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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, fevereiro 25, 2016

Microcefalia: culpa do Zika ou da Monsanto?

biologosocialista
*Por Luiz Fernando Leal Padulla
Confesso que, apesar de admirar certas teorias conspiratórias, não sou adepto de divulga-las como fatos. A mais recente delas, merece breve destaque aqui, justamente por muitas coincidências, e apoio de vários especialistas, a ponto de não ser apenas mais uma teoria, mas uma possível realidade. Estamos falando da microcefalia, doença que causa um crescimento menor do cérebro e do crânio, o que pode comprometer o desenvolvimento do indivíduo. Atualmente, está sendo relacionada ao Zika vírus, cuja origem foi relatada pela primeira vez na floresta de Zika, em Uganda, atacando primatas.
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Aedes-aegypti

Inúmeros casos da doença estão, a cada instante, aumentando não apenas no Brasil, mas em vários países, a ponto da ONU lançar uma alerta mundial. O que temos que entender é que ela não é uma novidade. O que está sendo novidade é sua POSSÍVEL associação com o vírus Zika, transmitido pelo Aedes aegypti (que também é o transmissor da denguechikungunya febre amarela). Tal associação se sugere pois onde ocorre a presença do mosquito contaminado com o vírus, os índices demicrocefalia são muito elevados – a incidência estimada normalmente é de 0,1% de casos graves na população geral.
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Crédito: reduas.com.ar
Médicos e pesquisadores até encontraram evidência que relacionam alguns poucos casos de microcefalia com o Zika vírus, mas e os outros casos? Como explicam?  Eis que surge uma forte evidência, para o desespero das grandes corporações: larvicida Pyriproxyfen, utilizado no controle dos mosquitos.
Desde 2014, esse inseticida – que é aprovado tanto pela ANVISA como por órgãos internacionais e pela OMS – vem sendo utilizado em larga escala no Brasil para o controle de larvas do mosquito, sendo orientada sua aplicação diretamente em corpos d’água, incluindo água potável, que é ingerida pelas pessoas. Um grupo de médicos da Argentina e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), levantam a hipótese deste químico ser um dos causadores direto da doença. Hoje, são mais de 5000 casos de microcefalia diagnosticados no país todo, sendo a região Nordeste detentora do maior número deles. Curiosamente, nessas regiões mais pobres é onde mais se utilizou o produto.
Como já escrevi em outros posts (veja aqui: https://biologosocialista.wordpress.com/2016/02/13/o-veneno-continua-sobre-a-mesa/https://biologosocialista.wordpress.com/2016/01/13/os-casos-envolvendo-a-monsanto-e-outras-corporacoes/ ehttps://biologosocialista.wordpress.com/2016/01/22/a-feminizacao-da-humanidade/ ), as formulações químicas, produzidas por grande corporações, são vendidas sob alegações nem sempre tão verdadeiras e seguras. E quem paga o preço disso tudo somos nós e o próprio ambiente.
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Crédito: ecowatch.com
Esse inseticida é produzido pela Sumitomo Chemical, que é parceira da multinacionalMonsanto. Foi nesse período, inclusive, que a própria Sumitomo anunciou sua parceria com a Monsanto para expandir suas ações no controle de pragas na América Latina.
De acordo com o relatório dos médicos argentinos, "não é coincidência", a ocorrência das má-formações encontradas em recém-nascidos de grávidas que moram em locais onde o Pyriproxyfen passou a ser utilizado na água.
Outro ponto que chama atenção no relatório é a afirmação que diz que o Zika vírus, tradicionalmente é considerado uma doença relativamente benigna, sem maiores complicações, sem associação com anomalias.
Sumitomo Chemicals
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O que podemos concluir com tudo isso?
Será que as respostas chegarão ao nosso conhecimento e Monsanto e cia. serão responsabilizadas e pagarão por tudo? Ou será essa mais uma geração de indivíduos afetados pela indústria química, tal como foram aqueles mutilados pela talidomida (vendido como remédio contra o enjoo para grávidas, mas que deformava seus bebês)? Ou ainda, das milhares de pessoas que sofreram e ainda sofrem sob os efeitos do glifosato e tantos outros agrotóxicos dessas corporações?
Resta uma esperança. Ou tudo será magicamente abafado e esquecido? Afinal, é mais fácil culpar um mosquito e um vírus do que “peitar” grandes corporações, como outros pesquisadores e pessoas sérias já vivenciaram.
Em tempo: Independentemente de ser essa a causa da microcefalia, é extremamente importante que mantenhamos a atenção e evitemos a proliferação dos mosquitos, pois doenças como Dengue, Chikungunya e Febre Amarela são transmitidas por esses vetores! Cada uma fazendo sua parte, cuidando dos vasos, quintais, calhas, bebedouros e demais objetos que possam acumular água, conseguiremos reduzir e eliminar tais doenças!
*Biólogo e professor, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

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