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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

terça-feira, setembro 21, 2010

Americana que foi solta no Irã agradece ajuda do Brasil em sua libertação


Se José Serra fosse o presidente do Brasil, a americana teria morrido. Serra não quer nenhum tipo de relação com o Irã

A americana Sarah Shourd, que ficou 410 dias presa no Irã acusada de espionagem, se encontrou ontem com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para agradecê-lo pelos apelos que o Brasil fez por sua libertação, que aconteceu na semana passada.

Ela se reuniu com Amorim, que está em Nova York para os debates da Assembleia Geral da ONU, também para pedir que o país continue a interceder pela soltura dos outros dois americanos, Josh Fattal e de Shane Bauer --seu noivo. Ambos foram presos ao lado dela em 31 de julho do ano passado.

"Agradeço pela oportunidade de falar com o ministro, pelo interesse e pelo envolvimento do Brasil. Mas não posso comentar nada além disso", disse Sarah, ao final do encontro de meia hora com Amorim, na sede da Missão do Brasil na ONU. Ela estava acompanhada de sua mãe e de parentes de Fattal.

Alex Fattal, irmão de um dos americanos ainda detidos, afirmou esperar que o Brasil possa continuar "falando constantemente com os iranianos".

"É uma grande ajuda, sabemos disso", afirmou, em português, depois de explicar que já morou em Belém.

Amorim foi cauteloso ao mencionar o peso das intervenções brasileiras na soltura de Sarah. Ele disse, no entanto, que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, o agradeceu pela libertação.

Questionado se o governo americano havia se manifestado para agradecer ao Brasil, o ministro afirmou que, ao encontrar-se com Hillary, anteontem, disse a ela: "Está contente que soltamos... que saiu um dos hikers [os três faziam uma caminhada quando foram presos]?".Segundo Amorim, Hillary respondeu com um "muito obrigada!".

APELO

O ministro disse, no entanto, que "a gente não deve ficar tomando os créditos para si", embora tenha enviado uma mensagem a seu colega iraniano, Manouchehr Mottaki, "agradecendo que as ponderações do presidente Lula tenham sido escutadas".

Amorim afirmou ainda que o Brasil continuará trabalhando pela libertação dos outros presos. "É uma situação que não está resolvida. Como a própria moça disse, ela só se sente um terço livre, porque o noivo dela e o amigo ainda estão lá."

Ele disse ver a soltura de Sarah como um "sinal de que há uma abertura".

Antes do encontro, Amorim participou de reunião ministerial dos Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, China e Índia).

Ao fim do encontro, o ministro ressaltou que, "no ano que vem, estaremos todos no Conselho de Segurança, os quatro, então será também uma oportunidade de coordenar posições°. A Índia concorre a uma vaga como membro não permanente do conselho, mesma posição que o Brasil ainda ocupará em 2011.
*amigosdopresidenteLula

Brasil exporta programas contra fome e pobreza para países da Europa, África e Américas

22 de setembro de 2010

As ações de transferência de renda e combate á fome aplicadas no Brasil foram consideradas as maiores do mundo nesta terça-feira (21), pelo jornal britânico The Guardian. O jornal replicou em inglês matéria publicada dias antes, pelo francês, Le Monde. Segundo o texto, “a principal medida responsável pelo resgate de 27,3 milhões de brasileiros da extrema pobreza foi a subvenção de crédito, em forma de cartão, para famílias que vivem com menos de R$ 1,80 por dia”.

Vinte e cinco países já buscaram informações para implantar programas de transferência de renda e combate á fome similares aos brasileiros, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). São eles: África do Sul, Alemanha, Angola, Benin, Bolívia, Canadá, China, Colômbia, Cuba, Egito, Itália, Malásia, México, Moçambique, Nicarágua, Nigéria, Noruega, Panamá, Paraguai, Peru, Suécia, Timor Leste, Turquia, Venezuela e Zâmbia.

O modelo, disseminado pelo mundo por meio de entidades como as Nações Unidas, está sendo exportado para diversos países com problemas semelhantes ao do Brasil, principalmente, os da África. Além disso, tanto o Programa das Nações Unidas para a Infância e Juventude (Unicef) como o Banco Mundial exaltam o Programa Bolsa Família como um exemplo a ser seguido.

Brasil também criou instrumentos de cooperação ou entendimento com outros 25 países e organizações internacionais como África do Sul, Angola, Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Cuba, Egito, El Salvador, Espanha, Estados Unidos, Guatemala, Haiti, Ibas (fórum de cooperação Sul-Sul), Índia, Itália, Líbano, México, Moçambique, ONU, Panamá, Paquistão, Peru, Senegal, União Européia, Venezuela e Vietnã.

A notícia do The Guardian (o Guardião, em inglês) antecedeu a apresentação da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes, na Cúpula das Nações Unidas sobre as Metas do Milênio, nesta terça-feira (21), em Nova York. A reunião dos líderes mundiais antecede a Assembléia Anual Geral da ONU, que vai examinar o caminho percorrido desde 2000, quando o planeta impôs-se a meta de reduzir a pobreza pela metade até 2015.

Na ocasião, a ministra comemorou o reconhecimento do Brasil como referência no combate à fome e à pobreza. “O programa Bolsa Família é reconhecido mundialmente pelo seu impacto, pelo seu desenho pelo seu alcance. São 12, 6 milhões de famílias que hoje não só recebem renda básica complementar ao orçamento doméstico, mas que também faz o acompanhamento das famílias na escola, na saúde, não permitindo que haja crianças no trabalho infantil e inserindo, cada vez mais, as famílias nas atividades de inclusão positiva, de qualificação profissional. Enfim, é um programa que integra inúmeras políticas públicas, por isso mesmo, é reconhecido mundialmente”, afirmou a ministra.

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