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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sábado, outubro 19, 2013

PF também vai investigar ex-diretor propineiro da CPTM




Pensava-se que eram "somente" US$ 6,8 mi os valores das propinas pagas pela Alstom aos governantes do PSDB. De acordo com a justiça Suíça, estes valores  ja estão em  US$ 836 mil, ou, R$ 1,2 bilhão 

Com a no caso, sendo aberta uma verdadeira "caixa de Pandora", com a vinda à tona desse escândalo. Trata-se  de uma verdadeira formação de quadrilha e pagamento de propina em licitações para a compra de equipamentos, a construção e a manutenção de linhas de trem e metrô em São Paulo. O negócio é bilionário. Os cabeças da trama já começam a aparecer. E não são peixes pequenos, não. A coisa toda chega até  a todos os governadores do PSDB. É um salve-se quem puder. Mas, os meus queridos leitores perguntam: Algum tucano vai parar na cadeia?

Jornal O Estado de São Paulo dessa sexta feira (18): Polícia Federal recebe papéis da Suíça que mostram depósitos de US$ 836 mil na conta de João Zaniboni, que atuou na estatal nos governos Covas e Alckmin

A Polícia Federal vai investigar o engenheiro João Roberto Zaniboni, ex-diretor da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) nos governos dos tucanos Mário Covas e Geraldo Alckmin, entre 1999 e 2003. A investigação tem base em documentos bancários que há uma semana o Ministério Público Federal encaminhou à PF.

Estão entre os papéis extratos da conta Milmar, no Credit Suisse de Zurique, por meio da qual Zaniboni recebeu depósitos no valor global de US$ 836 mil, supostamente dinheiro oriundo de corrupção por favorecimento à multinacional Alstom.

Os documentos originais chegaram ao Brasil em fevereiro de 2011, endereçados ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) - braço do Ministério da Justiça a quem cabe o papel de autoridade central para rastrear fortunas ilícitas de cidadãos brasileiros em paraísos fiscais.

No entanto, a PF nunca recebeu aquelas provas contra Zaniboni - o que só ocorreu há uma semana - que poderiam ser incluídas no inquérito 222/2008, investigação sobre pagamento de propinas a políticos do PSDB e ex-dirigentes de estatais paulistas, a partir dos anos 90, no setor de energia.

Como já relatou o caso Alstom, com indiciamento criminal de onze alvos, a PF decidiu encartar o dossiê Zaniboni nos autos de outro escândalo, o inquérito Siemens, multinacional alemã que fechou acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), também vinculado à pasta da Justiça.

As peças que só agora estão em poder da PF são as mesmas que aportaram no Brasil há 2 anos e 8 meses, com exceção a um detalhe - não consta da papelada uma importante providência que a Suíça havia solicitado já naquela época: diligência de buscas e apreensão na residência de Zaniboni.

A PF avalia que agora a medida já não faz nenhum sentido, uma vez que tornou-se pública a vinculação do ex-diretor da CPTM com suposta corrupção.

Além de fazer minucioso relato sobre a movimentação financeira de Zaniboni, o Ofício Federal de Justiça da Suíça, amparado em procedimento de investigação do Ministério Público da Confederação (MPC), indicou os caminhos e a origem dos recursos da conta Milmar. São citados os consultores Arthur Gomes Teixeira e Sérgio Meira Teixeira, que teriam atuado como lobistas da Alstom.

Na ocasião, o DRCI enviou o dossiê Zaniboni ao MPF/SP. Desde então, os documentos ficaram sob responsabilidade do procurador da República Rodrigo de Grandis, que acompanha o inquérito Alstom.

A Suíça atribui a Zaniboni e aos Teixeira prática de corrupção e lavagem de dinheiro. Os investigadores de Genebra estão convencidos de que o ex-diretor de operações e manutenção da CPTM recebeu dinheiro de propina para atender a interesses da multinacional francesa.

Na mesma época, 20 de dezembro de 2002, em que assinou termo de aditamento a um contrato com a Alstom - instrumento que elevou de R$ 19,4 milhões para R$ 23,6 milhões o custo de "prestação serviços de revisão geral com fornecimento de materiais de 29 trens" -, Zaniboni recebeu "numerosos pagamentos" na conta de Zurique.

Segundo a investigação, a Alstom fez remessas para duas offshores sediadas no Uruguai, controladas pelos lobistas Teixeira que, por seu lado, fizeram transferências para a conta Milmar. A suspeita é de que Zaniboni teria recebido recursos também de outras fontes - a Suíça localizou "pagamentos isolados", entre maio e dezembro de 2000, em favor do então diretor da CPTM.

Nessa quinta-feira, 17, o procurador Rodrigo de Grandis confirmou que não encaminhou para a PF os documentos de Genebra. Ele ressaltou que o Ministério Público Federal tem realizado diligências diretamente e junto ao Poder Judiciário. 
*osamigosdopresidentelula

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