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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sexta-feira, outubro 30, 2015

15 anos do Convênio Integral de Cooperação Cuba-Venezuela

Photo: Prensa Presidencial
O Convênio foi assinado em Caracas, em 30 de outubro de 2000, pelo comandante-em-chefe Fidel Castro e o líder da Revolução Bolivariana, Hugo Chávez, animados pelo desejo de fortalecer os laços tradicionais de amizade entre os dois países.
Segundo o texto, que aparece na íntegra no site da embaixada de Cuba na Venezuela, as partes assinaram um pacto “conscientes de seu interesse comum em promover e fomentar o progresso de suas respectivas economias e as vantagens recíprocas que resultam de uma cooperação que tenha resultados efetivos no avanço econômico e social dos respectivos países e a integração da América Latina e o Caribe”.
Ainda, impacta os setores do esporte, energia, cultura, agricultura, educação e saúde, com prioridade para estes dois últimos com a criação da Missão Bairro Dentro, o Programa de Formação de Médicos Latino-americanos, a Missão Milagre, que nasceu quando o convênio cumpria seus primeiros quatro anos; e a Missão Sorriso.
O convênio tem seis artigos nos quais se estima, por exemplo, que para a execução de projetos de cooperação, “será considerada a participação de organismos e entidades dos setores públicos e privados de ambos os países e, quando seja necessário, das universidades, organismos de pesquisas e de organizações não governamentais”. “Entre outros assuntos, estipula que Cuba oferece gratuitamente à Venezuela os serviços médicos, especialistas e técnicos da saúde para prestar serviços em lugares onde não se disponha desse pessoal”. A parte venezuelana cobrirá as despesas de alojamento, alimentação e transporte interno.
Aposta igualmente em um “mecanismo para o cumprimento e acompanhamento das ações de cooperação previstas no presente Convênio”, pelo que “as partes estabelecerão uma Comissão Mista integrada por representantes de ambos os governos, que se reunirá alternativamente, cada ano, em Caracas e Havana”.
A dita Comissão Mista estabelecerá grupos executivos de trabalho, sob a responsabilidade dos ministros respectivos de cada país, para viabilizar as relações de cooperação nos diferentes setores definidos no presente Convênio.
A primeira ação do Convênio materializou-se 30 dias depois da assinatura com a chegada a Cuba, em 30 de novembro de 2000, do primeiro voo do Programa de Atendimento a Pacientes venezuelanos em Cuba.
Naquela oportunidade chegaram 46 pacientes e 45 acompanhantes. Desde então cada ano o programa foi crescendo. Até 2014 tinham sido salvas mais de 1,75 milhão de vidas, realizaram-se 780 milhões de consultas médicas e 477 voos com destino a Cuba, beneficiando 60 mil pessoas, de acordo com a vice-ministra venezuelana para a Suprema Felicidade Social do Povo, Carolina Cestari.
A rede de atenção médica supera nesse período os 10 mil consultórios em bairros, vilarejos, zonas rurais e inclusive urbanizações, conseguindo salvar a vida de mais de 1,75 milhão de venezuelanos, segundo estatísticas do Ministério venezuelano para a Saúde.

*http://pt.granma.cu/mundo/2015-10-30/convenio-integral-de-cooperacao-cuba-venezuela

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