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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quarta-feira, abril 21, 2010

Globo mente Hu Jintao nega apoio a Obama para escaladas de sanções ao Irã

“A China espera que as diversas partes continuem a levar adiante esforços diplomáticos e busquem os meios efetivos para resolver a questão [iraniana] através do diálogo e das negociações”, afirmou o presidente chinês a Obama em Washington

O presidente da China, Hu Jintao, afirmou a posição de seu país em contraposição à escalada de sanções contra o Irã. As declarações de Jintao foram publicadas pela agência chinesa, Xinhua, após o encontro bilateral com o presidente dos EUA, no dia 12, durante a chamada Cúpula da Segurança Nuclear, realizada em Washington por iniciativa do governo norte-americano.

Segundo o porta-voz da delegação chinesa à cúpula, Ma Zhaoxu, diante da insistência de Obama em buscar o apoio chinês às pretendidas sanções contra o Irã, o presidente Hu Jintao afirmou que “a China espera que as diversas partes continuem a levar adiante esforços diplomáticos e busquem ativamente os meios efetivos para resolver a questão através do diálogo e das negociações”.

É exatamente a posição declarada pela China desde o início e é semelhante à defendida pelo presidente Lula e à qual veio se somar o governo da Turquia, através do seu primeiro-ministro, Tayyip Erdogan, que também externou: “Somos da opinião de que as sanções não são um caminho saudável e a melhor via é a diplomacia”.

Portanto, ao contrário do que afirmam certos órgãos da mídia local, a posição do Brasil, não só não está se isolando, como agrega aliados e mantém os que já haviam se colocado no mesmo sentido.

Dessa forma, quem deu a “notícia” com a intenção de confundir foi o NYT, que abriu o título: “China Pledges to Work With U.S. on Iran Sanctions” (China promete trabalhar com os EUA sobre sanções ao Irã). Nem mesmo o Wall Street Journal, açambarcado por Murdoch, quis se comprometer e não topou embarcar no jogo, escrevendo: “U.S. Pushes Iran Sanctions, But China Holds Back” (EUA pressionam por sanções ao Irã, mas a China mantém posição).

No início do mês, o chefe do Departamento Internacional do Comitê Central do Partido Comunista da China, Wang Jiarui, recebeu em Beijing o representante do Conselho de Segurança do Irã, Said Jalili, e afirmou o apoio da China ao “diálogo e negociação” (note-se que exatamente as mesmas expressões usadas agora pelo presidente Hu Jintao).

Na ocasião, a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, plantou a notícia de um suposto “recuo” da China em relação a posições anteriormente expressas contra sanções ao Irã. Agora, em Washington, coube ao assessor de Segurança Nacional dos EUA, Jeff Bader, assumir o estranho papel de “porta-voz” não autorizado do presidente chinês. Logo o NYT reproduziu a interessada versão, repicada pelos subalternos: “A China está preparada para trabalhar conosco”.

Jonathan Weissman do Wall Street Journal reproduziu a citação de Bader mas acrescentou que “a apresentação de Beijing sobre o encontro com Obama não expressou tal adesão àquela estratégia” e, registrou que “a China insistiu em resolver a questão através do diálogo e das negociações”.

No encontro com Obama o presidente chinês revelou seu interesse em que a China e os EUA trabalhem pela paz no Oriente Médio e insistiu na retomada das negociações com a Coréia Popular pela tranquilidade na Península Coreana.

Neste primeiro dia da Cúpula, o presidente Lula manteve encontro bilateral com a Turquia, representada pelo seu primeiro-ministro Tayyip Erdogan.

O Brasil e a Turquia declararam sua disposição em promover uma “proposta que possa ser aceita pelo Irã e pelos outros países” para evitar as sanções. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, destacou ainda que tanto a Turquia quanto o Brasil querem evitar um “ciclo de endurecimento recíproco, em que um país aplica sanções, e o outro diz que não cede”.

Brasil e Turquia estão no Conselho de Segurança da ONU, em mandato rotativo mas sem direito a veto. Segundo Amorim, Hillary Clinton teria ressaltado que qualquer posição sobre o Irã, para ter “legitimidade”, necessita do apoio do Brasil e da Turquia.

Por NATHANIEL BRAIA

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