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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sexta-feira, novembro 11, 2011

Chico Buarque, sobre as mulheres e o processo criativo!








Acusado de fazer música pra pegar mulher, Chico Buarque responde:

"Acho que é diferente. A gente inventa mulher pra pegar música".

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Fiquei com essa frase do Chico na cabeça. O que ele fala aqui é do processo criativo. Muitas pessoas, acreditam que tudo o que está na obra de um artista, livro, canção, imagem, tem relação com o mundo real, o mundo de fora.

Confundir criador e criatura desta forma é uma total falta de imaginação!

Tudo o que produzimos é, obviamente, nosso. Faz parte de nossa psique,consciente ou inconsciente. Normalmente a segunda é responsável pelas melhores e mais autênticas produções. Mas nem tudo o que produzimos aconteceu CONCRETAMENTE.

Um dia me perguntaram se tudo o que estava nos livros eu tinha vivido. Quantas vidas seriam necessárias para isso? A mágica da literatura é exatamente essa, construir fantasias e personagens, estar atenta ao mundo e as pessoas, navegar em emoções cotidianas e comuns a todos nós.   

E não é o verdadeiro artista esse capaz de construir fantasias elaboradas e materializá-las em beleza através de suas obras?


Deixemos o mundo real para as pessoas sem imaginação!

E dá-lhe Chico!


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