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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sábado, maio 09, 2015

Alasca e Havaí exigem direito de autodeterminação

Skagway, Alasca

Alasca e Havaí exigem direito de autodeterminação

© flickr.com/ Jill Clardy
MUNDO

Os representantes dos povos nativos da Alasca e Havaí solicitaram que a ONU estude, em 11 de maio, a questão da anexação ilegítima dos seus territórios pelas autoridades dos EUA e exigiram garantir os seus direitos de autodeterminação e realização de um referendo.
11 de maio é a data da próxima reunião periódica do Conselho da ONU dedicada à revisão periódica de direitos humanos nos EUA.
Segundo o comunicado publicado nesta sexta-feira (8) durante a sessão da ONU em Genebra, o território da Alasca e Havaí “em 1959 [quando eles receberam o status de Estados com plenos diretos] foi absorvido pelos Estados Unidos por meio de fraude e violação premeditada do mandato e princípios da ONU e processo de autodeterminação libre”. Os autores do documento apelam às Nações Unidas para “corrigir o erro”.
“Os EUA tomaram a nossa terra, extraem em enormes quantidades os recursos naturais, prejudicando o meio ambiente”, frisou o representante da Alasca no grupo “Aliança da Alasca e Havaí pela autodeterminação” Ronald Barnes.
Ele também sublinhou que a venda de Alasca aos EUA por parte da Rússia em 1867 “não significava a transferência da soberania sobre Alasca aos EUA”.
O representante de Havaí Leon Siu também por sua vez manifestou o seguinte:
“A nossa cultura é esmagada. Porém a atividade dos EUA não é somente dirigida contra a nossa cultura, mas também contra a paz no nosso planeta, porque em Havaí situa-se uma base militar Pearl Harbour. Durante os treinamentos militares eles poluem a nossa terra e água. As pessoas ficam doentes por esta razão… Não queremos ser parte da máquina de guerra”.
Lembramos que no ano passado no site da Casa Branca apareceu uma petição que exige retorno da Alasca à Rússia que recebeu dezenas de votos. Porém, este instrumento da voz popular não obriga a Casa Branca a fazer nada, exceto dar uma resposta qualquer.    


Leia mais: http://br.sputniknews.com/mundo/20150508/966518.html#ixzz3ZbrPHPPN

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