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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
quarta-feira, junho 13, 2012
Brasil desenvolve vacina inédita
O Brasil acaba de conquistar
lugar de destaque entre os países capazes de desenvolver vacinas com
grande impacto na saúde pública. Cientistas do Instituto Oswaldo Cruz
(IOC/Fiocruz) criaram a primeira vacina capaz de evitar a
esquistossomose, doença também chamada de barriga d"água e que atinge
200 milhões de pessoas no mundo. O IOC anunciou ontem no Rio a aprovação
do imunizante, na primeira fase de testes com seres humanos, que
garantem sua segurança e capacidade de induzir proteção. Agora, os
cientistas partem para os testes em crianças e esperam oferecer o
produto à população em até quatro anos. O feito traz esperança de
erradicar a segunda doença parasitária mais devastadora do mundo, atrás
apenas da malária, na classificação da Organização Mundial de Saúde
(OMS)......
*osamigosdopresidentelula
A s anta Sé em apuros
“Não se pode dirigir a Igreja apenas com Ave-Maria.” Nada santa, essa
frase saiu da boca do falecido arcebispo Paul Casimir Marcinkus,
responsável pela gestão, a partir de 1971, do Instituto para as Obras
Religiosas (IOR), conhecido mundialmente como Banco Vaticano. Marcinkus,
responsável por um dos maiores escândalos da história da Igreja,
transformou o Banco Vaticano numa lavanderia de dinheiro sujo e, para
tal tarefa, à disposição de políticos poderosos, empresários potentes,
maçons influentes da Loja P2, cardeais endinheirados e chefões das
máfias siciliana e norte-americana. Para isso, Marcinkus, do Banco
Vaticano, uniu-se a Michele Sindona, da Banca Privata Italiana e
apelidado de “banqueiro da Máfia”, e a Roberto Calvi, do Banco
Ambrosiano e apelidado de “banqueiro de Deus”.
A aliança resultou em quebradeiras de bancos e num inédito, vultoso e
silencioso prejuízo para a Santa Sé. Esse rombo financeiro levou à busca
de novas fontes de arrecadação e inventou-se um extraordinário Ano
Santo em 1983: o ano jubilar, nascido em 1300, era feito a cada 25 anos e
o último havia ocorrido em 1975.
Apesar dos pesares, Marcinkus manteve-se à frente do Banco Vaticano até
1989. Ele sobreviveu no cargo depois do (1) misterioso envenenamento de
Sindona (1986), na cadeia e após sorver, sem saber, uma taça de café com
cianureto, e do (2) assassinato de Calvi (1982), com enforcamento
simulado na emblemática ponte londrina dos Frades Negros.
Pela falta de autópsia e sem acreditar no atestado de parada cardíaca,
muitos ligaram a morte do papa Luciani (João Paulo I), ocorrida em
setembro de 1978, ao IOR, que ele avisou que iria enquadrar no seu
pontificado. Luciani, homem de fé e inconteste retidão moral, não tinha,
quando patriarca de Veneza, concordado com a venda do Banco Católico do
Vêneto para o Ambrosiano, de Calvi, e numa manobra de Marcinkus.
Muito se falou sobre a permanência de Marcinkus no IOR e no pontificado
do papa Wojtyla (João Paulo II). Mas, como sabem até as colunas de
Bernini que abraçam a Praça de São Pedro, do caixa do IOR, com o nihil
obstat de Marcinkus, saíram 100 milhões de dólares para a federação
sindical polonesa Solidarnosc (Solidariedade), dirigida por Lech Walesa,
um ponta- de-lança do papa Wojtyla na cruzada pelo fim do comunismo.
No pós-Marcinkus, e como escreveu Gianluigi Nuzzi no best seller
Vaticano S/A, surgiu um novo e sofisticado sistema de contas cifradas
tendo como artífice o cardeal Donato de Bonis: “Contas cifradas de
banqueiros, empresários e políticos de ponta”.
Para salvar o IOR das chamas do inferno e cuidar de um patrimônio
líquido avaliado em 5 bilhões de euros, o papa Bento XVI confiou a sua
presidência, em setembro de 2009, ao financista católico e docente
universitário Ettore Gotti Tedeschi. A meta de Gotti Tedeschi era adotar
as normas antirreciclagem da União Europeia, mas sucumbiu às
resistências, à força do Conselho de Administração e ao inimigo Tarcisio
Bertone, secretário de Estado desde 2008, carreira grudada à batina de
Ratzinger, e acusação de encobrir, para evitar escândalos na Igreja,
casos de clérigos pedófilos.
Em fevereiro passado, o IOR complicou-se com o sequestro, pela
Magistratura italiana, de 23 milhões de euros. Tudo por suspeita de
lavagem em bancos italianos e em operações proibidas pelas normas
antirreciclagem da União Europeia. No mesmo dia da prisão do mordomo do
papa por posse proibida de documentos secretos e por suspeita de
promover a fuga de notícias, houve a suspensão de Gotti Tedeschi à
frente do IOR e sua substituição pelo brasileiro Ronaldo Hermann
Schmitz, - nascido em Porto Alegre.
A suspensão não foi engolida por alguns membros da Comissão Cardinalícia
de Vigilância do IOR e um braço de ferro está sendo travado com o
cardeal Bertone, que preside a referida Comissão. Por seu turno, Gotti
Tedeschi, com uma vida de serviços de católico prestados no Vaticano,
espera por uma conversa com Ratzinger e já se fala que assumirá outro
cargo de prestígio.
O caso do ex-mordono Paolo Gabriele, que por colaborar poderá obter o
perdão do papa, serviu para deixar em segundo plano o caso do IOR. Como
dizem que o diabo não dorme, um novo foco de incêndio esquenta o
Vaticano e se refere aos sequestros, em 1983 e quando tinham 15 anos, de
Emanuela Orlandi e Mirella Gregori, a primeira nascida e então
residente no Vaticano. Elas continuam desaparecidas e o mais novo filão
investigativo aponta para clérigos pedófilos. Isso a partir de
depoimento do arcebispo Bernard Law, defenestrado de Boston por não
denunciar padres pedófilos.
Os desaparecimentos serão tema de uma próxima coluna. Por enquanto, fica
a lembrança que os magistrados italianos (estão no caso porque Mirella é
italiana e foi sequestrada em Roma) não abandonaram outra pista. Ou
seja, de os sequestros estarem relacionados às operações de reciclagem
do IOR.
Wálter MaierovitchNo CartaCapital
Agora é Safatle quem enfrenta a “desfaçatez” do Cae
Chegou a vez de outro respeitado intelectual se ver na contingência de desnudar o astro Global
Depois de o Roberto Schwarz desnudar a “desfaçatez camaleônica” do Caetano Veloso, chegou a vez de outro respeitado intelectual se ver na contingência de desnudar o astro Global.
Será o “Grande Pensador” um dos “comentaristas fixos” do programa da Fátima?
Saiu na pág. 2 da Folha, onde Vladimir Safatle não se deixa contaminar:
Indiferença
No último domingo, Caetano Veloso escreveu uma crítica em sua coluna de
“O Globo” a respeito de meu livro: “A Esquerda que Não Teme Dizer seu
Nome” (Três Estrelas, 88 págs.). Sua crítica me fez perceber que talvez
não tenha me expressado com suficiente clareza a respeito de posições
que considero fundamentais.
Por isso, peço a permissão dos leitores para falar na primeira pessoa e voltar a certos pontos que escrevi.
O livro visa defender duas posições maiores para a esquerda: o
igualitarismo e a centralidade da soberania popular. Caetano critica
minha maneira de defender o igualitarismo, vendo nisso um arcaísmo. Para
ele, tal igualitarismo não seria muito diferente do tom opressivo da
esquerda “indiferente” e “universalista” de sua juventude. Esquerda para
quem questões de raça, sexo, nacionalidade e estética eram
diversionismo que nos desviariam da revolução.
Caetano lembra, com razão, de como Salvador Allende não mexeu em leis
que criminalizavam o homossexualismo e impediam o divórcio.
Longe de mim querer diminuir a importância dos apelos de modernização
social embutidos em demandas de reconhecimento da diversidade de hábitos
e culturas. Estas são questões maiores, por tocarem diretamente a vida
dos indivíduos em sua singularidade. Não se trata de voltar aquém das
políticas das diferenças e de defesa das minorias. Trata-se de tentar ir
além.
Quando afirmo que devemos ser indiferentes à diferença é por defender
que a vida social deve alcançar um estágio no qual a diferença do outro
me é indiferente. Ou seja, a diversidade social, com sua plasticidade
mutante, deve ser acolhida em uma calma indiferença. Que para alcançar
tal estágio devamos passar por processos de abertura da vida social à
multiplicidade, como as leis de discriminação positiva. Isso não muda o
fato de não querermos uma sociedade onde os sujeitos se atomizem em
identidades estanques e defensivas. Queremos uma política
pós-identitária, radicalmente aberta à alteridade.
Um exemplo: discute-se hoje o direito (a meu ver, indiscutível) de
homossexuais se casarem. Mas por que não ir além e afirmar que o
ordenamento jurídico deve ser indiferente ao problema do casamento?
“Indiferença” significa, aqui, não querer legislar sobre as diferenças.
Ou seja, por que não simplesmente abolir as leis que procuram legislar
sobre a forma do casamento e das famílias, permitindo que os arranjos
afetivos singulares entre sujeitos autônomos sejam reconhecidos? Não
creio que isso seja arcaísmo, mas o verdadeiro universalismo.
Por fim, Caetano diz que tenho “cabeça de concreto armado”. Gosto da
ideia. Niemeyer nos mostrou como se pode fazer curvas e formas
inesperadas com o concreto armado.
*comtextolivre
Chauí: "história subterrânea" da USP na ditadura precisa vir à tona com comissão da verdade
Professora e filósofa considera que estrutura da
universidade, com "indústria do vestibular" e poder concentrado, é
herança da repressão
Publicado em 13/06/2012, 09:40
Última atualização às 11:28
A filósofa Marilena Chauí defende a instalação de uma
comissão da verdade para apurar atuação da USP durante a ditadura
(Arquivo RBA)
São Paulo – A filósofa Marilena Chauí considera que a comissão que
irá apurar a verdade sobre os episódios da ditadura (1964-85) na
Universidade de São Paulo (USP) terá a incumbência de trazer à tona as
conexões entre o passado e a estrutura atual da instituição. Durante ato
realizado na Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis
(FEA), na Cidade Universitária, a professora cobrou que o reitor João
Grandino Rodas aceite o pedido para instalar o colegiado, que teria
número igual de docentes, funcionários e estudantes.
“Há uma história subterrânea e obscura da USP que eu espero que a
comissão traga para a superfície”, afirmou a professora aposentada da
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. “Não só daqueles que
sabemos que foram torturados, mortos e estão desaparecidos, mas também
dos que foram presos, dos que foram presos e torturados, o modo como se
deu a cassação dos professores, a participação ativa das congregações
dos institutos e das faculdades para cassar seus próprios colegas.”
Leia também:
Ela reafirmou que a atual estrutura da USP é fruto do Ato
Institucional número 5, editado em 1968 e considerado o responsável pelo
recrudescimento das violações de direitos humanos, em especial da
tortura, e pela cassação de direitos políticos e acadêmicos. Naquele
momento, vários docentes foram expulsos desta e de outras universidades.
A diferença, para Chauí, reside no fato de que na USP não houve uma
união de todas as categorias para promover uma reforma que varresse do
arcabouço institucional as heranças da repressão.
“A ditadura se manteve nessa universidade pela estrutura que tem do
ponto de vista acadêmico, ou seja, a organização dos cursos, a
existência de créditos, matérias optativas e matérias obrigatórias, o
número de horas de aula a que o aluno é obrigado a assistir, a indústria
do vestibular. Há uma série de elementos ligados à reforma feita na
universidade pela ditadura”, disse, acrescentando que a estrutura de
poder, concentrada na figura do reitor, é um dos exemplos desta falta de
transição para a democracia.
Novamente, foram feitas críticas a João Grandino Rodas, responsável
por uma série de medidas que provocaram insatisfação entre funcionários,
alunos e professores. A mais famosa delas é o convênio firmado no ano
passado para que a Polícia Militar passasse a atuar na Cidade
Universitária – antes, o trabalho de monitoramento do campus era
promovido por uma guarda própria. De lá para cá, surgiram vários relatos
de violência por parte de policiais contra estudantes, alguns deles
documentados em imagens.
Para Paul Singer, professor da FEA e secretário de Economia Solidária
do Ministério do Trabalho, os problemas atuais estão conectados à falha
na transição da estrutura de poder da USP para a democracia. “A
proposição aqui está não só em fazer justiça aos que foram vítimas da
violência, e houve muitas. Uma grande parte, como eu, conseguiu
sobreviver, e outros não conseguiram, foram liquidados e mortos. É
importante saber da verdade não só para evitar que coisas revoltantes
venham novamente a acontecer. É mais do que isso: é entender o presente.
Entender o passado é fundamental para saber por que as pessoas são como
são.”
Ouça reportagem da Rádio Brasil Atual sobre o ato na USP
Comissão da Verdade não nasceu bem; investigar os dois lados é uma barbaridade’ Via Correio da Cidadania
Redação
Dando início à série especial de
entrevistas em vídeo sobre a Comissão Nacional da Verdade, oficializada
pelo governo federal no último dia 16 de maio, o Correio da Cidadania
entrevistou o Procurador do Estado e também perseguido pela ditadura
José Damião de Lima Trindade. Em sua fala, ele repudia a hipótese
aventada por parte do espectro político de se investigarem os dois lados
e critica com veemência a atual interpretação que o judiciário
brasileiro confere à Lei de Anistia promulgada pelos militares, sem
guarida alguma no direito internacional. Além disso, elogia os
movimentos recentes da juventude, no sentido de repudiar e denunciar os
agentes da repressão até hoje impunes.
*GilsonSampaio
Ahhh o Amor
“O amor é sentimento único, mas não é igual. Isso o faz um monstro terrível e ao mesmo tempo desejado. Torna o homem masoquista, egoísta. É tão forte que desmascara o individualista.
Quem nesta vida pode ser tão rico sem ter um ser amado? Que delícia teriam as águas do mar se fossem insípidas? Que beleza teria a noite sem ter o céu de estrelas bordado? Que fascínio teria abrir, ao amanhecer, uma janela se o Sol não fosse dourado? E no campo a Primavera sem os apaixonados querendo flores para colher? Que suavidade há no olhar dos que não amam? Que certeza há nos corações dos que não crêem no amor? E quantas dúvidas moram, perpetuam-se nos corações dos que amam? É o doce e o sal, o amor; o veludo mais áspero que a minha mão já tocou; é a ferida que mais arde e que parece não precisar de cura, porque se ela cicatriza vem com ela a morte do amor. É preciso que doa para permanecer vivo, é preciso que lateje – não basta ser latente -, incomode, tem que ser mesmo forte, irreverente, cruel, um carrasco que castiga, causando prazer em vez de dor. Só assim pode ser amor; inquietante, barulhento, dentro da alma. Mesmo que às vezes a boca cale, o amor precisa ser uma tormenta dentro do coração. O amor vive da guerra dentro da paz que proporciona. Alimenta-se do desejo contínuo de permanecer… Indecifrável, indefinido. O amor me faz entender de amar; não de amor.
Para entender de amor, morri. Até jurei desamar ou nunca mais amar, mas com este poderoso, quem pode? Vira e mexe, você xinga o mundo, desfaz-se em pranto, risca, rabisca sentimentos, pensa que chegou ao mais profundo e, de repente, você submerge e emerge das águas profundas deste sentimento um outro amor. Amores são amores, divergem tanto e não poderia ser diferente. Por ser universal é único, não é comum; tem personalidade; chega diferente a cada um. O amor… A dor que ninguém rejeita; a poesia que todos querem cantar; o profundo mar; o abismo que todos querem velejar; o obscuro; o negro; o transparente; o claro sentimento da vida. Nele tudo está contido. Tudo há. Não há falta de razão no amar, no amar de cada um. No modo de dizer que sente, ama ou de sentir. Ele é permanente. O eterno sentimento… Sem face, sem cheiro definido, sem lugar-comum; nasce nos becos, no gueto, na lama, em sodoma, em gomorra, onde quer que ódio morra, nasce o amor. Eu desconheço sentimento mais profundo, nem o vinho mais caro, nem a uva mais rara, nem o manjar mais doce tem o seu sabor. Um sabor tão raro, doado pelos deuses, presente divino; anjo sem rosto; um céu cheio de inferno; e fogo; que nos consome; purifica e dá vida.
Assim, é o amor… Doce mistério da minha vida, da tua, de todos; quem não carrega consigo a larva desta borboleta tão mutante com asas plenas? um viajante sem pouso certo habita nas noites, até nos sepulcros; no coração daqueles que mesmo enterrados foram, levando consigo um segredo de amor; os mistérios noite a dentro nos cemitérios, quantos partiram pobres sem provar o seu sabor? No coração da prostituta, que a carne doa sem pudor, nela também habita o amor; este sentimento que me move, te move, conduz o mundo; do santuário ao profano ele é a mola que move, que faz vibrar, que pulsa e faz jorrar sangue ao órgão mais vital; vício; adrenalina; pulsante coração cheio de amor habita em todo ser que ama. Será assim o amor? Tenho amado tanto… Tento entender o amor. Não existe no mundo este professor. Todos já tentaram traduzir, tentam tingir de alguma cor. Muitas tentativas e ele será sempre mutante, errante, perpétuo, imperfeito, frágil, sutil , assim como as estações: chuvoso, nublado, outono perfumado, quente como o Sol, num dia de Verão, com seu aroma de Primavera, inconfundível; o seu colorido possui cores tão cintilantes, tão diferente; ninguém consegue pintar um quadro com a verdadeira cor vinda do amor” (In: Johann e Maria, Parte VIII).
*Ednar
terça-feira, junho 12, 2012
Acabou mal a estória do empresário que achava que podia tudo com meninas que, sem o mesmo capital, recorriam à prostituição para ganhar a vida. Colocava-se como que senhor de seus destinos, dava carro, mesada, saciava-se e depois descartava.
Pour Elise
Acabou mal a estória do empresário que achava que podia tudo
com meninas que, sem o mesmo capital, recorriam à prostituição para ganhar a vida.
Colocava-se como que senhor de seus destinos, dava carro, mesada, saciava-se e
depois descartava.
Foi assim com Elise, garota com cara de anjo mas que trazia
na mão o punhal de quem precisa lutar todos os dias para manter-se viva. Matsunaga, o
rei da pipoca, havia aberto para ela as portas da esperança tal como se passava
nos antigos programas dominicais de Silvio Santos.
Abriu e fechou. Havia encontrado outra vítima, outra menina
que só dispunha do corpo para sobreviver e procurava Matsunagas em sites de
relacionamentos na internet. Na troca de uma por outra, mercadorias que se
intercambiavam, restava uma criança. Esta o patrão de mil empregados resolvera
manter junto a si a fim de mostrar aos familiares que era pai zeloso, na velha
tradição da cultura japonesa.
Ao comunicar a decisão de que reclamaria a filha e substituiria Elise por outra
garota, depois de confrontado com a próprio adultério, Matsunaga lembrou-se onde
havia encontrado aquela a quem por capricho e desafio de conquista desposara, e
chamou-a de prostituta, filha da pobreza e fraca. Evocou sua fortuna, sua
estirpe oriental, quem sabe, e desafiou-a a agir.
Sem titubear, guiada pela moral das ruas, de quem bem sabe
que o dia do júbilo é a véspera do escárnio Elise disparou um tiro certeiro
no rosto do aproveitador Matsunaga . Desprezando o corpo do ex-marido como o
seu mesmo havia antes sido desprezado, esquartejou-o e depositou-o como lixo na
noite da cidade.
Quem poderá recriminar Elise pela explosão de cólera em razão do vilipêndio do único bem que de fato possuia,
a dignidade? Quem poderá, de outro modo, chorar a morte de um homem sem caráter que colecionava indistintimante
armas, vinhos e mulheres?
Poucos terão lágrimas para
Matsunaga, aquele que planejou sem saber a própria morte por haver
se enganado sobre como dispôr da sua fortuna.
LuisCezar
*Brasilquevai
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