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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

segunda-feira, junho 24, 2013

ECOS DO PRONUNCIAMENTO (II)


A grande imprensa tinha ciência de que a quase totalidade dos manifestantes, equivocadamente, julgava que os estádios para a Copa 2014 haviam sido reformados com dinheiro público, desfalcando o orçamento da União de recursos para educação, saúde, segurança etc.

Sabia, e não teve a mínima preocupação em esclarecer. Foram dias seguidos de silêncio quanto ao assunto, até o momento do pronunciamento.

Em seu discurso, Dilma Rousseff enfatizou: não foram utilizados recursos do orçamento público na reforma dos estádios.

Agora, a Folha de S.Paulo, inconformada, escarafuncha tudo o que é de obra e documento para ver se localiza algo que desqualifique a afirmação presidencial.

Ah, mas houve empréstimos do BNDES para os consórcios, a juros subsidiados! Não cola; as linhas de crédito do banco estatal referido estão abertas a todos, e a presunção é de que os consórcios se enquadraram nas condições previamente traçadas. Ademais, Dilma não disse que os empréstimos firmados previam juros não subsidiados, disse que os recursos utilizados na reforma dos estádios não foram sacados do orçamento da União.

Não fosse o esclarecimento da presidência, ainda hoje estaria o Brasil acreditando em uma ficção tratada com especial carinho pela grande imprensa.

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