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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, abril 22, 2010





O ministro do STF Gilmar Mendes atacou os blogs em entrevista no You Tube. No fim da entrevista, Gilmar Mendes diz que os blogs trazem desinformação, que não deveriam nem se chamar blogs , seriam "casas de aluguel". O ministro Gilmar Mendes diz que os leitores dos blogs são vítimas dos blogueiros, e que as informações corretas estão sempre nos jornais de grande circulação, na grande mídia. Devagar com o andor ministro Gilmar Mendes, pois tudo que causou indignação da população foi amplamente divulgado pela grande mídia. Nós, blogueiros, não inventamos o habeas corpus do Daniel Dantas, não inventamos o seu desentendimento com o juiz Fausto de Sanctis, não inventamos suas declarações desastrosas publicadas na grande mídia. Não foram os blogs que inventaram um suposto grampo que nunca apareceu, com a pretensa “gravação” divulgada pela Veja (só podia). O povo saiu nas ruas para protestar contra os seus habeas corpus ao Daniel Dantas em todo Brasil, os blogueiros não inventaram isso. Até a grande mídia lhe dedicou críticas em seus editoriais, não foi invenção dos blogs. Não foi invenção dos blogs o que disse o ministro Joaquim Barbosa sobre as suas atitudes e declarações: “Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro”. Quem diria, o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, vendo-se obrigado ao ataque pessoal ao presidente do STF, Gilmar Mendes, em plena sessão da Corte! Interessante mesmo é que o Gilmar Mendes chama os blogs independentes de "casa de aluguel": será que poderia mostrar as provas de que somos pagos? Por quem somos pagos? Ele acusa, deveria saber, deveria provar o que diz. Mas como chamar a instituição da qual fazem parte juízes que vendem sentenças para criminosos, bandidos, traficantes, políticos? Há vários juízes afastados, outros presos por comprovadamente vender sentenças, por corrupção. Talvez "casa de tolerância"? Ou “covil”? Não fomos nós, blogueiros, que inventamos isso, está nos autos dos processos que a grande mídia já divulgou sobre a corrupção do Judiciário. Por essas e outras, como diz o ministro Joaquim Barbosa, "vossa excelência está mídia destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro”. E eu acrescento: vossa excelência, desde do seu primeiro dia como presidente do STF, disse a que veio, e quem servia. Vossa excelência foi plantada no STF por FHC para atrasar o governo Lula, atrapalhar o presidente Lula. Vossa excelência serve com muita galhardia e devoção à oposição feroz e virulenta que empesteia este país.
Jussara Seixas
Desabafo!!!

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