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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Nahas, Pinheirinho, Ilhas Virgens. Essa tal privataria vai longe... 

 

Filhos de Nahas operam com imóveis e empresa nas Ilhas Virgens (vizinha da PO Box da filha do Serra)
Se Naji Nahas está falido, ele não pode ter empresas. Mas seus filhos podem. E eles têm empresas de negócios imobiliários, com terrenos (semelhantes ao do Pinheirinho) que usam para fazer incorporações de condomínios milionários.
Uma das empresas de dois filhos de Naji Nahas é a Rofer Administração e Construção Ltda., que participou da incorporação de um edifício de alto padrão em São Paulo, o Acropólis Paraíso.
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Rofer

A empresa dos filhos de Nahas, tem duas coisas em comum com aquelas empresas da filha e do genro de José Serra, figuras centrais do livro de Amaury Ribeiro Jr., "A Privataria Tucana".
A Rofer tem como sócia um empresa off-shore situada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, e que lhe injetou alguns milhões ao capital social. Coincidentemente, a off-shore fica na mesma Road Town, na mesma ilha Tortola que aquela empresa da filha do Serra tinha em comum com a irmã de Daniel Dantas, nas mesmas Ilhas Virgens.
E por falar em José Serra, na operação Satiagraha a equipe do delegado Protógenes Queiroz capturou esse diálogo de Naji Nahas, conforme o relatório da Polícia Federal sobre a operação que vazou. Notem como o especulador revela obter informações quentíssimas do próprio Serra sobre a Cesp, que podem proporcionar lucros de R$ 80 milhões.
relatoPF

Isso mostra que o agora deputado Protógenes (PC do B-SP) e o jornalista Amaury Ribeiro Jr. ainda têm muito trabalho pela frente.
Em tempo: Nahas chegou a ser condenado na justiça do Rio de Janeiro por falência fraudulenta (geralmente consiste em ocultar patrimônio, como, por exemplo, passar bens para o nome de parentes, de forma a ficar fora do alcance de credores). Recorreu no STJ (Superior Tribunal de Justiça), e o processo ficou lá vagando até prescrever.

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