Veja faz propaganda de hormônios
Quando a discriminação está no DNA de uma publicação não adianta escondê-la. A
humanidade que teve na inteligência de homens e mulheres de baixa
estatura o aporte de grandes contribuições à ciência e às artes, não
pode resignar-se quando supostos argumentos científicos são mobilizados
para estigmatizar a diferença.
A
revista Veja vem de estampar em sua capa jocosa imagem que sugere ser a
vida melhor para quem é mais alto. Esquecida de seu papel de contribuir
com o apagamento de diferenças culturalmente estabelecidas, que bem
poderiam ter tido origem nos primórdios das cavernas, a publicação volta
ao tempo do nazismo e brinca com algo que trouxe a família de seu
fundador ao Brasil, o escárnio dos autoproclamados maiores e normais.
Com
isso vilipendia a memória de todos aqueles que não chegando ao 1,70 m
de altura legaram inestimáveis contribuições aos pósteros, ao mesmo
tempo em que amplia o sentimento de diminuição social daqueles que não
foram favorecidos em nossa sociedade altamente discricionária com a
sorte de terem nascidos fortes e esteticamente bem dotados.
Mas
há uma coisa que os inescrupulosos editores de Veja não dizem para seus
leitores. Que a matéria de capa presta-se a fazer mechandising, ou
propaganda dissimulada, de drogas e tratamentos médicos a base de
hormônios e fatores de crescimento que teriam o condão de restituir aos
atingidos pela ”reportagem” a estatura que gostariam de possuir para
serem aceitos e bem sucedidos nos ambientes sociais nos quais interagem.
Não
terá sido a primeira vez que a revista dissimula interesses comerciais
em interesses científicos, como o demonstra a promoção que fez
recentemente de droga não aprovada pelas autoridades sanitárias para a
perda de peso. Mesmo que ao preço de riscos severos à saúde de leitores
menos avisados que desconheçam as implicações de tratamentos com drogas
de efeitos não estudados para grandes grupos populacionais, do tipo dos
alcançados pela revista.
No
caso específico dos hormônios e fatores de crescimento, resultados de
pesquisas facilmente acessadas pela internet demonstram a associação dos
mesmos com diferentes modalidades de cânceres e distrofias.
Se
a revista tudo faz para vender, cumprindo o papel de instrumento de
grandes laboratórios farmacêuticos, onde estão as autoridades de saúde
que não veem a público condenar abertamente essa ignomiosa campanha de medicalização das diferenças em detrimento da diversidade e da segurança médica da população?
*Brasilquevai


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