Brasília Confidencial
“O senador Aloizio Mercadante, pré-candidato do PT ao governo paulista, declarou nesta terça-feira, 20/04, durante uma reunião no diretório estadual de São Paulo, que há espaço para derrotar o PSDB e construir uma proposta que tenha a legitimidade para implementar a política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado. “Nossa avaliação é que há grave debilidade na situação do transporte público e do trânsito. Há um quadro preocupante em relação à educação e identificamos que falta parceria do governo estadual com prefeituras e governo federal na área da saúde”, disse o senador.
Segundo Mercadante, o governo paulista não participa do co-financiamento de programas importantes como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e Unidades de Pronto-Atendimentos (UPAs). “Há uma insatisfação profunda no funcionalismo de forma geral, sobretudo entre os policiais, professores, profissionais da saúde, o que compromete a qualidade do serviço prestado à população”, avaliou. O senador apresentou diversos indicadores que comprovam a falta de planejamento e o desgaste das políticas dos tucanos que há mais de 15 anos ocupam o Palácio dos Bandeirantes.
Mercadante lembrou ainda que os principais quadros do governo Serra já estavam na administração do estado desde 1983, como o próprio governador, Paulo Renato, Secretário de Educação, ou ainda Aloísio Nunes Ferreira, que foi vice do ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho. Outro ponto levantado foi o problema na segurança pública que, segundo últimos indicadores divulgados, deixou de ser um problema apenas das grandes cidades, tornando-se um desafio muito mais abrangente. “Tudo isso mostra que é possível um outro caminho para São Paulo. É possível colocar São Paulo em sintonia com o que Lula fez no Brasil”, ressaltou."
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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
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