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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Presidenta reitera cooperação com o Haiti e anuncia redução do contingente na força de paz

Ao lado do presidente Michel Martelly, a presidenta Dilma Rousseff participa de declaração à imprensa na primeira visita oficial ao Haiti.
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff reiterou hoje (1), em Porto Príncipe, a disposição do governo brasileiro de garantir o acesso, em condições de segurança, dos haitianos que escolham viver no Brasil. E ressaltou que a cooperação com o Haiti para elevar as condições de vida da população será mantida. O governo brasileiro, segundo ela, fará esforços pela segurança alimentar da população haitiana e apoiará a criação de um programa habitacional.
“Reiterei que continuaremos cooperando com vistas a criar para os haitianos condições de vida melhores no próprio Haiti. Deixei claro, no entanto, que, como é da natureza dos brasileiros, estamos abertos a receber os cidadão haitianos. Assinalei também que, nesse processo, devemos combater as redes criminosas de intermediários, os chamados coiotes, que se aproveitam da vulnerabilidade de trabalhadores e suas famílias”, disse.



Ao lado do presidente do Haiti, Michel Martelly, a presidenta Dilma lembrou que o governo brasileiro criou uma categoria de visto permanente exclusiva para haitianos cuja concessão não depende de demonstração de vínculo empregatício no Brasil por um prazo de cinco anos. Segundo ela, 1,2 mil famílias haitianos podem receber esse visto. As que já estão no Brasil serão legalizadas.
“O espírito que preside as relações Brasil e Haiti é de respeito à soberania haitiana, de cooperação com o desenvolvimento do Haiti, de amizade fraterna, com abertura ao diálogo e ao respeito mútuo. Tenho certeza que o Brasil e o Haiti demonstração sua capacidade de construir uma parceria em que os dois povos poderão se orgulhar.”
A presidenta anunciou ainda a redução do contingente de militares brasileiros que participam da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). Segundo ela, 1,9 mil brasileiros continuarão na força de paz das Nações Unidas.
“Reafirmo o compromisso do Brasil com a continuidade da missão de paz de cooperação para o desenvolvimento do país e de amizade entre os nossos povos. Como sabemos, está em andamento um processo de redução do contingente brasileiro na Minustah em conformidade com a decisão tomada no âmbito da ONU que reflete a nova atitude de segurança e estabilidade do Haiti”, explicou a presidenta.
Ela rendeu ainda homenagem aos soldados e diplomatas mortos no terremoto de 2010.
*Blog do Saraiva

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