O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que vai questionar o presidente norte-americano, Barack Obama, sobre a extensão do acordo de desarmamento que foi assinado recentemente com a Rússia, prevendo a desativação de ogivas nucleares mantidas pelos dois países. “Desativar o que? Porque se estamos falando de desativar o que já estava vencido não faz sentido”, afirmou em entrevista ao jornal espanhol “El País”.
“Ou falamos seriamente sobre desarmamento ou não podemos admitir que haja um grupo de países armados até os dentes e outros desarmados”, ressaltou Lula. “O Paquistão tem bomba atômica, Israel também. É compreensível que quem se sente pressionado por essa situação possa pensar em fazer a sua”, acrescentou.
As declarações do presidente foram publicadas na segunda-feira (12), data de abertura da cúpula internacional, que reúne 47 países em Washington, capital americana, para discutir a segurança nuclear.
Lula também condenou as pressões da Casa Branca por novas sanções internacionais contra o Irã, pelo desenvolvimento de um programa nuclear voltado para a geração de energia. “É preciso conversar com o Irã. É um grande país, com uma cultura própria, que criou uma civilização. Não podemos partir do princípio que (o presidente iraniano, Mahmoud) Ahmadinejad é um terrorista que precisamos isolar. Temos que negociar”, assinalou.
Hora do Povo
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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
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