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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

domingo, agosto 03, 2014

A COVARDIA é pra mim, o mais danoso, horrível e inaceitável pecado, ou crime, que um ser humano pode possuir em si mesmo.

Eu sou intolerante

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Por Ana Burke
Eu sou intolerante com as mentiras, roubos, enganação e controle mental que se faz dentro das igrejas por vigaristas que se dizem representantes de deus.
Eu sou intolerante porque AMO as pessoas, amo crianças e odeio as liçoes dediscriminação e preconceito que divide membros de uma mesma família em nome da fé como por exemplo: “Se eu abandono a igreja eu sou um apóstata, a vergonha da família e mereço ser excluído e abandonado pela mesma porque Deus quer assim”.
Sou intolerante e abomino os dogmas doentios inseridos nas oraçoes, ensinados e inculcados para adestrar e matar sem que ninguém alí presente se dê conta da maldade, afinal, “é coisa de Deus”.
Eu sou intolerante porque vejo pessoas inocentes carregando a arca do deus Amon egípcio e chamando esta porcaria de “Arca da Aliança”. Sou intolerante com o oportunismo e fico revoltada quando eu vejo pessoas ajoelhadas e adorando um templo chamado “Templo de Salomão”, quando os seus adestradores sabem, perfeitamente bem, que o rei Salomão bíblico é um plágio do faraó Amenhotep III.
Eu sou intolerante e fico infeliz vendo políticos associados ao sistema religioso e inaugurando Templos e igrejas relegando a segundo ou terceiro plano investimentos em saúde e educação. E fazem isto mesmo sabendo que estão sendo cúmplices da mentira, e que Templos e Igrejas, são construídos para formatar cabeças e roubar de pobres ignorantes e indefesos.
Eu sou intolerante e sofro quando vejo pessoas que eu amo comendo o corpo e o sangue de alguém que supostamente foi morto. Não importa o motivo pelo qual este ser foi morto…eu sei que isto é antropofagia.
Eu sou intolerante e fico indignada quando uma mãe inocente batiza um filho acreditando que este ser inocente já nasceu impuro, um pecador e precisa ser introduzido pela porta estreita da insanidade, obscuridade e ignorância, transformando um possível vencedor num perdedor, um possível futuro ser humano feliz e livre, num escravo.
Eu não consigo ser tolerante e assistir impassiva a adoração da maldade, a idolatria do sofrimento e da morte, criminosos se passando por boa gente e baixando a autoestima de pessoas de bem, ver gente caindo e rolando dentro de igrejas e templos acreditando em demônios e inferno, sendo chantageadas e usadas, sendo ameaçadas e inocentemente acreditando que isto tudo vem de um deus bom e justo.
Eu sou intolerante com a exploração da inocência e debilidade dos crédulos que pagam dízimos, compram bugigangas ungidas, estátuas de gesso, medalhas, velas e todo o tipo de quinquilharias com o dinheiro da comida dos filhos preferindo alimentar e dar boa vida aos mercenários da fé.
Eu sou intolerante com frases como “O perfeito está lá em cima no céu” afirmando a respeito de si mesmo que ele é imperfeito, pecador, pobre de espírito. uma ovelha que nasceu para servir e se alimentar num coche como o mais servil e pobre animal que depende da boa vontade do dono para sobreviver.
Eu sou intolerante quando escuto sobre uma catátrofe qualquer a frase: é ou foi a “Justiça de Deus”, mesmo que esta justiça de deus tenha sido aplicada a crianças inocentes mortas na referida catátrofe.
Eu não consigo ser tolerante quando sei de um pai que permite a morte, assassina o próprio filho, porque a sua igreja ensinou que uma transfusão de sangue é contra a vontade de deus.
Eu não consigo ser tolerante com a hipocrisia e a maldade porque eu sinto que sendo tolerante com este tipo de coisas, eu estou sendo covarde, e cúmplice.
COVARDIA é pra mim, o mais danoso, horrível e inaceitável pecado, ou crime, que um ser humano pode possuir em si mesmo.
A intolerância religiosa é a intolerância contra uma máfia de criminosos. Não é a intolerância contra os fiéis, contra uma pessoa ou grupo de pessoas.
O ser humano não nasce intolerante para com o seu próximo e nem covarde. Ele aprende a ser assim dentro de sistemas corrúptos. Ser intolerante com o meu próximo é diferente de ser intolerante com a maldade aplicada contra este meu próximo.
Eu sou intolerante com a estupidez que se transforma em verdade.
*A.Burke


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