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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sexta-feira, julho 30, 2010

Brasil, em conjunto com a Índia e a África do Sul, vai ajudar a financiar a construção de um hospital na Faixa de Gaza







Brasil ajuda a construir hospital em Gaza

Recomenda-se que José Serra não leia essa notícia: O Brasil, em conjunto com a Índia e a África do Sul, vai ajudar a financiar a construção de um hospital na Faixa de Gaza. Se ler, Serra vai perguntar o que que o Brasil foi fazer em Gaza, e que seria melhor construir o hospital em algum país vizinho sul-americano. Não, país sul-americano não, porque é filantropia. Melhor fazer o hospital no Nordeste. Não, Nordeste, não, porque tem muito pobre e eles ficam vindo para São Paulo. É melhor fazer o hospital em São Paulo mesmo e privatizar parte do atendimento, cobrando preços altos, como os pedágios, para prestar bons serviços, concluiria Serra.

Mas como o governo brasileiro, felizmente, não pensa como Serra e é solidário em sua política externa, se aliou a outros países emergentes e generosos, como Índia e África do Sul, para pensar na população sofrida da Faixa de Gaza, submetida a um bloqueio feroz há três anos, desde que teve a petulância de escolher, por eleição direta, o Hamas para governar o território, com o que não concordaram Israel e Egito.

Segundo matéria , a construção do hospital enfrenta obstáculos pelo bloqueio imposto por Israel e Egito e pela proibição, por parte de Israel, do ingresso em Gaza de material de construção, que o governo israelense teme que seja usado para a construção de armas (?) e abrigos antiaéreos.

O ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim, para desespero de Serra que não entende o que fazemos no Oriente Médio, pediu diretamente ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu que abra uma exceção para o projeto do hospital.

Posto aí em cima, para que vocês vejam um pouco do drama que vivem os plaestinos de Gaza em matéria de atendimento hospitalar, um dos capítulos da excelente série de vídeos (legendados em português) intitulada Crianças de Gaza, produzida pelo Channel 4, da Inglaterra. Você pode ver todos os episódios na lista de reprodução que aparece ao final de cada capítulo.

O Fórum de Diálogo Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) já financiou um centro esportivo em Ramallah, na Cisjordânia, e tem como metas aliviar a pobreza e a fome, além de promover o desenvolvimento sustentável de países que estejam necessitados”, como a Palestina, o Haiti, Cambodja e Guiné Bissau.São quatro países com muitos problemas e sofrimentos internos e que, por isso mesmo, são capazes de sentir e agir diante daqueles que estão em dificuldades maiores ainda.

Sabem, aquela coisa antiga e demodé para Serra, chamada solidariedade. Razões humanistas, impossíveis de serem absorvidas pela mentalidade tucana “de mercado” que só pensa que tipo de vantagem vai levar nisso.

dotijolaço

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