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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sábado, maio 24, 2014

Cerca de 20 mil marcham contra a Copa em São Paulo e prometem "junho vermelho


Divulgação MTST
Liderado pelo MTST, o protesto teve o intuito de recolocar a necessidade da garantia dos direitos humanos ante ao atendimento dos negócios milionários da FIFA e de empresários 
23/05/2014

Por Bruno Pavan
De São Paulo (SP)


O vermelho era a cor predominante no Largo da Batata, zona oeste de São Paulo, na tarde de última quinta-feira (22). Liderados pelo Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), inúmeros movimentos como a Frente de Resistência Urbana, Movimento Passe Livre (MPL), Comitê Popular da Copa, entre outros, foram às ruas no protesto “Copa sem povo, tô na rua de novo ”.

Em nota, essas organizações populares e de juventude alertaram que "a Copa do Mundo nem começou e já tem seus derrotados. Para atender aos negócios milionários da FIFA e suas empresas parceiras, os governos instauraram um verdadeiro estado de exceção onde os direitos básicos da população são violados. São milhares as famílias vítimas da Copa em todo Brasil". 

De acordo com o movimento e com quem presenciou o ato pacífico, mais de 20 mil pessoas estiveram presentes. Foram quase seis quilômetros até a ponta Octávio Frias de Oliveira para protestar contra o dinheiro gasto na realização da Copa do Mundo e a especulação imobiliária na região de Itaquera. “O legado da Copa é o aumento do meu aluguel”, dizia uma das faixas.

Eram cerca de 18 horas quando a marcha começou, já com escolta da PM, que não foi esquecida nos gritos dos manifestantes. “Ei, Alckmin, pode mandar a tropa, se não tiver o povo, não vai ter Copa”. O prefeito Fernando Haddad também não foi poupado: “Ei, Haddad, paramos a cidade”.

Ao longo da avenida Faria Lima, inúmeros olhares curiosos se lançavam à massa. Muitos comércios abaixaram as portas esperando que a marcha passar. Um princípio de confusão entre um sem teto e um segurança se deu em frente ao Shopping Iguatemi, mas foi logo abafada por outros manifestantes.

Já no final da marcha, os Sem teto tomaram a Ponte Estaiada e, aos gritos de “a Estaiada é nossa”, o líder Guilherme Boulos prometeu que o mês da Copa será um “junho vermelho”. 

*Brasildefato

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