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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sábado, abril 21, 2012

Veja faz propaganda de hormônios


Quando a discriminação está no DNA de uma publicação não adianta escondê-la.  A humanidade que teve na inteligência de homens e mulheres de baixa estatura o aporte de grandes contribuições à ciência e às artes, não pode resignar-se quando supostos argumentos científicos são mobilizados para estigmatizar a diferença.

A revista Veja vem de estampar em sua capa jocosa imagem que sugere ser a vida melhor para quem é mais alto. Esquecida de seu papel de contribuir com o apagamento de diferenças culturalmente estabelecidas, que bem poderiam ter tido origem nos primórdios das cavernas, a publicação volta ao tempo do nazismo e brinca com algo que trouxe a família de seu fundador ao Brasil, o escárnio dos autoproclamados maiores e normais.

Com isso vilipendia a memória de todos aqueles que não chegando ao 1,70 m de altura legaram inestimáveis contribuições aos pósteros, ao mesmo tempo em que amplia o sentimento de diminuição social daqueles que não foram favorecidos em nossa sociedade altamente discricionária com a sorte de terem nascidos fortes e esteticamente bem dotados.

Mas há uma coisa que os inescrupulosos editores de Veja não dizem para seus leitores. Que a matéria de capa presta-se a fazer mechandising, ou propaganda dissimulada, de drogas e tratamentos médicos a base de hormônios e fatores de crescimento que teriam o condão de restituir aos atingidos pela ”reportagem” a estatura que gostariam de possuir para serem aceitos e bem sucedidos nos ambientes sociais nos quais interagem.

Não terá sido a primeira vez que a revista dissimula interesses comerciais em interesses científicos, como o demonstra a promoção que fez recentemente de droga não aprovada pelas autoridades sanitárias para a perda de peso. Mesmo que ao preço de riscos severos à saúde de leitores menos avisados que desconheçam as implicações de tratamentos com drogas de efeitos não estudados para grandes grupos populacionais, do tipo dos alcançados pela revista.

No caso específico dos hormônios e fatores de crescimento, resultados de pesquisas facilmente acessadas pela internet demonstram a associação dos mesmos com diferentes modalidades de cânceres e distrofias.

Se a revista tudo faz para vender, cumprindo o papel de instrumento de grandes laboratórios farmacêuticos, onde estão as autoridades de saúde que não veem a público condenar abertamente essa ignomiosa  campanha de medicalização das diferenças em detrimento da diversidade e da segurança médica da população?
*Brasilquevai

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