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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, julho 31, 2014

Até 2019 a Venezuela terá um sistema de economia socialista, diz Maduro

Micaela Ryan
Durante o III Congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela (Pusv), realizado em Caracas, o presidente destacou que o país tem boas experiências que permitiram avançar na construção do novo modelo econômico
28/07/2014
Hoje, praticamente, apenas Cuba sustenta um sistema econômico socialista, mas essa realidade está prestes a mudar. Neste domingo, 27 de julho, durante o III Congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela (Pusv), realizado em Caracas, o presidente Nicolás Maduro surpreendeu com a notícia de que, até 2019, o país sofrerá uma transição rumo a uma economia socialista. Esta será a principal tarefa da Revolução Bolivariana nos próximos quatro anos.
"A agenda e tarefa fundamental da Revolução Bolivariana de hoje a 2019 é econômica, a construção do aparato produtivo econômico do país e o arranque das forças produtivas do país, o avanço e progresso da transição econômica socialista são a tarefa principal”, manifestou Maduro, acrescentando que este é o ponto fundamental para a consolidação de todo o processo histórico da Venezuela.
Maduro destacou que o país tem boas experiências que permitiram avançar na construção do novo modelo econômico, como a área industrial com a Petróleos da Venezuela (Pdvsa), que gerou bons dividendos, revertidos na geração de bem estar social. O mandatário lembrou também a Siderúrgica do Turbio S.A. (Sidetur) - nacionalizada em 2010 –, que vem batendo recordes de produção.
O presidente venezuelano citou ainda a Companhia Anônima Nacional Telefones da Venezuela (Cantv), empresa que está gerando uma renda significativa para o país e oferecendo os melhores serviços em Internet, telefonia fixa e móvel e TV paga.
Para debater o assunto com mais profundidade, o mandatário sugeriu a realização – em dezembro deste ano - de uma Conferência Nacional Extraordinária, com a partição de convidados de dentro e fora do país, a fim de se discutir como único tema o projeto econômico de transição da Revolução Bolivariana ao socialismo.
Ainda tocando no tema da economia, Maduro pediu aos militantes que assumam, com iniciativas concretas e palpáveis, em comunidades, municípios e estados, a ofensiva do governo contra a "guerra econômica da direita”, que pretenderia acabar com o processo revolucionário, por meio da especulação, do monopólio e do contrabando.
O governo venezuelano vem denunciando. Internacionalmente, uma guerra econômica que estaria sendo desatada pela direita, com apoio dos Estados Unidos. Para enfrentá-la, desde abril último, o governo ativou uma ofensiva, que compreende impulsionar a produção nacional, garantir abastecimento e preços justos.
Madurou chamou ainda os militantes a definirem qual é a agenda econômica para acelerar, melhorar e ampliar a transição a uma economia produtiva socialista.
Com informações da Agência Venezuelana de Notícias

*BrasildeFato

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