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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

segunda-feira, setembro 20, 2010

Célebre foto de John Lennon feita por Annie Leibovitz vai a leilão em Nova York


© Foto de Annie Leibovitz. John Lennon abraçado a Yoko Ono em Nova York, cinco horas antes de seu assassinato em 08 de dezembro de 1980.

A célebre imagem feita por Annie Leibovitz em 1980, que mostra John Lennon nu, abraçado a Yoko Ono, vai a leilão. Especula-se que ela seja arrematada por um valor entre US$ 10 mil (R$ cerca de R$ 18 mil) e US$ 15 mil (cerca de R$ 27 mil). O leilão está marcado para acontecer em 19 de outubro de 2010, na casa Swann Auction Gallerie, em Nova York. Na época, a foto foi veiculada pela revista Rolling Stone norte-americana, que a publicou na capa da famosa edição de janeiro de 1981, no mês seguinte à morte de Lennon e acabou sendo escolhida por editores, artistas e designers que participaram da conferência da Sociedade Americana dos Editores de Revistas, em 2005, como a melhor capa de revista dos Estados Unidos nos últimos 40 anos. A sessão de fotografias realizou-se no apartamento do casal no edifício Dakota, em Nova York, em 08 de dezembro de 1980, cinco horas antes do assassinato de Lennon, abatido a tiros por Mark Chapman.
*imagemVision

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