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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, abril 22, 2010



Datafolha “explica” e se complica
quarta-feira, 21 abril, 2010 às 1:44

O diretor do Datafolha, Marcos Paulino, tentou explicar, hoje, ao Terra Magazine, a desproporção regional das entrevistas que vários blogs – e o tijolaco.com – apontaram na pesquisa de março, aquela em que Serra “abriu” vantagem para Dilma.

-”Sempre que nós colhemos as amostras para ter um resultado também por Estado, há aumento no número de entrevistas”, afirmou. “Mas isso não significa que o resultado final não seja ponderado para que represente cada Estado”.

Então a explicação é essa? Falta, então, explicar:

1- Se o Datafolha registrou resultados por Estado, porque não os divulgou? São para consumo interno seu ou para o de alguma candidatura?
2- Porque não resistrou no TSE que estava fazendo uma pesquisa estadual?
3- Ponderação do resultado final? Amostra da amostra? Quando, numa pesquisa, você tem uma pequena discrepância no número de entrevistas, até vá lá, embora não seja o método correto quando você tem todo o tempo que quiser para pesquisar o número de questionários desejado. E a Folha não explicou nem aos leitores, como a Datafolha não registrou no TSE que as amostras regionais sofreriam esta “extrapolação”.

Onde está o Ministério Público Eleitoral? Há uma fraude confessada. A abrangência da pesquisa, segundo o registro no TSE, é nacional, não estadual. Onde estão os dados estaduais, que jamais foram publicados?

Se havia um dupla abrangência – estado ou estados – porque a pesquisa foi registrada no TSE apenas como de abrangência regional? A lei é só uma brincadeirinha?

Este escândalo não vai ter repercussão na mídia. Há um silêncio completo nos grandes jornais.

Depende de nós, da nossa mobilização evitar uma fraude contra o processo de formação de consciência do povo brasileiro.

Vocês acham que a Justiça Eleitoral ia tirar do ar o clipe pró-Serra da Globo. Foi mais fácil ela própria tirar, com a nossa pressão, que algum juiz ver o óbvio e tomar as providências. O PT não vai à Justiça com medo de parecer perdedor. O PSDB, por 1%, disso foi, contra a Sensus.

Estamos diante de um caso confesso de, no mínimo, irregularidades numa pesquisa. Vamos ficar parados?

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