
Marta_Folha_2010
Escolhida para disputar o Senado pelo PT, a ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra do Turismo Marta Suplicy volta a testar seu desempenho nas urnas em outubro, dois anos após ter sido derrotada pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) na capital paulista. Com 43% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada em março, a petista considera a campanha por um cargo legislativo “menos tensa”, mas diz que não é “frágil” nem tem medo de ser chamada para a briga na Casa majoritariamente masculina – palco de diversos arranca-rabos em 2009.
Em entrevista ao R7 em São Paulo, Marta disse que não veria “problema algum” em compor uma aliança com o cantor e vereador Netinho de Paula (PC do B) para o Senado – apesar da oposição de alguns petistas – e negou qualquer mal-estar com o partido de Aldo Rebelo, com quem compôs a chapa nas eleições municipais de 2008.
Marta já garantiu, na aliança em torno da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, uma das duas vagas na disputa ao Senado, a outra seria de Netinho, por isso a dobradinha. A petista destacou, porém, que o PT ainda está em negociação com os partidos aliados para fechar a chapa, e que nada está definido.
Dias após pedir desculpas a Kassab pela propaganda eleitoral que levantou dúvidas sobre a vida pessoal do adversário, Marta foi categórica ao afirmar que não guarda rancores da época, ao ser questionada se também merecia um pedido de desculpas de alguém:
- Já virei a página.
Com três eleições para a prefeitura da capital paulista na bagagem, Marta recomenda que a amiga Dilma não tente acompanhar o “pique” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
R7 – Em 2008, pouco antes do resultado das eleições municipais, a senhora falou que não saberia como lidar com a derrota. Como foi a decisão de concorrer ao Senado?
Marta Suplicy – Quando você perde uma eleição sempre fica um período triste, introspectivo, tentando entender o houve. O tempo passa, a vida anda, e você se reanima novamente pra construir algo importante para o país. Eu me coloquei para o partido disponível para ocupar o cargo que mais ajudasse a Dilma [Rousseff] nesta eleição. Poderia ser governo, Senado ou deputada federal. O partido optou pelo Senado e eu fiquei muito feliz porque é um cargo que eu nunca ocupei, nem nunca disputei, e representar seu Estado é uma honra e hoje eu sinto que tenho maturidade para desempenhar esse papel muito bem.
R7 – A senhora disse várias vezes que gostou muito de ser ministra do Turismo. Caso a Dilma ganhe as eleições, a senhora aceitaria voltar a ocupar esse cargo, ou há outro ministério que lhe agradaria?
Marta – Eu estou concorrendo ao Senado, e tenho que pensar nisso. O que vem depois, é depois. Mas eu estou animada com a perspectiva de poder defender o Estado de São Paulo.
R7 – Enfrentar uma campanha para o Senado é mais fácil, ou menos doloroso, que encarar uma eleição pela prefeitura?
Marta – Enfrentar uma disputa para o Senado é mais tranquilo, porque você não tem cinco repórteres todo dia na porta da sua casa quando acorda. É uma campanha que você vai mais solta fazer a campanha, com menos cobertura. O que é ruim, por um lado, mas é positivo porque te permite ter menos tensão. A campanha para prefeitura, ou para um candidato ao governo ou à Presidência, é extremamente tensa, porque você acorda e onde você vai já tem pessoas do seu lado, o que é mais difícil. Agora, em termos de responsabilidade, de preparo, é igual, porque você tem que se preparar muito para saber o que vai fazer.
R7 – A senhora deu algum conselho para a ex-ministra Dilma, que em sua primeira candidatura vai enfrentar uma eleição presidencial?
Marta – Sim, para ela não ir a tudo que a agenda propor, no sentido de que ela tem que se poupar, porque a mulher não tem a resistência que o homem tem, muito menos a que o Lula tem [risos]. Ela tem que pensar em uma agenda diferente, por ser mulher. [...] Então eu disse pra ela ficar muito atenta a isso, a não deixar montarem uma agenda das 6h da manhã até as 10h da noite.
R7 – Em relação à chapa do Senado, já está definido quem será o suplente?
Marta – Não. Nem quem será o coligado.
R7 – Ainda estão em negociação com o PC do B?
Marta – Tem o PC do B, tem a possibilidade de o Chalita [Gabriel Chalita, vereador de São Paulo pelo PSB] vir, tem o PDT que também pode propor. Então isso ainda não está certo. Ainda temos até junho.
R7 – Nos bastidores, fala-se em um mal estar com o PCdoB por conta da insistência do partido em indicar o vereador e cantor Netinho para compor a sua chapa para disputar o Senado. O que a senhora acharia de formar uma chapa com ele?
Marta – Eu não sei como esse boato surgiu, mas [as pessoas] têm me perguntado isso, e não sei por quê, nem de onde [o boato surgiu]. Mas acho que o Netinho é um vereador muito amado pela população, e o PC do B tem independência para indicar quem quer.
R7 – Mas a senhora aceitaria então formar a chapa com ele?
Marta – Sim, sem nenhum problema.
R7 – Em entrevistas recentes, a senhora pediu desculpas ao prefeito Gilberto Kassab (DEM) pela propaganda que a sua campanha veiculou questionando se o então candidato era casado e tinha filhos. Acha que alguém também lhe deve desculpas daquela época, ou mesmo e outra época?
Marta – Eu já virei a página. Não guardo ressentimentos, rancores, isso é a coisa mais resistente da minha personalidade.
R7 – O Senado é majoritariamente masculino. A senhora teme algum enfrentamento, alguma briga na Casa?
Marta – Não tenho medo nenhum, vou com a maior tranquilidade. Aliás, ao contrário, as pessoas normalmente tem muita delicadeza comigo, porque sabem que eu vou revidar se for atacada [risos]. Não sou uma pessoa frágil.
R7 – O senador Eduardo Suplicy [ex-marido de Marta e colega de partido] deu algum conselho a você sobre o Senado?
Marta – Não, só desejou boa sorte. E [desejou] que eu consiga vencer pra gente trabalhar em parceria.
Postado por Luis Favre

Nenhum comentário:
Postar um comentário