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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

domingo, agosto 19, 2012

Atividades lembram oito anos do Massacre da Sé




Local da chacina, a Praça da Sé, no centro de São Paulo, receberá no domingo (19) um acampamento formado por militantes de diversos movimentos sociais

Patrícia Benvenuti - Brasil de Fato

Entre 19 e 22 de agosto de 2004, sete moradores de rua foram assassinados com golpes na cabeça enquanto dormiam na Praça da Sé, no centro de São Paulo. Os ataques também deixaram oito pessoas feridas.
Para lembrar os oito anos do “Massacre da Sé”, organizações e movimentos sociais realizam diversas atividades para cobrar punição aos responsáveis e denunciar as atuais violações contra a população em situação de rua.
No domingo (19), Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, as açõesiniciarão às 19h no Vale do Anhangabaú, de onde sairá uma caminhada rumo à Praça da Sé. Ali, serão realizadas atividades culturais e será montado o Acampamento da Cidadania, onde os participantes passarão a noite.
Na segunda-feira (20), os manifestantes se reunião na Quadra do Sindicato dos Bancários e, de lá, seguirão até a Faculdade de Direito da USP, onde se reunirão com os candidatos à Prefeitura de São Paulo. No encontro, será apresentada uma carta-compromisso, que cobra políticas públicas articuladas entre diversas pastas para garantir a estruturação de uma rede de proteção às pessoas em situação de rua.
“Essa população não está na rua porque quer, é porque existe muita omissão do Estado. Por isso cobramos políticas de saúde e moradia”, explica o integrante do Movimento Nacional da População de Rua Anderson Lopes Miranda.
Além de São Paulo, haverá atividades em Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Distrito Federal, Fortaleza, Porto Alegre, Florianópolis e Vitória.
Impunidade
Segundo investigações policiais, os crimes estariam relacionados a um esquema de proteção clandestina e tráfico de drogas, comandado pelos autores da chacina. As mortes teriam ocorrido para silenciar os moradores de rua, que sabiam do envolvimento de policiais militares. De acordo com o Ministério Público, algumas agressões teriam sido feitas para encobrir o verdadeiro motivo dos ataques.
Foram denunciados seis PMs e um segurança particular. Três soldados chegaram ser presos, mas foram soltos ainda em 2004 por falta de provas.
Em março deste ano, a ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou recurso do Ministério Público que tentava levar a julgamento quatro policiais militares acusados de envolvimento no massacre.
Dados do Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores (CNDDH) revelam que, a cada dois dias, um morador em situação de rua é assassinado no Brasil. De fevereiro de 2011 a maio de 2012, foram registrados 195 casos de homicídios contra moradores de rua em todo o país.
“Todo dia tem população de rua apanhando, levando pedrada, tomando tiro, não podemos aceitar isso”, diz Miranda.
 
*Mariadapenhaneles

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