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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sábado, outubro 27, 2012

GUERRA CIVIL: POLÍTICA DE SEGURANÇA DE GERALDO ALCKMIN E DO PSDB SÓ FUNCIONARIA SE FOSSE SUSPENSO O ESTADO DE DIREITO

Depois de 20 anos de PSDB, violência explode em São Paulo

Depois de quase 20 anos de governo do PSDB em São Paulo, os índices de assassinatos explodem e está declarada uma guerra urbana entra a Polícia Militar e os grupos organizados de traficantes. Os bandidos que estão matando policiais hoje em São Paulo nasceram quando o PSDB chegou ao poder no estado.

O governador Geraldo Alckmin é um exemplo irretocável da política instalada no estado pelo partido. “Vamos combater com firmeza bandidos, não vão nos intimidar, os bandidos vão para a cadeia”, costuma afirmar semanalmente o governador.

É essa, em resumo, a política de segurança do governo. Esse discurso linha dura do governador funcionaria bem se fosse possível romper o estado de direito e a Polícia Militar tivesse carta branca para matar. Essa é a única maneira capaz de o PSDB ter sucesso no combate a violência. Não é por acaso que o partido elegeu vereadores cujo lema era “bandido bom é bandido morto”.

O problema deixa o partido em uma situação difícil, visto que esse tipo de medida tem pouca chance de prosperar, salvo em um sistema realmente de volta ao terror do estado, como no período ditatorial. Está claro que o PSDB não terá sucesso no combate a violência, mesmo porque a situação só piorou durante quase 20 anos de governo, salvo se mascarar os números da violência.

A Polícia Militar do estado precisa usar menos as armas e mais a cabeça. O governo do PSDB colocou os soldados da PM em uma guerra urbana bastante perversa para a polícia. Uniformizada, ela enfrenta nas cidades criminosos não uniformizados. Tornam-se um alvo fácil.

No pano de fundo não está somente o discurso conservador direitista, incompetência e ignorância política, mas toda uma concepção medíocre e fracassada de que o combate às drogas é uma questão policial. O Brasil precisa discutir outras formas de combate às drogas. O país, por exemplo, combateu e diminuiu o índice de fumantes sem o uso da polícia.

Quantas pessoas morreram pelo uso de drogas na última década? Lembro-me da Cássia Eller, em 2001, mais ninguém. Mas quantas pessoas morreram na guerra civil das drogas esta semana? dezenas, talvez centenas. O país precisa discutir sem preconceito, sem mitos, sem tabus. Não é possível continuar essa guerra. As famílias dos policiais não merecem que eles trabalhem em uma guerra urbana.

Não passa pela cabeça desses gênios do PSDB que é preciso distribuir renda, que o dinheiro precisa chegar na periferia, que precisa sobrar dinheiro público nas escolas. A desocupação do bairro Pinheirinho é a cara da política de segurança do PSDB, desalojar a população pobre para dar o terreno a um especulador. Pobre é bandido. O mapa de votação do primeiro turno em São Paulo deixou claro que a população mais pobre já entendeu isso.

Durante esses anos todos, o partido não foi capaz de estruturar o estado para que os jovens da periferia não fossem aliciados por traficantes. Sem um grande programa educacional e de distribuição de renda, sem uma discussão desapaixonada sobre as drogas, a guerra civil vai continuar.

*Educaçãopolítica

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