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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, março 20, 2014

Marcelo Freixo recebe família de Cláudia Ferreira, arrastada por PMs em Madureira

Crédito: Leon Diniz/Assessoria de comunicação

Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa, Marcelo Freixo se reuniu, nesta quarta-feira (19), com parentes de Cláudia Silva Ferreira, 38 anos, arrastada por policiais militares do 9º BPM (Rocha Miranda) na manhã do último dia 16, em Madureira. Compareceram ao encontro Alexandre Fernandes da Silva (marido), Thais da Silva (filha) e Júlio César da Silva Ferreira (irmão).
Freixo se comprometeu a acompanhar o desempenho escolar dos quatro filhos e quatro sobrinhos – que têm idades entre cinco e 18 anos – criados pela vítima, para que eles recebam atendimento pedagógico adequado. “Vou me reunir com a direção de cada escola para conversar sobre a necessidade de eles receberem o amparo adequado”, explicou.

Como um dos filhos, de 16 anos, passou para o 1º ano do Ensino Médio e ainda não conseguiu vaga na rede pública, a comissão vai viabilizar sua inserção numa unidade perto de sua casa, no Morro da Congonha, em Madureira.

O governo do Estado prometeu assistência psicológica à família. Por isso, Freixo vai entrar em contato com a Secretaria Estadual de Assistência Social para garantir que o auxílio seja realmente prestado a todos. Seis dos oito filhos viram Cláudia morta e seu corpo ser levado pelos policiais.

Investigações
Júlio César alertou para o risco de as armas dos PMs envolvidos diretamente na ação não terem sido apreendidas para perícia. Segundo ele, os três policiais que levaram o corpo de Cláudia não participaram da operação. O trio foi chamado pelos colegas após a mulher ter sido baleada.

“A viatura se deslocou de lá (da base do 9º BPM). Eles ficaram encarregados de fazer a retirada , que por sinal foi muito mal feita. Eles chegaram, pegaram ela e jogaram na viatura de qualquer maneira. Poderiam ter botado no banco da viatura, corretamente. O exame de balística das armas deles não vai dar nada. Tem que recolher as armas dos nove”, lembrou. O caso foi relatado ao governador Sérgio Cabral e à chefia da Polícia Civil.

Para garantir que não haja problemas nas investigações e os envolvidos sejam punidos, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania também vai acompanhar de perto a apuração do crime.

Ameaças
Parte dos policiais do 9º BPM tem histórico de violência. Só em 2013, foram registrados na área do batalhão 18 autos de resistência, que são homicídios cometidos por policiais em supostos confrontos – a média é de mais de um por mês.

Além disso, segundo o portal UOL, dois dos três policiais que transportaram o corpo estão envolvidos em 62 autos de resistência. O subtenente Adir Serrano Machado é responsável por 57 registros, que resultaram na morte de 63 pessoas. O subtenente Rodney Miguel Archanjo aparece em cinco ocorrências, com seis homicídios.

Por isso, a comissão vai acompanhar a situação deles, para garantir sua segurança. Júlio César, Alexandre e Thais estão com os telefones da comissão para acionar o deputado em caso de ameaças.

Transporte
Uma testemunha contou a parentes da vítima que o corpo de Cláudia teria caído do porta-malas do carro da polícia mais uma vez antes de ser arrastado pela Estrada Intendente Magalhães.

Os policiais não teriam fechado adequadamente o porta-malas e, após passarem em alta velocidade por um quebra-molas na Rua Buriti, o corpo teria caído. Ainda não há provas sobre a denúncia.



*blogmarcelofreixo

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