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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sábado, abril 21, 2012


Manifestação contra a corrupção termina em confronto com a PM em SP

Ato público na Avenida Paulista já estava próximo do fim quando grupo decidiu ocupar faixas no sentido Paraíso






Foto: Nelson Antoine/ Fotoaerena/AE
PM jogou bombas de gás para dispersar manifestantes que atiraram pedaços de madeira
PM jogou bombas de gás para dispersar manifestantes que atiraram pedaços de madeira
A Polícia Militar atirou bombas de efeito moral para dispersar manifestantes contra a corrupção concentrados na Avenida Paulista em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) por volta das 18h20 deste sábado (21). A ação buscou liberar a avenida para o tráfego. Os manifestantes correram para o vão do Masp. A confusão ocorreu no momento em que a manifestação já estava próxima do fim. O trânsito foi liberado por volta das 19h.
Iniciado perto das 16h30, o protesto contra a corrupção começou em frente ao museu, na pista sentido Consolação. Os manifestantes se alinharam para formar a expressão "SOS STF", uma mensagem endereçada ao Supremo Tribunal Federal, para que seja agilizado o processo de julgamento do mensalão. Depois disso, a manifestação saiu do Masp até a Rua Bela Cintra, na Consolação, e de lá voltou no sentido Paraíso.

O grupo havia combinado seguir no sentido Paraíso até a Brigadeiro Faria Lima, onde a manifestação terminaria. Em vez disso, os manifestantes pararam em frente ao Masp e decidiram ocupar todas as faixas no sentido Paraíso. Eles resistiram à abordagem da polícia.

O tenente Adriano de Souza Fernandes afirma que duas pessoas foram detidas porque jogaram pedaços de pau e garrafas contra a polícia. Ele atuou em conjunto com 120 homens para dispersar o grupo.

"Tentamos negociar com as lideranças que se comprometarm a dispesar a movimentação, mas não adiantou. Consultamos o comando e eles nos disseram para usar as medidas necessárias. Náo houve excesso da polícia", afirmou. Segundo o tenente, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) passou a informação de que havia naquele momento 20 km de congestionamento provocado pelo protesto.

Manifestantes de vários estados brasileiros organizam protestos neste sábado contra a corrupção na política. Os grupos se organizaram para as marchas pelas redes sociais e pedem também o fim do foro privilegiado para parlamentares, a reversão de aumentos de salários de vereadores e a obrigatoriedade de ficha limpa para candidatos a cargos eletivos. Os organizadores do movimento estimam que cerca de 80 cidades promovam protestos neste sábado.
A Polícia Militar de São Paulo afirma que o protesto reuniu cerca de 800 pessoas. Os dez grupos que lideram a manifestação estimam a participação entre 2 mil e 2,5 mil pessoas.

"Nós estamos priorizando o julgamento já do mensalão no STF, mas também queremos que a corrupção seja transformada em crime hediondo, o fim do foro privilegiado e o voto aberto", disse Rose Losacco, representante do movimento "Por uma Nova Política." Enquanto caminham, os manifestantes repetem bordões: "Não à corrupção, eu quero meu dinheiro para saúde e educação" e "você aí parado também está sendo roubado."
*TribunaHoje
NINA

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