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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, abril 22, 2010



Na República do faz-de-conta da revista Veja, um só norte. Os tucanos são todos bonitos e cheirosos (como diz a Eliane Cantanhêde), os petistas são todos feios, fedidos, corruptos e maus.

Um belo mundo se divisa nas páginas do folhetim semanal. A visão de um planeta que não existe, cercado por elfos e por pessoas do bem, que por uma ironia do destino, hoje estão na oposição. Nada de falar da privataria, da compra da reeleição (êita mensalão caro!) de Marcos Valério em suas origens, de Brasil estagando, etc, etc, etc.

Só uma coisa é válida. Capas fofas e linguagem bem cuidada ao tratar do partido querido, do partido do coração.

A edição da semana com Serra na capa é um primor de cinismo. Um Serra sorridente (bonito ele não consegue ser, não adianta) que em nada lembra o senhor perseguidor e vingativo, que ataca todos os que ousam entrar em seu caminho. Uma delícia para os olhos.

Nada de relembrar as passadas de perna em Roseana Sarney, Aécio e tantos outros. Nada de assuntos pontiagudos.

Típicas coisas de uma classe alienada, que engole e assimila tudo o que é dito pelo neonazi. Nada que digam em contrário existe.

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