Páginas

Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

domingo, outubro 20, 2013

Viva o leilão. Lula
retomou a Petrobras do FHC!

E, por que bancar Libra sozinha, se a Petrobras não tem essa grana e será a única operadora e responsável por pelo menos 30% do serviço ?

Como se sabe, o Príncipe da Privataria abriu uma brecha no monopólio estatal da Petrobras.

Como se sabe, o Príncipe da Privataria criou a Petrobrax com a ideia de fatiá-la para vender mais fácil, como o PRI vai fazer agora com a PEMEX mexicana.

O Príncipe foi pioneiro no entreguismo latino-americano…

A brecha foi contornada pela competência da Petrobras.

E pelo Nunca Dantes.

(Com a ajuda providencial do Sergio Gabrielli, então presidente da empresa.)

Quando a Petrobras descobriu o pré-sal, Lula criou os mecanismos legais para retomar a Petrobras dos privateiros.

A começar pela troca do regime de concessão pelo regime de partilha na exploração do pré-sal: o Tesouro e o consórcio produtor dividem a produção e o risco e o Tesouro cobra impostos e royalties (agora, para financiar a Educação e a Saúde).

FHC concedeu, entregou a rapadura e só não entregou mais porque não teve tempo – e porque a Petrobras, mesmo com o buraco no monopólio, foi lá e, com competência, manteve a hegemonia na exploração.

(O Aécio lançou sua candidatura a Presidente com a revogação do sistema de partilha; o Cerra prometeu o pré-sal à Chevron; aguarda-se para breve o Dudu Campriles e a Tucarina também prometerem o pré-sal à Chevron. É inevitável, já que a retomada da Petrobras talvez seja a mais profunda das obras do Nunca Dantes.)

Os protestos contra o leilão são feitos fora de hora e fora de senso.

Fora de hora, bem entendido.

Porque numa democracia a bronca é livre e se pode protestar quando bem se entender.

Porém, os protestos teriam sido mais úteis se tivessem sido feitos quando o Congresso Nacional discutiu exaustivamente a retomada da Petrobras dos privateiros.

Lembram quando o Álvaro Dias quase monta uma CPI só para desmoralizar a Petrobras com os argumentos fornecidos do Globo Overseas ?

O Catão dos Pinhais é um incansável leitor do PiG (*).

(Clique aqui para ler “Leilão de Libra afoga a SECOM”)

É de elementar aritmética que a Petrobras sozinha não pode bancar Libra.

É muita grana.

E, por que bancar Libra sozinha, se ela será a única operadora e responsável por pelo  menos 30% do serviço ?

E se o dinheiro do pré-sal fará com que o Orçamento do Ministério da Educação seja 10% do PIB !!!

(Hoje, é de R$ 90 bi e cresce significativamente no Governo Lulilma.)

Como essa modestas reflexões, o Conversa Afiada recomenda a leitura de trecho da seção de Celso Ming, no Estadão, um dos poucos, talvez único comentarista de inclinação neoliberal que mereça ser lido nesta selva predadora que é o colonismo (**) neolibelês (***) do PiG (*); trecho de entrevista do  Ministro Mantega ao Estadão; e o Tijolaço em que o Fernando Brito saúda uma reportagem do Globo, por incrível que pareça.

Talvez porque a sangrenta oposição do Globo à Petrobras se tenha revelado um tiro no pé – a Globo Overseas tem sede em paraíso fiscal e num paraíso na Terra, o Rio, que será o centro do sistema cardio-respiratório do pré -sal.

Seus lances, senhores



É o primeiro do pré-sal, no regime de partilha. Será realizado nesta segunda-feira, no Rio, e envolverá jazida … , equivalente à metade das reservas comprovadas do País, de 15,3 bilhões de barris. Dos 11 interessados, 9 fizeram os depósitos previstos no edital, incluída aí a Petrobras que, obrigatoriamente, participará com pelo menos 30% e será a única operadora. O bônus de assinatura está fixado em R$ 15 bilhões, o equivalente a 60% da arrecadação do Imposto de Renda em 2012. Leva o leilão o consórcio que oferecer ao Tesouro o maior volume de petróleo a ser produzido, estabelecido aí o mínimo de 41,65%. Com exceção da Shell, nenhuma das megaempresas do setor se inscreveram.
O investimento pode elevar-se a R$ 500 bilhões, como avalia a consultoria IHS citada sexta-feira pelo jornal Valor Econômico. No seu nível máximo, Libra sozinha poderá trazer do subsolo 1,4 milhão de barris por dia, mais da metade da atual produção.


“Libra não terá dinheiro do tesouro”



Mas, com as dificuldades de caixa, a Petrobras terá condições de pagar pelo menos R$ 4,5 bilhões pelo bônus de assinatura do contrato?  Isso se ela não superar os 30% de participação mínima, o que vai exigir ainda mais recursos…


Claro que terá condições. A Petrobras tem caixa para isso, eu sei porque sou o presidente do conselho de administração da empresa. O caixa da Petrobras tem várias dezenas de bilhões de reais. Não vou dizer quanto porque isso é confidencial. Mas posso dizer que o caixa da Petrobras é semelhante ao de empresas do seu porte e magnitude. Ela tem caixa, e quando falta ela faz captações externas, para complementar as necessidades. Neste ano ela deve investir ao todo R$ 97 bilhões, e no primeiro semestre captou US$ 11 bilhões.


O leilão de Libra é muito criticado pela esquerda, porque ele representa a entrega do petróleo para multinacionais, e pela direita, que o considera estatizante, diante da participação obrigatória da Petrobras. Como o sr. Vê?


O leilão de Libra não é estatizante. Ele será fruto de uma parceria entre o setor publico e o privado, porque a Petrobras não tem o monopólio como tinha no passado. Ela tem 30%, pode ter até um pouco mais, e deverá se juntar a grupos privados para a exploração desse poço maravilhoso que é um dos mais rentáveis do mundo. Para nós é importante não só pelo bônus, mas porque ele vai provocar um volume de investimentos inéditos, US$ 180 bilhões em 35 anos. Nos primeiros 10 anos, R$ 80 bilhões. Vai causar um grande estímulo para a economia. Vai ter que construir navios, barcos… O Brasil vai ser um grande produtor. Tem um grande potencial que vai ser aproveitado pelos brasileiros.

Pré -sal vai geral 87 milhões de empregos



Paulo Henrique Amorim

Nenhum comentário:

Postar um comentário