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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, setembro 29, 2011

Blogueiros italianos não podem falar de Berlusconi

E nem dos bunga-bungas patrocinados por ele
Blogueiros italianos marcaram um protesto para esta quinta-feira, em Roma, contra um projeto de lei que os tornaria sujeitos a multas de até 12 mil euros.
A medida, considerada "fascista" por internautas e pela oposição, seria uma maneira de proteger o premier Silvio Berlusconi, que recentemente viu algumas de suas conversas íntimas rodar o mundo após a liberação de transcrições de grampos telefônicos.
A nova lei, que deve ser votada no Parlamento na semana que vem, quer restringir o direito da imprensa italiana de reproduzir escutas de inquéritos criminais. A medida também eleva blogs à categoria de sites de notícias, outro ponto que revoltou internautas, estipulando que qualquer pessoa que se sinta difamada ou caluniada por blogueiros pode reivindicar o direito de resposta. Se o site negar a réplica, poderá ser multado.
Para Paolo Gentiloni, do partido de oposição Democrata, a própria elaboração do projeto de lei já representa um bloqueio a blogs, sites e redes sociais. Este poderá se tornar o maior protesto de internauta contra Berlusconi, mas não será o primeiro. No ano passado, o premier enfureceu muitos ao tentar passar uma proposta similar para cercear liberdades na Internet.
- É um insulto à libertado e à democracia. É uma medida fascista - disse Antonio Di Pietro, líder do partido ex-corrupção Princípios da Itália, sobre o projeto de lei.
No início deste mês, a imprensa italiana deu destaque para a investigação sobre o empresário Giampaolo Tarantini, suspeito de aliciar prostitutas para as famosas festas do premier. Reportagens com transcrições de conversas com Berlusconi rodaram o mundo, entre elas uma ligação em que ele usa termos grosseiros para chamar a chanceler alemã Angela Merkel de gorda e outra em que ele diz ter transado com oito mulheres na mesma noite.

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