- Querem manter privilégios e monopólios
A defesa que Carta Magna e do controle... A defesa da Carta Magna e do controle nacional das empresas que produzem conteúdo na internet a pretexto de obediência ao artigo 22 da Constituição Federal não passa de uma cortina de fumaça para defender o monopólio estatal e o controle político da mídia por algumas famílias e grupos econômicos no Brasil com aberta opção partidária e ideológica.
Não enganam ninguém com isso. Falam em nome da defesa da cultura nacional, mas são contra as cotas e os fundos para promover, proteger e regular a produção de conteúdo brasileiro. Atrasam, assim, a convergência de mídia e a chegada da TV no celular e da internet na TV. Estão abertamente violando a lei da concorrência e buscam o controle absoluto da convergência da mídia e de seu conteúdo. São uma ameaça - a verdadeira ameaça à liberdade de imprensa e na internet.
Defenderam e apoiaram abertamente as privatizações e a desnacionalização dos setores de infraestrutura da economia brasileira e são porta-vozes do capital estrangeiro. O que fazem é defender agora, com unhas e dentes seus privilégios de reserva de mercado e monopólio usando os próprios meios de comunicação que controlam para ameaçar e chantagear parlamentares e concorrentes.
A indústria cultural e de entretenimento, o turismo e o lazer vão explodir no Brasil. Precisam e reclamam urgentemente uma regulação e uma democratização do mercado. Nada justifica a não aprovação de uma legislação que proteja a cultura nacional e promova a produção independente, a defesa da livre concorrência e da cultura nacionais. Fora disso o que temos é pura reserva de mercado e monopólio com fins e objetivos políticos.
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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

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