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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

segunda-feira, outubro 26, 2015

O Homem não pode ser separado do Sexo.


O Homem não pode ser separado do Sexo. O Sexo é o seu ponto principal; ele nasce dele. Deus fez com que a energia do Sexo fosse o ponto de partida da criação. E as “grandes figuras” olham para o Sexo como se fosse um pecado, o que nem o próprio Deus o considera como pecado! Se Deus considera-se o Sexo como pecado, então não existe neste planeta um maior pecador do que Deus, nem no universo.
Será que nunca se tinham apercebido que o florescer de uma flor é a expressão da sua paixão? Que isso é um ato sexual? Um Pavão dança em toda a sua glória; um Poeta cria uma canção; até um santo sente-se cheio de alegria — mas será que eles não têm consciência que a dança também é uma expressão da paixão à vista de todos, que é primeiramente um ato sexual?
O Pavão dança para a alegria de quem? O Pavão está a chamar a sua amada, a sua esposa. O Cuco está a cantar; um rapaz acaba de se tornar um adolescente; uma moça está a tornar-se numa mulher. O que é isto tudo? Tudo isto são indicadores do Amor, da Energia Sexual. Estas manifestações do Amor são as expressões do Sexo transformadas — a borbulhar de Energia, com consciência do Sexo. Durante a Vida de uma Pessoa, todos os atos de Amor, todas as atitudes e impulsos de Amor, são florescimentos da Energia Sexual primordial.
A Religião e a Cultura injetam veneno na cabeça do Homem, para que fiquemos contra o Sexo. Eles criam conflitos, guerra; eles colocam o Homem numa batalha contra a sua principal fonte de energia — e assim o Homem torna-se fraco, vulgar, duro, alheio de Amor e cheio de nada. Ao invés de se criar uma oposição ao Sexo, deveria haver sim uma relação harmônica. O Sexo deveria ser elevado para os mais altos padrões de pureza."
( Osho )

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