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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

segunda-feira, julho 04, 2011

Malandro é malandro, Serra é Serra

Zé Mané 
Crônicas do Motta

Escanteado pelos seus pares, que o acomodaram num órgão inexpressivo na estrutura partidária, José Serra tenta criar factoides diários. Os dois últimos são patéticos: a invasão, por um hacker, de sua conta no Twitter - aquele em que desfila toda a sua genialidade - e a divulgação de uma carta com severas críticas a este e ao governo passado.

O problema é que ninguém deu bola para nada disso. A carta nem foi endossada pelos tucanos de alta plumagem. O episódio do hacker deu a impressão de que foi uma resposta sua aos ataques sofridos pelos sites governamentais: afinal, deve ter pensado o ex-governador, se eles podem, eu também posso.

Tudo junto, resta apenas a tentativa cada vez mais desesperada de sobrevivência de um político que foi perdendo a importância graças aos seus muitos deméritos.

O pior, para ele, é que, dia a dia, a cada foto em que aparece como papagaio de pirata de alguém, a cada ida como bicão a uma solenidade qualquer, a cada discurso que faz sem ter sido convidado, Serra se torna menos um José e cada vez mais um Zé.

Um desses Zés anônimos que vagam por aí, cavoucando um espaço na rodinha do futebol, no bate-papo entre amigos no boteco, no jogo de truco no fim de semana.

Aquele que, quando chega, a turma vai embora, porque ele é simplesmente um Zé Mané, desagradável, chato que dói, pentelho como ele só.

*esquerdopata

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