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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

terça-feira, março 20, 2012

A mansão e a crise na RedeTV!

Em reportagem de três páginas inteiras, a revista Exame desta semana confirmou que a crise da RedeTV! é muito grave e decorre, principalmente, da prática predatória dos seus proprietários. A publicação da Editora Abril, talvez por interesses mesquinhos, questiona a própria continuidade da emissora, que passa pelo momento mais difícil desde a sua criação, ocorrida 13 anos atrás.
Assinada pela jornalista Naiana Oscar, a matéria intitulada “A mansão sobe, a casa cai”, mostra que, enquanto emissora demite centenas de profissionais, seu sócio majoritário, Amilcare Dallevo, constrói “a maior mansão do Brasil” no condomínio de luxo de Alphaville (SP). Ela terá dois helipontos, 50 vagas na garagem e uma suíte de 1.200 metros quadrados.
Dívidas e queda de audiência
A Exame compara a mansão ao Palácio de Versalhes, que abrigava a decrépita família real francesa. Já o dono da RedeTV! é comparado ao rei Luís XVI, deposto pela Revolução Francesa. Ainda segundo a reportagem, a construção do castelo não é a maior preocupação dos donos da emissora, que está pendurada em dívidas de curto prazo de R$ 100 milhões e perdeu a confiança dos bancos.
Nos últimos dias, a RedeTV! perdeu o seu quadro de maior audiência, o “Pânico na TV”, que se mudou para a Band. Segundo a Exame, esta saída representa um rombo de R$ 50 milhões ao ano para a emissora. Ela também já havia perdido o direito de transmissão do Campeonato Brasileiro da Série-B (R$ 30 milhões a menos no caixa) e das lutas da UFC (menos R$ 15 milhões).
*Miro

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