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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sexta-feira, novembro 26, 2010

Beltrame para DG da Polícia Federal. Em SP ninguém usa cocaína ou crack





    Beltrame re-instalou o Estado


    O delegado Beltrame ganhou a batalha.

    Ele não acabou com o tráfico nem com o crime organizado no Rio – o que é impossível.

    Mas, ele botou o tráfico para correr.

    E as milícias também correram, apesar do apoio que elas deram, nas eleições, ao Marcelo Lunus Itagiba, braço direito e esquerdo do Padim Pade Cerra.

    Beltrame ganhou a batalha porque pôs para funcionar a ideia que o governador Sérgio Cabral trouxe da Colômbia: as Unidades Policiais Pacificadoras.

    Beltrame expulsou os traficantes das favelas.

    Pôs para correr.

    E quando os traficantes reagiram, ele foi para cima dos traficantes, com a ajuda do Presidente Lula.

    O tráfico no Rio perdeu espaço, está desarticulado.

    Assim como as milícias, uma etapa superior da organização do crime.

    Clique aqui para ler interessante artigo de Claudio Beato, na pág. 3 da Folha (*):

    Beltrame ganhou a principal batalha, que foi o conceito: re-instalar o Estado na área criminosa.

    O Estado tem que governar.

    Com a fuga dos traficantes e a re-ocupação do espaço criminoso, surgirão problemas sérios.

    Para onde vão os traficantes foragidos ?

    Numa entrevista à RecordNews, o senador Marcelo Crivella chamou a atenção deste ordinário blogueiro para o deslocamento dos traficantes das favelas ocupadas pelas UPPs para cidades próximas ao Rio.

    Beltrame vai ter que ir atrás deles lá, também.

    Como desarticulou as milícias fora do Rio.

    (Será essa a razão para o Marcelo Lunus Itagiba não se re-eleger deputado federal ?)

    Também muito importante: a relação republicana que Sérgio Cabral manteve com Beltrame.

    Não há no Governo Sérgio Cabral nomeação política de chefe de delegacia ou de comando da Polícia Militar.

    E a população do Rio gosta do trabalho do Beltrame.

    O que ajudou a re-eleger Sérgio Cabral.

    Beltrame também vai atrás de criminoso do colarinho branco.

    E aí, de novo, ele esbarra em interesses políticos que começam a se afligir com a ação destemida do Secretário de Segurança do Rio.

    Dilma já disse que vai ampliar o conceito de UPPS pelo Brasil afora.

    Dilma poderia devolver à Polícia Federal a característica republicana, que se foi para Portugal, no avião com Paulo Lacerda.

    (Uma das – poucas – páginas cinzentas do Governo Lula.)

    O substituto de Lacerda, Luiz Fernando Corrêa, foge de crime do colarinho branco como foge do áudio grampo.

    E se dedica a perseguir o ínclito delegado Protógenes Queiroz.

    Clique aqui para ler “Delegados federais aplaudem Mercadante quando elogia Protógenes – frente do Corrêa ”.

    Já ouvi dizer que a Dilma vai nomear o Ministro da Justiça e o Diretor Geral da Polícia Federal.

    Ou seja, o Ministro da Justiça NÃO vai nomear o DG da Polícia Federal.

    É da cota dela.

    Foi o que fez o Dr Tancredo.

    Quando chamou o sábio Fernando Lyra para Ministro da Justiça já disse, ali, no ato, quem ia ser o DG da Polícia Federal.

    O Diretor Geral da Policia Federal é importante para combater o crime.

    Mas, o DG da Polícia Federal também pode chantagear, constranger o Presidente da República.

    O Fernando Henrique Cardoso poderia dar um bom depoimento sobre isso, numa das suas 674 entrevistas semanais ao PiG (**).

    Não há notícia de que Beltrame tenha constrangido o Governador do Rio.

    Nem tenha ameaçado à la Henrique Meirelles, o novo entrevistado de prateleira do PiG (**): só fico com autonomia !

    Beltrame hoje representa o policial de que os cidadãos se orgulham.

    Como foi Paulo Lacerda.

    Em tempo: sobre a cobertura do PiG (**) paulista à caça aos traficantes no Rio.

    O amigo navegante poderia responder às seguintes perguntas, por favor ?

    Onde se consome mais automóvel ? No Rio ou em São Paulo ?

    Onde se consome mais pizza aos domingos ? No Rio ou em São Paulo ?

    Onde se consome mais camisinha nos fins de semana ? No Rio ou em São Paulo ?

    E onde se consome mais cocaína ?

    No Rio, dirão os membros do PiG (**).

    Em São Paulo, por esse raciocínio, ninguém consome crack nem cocaína.

    Da mesma forma que nenhuma tucana de São Paulo fez ou fará aborto.

    Por isso, não há traficantes nem cenas de “guerra” em São Paulo.

    É uma área santificada, uma gigantesca Cidade do Vaticano, governada pelo Padroeiro de Aparecida, com as bênçãos do Padim Pade Cerra.

    É assim, amigo navegante ?

    Não.

    É porque, no Rio, o Cabral e o Beltrame combatem o tráfico.

    Em São Paulo, o tráfico se consorciou com o Estado.

    Como diz o especialista na matéria, o traficante colombiano Abadía, a melhor maneira de acabar com o tráfico em São Paulo é fechar a delegacia que combate o tráfico, o Denarc.

    Por isso, São Paulo não tem caveirão nem UPP.


    Paulo Henrique Amorim


    (*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

    (**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.



    Nesses dias difíceis no Rio, aprendemos o quanto seria melhor termos seguidos os conselhos do Bezerra e colocar arte contra o crime.

    Se Não Fosse o Samba
    Bezerra da Silva
    E se não fosse o samba
    quem sabe hoje em dia eu seria do bicho?
    E se não fosse o samba
    quem sabe hoje em dia eu seria do bicho?
    Não deixou a elite me fazer marginal
    E também em seguida me jogar no lixo
    A minha babilaque era um lápis e papel no bolso da jaqueta,
    Uma touca de meia na minha cabeça,
    Uma fita cassete gravada na mão
    E toda vez que descia o meu morro do galo
    Eu tomava uma dura
    Os homens voavam na minha cintura
    Pensando encontrar aquele três oitão
    Mas como não achavam
    Ficavam mordidos não dispensavam,
    Abriam a caçapa e lá me jogavam
    Mais uma vez na tranca dura pra averiguação
    *LuisNassif

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