Páginas

Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sexta-feira, março 01, 2013

Primeiro ministro turco afirma que sionismo é um crime contra a humanidade

Via Sul 21

Para Erdogan, sionismo, anti-semitismo e facismo deveriam ser considerados crimes contra a humanidade | Foto: Governo do Chile
Da Redação
O Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, afirmou nesta sexta-feira (1) que os comentários do primeiro-ministro da Turquia equiparando o sionismo com um crime contra a humanidade dificultam os esforços de atingir a paz no Oriente Médio.
Nesta semana, na conferência da ONU pela Aliança entre as Civilizações, em Viena, o premiê turco Recep Tayyip Erdogan reclamou da discriminação sofrida pelos muçulmanos. Ele afirmou que a islamofobia deveria ser considerada um crime contra a humanidade, “bem como o sionismo, o anti-semitismo e o fascismo”.
Nesta sexta-feira (1), em uma coletiva de imprensa em Ankara ao lado do ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, Kerry afirmou que “há uma necessidade urgente de se promover um espírito de tolerância, e isso inclui as declarações públicas de todos os líderes”. Sobre a paz na região, ele disse: “Acredito que há uma maneira de progredir, mas obviamente isso fica mais complicado após discursos como esse que ouvimos em Viena”.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu também condenou o comentário na quinta-feira, afirmando que foi uma “declaração obscura e desonesta, do tipo que pensei que havíamos deixado no passado”. A ONU também criticou os comentários do líder turco.
Na coletiva de imprensa com Kerry, Davotoglu negou que o primeiro-ministro tenha sido hostil ou ofensivo. Ele abordou repetidamente a morte de nove civis pelo comando israelense no navio turco de ajuda humanitária que ia para Gaza em 2010. “Se Israel quer ouvir declarações positivas da Turquia, precisa rever suas atitudes em relação a nós e ao povo da região, e especialmente rever a questão das colônias na Cisjordânia”, disse o ministro.
Turquia e Israel já foram importantes aliados, mas suas relações se deterioraram depois do ataque ao navio turco em 2010. A difícil relação entre os dois países tem sido motivo de grande preocupação para os Estados Unidos, que tem tentado, sem sucesso, que as nações se tornem amigáveis uma com a outra novamente.
Com informações da Associated Press
*GilsonSampaio

Nenhum comentário:

Postar um comentário