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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

A SOLIDARIEDADE A DIRCEU / Dilma tem encontro com Papa e abraça ideia de Copa contra a discriminação

Dilma tem encontro com Papa e abraça ideia de Copa contra a discriminação

Dilma recebe cumprimentos durante chegada a Roma
Dilma recebe cumprimentos durante chegada a Roma
Além do encontro com o papa Francisco, previsto para as 15h (horário de Brasília) como forma de retribuição à visita feita pelo pontífice ao Brasil na Jornada Mundial da Juventude, Dilma ainda deve se encontrar com o presidente da Itália, Giogio Napolitano. Segundo o Itamaraty, porém, os chefes de Estado devem tratar apenas de questões maiores. De acordo com a diplomacia, não há previsão de que se trate do caso da prisão do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolatto, preso em Modena por portar documentos falsos - a não ser que uma das partes se sinta à vontade para entrar no tema.
Dilma Rousseff vai ficar hospedada na Embaixada do Brasil em Roma e ainda não se sabe se, depois de assistir ao consistório que vai elevar a Cardeal o Arcebispo do Rio de Janeiro, dom Oraní Tempesta, neste sábado, vai ou não direto para Bruxelas, onde participa da cúpula Brasil-União Europeia. No sábado à tarde, a presidente deve cumprimentar Dom Orani em uma audiência geral na sala Paulo VI no Vaticano e, caso não vá para Bruxelas, deve participar, à noite, do coquetel oferecido pela embaixada brasileira no Vaticano ao novo Cardeal.

A SOLIDARIEDADE A DIRCEU



247 – Chegando à reta final, a campanha que arrecada doações para pagar a multa do ex-ministro José Dirceu teve doadores renomados, que têm um discurso para explicar a motivação da solidariedade. Até as 12h desta quinta-feira 20, a iniciativa havia arrecadado R$ 825.529,40, inclusa a transferência de R$ 143 mil feita pelo excedente do colega de partido Delúbio Soares. 
Ontem, Dirceu foi notificado pela Justiça a pagar a multa de R$ 971.128,92, sob risco de ter seu nome inscrito na Dívida Ativa da União.
Ao 247, o advogado José Roberto Batochio, ex-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), contou ter doado R$ 1 mil a Dirceu. "A solidariedade aos perseguidos é um valor a ser defendido na sociedade brasileira, que vive dias tão difíceis, quando muitos cultivam o ódio, sentimento típico de regimes fascistas", disse Batochio. Outro doador renomado foi o jornalista e escritor Fernando Morais, que foi taxativo ao justificar sua doação ao ex-ministro: "O dinheiro é meu. E com o meu dinheiro eu faço o que eu quiser".
Também jornalista, Paulo Moreira Leite, da revista IstoÉ – autor do livro "A outra história do mensalão", acredita que as doações são um instrumento para tornar inútil o esforço de realizar a "execução social" dos condenados na Ação Penal 470. "O que se quer é a execução social dos prisioneiros, que devem ser reduzidos a condição de seres manipuláveis e disponíveis, sem consciência nem vontade própria. As doações mostram que esse esforço é inútil".
Em entrevista recente ao jornal O Globo, o ator José de Abreu também declarou ter doado R$ 1 mil ao amigo Dirceu, que conheceu enquanto cursava a Faculdade de Direito. A intenção: "dividir a pena com ele". Crítico ferrenho da forma como foi julgada a Ação Penal 470, Zé de Abreu disse considerar "legítima" a iniciativa da militância, amigos e familiares em fazer a campanha de arrecadação.

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