Páginas

Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, novembro 29, 2012

QUER COISA MAIS ODIOSA DO QUE ESSA POSTURA DEMOCRÁTICA DE UM TORNEIRO MECÂNICO QUE VEM NOS DAR LIÇÃO DE CIVILIDADE E DEMOCRACIA?

Lula recebe prêmio Indira Gandhi

Recentemente em redes sociais e em blogs há várias postagens e artigos tentando explicar o ódio ao PT e ex-presidente Lula. Os brasileiros tentam entender porque tanto ódio ao partido e ao ex-presidente, considerado o melhor presidente desde o início da República, isso baseado em dados socais e econômicos que seu governo produziu.

Nesse momento Lula recebe inúmeros prêmios no exterior. É reconhecido internacionalmente e isso ainda será matéria de análise: a importância do governo Lula para o mundo.

Antes já se falava no preconceito nordestino, no preconceito da linguagem, mas acredito que o preconceito tem menos influência do que o próprio conceito. Na verdade o preconceito é contra o conceito que o PT e Lula trouxeram para o Brasil. Falo do PT não como um partido político, mas como um movimento social, que agregou diversos setores da sociedade, por uma causa transformadora, na época em que o Brasil era considerado a mais desigual do mundo e sufocado por um golpe da elite civil-militar que destruiu as estruturas institucionais de civilidade, vide o que acontece com relação à segurança pública em São Paulo e nas principais cidade do país. A ditadura persiste na violência da desigualdade e nos discursos e práticas políticas de setores do poder público.

O PT chama-se Partido dos Trabalhadores não porque era um grupo exclusivo de indivíduos desse setor da sociedade. É certo que havia a forte presença já de Lula e do sindicalismo do setor automobilístico naquele momento. Mas ele recebeu esse nome porque é fruto do rompimento histórico dos partidos únicos comunistas. O nascimento do PT já fez parte e resultado de uma revisão histórica dos erros e equívocos do comunismo, que se transformou em ditaduras comuno-capitalistas, na maioria das vezes, com uma avassaladora burocracia.

A revisão das experiências reais acontecia no mundo todo desde a metade do século passado. O PT nasce no início da década de 80 e toma para si a consolidação do conceito de democracia. Quer coisa mais odiosa que uma esquerda, esclarecida, educada e democrática competindo com setores que buscam a todo custo manter o sistema atual de violência e desigualdade?

O presidente Lula, mais do que ninguém, durante todo o tempo em que esteve no poder, foi um grande democrata. Mesmo com toda a popularidade, mesmo com setores do partido propondo sua terceira reeleição, ele se recusou. Assumiu o risco, um risco pensado pela sua genialidade política, em eleger outra pessoa. Nenhuma mudança na Constituição foi realizada para aumentar os poderes ou prorrogar o poder do ex-presidente, diferentemente do que aconteceu com Fernando Henrique Cardoso, que em pelo mandato, aprovou a reeleição.

Quer coisa mais odiosa do que essa postura democrática de um torneiro mecânico que vem nos dar lição de civilidade e democracia? O preconceito esconde muitas vezes o próprio conceito.

*Educaçãopolítica

Nenhum comentário:

Postar um comentário