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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sexta-feira, maio 11, 2012

Taxação de fortunas com destino para a saúde: deputados católicos, evangélicos e prepostos da alta burguesia vetaram

Sanguessugado do PCB
Câmara barra taxação de fortunas

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O Olhar Comunista desta quinta comenta a "parceria" entre o lobby da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e parlamentares católicos e evangélicos que impediu a aprovação de projeto que cria a Contribuição Social das Grandes Fortunas (CSGF) na Câmara dos Deputados.
Os recursos provenientes do novo tributo seriam destinados exclusivamente para a pasta da Saúde. Através de uma burocrática manobra regimental, foi pedida a verificação de quórum na Comissão de Seguridade Social da Câmara. A iniciativa, que impediu a aprovação desse e de outros projetos, foi feita pelo deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que é médico e se apresenta como "defensor da saúde".
O interesse dos religiosos era impedir, mais uma vez, um projeto que tramita há anos no Congresso e que cria direitos previdenciários para dependentes de homossexuais. Já a bancada que está no bolso da CNI queria impedir a votação do projeto que taxa as grandes fortunas.
Pela proposta, são criadas nove faixas de contribuição a partir de acúmulo de patrimônio de R$ 4 milhões. A última faixa é a partir de R$ 115 milhões. O projeto, que atinge apenas 38 mil brasileiros - os mais afortunados do país - deve ir novamente à votação no colegiado.
*GilsonSampaio

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