro é
distribuído entre pequenas empresas e ONGs que trabalham com habitação.
“Este dinheiro me basta, e tem que bastar porque há outros uruguaios que vivem com menos”, diz o presidente.Aos 77 anos, Mujica vive de forma simples, usando as mesmas roupas e desfrutando a companhia dos mesmos amigos de antes de chegar ao poder.
Além de sua casa, seu único patrimônio é um velho Volkswagen cor celeste avaliado em pouco mais de mil dólares. Como transporte oficial, usa apenas um Chevrolet Corsa. Sua esposa, a senadora Lucía Topolansky também doa a maior parte de seus rendimentos.
Sem contas bancárias ou dívidas, Mujica disse ao jornal El Mundo, da Espanha, que espera concluir seu mandato para descansar sossegado em Rincon del Cerro.
Com El Guia Latino
*Vermelho
Os padres gostam muito de falar no plural. “Nós” (os ricos), “estamos também sofrendo…”, isto e aquilo…
O Cardeal espanhol Rouco Varela tenta aproveitar-se do momento de
crise financeira em alguns países europeus para ludibriar e criar falsas
ideias e saídas da conjuntura. Disse ele: “Não sairemos da crise se não
nos convertermos” e que a crise actual “não é só económica e
financeira; estamos também sofrendo uma profunda crise moral e de
valores”.
Este discurso é do tipo “chapa 5″. Ele repete o mesmo que já temos
ouvido há décadas e se procurarmos mais longe o encontraremos também.
Nada de novo. Apenas repete o que não foi ele que inventou.
Os padres gostam muito de falar no plural. “Nós” (os ricos), “estamos também sofrendo…”, isto e aquilo…
Em primeiro lugar diria que estarão a colher o que semearam e que
“Deus” lhe deu, se existisse; o Espírito Santo inexistente faltou no
apoio à Igreja, esta foi abandonada pelos deuses inexistentes, caíram na
crise! Dão razão aos ateus que dizem que os deuses não existem. Se
existissem deuses seriam pouco solidários ou nada com a Igreja Católica.
Não colaboram em nada nesta crise!
Em segundo lugar, o Clero gosta de confundir a Sociedade como um
todo, como se tivesse interesses unidireccionais, onde incluem a
entidade pública, o Estado, e a Igreja Católica, entidade privada que
pertence a um Estado estrangeiro (o Vaticano, essa multinacional). As
pessoas têm dificuldade em perceber esta diferença abismal da realidade e
o discurso falacioso dos padres. Os interesses públicos e privados são
frequentemente contraditórios (veja-se a questão da Igreja não pagar IMI
ao Estado espanhol, como exemplo, mostrando uma falta de solidariedade
com os espanhóis e as necessidades do Estado em superar os seus défices
financeiros).
É sabido que a Igreja Católica presta serviços religiosos e quanto
mais clientes tiver, mais rendimentos conseguirá. Então, o Cardeal
espanhol tenta passar a ideia de que com a “conversão” tudo ficará bom.
Sabemos que os espanhóis têm sido durante muitos anos maioritariamente
ligados ao catolicismo. Isto não os livrou da ditadura, nem da guerra
civil, nem da actual crise financeira.
Assim, uma vida normal e com bem-estar nada tem a ver com
“conversão”. É uma Mentira religiosa do cardeal Rouco Varela. E a Igreja
Católica não transformará a vida dos espanhóis. Ela vive dela. É o seu
negócio!
*DiarioAteista
A morte dos imortais
José Roberto Torero
Era a festa anual dos deuses, que este ano aconteceu em Asgard, onde o arco-íris é ponte.
Odin, o anfitrião, desfilava com todo seu garbo, usando tapa-olho na vista direita e piscando para os amigos com o olho esquerdo. Já seu filho Thor, por conta do filme Os Vingadores, distribuía autógrafos aos outros convidados.
Num canto, Xangô, Zeus e Tupã comparavam seus raios para ver quem tinha o maior. Noutro, Ganesha, com sua cabeça de elefante, conversava com Rá, com sua cabeça de falcão. Na varanda, Ceci e Diana falavam sobre a Lua, enquanto Quetzacoatl tomava um chocolate.
No jardim, Itzamna, o deus maia, trocava ideias sobre sacrifícios humanos com Viracocha, o deus inca. E Ahura Mazda, o deus do zoroastrismo, cochichava no ouvido de Deus (ou Javé, ou Alá, dependendo de sua preferência):
- Sabe?, sem mim você não seria nada. Antes era uma tremenda bagunça.
- É verdade, mas eu fui muito mais longe. Enquanto você ficou ali pela Pérsia, eu me espalhei pelo mundo.
- Ok, mas não esqueça que graças a mim é que começaram a pensar num deus único. E num paraíso, no juízo final e num messias.
- Pode ser. Mas eu é que entendo de mercado. Tenho o judaísmo, o cristianismo, o islamismo e o espiritismo. Dividi para conquistar.
- Não se gabe muito. O ateísmo está crescendo. Até no Brasil. Lembra daquele país?
- Claro. Diziam que eu era de lá.
- Pois é, no Brasil o time dos sem-religião vem aumentando muito. Mais que o grupo dos evangélicos.
- Mesmo sem aquelas músicas ruins e as ex-atrizes pornôs?
- Mesmo. Na década de 1960, os sem-religião representavam 0,5% da população. Em 2003 este grupo já havia alcançado 5,1% e, em 2009, 6,1%. E agora chegaram a 7,8%.
- Se os brasileiros continuarem assim...
- Podem ficar como os nórdicos. Você sabia que 72% da população da Noruega é de ateus ou agnósticos? Na Dinamarca é pior: 80%. ,E na Suécia, um horror: 85%!
- Os números são altos, mas as populações destes países são pequenas.
- Pois na China só cerca de 20% das pessoas crê num deus. Quando eles dominarem o mundo de vez...
- Isso me dá um pouco de medo. Eu me dei bem com o império romano, não me saí mal com o inglês e me mantive por cima com o norte-americano. Mas com o império chinês..., não sei, não...
Com certo ar sádico, Mazda começa a cantar, apontando os indicadores para cima:
-Ai, ai, ai, ai, ai-ai-ai, tá chegando a hora... A China já vem, chegando meu bem, é hora de ir embora...
-Ir embora? Não seja radical.
-Mas é isso mesmo, meu chapa. Se não acreditam em nós, desaparecemos. Lembra de Nammu, Dagon, Anath e Molech?
-Lembro, claro.
- Pois eles desapareceram como fumaça. E também Marduk, Damona, Ésus, Dervones e Nebo; e Yau, Drunemeton, Inanna e Enlil; e Deva, Borvo, Grannos, Mogons e Sutekh, o deus do vale do Nilo.
- É mesmo...
- Mesmo os deuses desta festa estão quase transparentes. É que pouca gente crê neles. Zeus e Toth, por exemplo, são mais folclore que religião. E eu só sobrevivo por conta de uns duzentos mil adeptos. Uma mixaria. Meus dias estão contados...
A esta altura, todos os outros deuses já cercavam os dois deuses únicos. E tinham semblantes preocupados. Então todos deram as mãos e Deus (ou Javé, ou Alá, dependendo de sua preferência), para levantar o moral da turma, puxou uma oração que era assim:
“Homem nosso que estais na terra,
santificado seja o nosso Nome,
chegue a vós o nosso Reino,
e seja feita a nossa vontade
assim no céu como na Terra.
A oração de cada dia nos dai hoje,
e perdoai as nossas ofensas
assim como nós perdoamos
a quem nos tem desprezado.
Não nos deixeis cair em esquecimento
mas livrai-nos do limbo,
Amém.”
José Roberto Torero é formado em Letras e Jornalismo pela USP, publicou 24 livros, entre eles O Chalaça (Prêmio Jabuti e Livro do ano em 1995), Pequenos Amores (Prêmio Jabuti 2004) e, mais recentemente, O Evangelho de Barrabás. É colunista de futebol na Folha de S.Paulo desde 1998. Escreveu também para o Jornal da Tarde e para a revista Placar. Dirigiu alguns curtas-metragens e o longa Como fazer um filme de amor. É roteirista de cinema e tevê, onde por oito anos escreveu o Retrato Falado.
Era a festa anual dos deuses, que este ano aconteceu em Asgard, onde o arco-íris é ponte.
Odin, o anfitrião, desfilava com todo seu garbo, usando tapa-olho na vista direita e piscando para os amigos com o olho esquerdo. Já seu filho Thor, por conta do filme Os Vingadores, distribuía autógrafos aos outros convidados.
Num canto, Xangô, Zeus e Tupã comparavam seus raios para ver quem tinha o maior. Noutro, Ganesha, com sua cabeça de elefante, conversava com Rá, com sua cabeça de falcão. Na varanda, Ceci e Diana falavam sobre a Lua, enquanto Quetzacoatl tomava um chocolate.
No jardim, Itzamna, o deus maia, trocava ideias sobre sacrifícios humanos com Viracocha, o deus inca. E Ahura Mazda, o deus do zoroastrismo, cochichava no ouvido de Deus (ou Javé, ou Alá, dependendo de sua preferência):
- Sabe?, sem mim você não seria nada. Antes era uma tremenda bagunça.
- É verdade, mas eu fui muito mais longe. Enquanto você ficou ali pela Pérsia, eu me espalhei pelo mundo.
- Ok, mas não esqueça que graças a mim é que começaram a pensar num deus único. E num paraíso, no juízo final e num messias.
- Pode ser. Mas eu é que entendo de mercado. Tenho o judaísmo, o cristianismo, o islamismo e o espiritismo. Dividi para conquistar.
- Não se gabe muito. O ateísmo está crescendo. Até no Brasil. Lembra daquele país?
- Claro. Diziam que eu era de lá.
- Pois é, no Brasil o time dos sem-religião vem aumentando muito. Mais que o grupo dos evangélicos.
- Mesmo sem aquelas músicas ruins e as ex-atrizes pornôs?
- Mesmo. Na década de 1960, os sem-religião representavam 0,5% da população. Em 2003 este grupo já havia alcançado 5,1% e, em 2009, 6,1%. E agora chegaram a 7,8%.
- Se os brasileiros continuarem assim...
- Podem ficar como os nórdicos. Você sabia que 72% da população da Noruega é de ateus ou agnósticos? Na Dinamarca é pior: 80%. ,E na Suécia, um horror: 85%!
- Os números são altos, mas as populações destes países são pequenas.
- Pois na China só cerca de 20% das pessoas crê num deus. Quando eles dominarem o mundo de vez...
- Isso me dá um pouco de medo. Eu me dei bem com o império romano, não me saí mal com o inglês e me mantive por cima com o norte-americano. Mas com o império chinês..., não sei, não...
Com certo ar sádico, Mazda começa a cantar, apontando os indicadores para cima:
-Ai, ai, ai, ai, ai-ai-ai, tá chegando a hora... A China já vem, chegando meu bem, é hora de ir embora...
-Ir embora? Não seja radical.
-Mas é isso mesmo, meu chapa. Se não acreditam em nós, desaparecemos. Lembra de Nammu, Dagon, Anath e Molech?
-Lembro, claro.
- Pois eles desapareceram como fumaça. E também Marduk, Damona, Ésus, Dervones e Nebo; e Yau, Drunemeton, Inanna e Enlil; e Deva, Borvo, Grannos, Mogons e Sutekh, o deus do vale do Nilo.
- É mesmo...
- Mesmo os deuses desta festa estão quase transparentes. É que pouca gente crê neles. Zeus e Toth, por exemplo, são mais folclore que religião. E eu só sobrevivo por conta de uns duzentos mil adeptos. Uma mixaria. Meus dias estão contados...
A esta altura, todos os outros deuses já cercavam os dois deuses únicos. E tinham semblantes preocupados. Então todos deram as mãos e Deus (ou Javé, ou Alá, dependendo de sua preferência), para levantar o moral da turma, puxou uma oração que era assim:
“Homem nosso que estais na terra,
santificado seja o nosso Nome,
chegue a vós o nosso Reino,
e seja feita a nossa vontade
assim no céu como na Terra.
A oração de cada dia nos dai hoje,
e perdoai as nossas ofensas
assim como nós perdoamos
a quem nos tem desprezado.
Não nos deixeis cair em esquecimento
mas livrai-nos do limbo,
Amém.”
José Roberto Torero é formado em Letras e Jornalismo pela USP, publicou 24 livros, entre eles O Chalaça (Prêmio Jabuti e Livro do ano em 1995), Pequenos Amores (Prêmio Jabuti 2004) e, mais recentemente, O Evangelho de Barrabás. É colunista de futebol na Folha de S.Paulo desde 1998. Escreveu também para o Jornal da Tarde e para a revista Placar. Dirigiu alguns curtas-metragens e o longa Como fazer um filme de amor. É roteirista de cinema e tevê, onde por oito anos escreveu o Retrato Falado.
*esquerdopata
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