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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sexta-feira, março 22, 2013

“Insustentável”. Feliciano vai cair?










Por Altamiro Borges

A situação do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), famoso por suas posições homofóbicas e racistas, tornou-se “insustentável”. Quem fez esta afirmação hoje foi o presidente da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Em entrevista, ele cobrou uma rápida solução para a grave crise que paralisa a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e que desgasta ainda mais a imagem do parlamento brasileiro. Nesta quarta-feira, novamente os trabalhos da comissão foram interrompidos por protestos.



“A Comissão de Direitos Humanos, até pela sua importância, não pode ficar nesse impasse... Essa casa tem que primar pelo equilíbrio, serenidade, objetividade e pelo trabalho parlamentar. E do jeito que está ficou insustentável a situação, que eu acredito que será resolvida até terça-feira da semana que vem. Agora passou a ser também responsabilidade do presidente da Câmara”, afirmou o deputado Henrique Eduardo Alves. A entrevista sinaliza que o rancoroso deputado-pastor pode ser defenestrado nos próximos dias.

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Marco Feliciano ainda tentar aparentar valentia. Em entrevista à rádio Estadão, ele jurou que não renunciará “de maneira alguma” à presidência da CDHM da Câmara Federal. Ele se disse vítima de perseguição, esquecendo-se que as críticas a sua postura partem dos setores da sociedade que são demonizados por suas pregações preconceituosas e de estímulo ao ódio. Sua insistência, porém, só tem gerado maiores constrangimentos. No próprio Partido Social Cristão, muitos já defendem a sua renúncia.

Numa reunião da bancada do PSC, segundo relato do jornal O Globo, o deputado Hugo Leal (RJ) teria dito que Marco Feliciano detona a sigla com a sua teimosia. “Você é cantor, vende CDs, faz palestras. O problema não é você defender o que pensa, mas a forma como está fazendo. Só você ganha com isso. Dessa forma, está sendo ruim para o partido e para a Câmara”. No meio deste tiroteio, novas e velhas denúncias surgem contra o parlamentar. Segundo o noticiário, ele agora terá de responder a uma ação por estelionato no STF.

Para complicar ainda mais a “insustentável” situação, um vídeo que circulou na internet nesta semana mostra o deputado atacando os que criticam a sua eleição para a presidência da CDHM. Ele chama de “rituais macabros” os atos contra a sua indicação. Pelo andar da carruagem, o deputado - que já se comparou à dissidente cubana Yoani Sánchez – está com os seus dias contados. Um pouco mais de pressão e ele cai – o que seria uma vitória pontual para os que defendem os direitos humanos e uma derrota sentida para os setores conservadores e preconceituosos da sociedade.

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/03/insustentavel-feliciano-vai-cair.html

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