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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
sexta-feira, junho 08, 2012
Quebra da Espanha reabre debate sobre privatização
Nos anos 90, quando a América Latina estava no chão, os espanhóis
fizeram a feira por aqui; hoje, eles são alvo da desconfiança
internacional, pedem socorro e usam suas filiais, como no caso do
Santander e da Telefônica, para socorrer as matrizes; é hora de rever a
desestatização?
Alguns meses atrás, quando retomou o controle da petroleira Repsol, a
presidente argentina Cristina Kirchner foi alvo de uma avalanche de
críticas. Estaria quebrando contratos e arriscava levar seu país ao
precipício, diziam seus detratores. O governo argentino, por sua vez,
argumentava que a Repsol, agora YPF, havia perdido a capacidade de
investir num setor estratégico da economia, que é a energia.
Hoje, por mais que se tente atenuar ou maquiar a realidade espanhola,
não há meio termo. O país, simplesmente, quebrou. Nesta quinta-feira,
por exemplo, a agência de risco Fitch rebaixou o país em três níveis e
ainda o colocou em viés negativo – a classificação espanhola é próxima à
de países em condição de moratória.
Diante do caos, a Alemanha, de Ângela Merkel, prometeu agir, assim como o
Fundo Monetário Internacional, que estima em 90 bilhões de euros a
necessidade de capitalização dos bancos espanhóis, que sofrem com a
bolha imobiliária. Desempregados ou afetados pela crise, os espanhóis
simplesmente não conseguem honrar suas hipotecas.
Essa Espanha de hoje é completamente daquela que, nos anos 90, fez a
feira na América Latina. Nos processos de privatização do continente, os
espanhóis foram os grandes compradores. O Santander levou o Banespa, a
Telefônica adquiriu a Telesp e, mais recentemente, a Vivo, enquanto a
Iberdrola levou vários ativos na área de energia.
Esta última empresa, que era sócia da Neoenergia, já fez as malas e
anunciou sua intenção de ir embora do País. O Santander, que fez um IPO
no Brasil prometendo usar os recursos em investimentos na sua rede
nacional, drenou recursos para a Espanha e, na semana passada,
apresentou uma proposta indecente à presidente Dilma: a de que o Banco
do Brasil, controlado pelo Tesouro Nacional, compre 10% do banco e se
torne sócio da crise imobiliária espanhola.
Nada, no entanto, foi tão esdrúxulo quanto o pedido feito pela
Telefônica. Cesar Alierta, presidente mundial da companhia, quer que o
governo brasileiro facilite a entrada de espanhóis, uma vez que a
empresa precisa cortar 6 mil empregos em sua matriz. A alegação é de que
seria mão de obra qualificada, não encontrável no Brasil.
Erros da privatização?
Na privatização das telecomunicações, em 1998, havia uma corrente que
defendia o controle nacional do setor. Prevaleceu o argumento de que
isso não era “moderno” e o Brasil permitiu que ativos importantes
passassem a ser controlados por italianos, espanhóis e mexicanos. Hoje, o
Brasil tem um dos sistemas de telefonia mais caros e ineficientes do
mundo. Há monopólios privados na telefonia fixa, o sinal das empresas de
telefonia celular é cada vez pior e a chamada banda larga é de má
qualidade e não chega a toda a população.
Prova inconteste de que aqueles que fizeram a feira na privatização
talvez não estejam mais tão dispostos a investir. Não é chegada a hora
de buscar um novo modelo?
No 247
*comtextolivre
Cinquenta anos sem Marilyn Monroe
Aproveitando o título de um ciclo de seus filmes (Quanto Mais Quente
Melhor, O Pecado Mora ao lado, Os desajustados, etc.) em cartaz este mês
no Telecine Cult, aproveito para fazer um tributo a MM (1926-1962) que,
ao lado de James Dean (este um pouco menos, porque morreu cedo demais) e
Marlon Brando (e este ainda menos, porque entrou em decadência, isto é,
viveu demais), constituiu o último triunvirato de mitos hollywoodianos
produzidos no pós-segunda guerra e já prenunciando a revolução dos
costumes que ocorreria a partir dos anos 60, pacote que incluía sexo
livre, drogas e rockenroll.
Aliás, a morte de Marilyn aos 36 anos, em 5/8/1962, causada por uma
overdose de barbitúricos, foi caracterizada, segundo a versão oficial,
como “suicídio acidental”. Morte cujas circunstâncias causaram polêmica
na época pois, em virtude de seu relacionamento com os Kennedy (quem não
se recorda do “Happy Birthday, Mr.President” cantado por ela,
deliciosamente embriagada e em cadeia nacional?), cogitou-se ter sido
perpetrada pela própria CIA à guisa de queima de arquivo.
O fato é que MM abalou a América puritana e fundamentalista, apesar da
pungente vulgaridade com a qual a própria indústria cinematográfica a
revestia, a partir dos cabelos platinados, do falso rebolado (dizem que
ela cortava um dos saltos do sapato para simular o famoso andar), das
roupas provocantes, dos escândalos de sua vida pessoal cultivados até à
vertigem por todos os colunistas de cinema, a começar pelas lendárias
Hedda Hopper e Louella Parsons.
Enfim, Marilyn era uma espécie de monstro sagrado cercado de factóides por todos os lados.
Aos aficionados recomendo (se é que ainda existe nas livrarias) sua
biografia, Marilyn, escrita por Norman Mailer (Rio, Civilização
Brasileira, 1970), um livro de capa dura onde estão encartadas suas
fotos mais famosas – desde a do calendário onde pousou nua, “coberta
apenas com a música do rádio”, segundo ela mesma, até às últimas
clicadas por Richard Avedon, nas quais este consegue captar com extremo
requinte sua beleza sutil, rarefeita, inapreensível, de beija-flor, algo
que só poderia ser registrado pela câmera cinematográfica.
Mas isto não significa que, profissionalmente, ela não fosse dura de
roer: quando perguntaram a Tony Curtis, seu parceiro em Quanto mais
quente melhor, qual era a sensação de beijar Marilyn Monroe, este
desabafou: “Você já beijou Hitler?”. E estava sendo sincero. Porque ela
sabia como ninguém “catimbar” os outros atores para roubar a cena: seus
atrasos, os esquecimentos das falas, faziam com que as tomadas fossem
obrigatoriamente repetidas zilhões de vezes, de forma que, à medida em
que a interpretação de Marilyn melhorava, os demais iam a nocaute.
A propósito, Truman Capote escreveu dois contos – dois testemunhos
magistrais sobre MM –publicados em Os cães ladram (Rio, Civilização
Brasileira, 1977) e Música para Camaleões (Rio, Nova Fronteira, 1980).
Naturalmente, estas são primeiras edições que, em geral, somente
escritores conservam; não sei se foram reeditados, embora sejam obras
fundamentais.
TC diz: “Monroe? Uma desleixada, na verdade, uma divindade relaxada – no
sentido em que uma banana split ou um pudim de cerejas é esparramado
mas divino. Os lábios lúbricos, a exuberância loira, as contorções
rítmicas, os requebros caricaturais, supostamente deveriam torná-la
universalmente reconhecível. No entanto, na vida real, a Monroe não é
facilmente identificada. Ela anda pelas ruas de Nova York sem que
ninguém a perturbe, acena para taxis que não param, toma suco de laranja
à beira da calçada servida por um garçon que sequer desconfia ser a
freguesa o objeto de suas mais alucinadas fantasias.” (Bem. É preciso
não esquecer que se estava nos anos 50).
“Contudo, é preciso que nos digam que Marilyn é Marilyn, pois, vista de
relance, não passa duma beldade de cabaré cuja carreira progride de
cabelos oxigenados aos doze anos a um par de maridos confiscados aos
vinte e termina aos trinta no fundo dum vidro de Seconal”. (proféticas
palavras…)
TC ainda observa: “Mas por fiel que seja ao tipo, ela não pertence a
esse gênero, é frágil demais para isso. A personagem que representa, uma
figura de cão sem dono pateticamente atrevida, é perfeita e tem um
encanto convincente, pois sua imagem na tela e a impressão que ela passa
são idênticas: ela é uma órfã, em espírito como de fato, marcada e
iluminada pelo estigma da orfandade. Sem confiar em ninguém, ela se
esforça como um trabalhador braçal para agradar a todos”.
A sua profunda ansiedade – quem se atrasa nunca menos de uma hora para
um encontro é detido por incerteza e angústia, não por vaidade; e é
angústia também, a tensão criada pela contínua necessidade de agradar, a
responsável por suas dores de garganta, unhas roídas, palmas úmidas, e
risadinhas histéricas – induz a uma pena terrível que o fascínio de seus
trejeitos não disfarça: que encanto pode ser mais poderoso, mais
sedutor, mais desarmante, que o duma celebridade festejada que desperta
nossa compaixão?
A propósito, no título de um desses contos, Truman Capote a define como “Uma criança linda”.
Inapreensível, inesquecível Marilyn Monroe.
Márcia DenserNo Congresso em Foco
Supremo: circo ou hospício?
do Nassif
Luis Nassif
Nem Machado de Assis escreveria roteiro tão insólito.
Um
Ministro do Supremo Tribunal Federal enlouquece. Passa a distribuir
declarações cada vez mais alucinadas, trasformando o Supremo em circo ou
hospício. O presidente do STF nada faz, porque é um poeta apartado das
coisas vãs do mundo real.
Os demais Ministros
percebem estar convivendo com um louco, mas não querem se meter na
questão, porque loucos são imprevisíveis. E se o louco se volta contra
eles? E se o louco convoca seu "personal aaponga"? Cada qual trata de se
debruçar sobre seus próprios processos e ignorar o Ministro louco.
Sem
saber o que fazer com o louco, o reino continua sua vida normal,
fingindo que não existe o Ministro louco que desmoraliza o Supremo. De
tempos em tempos, colunistas com dificuldade para preencher sua cota de
notas, entrevistam o Ministro louco. Ele dá uma declaração louca
envolvendo algum colega.
No dia seguinte, burocraticamente os jornais procuram o colega que desmente a nota.
E o reino vai tocando sua vida, procurando ignorar que existe um Ministro louco na mais alta corte.
Só no dia em que o surto se tornar irreversível e o Ministro sair carregado em camisa de força o Supremo tomará alguma atitude.
*GilsonSampaio
Equador: “O sucesso de uma política econômica não neoliberal”
Paul Jay (TRNN, Washington): O Equador, aparentemente, não sofreu com o crash de 2008-9 como outros países sofreram. Um novo relatório sugere que a razão disso está em o país ter seguido modelo de política econômica diferente das políticas neoliberais seguidas por outros países que foram devastados pela crise das finanças globais. Para conversar conosco sobre aquele relatório, temos hoje Rebecca Ray.
Rebecca Ray é pesquisadora associada do Center for Economic Research, em Washington-DC, consultora da Parceria para o Desenvolvimento da Indústria de Alimentos na Nicarágua e do Instituto para Educação e Ação para a Sustentabilidade em Salt Spring Island, Canada. Obrigado por estar conosco.
Rebecca Ray: Obrigada a você.
Paul Jay: Fale-nos, por favor da situação do Equador, crescimento, recessão e as políticas que, na sua opinião, fizeram a diferença.
Rebecca Ray: O que mais chama atenção no caso do Equador é que o país conseguiu sair da recessão em apenas três trimestres, e só precisaram de mais dois trimestres para voltar ao patamar de crescimento de antes. E os números de pobreza e desemprego já são hoje mais baixos do que antes da recessão. De fato, bem abaixo. O desemprego é o mais baixo da história, um recorde.
Paul Jay: Dê-nos alguns exemplos dos números.
Rebecca Ray: O desemprego, por exemplo, depois da crise, estava em 6,4% no segundo trimestre de 2011. A melhoria no índice de pobreza foi ainda maior: é hoje de apenas 6,4%. Caiu 28,6% em 2011. É realmente espantoso, se comparado a outros países que não têm moeda própria, como o Equador, com os países europeus, por exemplo, que estão em situação muito pior, sem saída à vista.
Paul Ray: O Equador usa o dólar norte-americano?
Rebecca Ray: Sim, a economia está dolarizada já há cerca de 12 anos.
Paul Ray: E quando, e como, isso aconteceu?
Rebecca Ray: Há vários aspectos interessantes. Primeiro de tudo, o Equador seguiu várias passos que têm sido severamente criticados em Washington e pelos bancos centrais europeus, por exemplo. Primeiro, envolveram o Estado no mercado das exportações, em vez de privatizar, por exemplo, o sistema de exportação de petróleo, como fizeram outros países. O Equador pôde suportar os tempos difíceis, usando as reservas que o petróleo gera e estavam sob controle do Banco Central e assim o governo pode financiar o programa de estímulo. O Estado envolveu-se na economia e pôde usar aquelas reservas. Assim o país pôde andar em direção a tempos melhores. De fato, muito, muito melhores, mesmo sendo país exportador de commodities, o que é muito difícil, sobretudo se o país não tem moeda própria e não pode administrar a própria moeda nem pode alterar o valor da própria moeda, como faz a China, para tornar mais atraentes as próprias exportações. O Estado, no Equador, está envolvido na economia do setor privado. E pode administrar as reservas do Banco Central. Durante a recessão, o país usou aquelas reservas para voltar aos níveis anteriores à crise. O Estado usou as reservas que tinha para financiar projetos, grandes projetos, domésticos. Com isso fez crescer o mercado doméstico, de modo a depender menos das importações norte-americanas e europeias, que eram os grandes importadores, antes da crise e das quais o país dependia antes.
Paul Jay: Pode dar alguns exemplos desses grandes projetos?
Rebecca Ray: Primeiro, foi um tremendo boom de construção de moradia para famílias de baixa renda, que jamais antes tiveram casas antes e são parte muito significativa da população do Equador, e que receberam financiamento subsidiado para construir. Aí, de fato, foi onde aconteceu tudo. Esse projeto puxou para cima o crescimento nacional. Mas sem criar qualquer tipo de ‘bolha’ imobiliária, como se viu acontecer nos EUA, porque no Equador só os mais pobres tiveram acesso ao crédito subsidiado. Por isso não houve hipotecas podres, subprimes etc.. E, sim, o setor bancário também foi regulado com vistas ao projeto geral dos empréstimos aos mais pobres.
Não houve financiamentos predatórios, nem boatos sobre se os tomadores de financiamentos poderiam continuar a pagar, a lei não permitia que as casas fossem retomadas pelos credores no caso de inadimplência e outras estritas regulações para a tomada de empréstimos subsidiados.
O projeto foi construído explicitamente para oferecer moradia a setores muito carentes. E também provocou crescimento muito rápido na oferta de empregos e empurrou também o setor privado de construções, porque o Estado não constrói, mas pôde ajudar o setor privado de construção.
Além disso, o Estado dobrou os investimentos na educação no país. Em cinco anos, os fundos estatais dirigidos à educação foram multiplicados por dois, dobraram. A educação secundária, em apenas dois anos, cresceu 10 pontos percentuais. Em dois anos, foram de 69% para 80%, entre 2007 e 2009. É crescimento imenso.
Também investiram em seu principal programa de assistência social. Os índices de desenvolvimento humano são quase inacreditáveis, obtidos porque o Estado saiu à procura das famílias necessitadas, para definir quem era realmente elegível para receber os benefícios.
Não é projeto fácil de executar, porque as famílias realmente necessitadas permanecem praticamente fora dos sistemas e das estatísticas, se o índice de moradias é muito baixo.
As famílias têm de ser buscadas e encontradas. De fato, o que se viu ali são soluções inusitadas, mais criativas.
Paul Jay: Vamos voltar ao programa de construções, porque em outros países, inclusive nos EUA, a construção civil é muitas vezes o caminho padrão para introduzir estímulos na economia, mas geram-se distorções, porque os mais pobres ganham empregos na construção, mas não podem comprar nem morar nas casas. Como conseguiram evitar isso no Equador?
Rebbeca Ray: O programa de estímulo, do qual os empréstimos financiados são apenas uma parte, e há muitos casos em que a transferência é feita por bolsas-salário. Houve muito trabalho de planejamento, para chegar a uma distribuição eficiente de empréstimos e bolsas-salário, a situação financeira das famílias foi analisada. Não foi questão simplesmente de “injetar” dinheiro no setor da construção civil, porque é setor que “gera empregos”. Por mais que o setor “gere” empregos, o que sempre acompanha esses picos de geração de empregos são picos subsequentes de falências em massa, porque nenhum setor de construção civil pode ser tratado como se fosse a espinha dorsal de uma economia.
O que se viu no Equador foi o Estado estabelecendo relação mais inteligente com o setor privado da construção civil.
Paul Jay: E como você compara a via pela qual o Equador saiu da recessão e que, como você disse foi muito mais rápida, com outros países latino-americanos. Porque, pelo que sei, poucos países latino-americanos estão em situação muito melhor que seus vizinhos do norte. O crescimento em outros países que não seguiram as mesmas políticas que o Equador. Como se podem comparar essas coisas?
Rebbeca Ray: O aspecto a considerar em todos os casos dessas crises é o quanto e como uma ou outra economia nacional está conectada ao norte global, porque a crise começou por lá. Países que estavam muito profundamente conectados com o norte, e eram muito dependentes do norte global, pelas exportações ou pelo dinheiro que emigrados enviam às famílias no país, entraram na crise numa posição particularmente desvantajosa. O Equador, de fato, estava em situação ainda mais desvantajosa que outros da região, porque ainda usa a moeda norte-americana.
Mas, dentre os países mais altamente dependentes do norte global, pelas exportações ou pela remessa de dinheiro pelos emigrados ou pelas duas vias, a recessão no Equador foi a mais curta.
O Equador foi o país que mais depressa voltou aos patamares de crescimento de antes da crise. Isso aconteceu porque o país deu total atenção ao desenvolvimento do mercado interno, atendendo às carências internas, da própria população, antes de cuidar de manter alguma posição nas ondas internacionais de commodities.
Paul Jay: Que outros países você está considerando, nessa comparação?
Rebbeca Ray: Estou pensando no México, Argentina, Chile, países que são exportadores pesados e também dependem muito da remessa de dinheiro de fora, pelos emigrados. Esses resultados serão publicados em breve pelo NACLA [1]. E a divisão corresponde à divisão com a qual trabalham os pesquisadores do NACLA. No quadro traçado pelo NACLA, o Equador é o país mais bem sucedido nas políticas para arrancar-se da crise, porque ali o Estado construiu um “colchão” de reservas e operou sobre o setor privado, para promover uma saída bem-sucedida da crise.
Paul Jay: É há outros exemplos das políticas do Equador, além de regular bancos e racionalizar o contato com o mercado internacional de commodities? Há outras políticas que tenham contribuído também para o mesmo resultado?
Rebbeca Ray: Há outras, também importantes. Você lembra como estava a inflação em 2008, que gerou altas enormes nos preços dos alimentos.
Nos países em desenvolvimento, os aumentos foram os maiores num longo período de tempo. E o aumento dos alimentos foi o fator que mais pesou sobre a inflação em 2008. Aconteceu em vários países latino-americanos. E vários países latino-americanos, ante o aumento da inflação, imediatamente subiram as taxas dos juros, porque é o que ensinam os manuais: se a inflação sobe, é indispensável aumentar a taxa de juros, em tempos de alta internacionalização. Mas nesse caso, porque se tratava de inflação “importada”, que crescia no mercado internacional de alimentos, o aumento das taxas de juros não bastaria para controlar os preços internos dos alimentos e só geraria recessão mais rápida e mais profunda. E foi o que se viu acontecer em vários países.
O México, por exemplo, aumentou a taxa de juros em 2008, ante os aumentos na inflação. E a recessão veio.
O aumento nos juros não foi benéfico. Depois baixaram a taxa de juros, e continuaram a baixá-la ao longo de 2008 e 2009, porque reconheceram que não estava funcionando para controlar a inflação e não controlaria.
Paul Jay: E o que fez o Equador? A Venezuela adotou soluções semelhantes, de investir os lucros do petróleo em programas e investimentos sociais, mas enfrentaram problemas terríveis de inflação. Qual a situação no Equador?
Rebbeca Ray: A situação é diferente, porque a economia do Equador é dolarizada e, portanto, não tem vários dos problemas de inflação que a Venezuela está tendo. Comparar os dois casos é mais ou menos como comparar laranjas e maçãs. O Equador está protegido de vários problemas de inflação em vários itens que importa. Essa é uma das razões pelas quais pode seguir o projeto de manter baixas as taxas de juro.
O que se vê na Europa, por exemplo, é a esperança de ver os juros reagirem exclusivamente à inflação mantida baixa, ignorando a queda nas taxas de crescimento e emprego.
Os resultados muito problemáticos dessa esperança estão lá, à vista de todos.
Dito de outro modo: o Equador pôde ter a “liberdade” de manter baixos os juros (porque a economia é dolarizada), sem que atraísse, simultaneamente, os efeitos danosos desse movimento, que se veem na Europa. Porque a Europa, para manter baixos os juros em euros de que todos precisam, teve de sacrificar o emprego e o crescimento.
A Venezuela, para não sacrificar o emprego e o crescimento, não tem meios para manter baixa a inflação. Por isso a inflação sobe na Venezuela, mas não o desemprego nem o crescimento.
Paul Jay: O que o Equador está fazendo para diversificar a economia? Porque, não se pode adivinhar, mas, se houver mais quedas no mercado das commodities, e se o preço do petróleo cair... É preciso ter mais, para exportar. Não se pode contar só com recursos da venda de petróleo, para pagar pelos programas sociais. O que é que o Equador está fazendo nessa direção?
Rebbeca Ray: Você tem toda a razão. É muito importante diversificar. Mas infelizmente não é fácil, quando um país não manda na própria moeda, porque o controle da moeda é excelente caminho para diversificar.
A China é o grande exemplo de país que controla a moeda, para tornar mais competitivos os próprios produtos, em outros mercados. Mas o que o Equador pode fazer e já começou a fazer é diversificar os mercados importadores [ininteligível], exportar para mais países.
O Equador exportava para os EUA mais da metade do que produzia, em 2006. Em 2010, já era um terço. Quando é difícil diversificar os produtos exportados, podem-se diversificar os compradores.
Esse procedimento, permite estimular, do lado da oferta, os produtos a exportar, com programas de treinamento, subsídios, programas de assistência, há vários meios. Mas diversificar, sim, é algo que o Equador têm de fazer e já está fazendo.
Paul Jay: Temos ouvido, na Grécia e em outros países, clamores para que deixem o euro e voltem à velha moeda, recuperando o controle soberano sobre a própria economia. O que pensa o Equador sobre isso, sobre permanecer ou não na zona do dólar norte-americano?
Rebbeca Ray: O Equador, que se saiba, não tem planos para deixar o dólar nos próximos tempos. A principal razão é que, não importa o que se faça para implantar medida tão dramática, sempre é um choque imenso na economia.
Mesmo que venha a ter consequências positivas no longo prazo, é enorme choque no curto prazo. Por isso, essa é medida que só se considera se se está obrigado a considerá-la.
Veja a situação em que estão a Espanha e a Grécia. Em situação mais normal, pode-se até desistir da estabilidade econômica, se houver qualquer mínima chance de crescimento.
Na Grécia, na Espanha, já não há estabilidade econômica hoje. Portanto, não estariam trocando a independência monetária por estabilidade. O Equador, por sua vez, sim, tem estabilidade econômica e altas taxas de crescimento, quer dizer, não há necessidade alguma de produzir um choque tão gigantesco na economia. Essa talvez tenha sido a razão pela qual o presidente Correa tem dito e repetido que separar-se da moeda norte-americana não interessa ao Equador nessa momento.
Paul Jay: Quais são as fraquezas da política econômica no Equador? Outra pergunta, dentro dessa, seria: o que está acontecendo com os salários. Pode-se falar muito de estímulos aos crescimento, mas... e os salários?
Rebbeca Ray: Os salários estão altos, acima da inflação já há bastante tempo, o que é bom. As pessoas estão com perspectivas, olhando à frente.
Sobre fraquezas, pode-se falar do risco de voltar tudo ao ponto em que o país estava antes, as dificuldades para diversificar a economia e exportar outros produtos, para sair da economia dependente do petróleo.
Claro que os estímulos baseados na construção é coisa de curto prazo. E foram previstos como medida de curto prazo, uma tática que o país adota para o curto prazo. Tudo que possa ser feito para diversificar a economia cada vez mais, ajudar outros ramos da indústria, são todas, medidas que seriam muito bem-vindas.
Paul Jay: Obrigado pela entrevista.
*GilsonSampaio
Israel ha matado a tiros a un niño palestino cada tres días desde el año 2000
Via Granma
Coincidiendo
con el Día Internacional del Niño que se celebró el 1ro. de junio, las
cifras publicadas por el Ministerio palestino de Información muestran
que los israelíes han matado a tiros a 1 456 niños palestinos desde que
empezó la Intifada de al Aqsa a finales del 2000, como promedio uno cada
tres días en estos casi once años.
El
ministerio señaló que en los territorios palestinos ocupados todos los
niños siguen estando sometidos a los constantes ataques y abusos por
parte tanto de las fuerzas de ocupación israelíes como de los ilegales
colonos. Israel ha detenido a decenas de niños en el marco de una
campaña de acoso en la ocupada Cisjordania.
El 52 % de la
población palestina son niños. Además de los casi 1 500 niños asesinados
desde el 2000, unos 5 000 niños han resultado heridos y 215 están
encarcelados en prisiones israelíes. Desde principios del 2012 han sido
detenidos 175 niños palestinos.
En el 2010 las fuerzas de
ocupación israelíes detuvieron a unos 1 000 niños palestinos de edades
comprendidas entre los 15 y 17 años, 500 de los cuales en el ocupado
Jerusalén. La mayoría de los cargos tienen que ver con "arrojar piedras"
a los coches de los ilegales colonos.
Los datos del ministerio
también revelan que 65 mil palestinos de edades comprendidas entre los 5
y 14 hacen algún tipo de trabajo, remunerado o no, en Cisjordania y
Gaza. (Middle East Monitor)
*GilsonSampaio
O mundo não é preto e branco, e sim colorido. Vamos falar de sexo?
do Sakamoto
Na
época da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo sempre aumenta a minha
percepção do quanto nós somos desinformados sobre a nossa própria
sexualidade. E terreno sem informação é fértil para o brotar o
preconceito e a discriminação, principalmente entre aqueles que acham
que a vida é um preto e branco maniqueísta, homem e mulher, macho e
fêmea e o resto é doença. Ignoram que há outras cores no meio do caminho
que, por sua vez, podem ser tão específicas que apresentem tonalidades
únicas e individuais. Sim, na prática, cada um tem sua própria cor.
Assustador e maravilhoso isso, não?
Por isso, pedi para Claudio Picazio,
psicólogo especialista em sexualidade, um texto que fosse didático para
ajudar aos leitores deste blog a entenderem a questão. Ele não encerra o
tema, claro. Muito pelo contrário, é um bom ponto de partida.
Para
entendermos a sexualidade e por uma questão didática, vamos analisá-la
sobre quatro aspectos diferentes e interligados: Sexo Biológico,
Identidade Sexual, Papeis Sexuais e Orientação Sexual do Desejo. Repito
essa divisão é didática, pois todos os aspectos se entremeiam, formando
dentro de nós aquilo que chamamos identidade de gênero.
Sexo Biológico:
Biologicamente falando quantos sexos existem? Dois, masculino ou
feminino. Quando nascemos pelas características que nosso corpo possui,
somos registrados como macho ou fêmea. Essa afirmação parece simplista e
óbvia, mas não é bem assim, quando falamos de sexo masculino ou
feminino estamos nos referindo às características dos órgãos sexuais e a
predominância que este tem no nosso corpo.
Muitas
pessoas nos anos 70, por uma questão de distinção ou até modismo,
começou a chamar a homossexualidade de terceiro sexo. Isto não é
verdade, só confundiu. Biologicamente falando, homens hetero, bi e
homossexuais não têm a menor diferença, assim como as mulheres hetero,
bi e homossexuais. Portanto, quando uma pessoa fala popularmente que um
gay não é homem, esta incorreto, o gay é tão homem quanto qualquer
outro, a única variação é por quem o seu desejo sexual se orienta. Há
exceções, é claro. Por exemplo, uma pessoa hermafrodita nasce com uma
dupla formação de características dos seus órgãos sexuais masculinos e
femininos.
Identidade Sexual:
Vamos definir como sendo o aspecto de onde guardamos a nossa certeza do
que somos. Quando nascemos, somos registrados como menino ou menina. A
partir daí somos tratados como tal e incoporamos a sensação de
pertencemos a um gênero. Acreditamos que somos menina ou menino: a forma
de como somos tratados é tão importante como o nosso sexo biológico
para a formação da nossa identidade sexual. Mas a nossa identidade
sexual não depende tanto do nosso corpo para se manter. Ele é importante
para seu desenvolvimento, mas a sensação de quem somos é muito maior, e
muito mais profunda do que o nosso corpo pode dizer.
Papeis Sexuais: Vamos
entender como papeis sexuais, todos os comportamentos definidos como
maneirismos, atitudes e expressões daquilo que chamamos de masculino e
feminino. Papeis sexuais são variados de cultura para cultura de
sociedade para sociedade e estão em constante transformação. Aquilo que
era considerado há 20 anos como exclusivamente ao papel feminino, hoje
também pode ser considerado do masculino. As mudanças sociais e
econômicas, o movimento feminista permitiu uma flexibilidade e mudança
das posturas rígidas de ser masculino ou feminino. Um exemplo: o uso de
brincos por homens.
Ainda temos muito enraizado
em nós os papeis sexuais e a analise que fazemos destes para julgar o
outro. Uma mulher que não se identifique muito com os papeis femininos
típicos, tenderá a ser “diagnosticada” pelos outros como lésbica. Mas
papeis sexuais não determinam desejo erótico e sim ações e atitudes que
incorporamos. Um garoto que não goste de futebol e de nenhum esporte
violento, será interpretado como “mulherzinha, gay”. Pensando nesse
exemplo, estamos dizendo que um homem heterossexual de verdade tem que
ser violento assim como uma mulher heterossexual de verdade tem que ser
passiva e meiga. Já estamos estabelecendo uma divisão entre os gêneros
complicada, porque incentivamos um comportamento na criança que mais
tarde brigaremos muito para retirar. Na verdade encontramos homens
heterossexuais e gays violentos, assim como encontramos homens
heterossexuais e homossexuais que não são violentos e nem se adaptam a
essa postura.
Orientação Sexual do Desejo:
Muita gente utiliza “opção sexual”, o que não é nada correto quando
falamos da sexualidade. Quando falo em “opção” estamos falando em
escolha e para ser considerada uma escolha teríamos que ter duas ou mais
coisas de igual significado ou valor para quem escolhe. Se desejo
erótico fosse opção teríamos que sentir desejos tanto por homens quanto
por mulheres da mesma forma. Isso não acontece por ninguém. Nenhum de
nós parou um certo dia, para pensar quem desejaria. Acredito que muitos
gostariam que assim o fosse, por que isso o permitiria flexibilizar,
variar, e não sofrer julgamentos e preconceitos tão doídos de serem
combatidos. Dizemos Orientação Sexual do Desejo pois nosso desejo se
orienta para um determinado objeto amoroso. Não optamos e sim percebemos
o nosso desejo erótico, descobrimos algo que já parece instalado em
nós.
O desejo erótico não é influenciável como
se imagina ser. Se o fosse não existiram gays e lésbicas. A nossa
sociedade é heteronormativa. Tudo que existe nela é feito pensando na
heterossexualidade. Pais e mães educam seus filhos para a
heterossexualidade. O preconceito social, a homofobia e as religiões
ainda são muitos fortes na sua postura contra a homossexualidade. E
mesmo com tudo isso os homossexuais não se influenciam pela
heterossexualidade.
“Desejo sexual” é parte
fundamental da orientação afetivo sexual, ao passo que uma “atitude
sexual” pode existir interdependentemente da orientação do desejo. Por
exemplo, na época da Segunda Grande Guerra muitas mulheres tinham
relações sexuais entre si, assim como muitos homens, no campo de
batalha. Estas mulheres sentiam falta de seus companheiros, a orientação
de seu desejo era claramente voltada para homens, mas relacionavam-se
sexualmente com outras mulheres. As mulheres motivadas por um desejo de
descarregar a sua energia sexual. Com a volta de seus companheiros, essa
atitude automaticamente deixava de existir.
Em
muitos casos, homossexuais que não querem viver a sua orientação, vão à
procura de igrejas, e/ou profissionais que estimulam atitude sexual
desses homossexuais. Esses gays tentam viver anulando o seu desejo
erótico e tendo somente atitudes sexuais heterossexuais. A dor psíquica é
muito grande.
Muitos meninos têm uma relação
que se chama “troca-troca” que está longe de ser considerada
homossexualidade. Um dos motivos é porque para a maioria o objeto
desejado internamente é uma pessoa do outro sexo. O que há é um
exercício de sexualidade, um descarrego de energia que está vibrando nos
corpos com toda a sua força e é vivido com um(a) colega. Em suma, todo
ser humano pode ter uma atitude sexual com qualquer dos sexos, mas seu
desejo interno, a libido, é o determinante de uma conduta homo, hetero
ou bissexual.
O que seria então a
bissexualidade? A bissexualidade não é termos uma atitude sexual por uma
pessoa e um desejo erótico por outra. A bissexualidade é um fenômeno
que algumas pessoas têm de desejar afetiva e sexualmente tanto homens
como mulheres. Não podemos falar que um bissexual optou por homens ou
por mulheres. Não escolhemos, conscientemente, por quem nos apaixonamos,
assim como não escolhemos por que vamos desejar eroticamente.
Concluindo:
podemos dizer que o desejo erótico, ou ele é homo, por uma pessoa do
mesmo sexo que o nosso, hetero por uma pessoa do sexo diferente do
nosso, ou bissexual que é o desejo erótico pela pessoa do mesmo sexo ou
do sexo oposto.
E a Travestilidade e a
Transexualidade, como se comportam? Uma pessoa hetero ou homossexual tem
a sua identidade sexual correspondente ao seu sexo biológico. Uma
travesti tem a sua identidade dupla, ou seja, ela se sente homem e
mulher ao mesmo tempo. O leitor deve se lembrar quando falamos de
identidade sexual? A sensação de pertencimento à identidade sexual
feminina e masculina da travesti é o que lhe garante mais do que o
desejo, a necessidade de adequar o seu corpo aos dois sexos que sente
pertencer.
A Travestilidade também não é opção,
muitas pessoas crêem erroneamente que a travesti é um gay muito
afeminado que resolveu virar mulher. Além de simplista esta afirmação
esta recheada de equívocos. Uma travesti diferente do gay tem uma
identidade dupla: masculina e feminina. Uma travesti pode ter papeis
sexuais tanto masculino como feminino, pois como já dissemos
anteriormente esse é um processo de identificação com valores e costumes
da sociedade. Quanto ao desejo erótico, uma travesti pode ser homo,
hetero, ou bissexual.
A maioria delas se
intitula homossexuais, mas não é bem assim. Quase a unanimidade dessas
travestis sente-se mulher. Na grande maioria do tempo, elas não desejam
eroticamente o seu amigo gay, elas desejam um homem típico
heterossexual. Portanto se uma pessoa se identifica, sente-se mulher e
sente atração por um homem, o seu desejo é heterossexual. Portanto a
maioria das travestis tem o desejo heterossexual. Uma relação
homossexual de uma travesti seria com uma outra travesti.
A
Transexualidade, caracteriza se pela identidade sexual ser oposta ao
sexo biológico é como se a sua “alma” fosse do sexo oposto do que o seu
corpo a condena. A necessidade de correção do corpo para a identidade
sentida se faz urgente. Muitos Transexuais se mutilam para poder fazer a
cirurgia de adaptação genital. A força da identidade sexual é a tônica
na construção da nossa identidade de gênero. Uma transexual também pode
ser homo, hetero ou bissexual.
Para quiser
se aprofundar, sugiro o livro “Uma outra verdade – Perguntas e respostas
para pais e educadores sobre homossexualidade na adolescência”, de
Claudio Picazio pela Editora Summus. A leitura é fundamental. Talvez com
informação possamos inverter uma lógica perversa. Quando alguns pais
“descobrem” que o filho é gay ou a filha lésbica, recebem suporte
emocional de parentes e amigos. Mas deixam sozinhos seus filhos, que têm
que passar sozinhos pela fase de sua própria descoberta. Isso é justo?
*GilsonSampaio
quinta-feira, junho 07, 2012
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