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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sábado, março 30, 2013

Carta de um veterano de guerra, à beira da morte, para W. Bush e Dick Cheney

Relevo aqui toda a desinformação, toda a visão deturpada de mundo, diante do sentimento profundo exposto na consciência da traição. Na consciência de ter sido enganado e estar diante da morte, sem possibilidade de redenção. No Afeganistão os princípios são os mesmos, os motivos alegados são deboche à inteligência. O atentado às torres gêmeas ainda não teve suas causas reveladas, embora a intuição já as possa detectar. Pretexto pra tomar petróleo, pra catalisar as energias da população e criar apoio a qualquer guerra, a qualquer genocídio, como o praticado no Iraque.

Assista "Fahrenheit 11 9". Ou "A verdade sobre o 11 de setembro". Há outros. E é óbvio. Tudo orquestrado, até a eleição do "negro" Obama, tudo dentro do roteiro programado. Somos todos feitos de otários. Mas aos poucos e sob a pecha de loucura, vamos acordando. Num mundo como o nosso, é preciso ser louco pra ter um pouco de lucidez.

Relevo a ingenuidade em meio à tomada de consciência.





George Bush
A besta-fera do apocalipse, George Bush

















A George W. Bush e Dick Cheney
De Tomas Young
Escrevo esta carta no décimo aniversário da guerra contra o Iraque, em nome dos meus companheiros veteranos de guerra. Em nome dos 4.488 soldados e fuzileiros que morreram no Iraque. Escrevo em nome das centenas de milhares de feridos e em nome daqueles cujas feridas, físicas e psicológicas, destruíram suas vidas. Eu sou um desses feridos graves. Fiquei paralítico num ataque da insurgência, em 2004, na cidade de Sadr. Minha vida está chegando ao fim, vivo aos cuidados de um hospital para pacientes terminais.
Escrevo em nome de homens e mulheres que perderam seus companheiros, das crianças que perderam pais e mães, dos pais e mães que perderam seus filhos e filhas e em nome daqueles que se preocupam pelos milhares de companheiros veteranos que sofreram lesões cerebrais. Escrevo esta carta em nome dos ex-combatentes cujos traumas e culpas pelo que viram, sofreram e cometeram no Iraque os levaram ao suicídio e em nome dos militares em serviço ativo que cometem, em média, um suicídio por dia. Escrevo esta carta em nome de aproximadamente um milhão de iraquianos mortos e incontáveis feridos deste país. Escrevo em nome de todos nós, o lixo humano que voltou da sua guerra, aqueles que passaram suas vidas marcados por uma dor e um luto intermináveis.

Escrevo esta carta, minha última carta, a ti Bush, e a ti Cheney. Não o faço porque acredite que vão compreender as terríveis conseqüências humanas e morais das suas mentiras, das suas manipulações e da sua sede de riqueza e poder. Escrevo porque, antes de morrer, quero deixar claro que eu, e centenas de milhares de companheiros veteranos, milhões de compatriotas, de iraquianos e gente do Oriente Médio sabemos perfeitamente quem são vocês e o que têm feito. Vocês podem escapar da justiça, mas aos nossos olhos ambos são culpados de gravíssimos crimes de guerra, de saque e, por último, de assassinato, inclusive o assassinato de milhares de jovens estadunidenses - meus companheiros - cujo futuro roubaram.

Sua posição de autoridade, seus milhões de dólares de riquezas pessoais, seus consultores de relações públicas, seus privilégios e seu poder não podem ocultar a falsidade da sua condição. Nos enviaram para lutar e morrer no Iraque, enquanto você, Cheney, fugiu da guerra do Vietnam, e você, Bush, desertou da Guarda Nacional. Sua covardia e egoísmo estão patentes há décadas. Não estavam dispostos a se arriscar por nossa nação, mas enviaram centenas de milhares de homens e mulheres jovens ao sacrifício numa guerra sem sentido, sem pensar mais que o tempo de jogar o lixo fora.

Entrei no exército dois dias depois dos ataques em 11 de setembro. Eu me uni ao exército porque nosso país havia sido atacado. Queria devolver o golpe a quem havia matado cerca de três mil concidadãos. Não entrei para ir ao Iraque, um país que não participou desse ataque em 2001 e que não representava nenhuma ameaça para seus vizinhos e muito menos para os Estados Unidos. Não me tornei militar para "libertar" os iraquianos ou para acabar com fictícias instalações de armas de destruição em massa, nem para implantar o que vocês chamam cinicamente de "democracia" em Bagdá e no Oriente Médio. Não entrei no exército para a reconstrução do Iraque, que naquele momento vocês nos disseram que poderia ser pago com o petróleo iraquiano. Em vez disso, esta guerra custou aos USA mais de 3 bilhões de dólares. Sobretudo não me uni ao exército para fazer guerra preventiva. A guerra preventiva é ilegal, pelo direito internacional. E ao ser soldado no Iraque fui, agora eu sei, cúmplice da sua estupidez e dos seus crimes. A guerra do Iraque é o maior erro estratégico da história dos Estados Unidos. Quebrou o equilíbrio do poder no Oriente Médio. Instalou em Bagdá um governo corrupto e brutal, favorável ao Irã, um governo que consolidou seu poder com o uso da tortura, dos esquadrões da morte e do terror. E posicionou o Irã como força dominante na região. Em todos os âmbitos - moral, estratégico, econômico e militar - o Iraque foi um fracasso. E foram vocês, Bush e Cheney, quem iniciou esta guerra. São vocês que devem arcar com as conseqüências.
Eu não escreveria esta carta se fosse ferido combatendo no Afeganistão, contra as forças que levaram a cabo os ataques de 11 de setembro. Se fosse ferido ali continuaria um miserável, por minha deterioração física e minha morte iminete, mas teria ao menos a tranqüilidade de saber que meus ferimentos foram conseqüência da minha própria decisão de defender o país que amo. Não estaria na cama com o corpo entupido de analgésicos, minha vida se apagando e consciente do fato de que centenas de milhares de seres humanos, inclusive crianças, incluindo eu mesmo, fomos sacrificados por vocês apenas pela cobiça das companhias petroleiras, por sua aliança com o sheiks do petróleo da Arábia Saudita e por sua demente visão do império.
Tenho padecido, como tantos outros ex-combatentes incapacitados, da deficiente e inepta atenção proporcionada pela Administração de Veteranos. Compreendi, como tantos outros, que nossas feridas mentais e físicas não lhes interessam, nem a nenhum político. Nos usaram. Nos traíram. E fomos abandonados. Você, Bush, se esforça para fingir que é cristão. Mas mentir não é pecado? Assassinar não é pecado? Não é pecado o roubo e a cobiça? Eu não sou cristão. Mas creio no ideal cristão. Creio que o que se faz ao menor dos irmãos é o que se faz a si mesmo, à própria alma.
Para mim chegou a hora da verdade. A sua também chegará. Espero que se ponham à prova. Mas sobretudo espero, para seu próprio bem, que encontrem a coragem moral para enfrentar o que nos fizeram, a mim e a muitos outros que mereciam viver. Espero que, antes que acabe o seu tempo nesta terra, assim como se acaba o meu agora, encontrem força de espírito para se colocar diante do povo estadunidense, diante do mundo e, em particular, diante do povo iraquiano, e lhes peçam perdão.
*observareabsorver

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