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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

segunda-feira, dezembro 23, 2013

Roberta Namour, correspondente do 247, em Paris - A presidente Dilma Rousseff surpreendeu americanos e franceses ao anunciar o contrato com a sueca Saab para renovar a frota da Força Aérea Brasileira. O negócio da ordem de US$ 4,5 bilhões prevê a compra de 36 aviões Gripen NG.
Com a decisão, o país ganha também a criação de uma verdadeira indústria de defesa, já que a Saab pretende construir uma fábrica na região do Grande ABC. De lá, a empresa sueca já estuda exportar o Gripen para países mais distantes da Europa.
Ao mesmo tempo, a troca de caças da FAB pode fazer o Brasil encher os cofres. De acordo com o site francês JOL Press, a Coreia do Norte estaria em negociação com o governo brasileiro para adquirir os obsoletos Mirage 2000.
Representantes do governo de Kim Jong-un teriam visitado Brasília para discutir os termos da aquisição. A publicação dá ainda o valor do cheque proposto por Pyongyang: US$ 7 milhões por oito aeronaves. O contrato pode aumentar para 12 caças, parados na base de Anápolis, em Goiás.
O JOL Pres diz ainda que seis desses aviões teriam chegado ao porto de Nampo no dia 2 de dezembro. Pilotos brasileiros estariam agora passando o know-how aos homólogos coreanos.
Se confirmada, a notícia pode causar um mal-estar diplomático. O polêmico ditador Kim Jong-um tem feito repetidas ameaças a Seul para “atacar sem piedade nem aviso prévio” o vizinho do sul.
No início do ano, a tensão na fronteira aumentou consideravelmente depois que Pyongyang realizou o terceiro teste nuclear da história do país, em fevereiro. Kim Jong-un disse que também iria destruir a Casa Branca e chegou a posicionar mísseis na direção do Japão e fechou o complexo industrial de Kaesong.
*Brasil247

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