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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, outubro 14, 2010

Em evento ‘triplo’ em Teresina (PI), a sensação do dever cumprido

Presidente Lula visita uma das salas de aula do novo campus Teresina Central do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Ao participar de evento ‘triplo’ em Teresina (PI) nesta quinta-feira (14/10), visitando escola técnica, assinando ordens de serviço para estradas e obras de linha de transmissão de energia, o presidente Lula afirmou que está concluindo seu mandato com a sensação de dever cumprido, ainda que saiba que há muito para ser feito ainda. “E é bom que a gente tenha essa sensação de que poderia ter feito mais, sempre poderia ter feito mais”, disse em seu discurso de pouco mais de 20 minutos. “Mas ao mesmo tempo saio com a sensação de que embora não tenha feito tudo o que era preciso fazer, nós fizemos muito mais do que qualquer outro governo já fez na história deste País.”
O presidente visitou as instalações ampliadas do campus Teresina Central do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI) e assinou ordens de serviço da construção e pavimentação da BR-020/São Raimundo Nonato (divisa com a Bahia), da BR-235/Bom Jesus (divisa com Bahia) e de obras da linha de subtransmissão Piripiri/Tabuleiro.
As novas instalações do IFPI permitirá um aumento de estudantes atendidos, de mil para quase 10 mil.
Mas o presidente Lula disse que pretende ainda voltar ao Piauí para inaugurar outras obras, como o trecho da ferrovia Transnordestina em Eliseu Martins. A ferrovia, afirmou, “será um passo importante para o crescimento econômico do Piauí, sobretudo porque vai baratear e vai incentivar novos investimentos na produção agrícola naquela região”. Também pretende voltar para inaugurar o hospital universitário, um dos mais modernos do País. A cerimônia só não aconteceu hoje porque o processo eleitoral impediu que fosse feito concurso para a contratação de funcionários, explicou o presidente.
Ouça aqui a íntegra do discurso:

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