«A promoção de
lançamento de uma loja de discount na localidade fronteiriça de
Süderlügum (norte da Alemanha), mobilizou dezenas de alemães e
dinamarqueses prontos a despirem-se para conseguirem encher os carrinhos
de compras com o que estava prometido aos primeiros clientes do
supermercado.» [Diário Digital]
*Jumento
Páginas
Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
terça-feira, junho 19, 2012
Com seios de fora, mulheres fazem manifestação na Rio +20
COM BANDEIRAS E CARTAZES, ELAS CRITICAVAM O MODELO DE ECONOMIA VERDE DEFENDIDO NA CONFERÊNCIA
Agência Brasil - A Marcha Mundial das
Mulheres no Brasil promoveu hoje
(18) uma manifestação no Largo da Carioca, no centro da capital
Fluminense. O ato começou com uma caminhada pelas principais vias da
região central da cidade, começando no Sambódromo, passando pela Avenida
Presidente Vargas, provocando um engarrafamento de 8 quilômetros,
segundo a Companhia de Tráfego do Rio (Cet-Rio).
Após a manifestação no Largo da
Carioca, elas seguiram para o Parque do Flamengo, onde está sendo
realizado a Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência das Nações
Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Com bandeiras e
cartazes, as mulheres criticavam o modelo de economia verde defendido na
conferência.
"Nós temos que mudar esse modelo,
porque o capitalismo é baseado justamente no lucro, e esse mecanismo
vai explorar cada vez mais a natureza e o trabalho de homens e
mulheres", disse Nalu Faria, coordenadora da Marcha Mundial das Mulheres
no Brasil.
No Largo da Carioca, as mulheres
promoverem debates e atividades culturais referentes aos temas
discutidos na Rio+20. O Batalhão de Choque da Polícia Militar, a Guarda
Municipal e agentes da Cet-Rio acompanharam a caminhada, mas nenhum
incidente foi registrado.
Pinheirinho: Representação ao CNJ pede punição a membros do Judiciário
por Conceição Lemes
Juristas e representantes de entidades de defesa dos direitos humanos
têm audiência nesta terça-feira 19, às 11h, com a ministra Eliana
Calmon, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em Brasília.
É para entregar à corregedora nacional de Justiça representação contra estas quatro autoridades do Judiciário paulista:
Ivan Sartori, presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo
Rodrigo Capez, juiz assessor da presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo
Marcia Faria Mathey Loureiro, juíza da 6ª Vara Cível de São José dos Campos
Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, juiz da 18ª Vara Cível do Fórum Central João Mendes Júnior
A representação visa à apuração das responsabilidades disciplinares deles na desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos.
Assinam a representação:
Fábio Konder Comparato, professor titular da Faculdade de Direito da USP
Dalmo Dallari, professor titular da Faculdade de Direito da USP
Celso Antonio Bandeira de Mello, professor titular de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
Cezar Britto, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Federal)
CSP Conlutas
Associação de Moradores do Pinheirinho
Terra de Direitos
Associação Democrática por Moradia e Direitos Sociais
Leia também:
http://www.viomundo.com.br/denuncias/pinheirinho-representacao-ao-cnj-pede-punicao-a-membros-do-judiciario.html
Juiz que mandou prender Carlinhos Cachoeira é afastado do caso
Agência Estado
Redação Folha
Vitória
· Brasília - O juiz federal Paulo Augusto
Moreira Lima, que estava a frente das investigações contra o contraventor
Carlinhos Cachoeira, foi afastado do caso. A troca de comando, às vésperas do
recesso do Judiciário em julho e no curso da investigação, pode atrasar o
andamento do processo e retardar o julgamento do caso.
Lima foi o magistrado que determinou a prisão de Cachoeira e autorizou a
Polícia Federal a grampear os telefones de pessoas suspeitas de integrar o
esquema de exploração ilegal de jogos montado pelo contraventor. Escutas que
foram colocadas em dúvida pelos advogados de Cachoeira, mas que foram consideradas
legais nesta segunda pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região
por dois votos a um.
O magistrado estava na 11ª Vara Federal em Goiás e foi remanejado para a 12ª
Vara. De acordo com a assessoria do tribunal, Lima é juiz substituto, o que
permite seu remanejamento caso seja necessário preencher outros postos.
Conforme o tribunal, como magistrados sairão de férias, foi necessário
remanejá-lo. O juiz que assumir o caso terá de se inteirar de todo o processo -
que já conta com 53 volumes - antes de dar seguimento ou tomar qualquer
decisão.
*Ajusticeiradeesquerda
kkkkkkkkk
Estou vendo muita gente que sempre votou no Serra, FHC, Kassab e no
próprio Maluf dizer agora que nunca mais votará no Lula por causa das
alianças do PT.
Brics concordam em criar fundo comum de reservas internacionais
Ele disse que os Brics concordaram em criar de um fundo comum de reservas internacionais e acenaram com a possibilidade de assinatura de acordo de swap (troca de moedas) entre os países do grupo.
“Os Brics estão fortalecendo sua
estrutura financeira. Esse fundo é algo importante para a confiança. Nos
vamos criar uma solidariedade financeira entre nós, portanto, seremos
ainda mais seguros e mais fortes do que já somos”, disse o ministro.
*osamigosdopresdientelula
Os idealistas trabalham de graça
Quando eu tinha meus 20 anos e era chefe de reportagem do "Jornal de
Jundiaí", certa vez fiquei pelo menos umas três horas trancado na sala
do dono da empresa, tentando arrancar dele um aumento para alguns
companheiros de redação, ainda mais novos que eu.
Naquele tempo ainda acreditava que o jornalismo era mais que um simples
trabalho, era um ofício com poder transformador - como muitos,
sinceramente achava que as palavras tinham força.
Não me lembro bem do fim da nossa conversa, acho que não consegui nada
para os meus colegas, mas me recordo exatamente de uma frase dita pelo
tal patrão, com certeza o pior de todos que já conheci. A frase, porém,
tal o seu grau de cinismo, era muito boa:
- Adoro os idealistas, pois eles trabalham por pouco, não preciso pagar quase nada para eles.
E assim passei grande parte de minha vida vendo os idealistas morrerem
paupérrimos por seus ideais e os maus patrões ficarem cada vez mais
ricos.
Ou então assistindo os idealistas entrarem em batalhas de mãos limpas,
desarmados, cheios de boas intenções, os corações puros e as mentes em
êxtase - e serem trucidados com a facilidade com que a gente esmaga os
insetos.
Lula foi um idealista. Como idealista perdeu a eleição em 1982 para o
governo do Estado, concorreu à presidência e foi derrotado em 1989,
perdeu novamente em 1994 e mais uma vez em 1998.
Lula perdeu todas as eleições majoritárias que disputou enquanto foi um
idealista e subia nos palanques tendo como companhia apenas a sua fúria
de idealista.
E enquanto vociferava slogans revolucionários de idealista o país afundava.
Um belo dia, Lula resolveu que se quisesse ser um vencedor não bastava ser um idealista.
Entendeu que sozinho o PT não iria nunca ser vitorioso, que precisava
fazer alianças com gente de fora para ter alguma chance eleitoral.
Compreendeu que só os idiotas ou suicidas entram numa guerra desarmados.
A partir daí, a história do Brasil mudou, queiram ou não seus inimigos de variados matizes ideológicos.
A sua foto com Maluf, celebrando o apoio do PP à candidatura de Fernando
Haddad, sei bem, chocou os idealistas. Não vou perder tempo tentando
convencê-los de nada: cada um pensa o que quiser, julga os outros como
bem entender, vota em quem achar que merece o seu voto, ou simplesmente o
anula.
Como já estou numa idade que me impede de buscar o ouro no fim do
arco-íris ou de me aprofundar em discussões sobre o sexo dos anjos,
achei que a foto de Lula com Maluf é apenas parte de um jogo muito
difícil de ser jogado e entendido por quem não é do ramo, mas que se
resume no seguinte: é melhor ganhar um aliado que um inimigo, é melhor
somar que dividir, é melhor ter mais tempo de propaganda que o
adversário, é melhor se mostrar flexível que intransigente, é melhor ser
inteligente que estúpido.
Penso assim: cada idealista com o seu ideal.
O meu, nesta eleição municipal, é o mais singelo do mundo: derrotar José
Serra. Se for sem Maluf, melhor, se tiver de ser com ele, tudo bem; se
for com Erundina, ótimo, se ela quiser pular do barco e levar junto o
seu idealismo, problema dela, que vá ser feliz em outra freguesia.
No Crônicas do Motta*comtextolivre
Prag(a)matismo exacerbado
Na política as escolhas não tem lógica, nem coerência e muito menos
ideologia. O Merval Pereira, por exemplo, escolheu ficar ao lado do
patrão, aquele que escreveu editorial saudando a chegada da ditadura.
Isto não o incomoda. Roberto Marinho & famiglia continuam escrevendo
editoriais anti-democráticos. E Merval continua sendo um arlequim de
dois patrões. É o mesmo Merval que não recusou o voto de José Sarney
para chegar a Academia Brasileira de Letras. Assim como a famiglia
Marinho viu na ditadura uma forma de crescer, Merval viu em Sarney uma
chance de chegar à ABL. Uma biograia bonsai de Merval foi escrita por
seu ex-colega, Paulo Nogueira: Merval, o Imortal.
Agora vamos às razões que levaram Haddad em oPTar pelo apoio do PP de
Paulo Maluf. São muitas e todas, pragmaticamente falando, de ordem
política.
1) o paulistano gosta de corrupto, não é por outra razão que votavam em
Ademar de Barros, Quércia, Paulo Maluf, Celso Pitta, José Serra, FHC,
Kassab & Alchmin;
2) os grupos de mídia concentrados em São Paulo são altamente
conservadores e adora corruptos. Apoiaram a ditadura, como o Grupo
Folha, emprestando carros àquela que ousa, inclusive, chamar de
ditabranda. O Estadão não via nenhum problema em ter Pimenta Neves como
chefe de Redação até o momento em que assassinou Sandra Gomide. O Grupo
Abril, que edita a VEJA, não tem nenhum problema, antes pelo contrário,
de manter relações carnais com Carlinhos Cachoeira…
3) o povo continua tv dependente. Acredita em tudo o que a tv vende. Não
é por outro motivo que continuam acreditando nas papagaiadas da Rede
Globo e suas filiadas, incluindo a RBS. Com os 95 segundos do PP o
marqueteiro do PT pretende virar o jogo. O PP de São Paulo é o mesmo PP
que fez aliança com Manuela D’Ávila em Porto Alegre. Ninguém criticou a
empregada da RBS, Ana Amélia Lemos, quando esta defendia o PP de seu
padrinho, Pratini de Moraes, durante os programas ditos jornalísticos da
RBS. Nem agora quando ela e seu PP se aliam ao PCdoB para a prefeitura
de Porto Alegre. Aliás, o PP já é aliado do Governo Federal.
4) Se temos um eleitorado conservador, um grupo de mídia conservador, um
mega corrupto do outro lado, sempre inocentado pela justiça,
concorrendo com o apoio de todos estes, o que fazer? Bem o PT optou por
ganhar um pouco mais de tempo de mídia e o apoio do eleitorado que
sempre elegeu Maluf. Serra, que criticou o PR quando este estava no
Governo Dilma, fez aliança com eles. Claro. Serra concorre com o PT, não
com o PR…
5) Se toda direita e os grupos de mafiomidiáticos está contra a aliança
com o PP do Maluf é porque isso os incomoda. Ninguém diria nada se a
aliança fosse com José Serra, não é mesmo.
6) o poder judiciário, que sempre inocentou Maluf, de alguma forma
avaliza a união. Como diria o pragmatismo rastaquera do Lula, alianças
se faz com a oposição que está fora da cadeia, não com a situação. A
VEJA fez aliança com Carlinhos Cachoeira enquanto estava solto. Agora
que está na prisão, quer se afastar. Nenhum membro do PIG criticou a
aliança de Roberto Civita com Carlinhos Cachoeira.
7) Maluf cunhou o verbo malufar e o PT resolveu malufar na frente das
crianças, em horário nobre. O resultado disso poderá ser mortal para o
PT. Se der certo, será mais um troféu do Lula.
8) se a Globo, Folha, Estadão, Veja, RBS, FHC e Serra são contra, então é
um bom sinal de que não é tão ruim assim. Aliás, como declarou o novo
“amigo” do PT paulistano, Paulo Maluf: “FHC comprou votos para aprovar
reeleição” e disso não só ninguém fala como ainda lhe abrem as portas;
9) A aliança é com o PP de Maluf. Maluf não concorrerá. Então, a presença de Maluf fica apenas para no imaginário.
10) Eu jamais faria aliança como o Maluf. Assim como nunca estaria do
mesmo lado da RBS, do Gilmar Mendes, da Revista Veja, da Rede Globo, do
Merval. Eu não sou candidato a nada!
Os requintes de crueldade da aliança de Lula e Maluf
Colunista do Globo, Merval Pereira diz que apoio a Haddad não tem
nada de inusitado, "a não ser a marcha batida do PT para escancarar seu
pragmatismo à medida que Lula se sente acima do bem e do mal"
Em seu artigo no jornal O Globo de hoje, Merval Pereira relembra apoio
de Maluf à Marta Suplicy em 2004 e diz que aproximação com Haddad não
tem nada de inusitado, "a não ser a marcha batida do PT para escancarar
seu pragmatismo à medida que Lula se sente acima do bem e do mal". Leia:
Requintes de crueldade
Merval Pereira
Fazer com que Lula fosse visitá-lo em sua casa para selar publicamente o
acordo político de apoio à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura
de São Paulo é o ponto de destaque, com requintes de crueldade, dessa
aliança, que de inusitada não tem nada, a não ser a marcha batida do PT
para escancarar seu pragmatismo à medida que Lula se sente acima do bem e
do mal, podendo fazer qualquer coisa para vencer eleições.
Em 2004, Maluf já apoiara Marta Suplicy no segundo turno contra Serra,
mas naquela ocasião ele disse que o fazia sem ter tido contato nem com
Lula nem com Marta, reafirmando suas divergências com o PT.
Desta vez foi diferente. Além de ganhar para um indicado seu uma
secretaria do Ministério das Cidades, um Maluf radiante recebeu Lula e
Haddad em sua casa, destacando o "sacrifício" que o ex-presidente fizera
indo até lá, apesar das cautelas médicas devido à sua recuperação da
cirurgia de câncer.
Pelo menos o conselho de evitar falar em público ajudou Lula a sair de cena sem ter que justificar tal aliança.
A senadora Marta Suplicy, que aceitara de bom grado o apoio envergonhado
de Maluf em 2004, hoje, rejeitada por ser uma alternativa política
"velha", de acordo com Lula, diz que a aliança com Maluf é "pesadelo"
maior do que a com o prefeito Gilberto Kassab, que ela também rejeitara.
O maior problema, porém, para a candidatura petista é a reação da
candidata a vice Luiza Erundina, que de incomodada com o pragmatismo
petista, mas engolindo a seco a aliança, passou a rejeitá-la
publicamente, convencida de que ela não será apenas uma união política
"para constar", diante da pose de Lula carrancudo com Maluf sorridente,
tendo o "rapaz esforçado" Fernando Haddad no centro.
O acordo político com Maluf conseguiu ofuscar a boa notícia que a nova pesquisa Datafolha trouxe para a campanha petista.
Ter quase triplicado o apoio depois de algumas aparições ao lado de Lula
e da presidente Dilma na televisão indicava que Haddad pode ter a
esperança de vir a ser adotado pelo eleitorado petista conforme a
campanha progredir, o que lhe daria um patamar mínimo de 30% dos votos
para competir com o tucano José Serra.
Mas aliança tão formal e explícita com o grupo de Maluf está reforçando
as críticas do grupo de Marta Suplicy dentro do PT e abriu uma
divergência séria no PSB, que pelo visto terá que buscar outro candidato
a vice para Haddad.
A ex-prefeita Luiza Erundina não parece ser do tipo que abre mão de suas
convicções, mesmo que sejam ultrapassadas como o socialismo que ainda
prega.
Sua presença na chapa petista levava a candidatura Haddad mais para a
esquerda do que seria desejável numa capital que tem a tradição de votar
ao centro, quando não à direita.
O próximo ataque especulativo de Lula será em cima do PMDB se a
candidatura do deputado federal Gabriel Chalita permanecer estacionada
abaixo dos dois dígitos e menor do que a de Haddad.
O PMDB queria usar a disputa paulistana para vender caro seu apoio ao PT
num segundo turno, ou até mesmo ter Chalita como o candidato oficial
num segundo turno contra Serra.
Tudo para neutralizar o ataque que o PSB vem orquestrando, com o
objetivo de tomar o seu lugar como principal partido da base aliada,
abrindo caminho para o governador Eduardo Campos ser o vice de Dilma em
2014.
Ou, conforme os ventos da economia, surgir como uma alternativa ao próprio PT.
O maior receio do PMDB é que, após a eleição, o PSB se una ao PSD de Kassab para formar o maior partido no Congresso.
Isso só não acontecerá, aliás, se o tucano José Serra vencer a eleição
paulistana, o que coloca mais um pouco de incoerência nessa armação
partidária onde ninguém é de ninguém e todo mundo é de todo mundo,
dependendo da ocasião.
O PSD de Kassab iria para a aliança de Haddad se Serra não fosse o
candidato tucano, e Maluf iria para a base serrista se o PSDB aceitasse
pagar o alto preço que o PT pagou.
Esse imbróglio paulistano não é, no entanto, o único empecilho à aliança
do PT com o PSB, que está se organizando nacionalmente para se colocar
como protagonista na cena política em 2014.
Assim como a disputa pela prefeitura em São Paulo está intimamente
ligada à sucessão presidencial de 2014, com os dois partidos querendo
fortalecer suas posições no maior colégio eleitoral do país, algumas
outras capitais também definem agora disputas políticas que serão
fundamentais para a campanha à reeleição da presidente Dilma e para o
PSDB.
Em Fortaleza e Recife, PT e PSB não conseguiram se entender até o
momento, e tudo indica que sairão separados na disputa regional.
Em Salvador, ACM Neto, do DEM, com o apoio do PSDB, pode fazer ressurgir a força carlista na capital baiana.
Em Manaus, uma aliança entre Amazonino Mendes e Arthur Virgílio pode dar
ao ex-senador tucano as condições políticas para disputar a prefeitura
de Manaus, o que está preocupando a base aliada governista, à frente o
ex-governador Eduardo Braga.
Líder do governo no Senado em substituição ao eterno líder de qualquer
governo Romero Jucá, Braga vem sofrendo ataques do grupo de senadores
como Sarney, Calheiros e o próprio Jucá, que aparentemente a presidente
Dilma quer ver fora do centro de decisões.
Se tiver que concorrer a prefeito para unir a base governista contra a
oposição, Braga corre o risco de perder o cargo no Senado, embora
considere que pode acumular a candidatura com a liderança do governo.
Além do jogo de poder visando à eleição presidencial, há ainda em disputa as presidências da Câmara e do Senado.
O grupo do senador Sarney quer manter o controle do Senado mesmo depois
que ele sair, e dois nomes aparecem na disputa no PMDB, a maior bancada:
Edison Lobão e Renan Calheiros, o que aparentemente não agrada a Dilma,
que gostaria de um nome novo de sua confiança.
Na Câmara, a vez seria do PMDB, mas o candidato preferencial do partido,
o líder Henrique Eduardo Alves, desgastou-se com a presidente Dilma.
Um eventual acordo em São Paulo pode colocar em discussão a sucessão na
Câmara, e o vice-presidente Michel Temer deverá ser o fiador.
Como se vê, há muito mais do que política municipal em disputa nas próximas eleições.
No Ficha Corrida e 247*comtextolivre
Erundina fica na chapa de Haddad: "Não sou de recuar"
Em entrevista à Rádio Brasil Atual, deputada fez críticas à aliança com o PP, mas disse que continua na chapa de Haddad
São Paulo – A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), que na semana
passada confirmou sua candidatura à vice-prefeita de São Paulo, na chapa
encabeçada pelo petista Fernando Haddad, disse sentir constrangimento e
desconforto com a entrada do Partido Progressista (PP), do deputado
Paulo Maluf, na coligação, mas descartou desistir da disputa.
“Não sou de recuar. Vou manter a decisão, porque é uma decisão
partidária. Vou me empenhar e fazer o melhor que puder para dar minha
contribuição, mas vou procurar demarcar campos. De um lado está o seu
Maluf; de outro lado estaremos nós e os setores da sociedade que não
concordam, ao meu ver, com essa aliança”, disse, em entrevista à Rádio
Brasil Atual.
Erundina ressaltou que a decisão de incluir Maluf na coligação foi à sua
revelia e representa “um desestímulo”, mas afirmou que seguirá a
campanha normalmente.
Ouça aqui a íntegra da entrevista no site da Rede Brasil Atual.
No Maria da Penha Neles!
*comtextolivre
Sarneylândia
Via CartaMaior
Hoje,
depois de 46 anos de domínio sarneysístico, o IDH do Maranhão é o
segundo pior do Brasil. E o de São Luís, que alguns moradores
bem-humorados chamam de Sarneylândia, está em vigésimo-primeiro lugar
entre as capitais. Os nomes dos culpados estão espalhados pela cidade.
José Roberto Torero
Estes
dias estava em São Luís e decidi correr um pouco pelas ruas da cidade.
Seria mais uma batalha na luta contra meu próprio abdômen, que teima em
não parar de crescer.
Mal dei meus primeiros
passos e vi que pisava na avenida Presidente José Sarney. Para me livrar
dos maus fluidos, entrei numa grande ponte que há por lá. Só então
percebi que ela se chamava Governador José Sarney.
Uma
mesma pessoa dando nome a dois logradouros? Seria um engano de placas?
Quando voltei ao hotel, consultei o mapa da cidade e vi que, além do
presidente e do governador, também o Senador José Sarney fora agraciado
com o nome de uma avenida.
Decidi dar uma olhada
na lista telefônica para verificar se havia outras homenagens. E havia.
No total, a cidade tem uma ponte, três avenidas, duas ruas e uma
travessa batizadas com o nome, digamos, artístico de José Ribamar
Ferreira de Araújo Costa.
Trata-se de uma falta
de classe inclassificável. Dar nome de vivos para ruas já é grosseria.
Mas fazer isso várias vezes é de um mau gosto feroz, de uma breguice
inacreditável. Um membro da Academia Brasileira de Letras deveria ter
mais senso estético. Ou de ridículo.
Porém,
virando as páginas da lista telefônica, percebi que José não era o único
Sarney saudado pelos nobres edis. Havia também três ruas e uma travessa
Marly Sarney, quatro ruas Sarney Filho, uma rua para o modesto Fernando
Sarney e uma rua e uma travessa para Roseana.
Decidi
dar uma busca na internet para ver se havia mais coisas com nomes
Sarney pela cidade. E vi que o pobre ludovicense não tem como escapar.
Ele nasce na maternidade Marly Sarney e depois vai estudar na escola
Sarney Neto, ou na Roseana Sarney, talvez na Fernando Sarney,
possivelmente na Marly Sarney ou, é claro, na José Sarney.
Para
morar, pode escolher entre as vilas Sarney, Sarney Filho, Kyola Sarney
(progenitora do ex-presidente) ou Roseana Sarney. Se passar mal, pode
correr ao posto de saúde Marly Sarney. E, se sentir fome de saber,
sempre há a Biblioteca José Sarney.
A oligarquia deixou seu nome por toda a cidade, assim como um fazendeiro marca seu gado com ferro em brasa.
Se
o cidadão ficar indignado, há duas saídas: uma é a rodoviária Kyola
Sarney. A outra é reclamar no fórum José Sarney, onde há a sala de
imprensa Marly Sarney e a sala de defensoria pública Kyola Sarney.
Até
pouco tempo atrás, o próprio tribunal de contas chamava-se Roseana
Murad Sarney, numa clara demonstração de que não seria lá muito isento.
Mas houve protesto e o nome foi retirado.
Aliás, o clã vem sofrendo derrotas. O próprio Sarney não se elegeu senador pelo Maranhão, mas pelo Amapá.
Hoje,
depois de 46 anos de domínio sarneysístico, o IDH (índice de
desenvolvimento humano) do Maranhão é o segundo pior do Brasil. E o de
São Luís, que alguns moradores bem-humorados chamam de Sarneylândia,
está em vigésimo-primeiro lugar entre as capitais.
Os nomes dos culpados estão espalhados pela cidade.
José
Roberto Torero é formado em Letras e Jornalismo pela USP, publicou 24
livros, entre eles O Chalaça (Prêmio Jabuti e Livro do ano em 1995),
Pequenos Amores (Prêmio Jabuti 2004) e, mais recentemente, O Evangelho
de Barrabás. É colunista de futebol na Folha de S.Paulo desde 1998.
Escreveu também para o Jornal da Tarde e para a revista Placar. Dirigiu
alguns curtas-metragens e o longa Como fazer um filme de amor. É
roteirista de cinema e tevê, onde por oito anos escreveu o Retrato
Falado.
*GilsonSampaio
segunda-feira, junho 18, 2012
Brics discutem criação de fundo comum e troca de moedas
De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, os líderes do bloco de países emergentes - formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - concordaram em dar início ao processo de criação de um fundo comum de reservas internacionais e acenaram com a possibilidade de assinatura de um acordo para troca de moedas entre os países do grupo. "Os Brics estão fortalecendo sua estrutura financeira", anunciou Mantega.
Da Redação
Brasília - Os líderes dos Brics
(bloco de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul) concordaram em dar início ao processo de criação de um
fundo comum de reservas internacionais e acenaram com a possibilidade de
assinatura de um acordo para troca de moedas entre os países do grupo,
nesta segunda (18), em Los Cabos, no México, durante reunião
preparatória para a Cúpula do G-20 (grupo das maiores economias do
mundo).
De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a ideia é inspirada no acordo de cooperação financeira dos países asiáticos e nos acordos negociados pelo Banco Central norte-americano durante a crise de 2008. “Os Brics estão fortalecendo sua estrutura financeira. Esse fundo é algo importante para a confiança. Vamos criar uma solidariedade financeira entre nós, portanto, seremos ainda mais seguros e mais fortes do que já somos”, afirmou.
A reunião contou com a participação da presidenta Dilma Rousseff, que também aproveitou sua estadia no México para realizar, antes do início da Cúpula, reuniões bilaterais com a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, com o presidente do Conselho de Ministros da Itália, Mario Monti, e com a chanceler alemã, Angela Merkel.
*CartaMaior
De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a ideia é inspirada no acordo de cooperação financeira dos países asiáticos e nos acordos negociados pelo Banco Central norte-americano durante a crise de 2008. “Os Brics estão fortalecendo sua estrutura financeira. Esse fundo é algo importante para a confiança. Vamos criar uma solidariedade financeira entre nós, portanto, seremos ainda mais seguros e mais fortes do que já somos”, afirmou.
A reunião contou com a participação da presidenta Dilma Rousseff, que também aproveitou sua estadia no México para realizar, antes do início da Cúpula, reuniões bilaterais com a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, com o presidente do Conselho de Ministros da Itália, Mario Monti, e com a chanceler alemã, Angela Merkel.
Papéis do Mensalão do DEM estavam escondidos em igreja evangélica
do portal Terra
A Polícia Civil do Distrito Federal realizou, na manhã desta
segunda-feira, mandados de busca e apreensão na Igreja Tabernáculo do
Evangelho de Jesus, no Recanto das Almas. A ação é uma continuidade da
Operação Hufini, que resultou na prisão do ex-deputado distrital Júnior Brunelli (foto), que ficou conhecido pelo escândalo do Mensalão do DEM e da "oração da propina".
Os agentes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado apreenderam documentos e computadores escondidos na igreja, após o recebimento de denúncias anônimas. Além da prisão de Brunelli, a primeira parte da operação também prendeu Carlos Antônio Martins Carneiro, o pastor Adilson Wlaufredir de Oliveira e o empresário Sapartacus Issa Savite.
O chamado mensalão do DEM, cujos vídeos foram divulgados no final de 2009, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.
O então governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em sua defesa, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados". Em meio ao escândalo, ele deixou o Democratas.
As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.
Acusado de tentar subornar o jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, testemunha do caso, Arruda foi preso preventivamente em fevereiro de 2010, por determinação do Superior Tribunal de Justiça, que ainda o afastou do cargo de governador. Ele ficou preso por dois meses e, neste período, teve o mandato cassado por desfiliação partidária.
O caso aguarda denúncia do Ministério Público Federal e tramita no STJ.
Maioria dos deputados evangélicos responde a processos judiciais.
abril de 2012
![]() |
Júnior Brunelli (à direita),
autor da "oração da propina"
|
Os agentes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado apreenderam documentos e computadores escondidos na igreja, após o recebimento de denúncias anônimas. Além da prisão de Brunelli, a primeira parte da operação também prendeu Carlos Antônio Martins Carneiro, o pastor Adilson Wlaufredir de Oliveira e o empresário Sapartacus Issa Savite.
O chamado mensalão do DEM, cujos vídeos foram divulgados no final de 2009, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.
O então governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em sua defesa, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados". Em meio ao escândalo, ele deixou o Democratas.
As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.
Acusado de tentar subornar o jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, testemunha do caso, Arruda foi preso preventivamente em fevereiro de 2010, por determinação do Superior Tribunal de Justiça, que ainda o afastou do cargo de governador. Ele ficou preso por dois meses e, neste período, teve o mandato cassado por desfiliação partidária.
O caso aguarda denúncia do Ministério Público Federal e tramita no STJ.
Maioria dos deputados evangélicos responde a processos judiciais.
abril de 2012
Leia mais em http://www.paulopes.com.br/#ixzz1yByAgXYu
Paulopes
(Doutrina que toma por critério da verdade o valor prático)
José Serra, que queria Maluf em seu palanque, não contou com a ajuda de Alckmin, que também o quer para a reeleição em 2014. Toda a ópera se resume a 1 minuto e 35 segundos a mais no programa eleitoral gratuito.
Nenhum sorriso, nem para as câmeras: Lula na casa de Maluf
*Mariadapenhaneles
Torcedores europeus vaiam seleção de Israel
Como vocês já devem saber, Israel participa da Copa Europa. Surpresa?
Não há necessidade. O dinheiro e a ameaça de um ataque nuclear levam os
sionistas a comprar o que querem, inclusive uma vaga para a seleção do
país que eles organizaram ao roubar a Palestina e massacrar seu povo.
Mas, como também todos sabem, a Europa é o lugar onde mais se encontram
ativistas pró-Palestina. E eles não deixam por menos. Assista o barulho
que fizeram no jogo Escócia x Israel - em que Israel perdeu de lavada: 8
a 0.
Isso fez um órgão da mídia palestina dar a notícia com o seguinte
título: "Eles são inúteis sem armas". Eu diria que com armas também o
são.
*comtextolivre
ADPF divulga nota a respeito de decisão do Desembargador Tourinho Neto
Magistrado se
manifestou pela anulação de provas obtidas a partir das interceptações
telefônicas autorizadas pela Justiça na Operação Monte Carlo
*comtextolivreA Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal - ADPF se mostra preocupada com os recentes entendimentos de instâncias judiciais superiores, no sentido de anular as provas obtidas por meio de interceptações telefônicas, regularmente autorizadas pelo próprio Poder Judiciário, com consequências irreversíveis para as investigações, colocando em xeque a credibilidade do Estado e criando uma insegurança jurídica frente ao combate ao crime organizado no Brasil.Em que pese o respeito que merece o Desembargador Tourinho Neto, a enfática defesa em favor da anulação de provas obtidas a partir das interceptações telefônicas devidamente autorizadas pela Justiça na Operação Monte Carlo e a celeridade de sua decisão em favor da liberdade do Senhor Carlos Augusto Ramos, conhecido como "Carlinhos Cachoeira", sem ao menos aguardar o pronunciamento dos demais Desembargadores do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, contribuem para a imagem cada vez mais recorrente de tolerância de uma pequena parcela do Poder Judiciário com a criminalidade organizada no país.As decisões atacadas estão em estrita observância aos arts. 5°, XII e 93, IX da Constituição Federal e arts. 2° e 5° da Lei 9.296/96, e devidamente fundamentadas nas representações formuladas pela Polícia Federal em conjunto com o MPF, após o esgotamento de todas as diligências ordinárias possíveis, não merecendo qualquer reparo.Diretoria Executiva da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal
STF manda adiar votação sobre cassação de Demóstenes
BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli concedeu uma liminar ao senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) determinando que a votação do relatório no Conselho de Ética do Senado sobre o processo disciplinar contra o senador ocorra somente três dias úteis após a apresentação do mesmo no colegiado.
Leia também:
Juiz que determinou prisão de Cachoeira é afastado
Desembargador do caso Cachoeira retoma julgamento e pode libertar contraventor
O relator senador Humberto Costa (PT-PE) apresenta nesta segunda-feira, 18, às 14h30, o seu parecer no processo disciplinar contra Demóstenes por quebra de decoro parlamentar, pelo envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Demóstenes é suspeito de ter usado o mandato para favorecer a organização criminosa do bicheiro.
O relatório de Costa poderá indicar desde a censura até a perda do mandato. A votação estava prevista para acontecer logo na sequência da leitura. Segundo Toffoli, o adiamento se justificaria para garantir o “exercício do contraditório e da ampla defesa”.
"Defiro em parte o pedido liminar para que seja garantido ao impetrante que a deliberação acerca do parecer final do processo disciplinar contra ele aberto seja realizada em sessão que deve ocorrer em no mínimo três dias úteis de interstício contados após a divulgação pública da 'primeira parte' do parecer do relator", diz a decisão do ministro.
Toffoli ainda afirma que a "decisão compreende também o tempo hábil para que os demais membros do Conselho tenham acesso às razões apresentadas em alegações finais (cujo prazo encerrou-se em 15/6/2012 - sexta-feira), bem como ao contido na primeira parte do referido relatório final, tudo de molde a se concretizar de fato o direito à ampla defesa e ao contraditório".
A defesa de Demóstenes havia pedido o adiamento da sessão, mas o pedido foi negado.
A análise do mandado de segurança foi encaminhado para o gabinete de Toffoli porque a ministra Cármen Lúcia, primeira relatora da ação, estava em viagem na última sexta, quando o pedido foi protocolado no Supremo pelos advogados de Démostenes. No mesmo dia, Cármen Lúcia já havia negado solicitação da defesa do parlamentar goiano para que o processo disciplinar contra ele fosse suspenso.
*Yahoo
Leia também:
Juiz que determinou prisão de Cachoeira é afastado
Desembargador do caso Cachoeira retoma julgamento e pode libertar contraventor
O relator senador Humberto Costa (PT-PE) apresenta nesta segunda-feira, 18, às 14h30, o seu parecer no processo disciplinar contra Demóstenes por quebra de decoro parlamentar, pelo envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Demóstenes é suspeito de ter usado o mandato para favorecer a organização criminosa do bicheiro.
O relatório de Costa poderá indicar desde a censura até a perda do mandato. A votação estava prevista para acontecer logo na sequência da leitura. Segundo Toffoli, o adiamento se justificaria para garantir o “exercício do contraditório e da ampla defesa”.
"Defiro em parte o pedido liminar para que seja garantido ao impetrante que a deliberação acerca do parecer final do processo disciplinar contra ele aberto seja realizada em sessão que deve ocorrer em no mínimo três dias úteis de interstício contados após a divulgação pública da 'primeira parte' do parecer do relator", diz a decisão do ministro.
Toffoli ainda afirma que a "decisão compreende também o tempo hábil para que os demais membros do Conselho tenham acesso às razões apresentadas em alegações finais (cujo prazo encerrou-se em 15/6/2012 - sexta-feira), bem como ao contido na primeira parte do referido relatório final, tudo de molde a se concretizar de fato o direito à ampla defesa e ao contraditório".
A defesa de Demóstenes havia pedido o adiamento da sessão, mas o pedido foi negado.
A análise do mandado de segurança foi encaminhado para o gabinete de Toffoli porque a ministra Cármen Lúcia, primeira relatora da ação, estava em viagem na última sexta, quando o pedido foi protocolado no Supremo pelos advogados de Démostenes. No mesmo dia, Cármen Lúcia já havia negado solicitação da defesa do parlamentar goiano para que o processo disciplinar contra ele fosse suspenso.
*Yahoo
Texto da Rio+20 não garante futuro e pode provocar cataclisma, diz Leonardo Boff
"As propostas em discussão não garantem o futuro e podem, inclusive, provocar um grande cataclisma social e ambiental", disse em entrevista ao G1, após participar de uma mesa de debates no Fórum de Sustentabilidade Empresarial da Rio+20, organizado pelo Pacto Global das Nações Unidas, que acontece no Windsor Barra Hotel.
Para o teólogo, sem uma mudança profunda do modelo econômico adotado pelos países – classificado por ele de "pacto de suicídio global", pouco pode se esperar do documento final da conferência.
"Os chefes de estado são reféns de um tipo de economia e de desenvolvimento que já não está dando certo há muito tempo. Eles querem mais do mesmo, daí não vamos esperar soluções", afirmou Boff.
Segundo ele, nem a chamada economia verde permite superar a manutenção de profundas desigualdades e criação de crises permanentes.
"Somos vítimas de um fetiche que domina praticamente todos os documentos oficiais, que é o tipo de crescimento econômico que queremos que seja sustentável, mas que degrada a natureza e cria grandes desigualdades sociais", disse em sua participação no fórum, citando que o número de pessoas que passavam fome no mundo passou de 860 milhões em 2007 para 1,4 milhão.
Para Boff, a esperança em torno da Rio+20 deve estar depositada nos debates envolvendo a sociedade civil. "As soluções têm de vir da humanidade e das empresas que entendem que o processo de mudança é importante", afirmou.
Na opinião dele, "para evitar uma catástrofe anunciada" é preciso revisar não só o modelo econômico como também promover e resgatar um modo de convivência mais solidária e cooperativa.
"Esses valores têm de ser reconhecidos e incluídos no nosso projeto e, com eles, temos que ter as sinergias suficientes para transformarmos uma catástrofe anunciada numa crise de passagem rumo a uma sociedade onde é menos difícil o amor e mais fácil convivermos juntos", completou.
Boff elogiou ainda o trabalho de cooperação desenvolvido pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, que participou da mesma sessão de debates. "Os pobres têm soluções para ajudar a superar a crise porque têm um grande capital social em termos de valores, sabem fazer a leitura do mundo e são os portadores dos novos sonhos e novas utopias", disse.
As
propostas em discussão pelos países na Rio+20 não garantem um
desenvolvimento mais sustentável e podem levar a um "cataclisma social e
ambiental". A opinião é do teólogo e escritor Leonardo Boff.
"As propostas em discussão não garantem o futuro e podem, inclusive, provocar um grande cataclisma social e ambiental", disse em entrevista ao G1, após participar de uma mesa de debates no Fórum de Sustentabilidade Empresarial da Rio+20, organizado pelo Pacto Global das Nações Unidas, que acontece no Windsor Barra Hotel.
Para o teólogo, sem uma mudança profunda do modelo econômico adotado pelos países – classificado por ele de "pacto de suicídio global", pouco pode se esperar do documento final da conferência.
"Os chefes de estado são reféns de um tipo de economia e de desenvolvimento que já não está dando certo há muito tempo. Eles querem mais do mesmo, daí não vamos esperar soluções", afirmou Boff.
Segundo ele, nem a chamada economia verde permite superar a manutenção de profundas desigualdades e criação de crises permanentes.
"Somos vítimas de um fetiche que domina praticamente todos os documentos oficiais, que é o tipo de crescimento econômico que queremos que seja sustentável, mas que degrada a natureza e cria grandes desigualdades sociais", disse em sua participação no fórum, citando que o número de pessoas que passavam fome no mundo passou de 860 milhões em 2007 para 1,4 milhão.
Para Boff, a esperança em torno da Rio+20 deve estar depositada nos debates envolvendo a sociedade civil. "As soluções têm de vir da humanidade e das empresas que entendem que o processo de mudança é importante", afirmou.
Na opinião dele, "para evitar uma catástrofe anunciada" é preciso revisar não só o modelo econômico como também promover e resgatar um modo de convivência mais solidária e cooperativa.
"Esses valores têm de ser reconhecidos e incluídos no nosso projeto e, com eles, temos que ter as sinergias suficientes para transformarmos uma catástrofe anunciada numa crise de passagem rumo a uma sociedade onde é menos difícil o amor e mais fácil convivermos juntos", completou.
Boff elogiou ainda o trabalho de cooperação desenvolvido pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, que participou da mesma sessão de debates. "Os pobres têm soluções para ajudar a superar a crise porque têm um grande capital social em termos de valores, sabem fazer a leitura do mundo e são os portadores dos novos sonhos e novas utopias", disse.
Vi no Portal Geledés
*Mariadapenhaneles
Reportagem da Band que ridicularizou detento será encaminhada para a ONU e OEA
A
reportagem “Chororô na Delegacia: acusado de estupro alega inocência”,
veiculada na TV Bandeirantes da Bahia, será encaminhada às comissões de
Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização
dos Estados Americanos (OEA). O anúncio foi feito na audiência pública
sobre a dignidade humana e os meios de comunicação, realizada nesta
quarta-feira (13). O secretário geral da FENAJ, José Augusto Camargo,
defendeu que as empresas de comunicação têm que ser responsabilizadas em
episódios como esse.
Na
audiência, realizada em conjunto pelas comissões de Direitos Humanos e
Minorias; e de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara
dos Deputados, foram exibidas reportagens que, segundo os
parlamentares, desrespeitam os direitos humanos. A mais polêmica foi
aquela exibida no programa "Brasil Urgente", da Band Bahia, onde uma
repórter entrevistou e ridicularizou um jovem negro detido na 12ª
Delegacia de Itapoã, acusado de estupro. Reportagens semelhantes, feitas
dentro de delegacias e que desrespeitam os direitos humanos, são
exibidas com frequência em programas de rádio e TV no Brasil.
Empresas
têm responsabilidade O representante da FENAJ, José Augusto Camargo,
sustentou a necessidade criar mecanismos sociais e jurídicos para
assegurar os direitos e deveres da imprensa. "Queremos garantir ao
profissional de imprensa o direito de trabalhar, de ter o sigilo da
fonte, de ter acesso à informação dos órgãos do governo. Mas, se
queremos direitos, também temos que arcar com os nossos deveres. Um
deles é preservar a dignidade e o direito da pessoa humana", disse.
Referindo-se
à reportagem veiculada pela TV Bandeirantes da Bahia, Camargo afirmou
que, além de responsabilizar a repórter, é preciso também analisar o
papel dos editores e da própria emissora, que permite a veiculação de
matérias como essa. "É necessário cobrar a responsabilidade civil da
empresa de comunicação. A indústria da mídia tem de responder por isso. A
repórter cometeu um erro, mas é preciso envolver a empresa, que não
pode ser eximida de culpa nesse e em outros episódios".
Denúncia
internacional O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias
da Câmara, deputado Domingos Dutra (PT-MA), anunciou na audiência que a
reportagem da TV Band será encaminhada para a ONU e para a OEA, para que
sejam tomadas as providências cabíveis. Para o deputado Luiz Alberto
(PT-BA), as renovações de concessões de emissoras de rádio e TV devem
ser analisadas também pela Comissão de Direitos Humanos. "Para a
renovação da concessão, também é necessário avaliar quais são os
processos em curso contra essas empresas no Ministério das Comunicações e
no Poder Judiciário", destacou. Já a presidente da Frente Parlamentar
pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação
Popular, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), defendeu a criação de um novo
marco regulatório para o setor de comunicações do País.
Além
de parlamentares, a atividade contou. ainda, com a participação de
representantes do Ministério das Comunicações, da Secretaria de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial, do Intervozes, do Conselho
Estadual de Comunicação da Bahia, da FENAJ e da Comissão de Jornalistas
pela Igualdade Racial do Distrito Federal. Convidados, dirigentes da
Rede Bandeirantes e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e
Televisão (Abert), não compareceram.
No Correio Nagô
*Mariadapenhaneles
Velha mídia é motor da violência e do medo
A população brasileira está mais tolerante com atitudes arbitrárias da
polícia e com suspensão de direitos a acusados e condenados. É o que
indica a “Pesquisa nacional, por amostragem domiciliar, sobre atitudes,
normas culturais, e valores em relação a violação de direitos humanos e
violência”, lançada na última quarta-feira (6), pelo Núcleo de Estudos
da Violência da USP. As causas destas mudanças de opinião não aparecem
na pesquisa, mas especialistas apontam que a sensação de medo, em parte
turbinada pelos meios de comunicação, podem ser o principal fator.
Foram feitas entrevistas, em 2010, com 4025 pessoas, a partir de 16 anos, em 11 capitais brasileiras. Boa parte das perguntas também foram feitas em 1999, o que permite a comparação e mostra menos brasileiros se importando com direitos de suspeitos, acusados e condenados. Uma das questões, por exemplo, perguntava se um policial pode “invadir uma casa”, “atirar em um suspeito”, “agredir um suspeito” e “atirar em um suspeito armado”. A maioria das pessoas continua discordando totalmente nas três primeiras sentenças, mas houve grande queda dos que discordam. Em 1999, 78,4% discordavam totalmente sobre invadir uma casa; em 2010, o número caiu para 63,8%. Na primeira pesquisa, 87,9% discordavam totalmente sobre atirar em um suspeito; o que caiu para 68,6%. Em 1999, 88,7% eram totalmente contra a polícia agredir um suspeito; número que caiu para 67,9%; e 45,4% eram contra atirar em um suspeito armado, o que caiu para 38%. Outra questão era se um policial poderia bater em um preso que tentara fugir. Em 1999, 61,5% discordavam totalmente, número que caiu para apenas 34,8%.
Mudanças também em dados relacionados à Justiça. Embora a grande maioria, quase 80%, se oponha à tortura, quando perguntados se a Justiça deve aceitar provas obtidas por tortura, apenas 52,5% discordaram totalmente e 18,1% discordaram em parte. Em 1999, 71,2% discordavam totalmente e 5,5% discordavam em parte. Pode-se dizer neste caso, e em outras questões, que não aumentou o número de pessoas que concordam com a suspensão de direitos, mas que elas já não têm a mesma firmeza na defesa deles. Na afirmação “nenhum crime justifica pena de morte”, por exemplo, caíram 5% os que concordavam totalmente; número exato do que aumentou os que “concordam em parte”. Ou seja: não aumentou o número de pessoas a favor da pena de morte, apenas as pessoas contrárias à pena capital já não têm a mesma certeza.
Sobre penas, a pesquisa também fez perguntas que não haviam sido feitas em 1999, o que não permite a comparação mas, ainda assim, reforça a tendência que mostramos acima. A pesquisa sugeriu penas para determinados tipos de crime como “sequestro”, “estupro”, “corrupção”, entre outros. Na grande maioria dos crimes, mais da metade dos brasileiros optou pelas três penas não previstas pela Constituição que constavam entre as opções: pena de morte, prisão perpétua e prisão com trabalhos forçados. Além disto, mais de 60% dos entrevistados acredita que o Judiciário “se preocupa demais com os direitos dos acusados”.
Preocupação com segurança é um dos fatores, diz senador
Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Paulo Paim (PT-RS), os dados são motivados pela preocupação dos brasileiros com segurança. “Qualquer pesquisa que se realize hoje sobre as prioridades dos cidadãos, as pessoas vão dizer que se preocupam com três coisas: educação, saúde e segurança. Com este medo permanente as pessoas defendem medidas mais radicais e não percebem que violência gera cada vez mais violência. Não surpreende os dados da pesquisa e não tenho dúvida de que para crimes hediondos vai se apoiar cada vez mais a pena de morte. A tendência das pessoas é achar que isto vai resolver, mas não vai. Temos que investir em educação, informação, saúde e distribuição de renda”, conclui o senador.
“Basicamente, acho que é a cultura do medo que vai aumentando o aceitamento de repressão – e esvaziando o direito de defesa”, afirma Marcelo Semer, juiz de direito e ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia. O magistrado alerta para o fato de que, muitas vezes, o apoio à repressão policial é abstrato e a opinião muda quando se presencia uma cena de violência. “As pessoas podem achar, abstratamente, que aceitam mais a violência policial, mas se comovem quando a veem. Lembre-se que foi a exposição das cenas da violência policial na Favela Naval (em Diadema-SP), transmitida pela TV, que galvanizou apoio à criação do crime de tortura”, diz.
Meios de comunicação têm relação com resultado da pesquisa, acredita professor da USP
O sociólogo, jornalista e professor de Comunicação da USP, Laurindo Leal Filho, acredita que os programas policialescos da televisão têm influência sobre o resultado da pesquisa. “A gente não tem estes dados, mas dá para intuir que têm uma relação muito próxima. Estes programas sempre existiram na televisão brasileira, mas de dez anos para cá, aumentou o número significativamente. Só em Salvador, no horário de almoço, há programas assim em três emissoras diferentes”, exemplifica.
Laurindo analisa que a apresentação de crimes sem contextualização gera uma banalização da violência. “Isto cria um clima de banalização da violência. A violência passa a se tornar rotineira, porque é apresentada como rotineira, sem causa, sem consequências”, afirma. Além disto, o pesquisador destaca que há uma figura padrão do apresentador destes programas – que geralmente exalta a violência como forma de reprimir a violência.
Os próprios jornalistas nestes programas também costumam atropelar os direitos das pessoas, com auxílio, muitas vezes, das autoridades públicas. “O jornalista age como justiceiro. Age como polícia e Justiça. Acompanha a ação policial, interroga, julga”, diz o professor.
“A imprensa joga com isso com frequência e não são apenas os ‘programas policialescos’. O sensacionalismo do Jornal Nacional, por exemplo, com as matéria de crime é atroz. De uma maneira geral, a imprensa perdeu os pudores de estimular a sensação de medo. Quando o pânico é instaurado, qualquer solução para resolvê-lo parece razoável”, afirma Marcelo Semer.
O senador Paulo Paim, por sua vez, critica programas que usam a violência como forma de lucrar, mas ressalta que não se pode “ir na linha da censura”. Para ele, é preciso trabalhar no sentido de difundir opiniões contrárias, que propaguem a não-violência. “Temos que mudar a cultura das pessoas. Mostrar que a violência permanente nos meios de comunicação não soma nada. Temos que trabalhar a cultura da paz, da não-violência, da solidariedade”.
“Há um nítido esvaziamento da ideia de defesa”, afirma juiz
Para Marcelo Semer, não há apenas a difusão da ideia de que o crime precisa ser combatido de forma violenta, mas também uma minimização do direito de defesa. “Há um nítido esvaziamento da ideia de defesa, que passa por um certo moralismo do senso comum, também estimulado pelos meios de comunicação”, diz.
Os exemplos que Semer dá estão na ordem do dia, como o desrespeito do direito ao silêncio que tem se observado na CPI do Cachoeira. “O direito ao silêncio é tratado como se fosse uma malcriação; o sigilo da intimidade como a proteção do ilícito (‘quem não deve não teme’), a escolha de um advogado como um ilícito. Há nitidamente a criação, por parte da imprensa, e também dos políticos que passam a definir suas políticas por ‘pesquisas de opinião’, de um novo macarthismo: a todo momento queremos expor nomes e listas de quem não cumpre suas funções ou tem processos, ou foi ‘citado’ em inquéritos e aí por diante. Somos levados a acreditar que isso vai nos salvar de algo, mas apenas nos enreda ainda mais na cultura da perseguição, delação e preconceito”, opina.
Semer ressalta que o comportamento dos juízes, em geral, não embarca nesta onda. “Felizmente, o papel do juiz, neste campo, é contramajoritário. Não se julga direito penal por pesquisa de opinião. E a democracia não é apenas o governo da maioria, mas, sobretudo, o respeito aos direitos individuais, mesmo contra a vontade da maioria. Espanta-me quando a sociedade passa a aceitar tais restrições à defesa; mas apavora mesmo quando os operadores do direito começam a se convencer disso”, diz.
Foram feitas entrevistas, em 2010, com 4025 pessoas, a partir de 16 anos, em 11 capitais brasileiras. Boa parte das perguntas também foram feitas em 1999, o que permite a comparação e mostra menos brasileiros se importando com direitos de suspeitos, acusados e condenados. Uma das questões, por exemplo, perguntava se um policial pode “invadir uma casa”, “atirar em um suspeito”, “agredir um suspeito” e “atirar em um suspeito armado”. A maioria das pessoas continua discordando totalmente nas três primeiras sentenças, mas houve grande queda dos que discordam. Em 1999, 78,4% discordavam totalmente sobre invadir uma casa; em 2010, o número caiu para 63,8%. Na primeira pesquisa, 87,9% discordavam totalmente sobre atirar em um suspeito; o que caiu para 68,6%. Em 1999, 88,7% eram totalmente contra a polícia agredir um suspeito; número que caiu para 67,9%; e 45,4% eram contra atirar em um suspeito armado, o que caiu para 38%. Outra questão era se um policial poderia bater em um preso que tentara fugir. Em 1999, 61,5% discordavam totalmente, número que caiu para apenas 34,8%.
Mudanças também em dados relacionados à Justiça. Embora a grande maioria, quase 80%, se oponha à tortura, quando perguntados se a Justiça deve aceitar provas obtidas por tortura, apenas 52,5% discordaram totalmente e 18,1% discordaram em parte. Em 1999, 71,2% discordavam totalmente e 5,5% discordavam em parte. Pode-se dizer neste caso, e em outras questões, que não aumentou o número de pessoas que concordam com a suspensão de direitos, mas que elas já não têm a mesma firmeza na defesa deles. Na afirmação “nenhum crime justifica pena de morte”, por exemplo, caíram 5% os que concordavam totalmente; número exato do que aumentou os que “concordam em parte”. Ou seja: não aumentou o número de pessoas a favor da pena de morte, apenas as pessoas contrárias à pena capital já não têm a mesma certeza.
Sobre penas, a pesquisa também fez perguntas que não haviam sido feitas em 1999, o que não permite a comparação mas, ainda assim, reforça a tendência que mostramos acima. A pesquisa sugeriu penas para determinados tipos de crime como “sequestro”, “estupro”, “corrupção”, entre outros. Na grande maioria dos crimes, mais da metade dos brasileiros optou pelas três penas não previstas pela Constituição que constavam entre as opções: pena de morte, prisão perpétua e prisão com trabalhos forçados. Além disto, mais de 60% dos entrevistados acredita que o Judiciário “se preocupa demais com os direitos dos acusados”.
Preocupação com segurança é um dos fatores, diz senador
Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Paulo Paim (PT-RS), os dados são motivados pela preocupação dos brasileiros com segurança. “Qualquer pesquisa que se realize hoje sobre as prioridades dos cidadãos, as pessoas vão dizer que se preocupam com três coisas: educação, saúde e segurança. Com este medo permanente as pessoas defendem medidas mais radicais e não percebem que violência gera cada vez mais violência. Não surpreende os dados da pesquisa e não tenho dúvida de que para crimes hediondos vai se apoiar cada vez mais a pena de morte. A tendência das pessoas é achar que isto vai resolver, mas não vai. Temos que investir em educação, informação, saúde e distribuição de renda”, conclui o senador.
“Basicamente, acho que é a cultura do medo que vai aumentando o aceitamento de repressão – e esvaziando o direito de defesa”, afirma Marcelo Semer, juiz de direito e ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia. O magistrado alerta para o fato de que, muitas vezes, o apoio à repressão policial é abstrato e a opinião muda quando se presencia uma cena de violência. “As pessoas podem achar, abstratamente, que aceitam mais a violência policial, mas se comovem quando a veem. Lembre-se que foi a exposição das cenas da violência policial na Favela Naval (em Diadema-SP), transmitida pela TV, que galvanizou apoio à criação do crime de tortura”, diz.
Meios de comunicação têm relação com resultado da pesquisa, acredita professor da USP
O sociólogo, jornalista e professor de Comunicação da USP, Laurindo Leal Filho, acredita que os programas policialescos da televisão têm influência sobre o resultado da pesquisa. “A gente não tem estes dados, mas dá para intuir que têm uma relação muito próxima. Estes programas sempre existiram na televisão brasileira, mas de dez anos para cá, aumentou o número significativamente. Só em Salvador, no horário de almoço, há programas assim em três emissoras diferentes”, exemplifica.
Laurindo analisa que a apresentação de crimes sem contextualização gera uma banalização da violência. “Isto cria um clima de banalização da violência. A violência passa a se tornar rotineira, porque é apresentada como rotineira, sem causa, sem consequências”, afirma. Além disto, o pesquisador destaca que há uma figura padrão do apresentador destes programas – que geralmente exalta a violência como forma de reprimir a violência.
Os próprios jornalistas nestes programas também costumam atropelar os direitos das pessoas, com auxílio, muitas vezes, das autoridades públicas. “O jornalista age como justiceiro. Age como polícia e Justiça. Acompanha a ação policial, interroga, julga”, diz o professor.
“A imprensa joga com isso com frequência e não são apenas os ‘programas policialescos’. O sensacionalismo do Jornal Nacional, por exemplo, com as matéria de crime é atroz. De uma maneira geral, a imprensa perdeu os pudores de estimular a sensação de medo. Quando o pânico é instaurado, qualquer solução para resolvê-lo parece razoável”, afirma Marcelo Semer.
O senador Paulo Paim, por sua vez, critica programas que usam a violência como forma de lucrar, mas ressalta que não se pode “ir na linha da censura”. Para ele, é preciso trabalhar no sentido de difundir opiniões contrárias, que propaguem a não-violência. “Temos que mudar a cultura das pessoas. Mostrar que a violência permanente nos meios de comunicação não soma nada. Temos que trabalhar a cultura da paz, da não-violência, da solidariedade”.
“Há um nítido esvaziamento da ideia de defesa”, afirma juiz
Para Marcelo Semer, não há apenas a difusão da ideia de que o crime precisa ser combatido de forma violenta, mas também uma minimização do direito de defesa. “Há um nítido esvaziamento da ideia de defesa, que passa por um certo moralismo do senso comum, também estimulado pelos meios de comunicação”, diz.
Os exemplos que Semer dá estão na ordem do dia, como o desrespeito do direito ao silêncio que tem se observado na CPI do Cachoeira. “O direito ao silêncio é tratado como se fosse uma malcriação; o sigilo da intimidade como a proteção do ilícito (‘quem não deve não teme’), a escolha de um advogado como um ilícito. Há nitidamente a criação, por parte da imprensa, e também dos políticos que passam a definir suas políticas por ‘pesquisas de opinião’, de um novo macarthismo: a todo momento queremos expor nomes e listas de quem não cumpre suas funções ou tem processos, ou foi ‘citado’ em inquéritos e aí por diante. Somos levados a acreditar que isso vai nos salvar de algo, mas apenas nos enreda ainda mais na cultura da perseguição, delação e preconceito”, opina.
Semer ressalta que o comportamento dos juízes, em geral, não embarca nesta onda. “Felizmente, o papel do juiz, neste campo, é contramajoritário. Não se julga direito penal por pesquisa de opinião. E a democracia não é apenas o governo da maioria, mas, sobretudo, o respeito aos direitos individuais, mesmo contra a vontade da maioria. Espanta-me quando a sociedade passa a aceitar tais restrições à defesa; mas apavora mesmo quando os operadores do direito começam a se convencer disso”, diz.
Postado por
Sérgio Pecci
*Tecedora
Brasil empata com Japão e Reino Unido em novo índice de riqueza da ONU
A culpa é de Lula e de Dilma.
Um novo cálculo apresentado neste domingo (17) pelas Nações Unidas tenta
integrar aspectos sociais e ambientais ao crescimento econômico para
medir o grau de desenvolvimento sustentável de um país. No primeiro
relatório do Índice de Riqueza Inclusiva da ONU, que analisou dados de
20 países, o Brasil ficou em quarto lugar – empatado com a Índia, o
Japão e o Reino Unido e na frente de países como Noruega e Estados
Unidos.
Pontuar melhor no índice de Riqueza Inclusiva significa ter um padrão
de crescimento econômico mais sustentável, na visão da ONU. A China foi a
primeira colocada, seguida pela Alemanha.
“É importante saber o quanto a economia de um país cresceu, mas também
como ela cresceu”, disse Pablo Munoz, diretor científico do Relatório de
Riqueza Inclusiva 2012. “Este índice alia as variações de estoque no
capital econômico, no capital humano e no capital natural que sustentam o
crescimento do país”, afirma Pablo Munoz, diretor científico do
Relatório de Riqueza Inclusiva 2012.
O índice foi criado em parceria pelo Programa das Nações Unidas para o
Meio Ambiente (PNUMA) e a Universidade das Nações Unidas sobre Mudança
Ambiental Global (UNU-IHDP) e apresentado durante a Rio+20. A Rio+20 é a
Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, que vai até o dia
22 de junho, no Rio.
Alternativa ao PIB
A substituição do Produto Interno Bruto -- a soma de todas as riquezas
produzidas por um país -- por outro indicador de desenvolvimento pode
ser uma das contribuições da Rio+20 para a comunidade internacional.
"Eu não diria que vamos substituir o PIB como medida de
desenvolvimento, já que ele é medido hoje por cerca de cem países, com
base em indicadores bastante confiáveis", diz Munoz. "Não sei em quanto
tempo isso acontecerá, mas a tendência é que os índices de
desenvolvimento evoluam para medir outros aspectos além da produção."
A consequência prática dessa mudança de paradigma seria que não só o
crescimento do PIB, mas a melhoria de outros indicadores nacionais
motivassem as políticas de cada país. O desafio é chegar a um índice que
leve em conta as várias dimensões do desenvolvimento sustentável e seja
aplicável internacionalmente, passível de ser medido em todos os
países.
Desde a Rio 92, quando a revisão do PIB como indicador de
desenvolvimento já estava em pauta, surgiram propostas de redefinição do
indicador. Poucas, no entanto, foram testadas na prática e adotadas
internacionalmente por outros países.
A mais conhecida e utilizada das medidas de desenvolvimento
alternativas ao PIB é o Índice de Desenvolvimento Humano, medido pela
ONU desde 1990. Em 2010, o Índice passou por uma reformulação, a fim de
refletir melhor os valores da sociedade com relação a desenvolvimento
sustentável.
Metas para seres humanos iguais
Luiz Carlos Bresser-Pereira
Os pobres não devem renunciar a melhores padrões de vida; os ricos é que devem diminuí-los
Os pobres não devem renunciar a melhores padrões de vida; os ricos é que devem diminuí-los
Nos últimos 50 anos a proteção do ambiente tornou-se, historicamente, o
quinto objetivo político fundamental das sociedades modernas. Todas as
sociedades, desde a antiguidade, buscaram segurança.
E a partir do século 18, acrescentaram a esse objetivo mais quatro
objetivos: a liberdade, o bem-estar ou o desenvolvimento econômico, a
igualdade ou a justiça social, e finalmente a proteção da natureza.
Na luta por esse quinto objetivo, o mundo se reúne hoje no Rio de
Janeiro, na conferência patrocinada pelas Nações Unidas, Rio +20.
Já sabemos que não é possível esperar muito dessa reunião. Que ela
acontece em um momento difícil para todos os países, sobretudo para os
ricos imersos na crise profunda que herdaram dos 30 Anos Neoliberais do
Capitalismo (1979-2008).
Mas isso não significa que não haverá avanços. Duas conquistas estão bem
encaminhadas: o fortalecimento do Pnuma (a agência da ONU que cuida do
ambiente) e a definição dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
No primeiro caso, trata-se de melhorar a governança global; no segundo,
definir metas para o mundo e para os países como foram estabelecidos os
Objetivos do Milênio.
Pode-se argumentar que não haverá um meio de exigir o cumprimento dos
objetivos, porque os países não vão se dispor a adotar metas nacionais
compatíveis e porque, mesmo fortalecido, o Pnuma não terá condições de
forçá-los a adotá-las. Isso é verdade. Sabemos que o problema
fundamental da proteção da natureza e do aquecimento global é a prática
do "carona".
O problema é de todos porque os prejuízos evitados beneficiam a todos,
mas cada um quer se aproveitar do esforço dos outros e minimizar os
seus. Mas o "carona" não é o único princípio que comanda tanto os seres
humanos como os países.
Há também valores morais compartilhados, e espírito de cooperação. O
fato é que o futuro da humanidade -dos nossos filhos e netos- está em
risco. E que, ao definir objetivos e melhorar a governança global na
área do ambiente, além de afirmar nossa vontade de cooperar, dizemos que
precisamos regular o presente e planejar o futuro.
Que a alternativa de deixar o problema "por conta do mercado", como
ainda vejo economistas neoclássicos e neoliberais afirmarem, não faz o
menor sentido.
E que mesmo o mercado de carbono faz pouco sentido. Faz mais sentido, a
curto prazo, taxar as empresas e as atividades poluidoras. E, a médio
prazo, desenvolver sistemas de acompanhamento e de execução das metas
acordadas.
Mas é importante ser razoável na definição das metas, porque
desenvolvimento sustentável não é apenas proteção do ambiente; é também
crescimento e diminuição das desigualdades.
O desenvolvimento sustentável deve ser econômico, social e ambiental. E
não podemos repetir tolices como a de afirmar que os países em
desenvolvimento não podem reproduzir os padrões de consumo dos países
ricos.
Talvez isso não seja possível, mas, se não for, não são os pobres que
devem renunciar a melhores padrões de vida, mas os ricos que devem
diminuí-los. E para isso só há uma solução: começar a discutir metas
ambientais.
*esquerdopata
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